Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 12 junho, 2011

JUNG: A RACIONALIZAÇÃO NÃO LIVROU O HOMEM MODERNO DE SEUS FANTASMAS, NA AUSÊNCIA DE UM SENTIDO DO SAGRADO, VIVE-SE UMA ÉPOCA ANESTESIADA, REPLETA DE NEUROSES

O homem dos símbolos

É verdade, no entanto, que nesses últimos tempos o homem civilizado adquiriu certa dose de força de vontade que pode aplicar onde lhe parecer melhor. Aprendeu a realizar eficientemente o seu trabalho sem precisar recorrer a cânticos ou batuqyes hipnóticos. Consegue até dispensar a oração cotidiana em busca de auxílio divino. Pode executar aquilo a que se propõe e, aparentemente, traduzir suas ideias em ação sem maiores obstáculos, enquanto o homem primitivo parece estar a todo momento tolhido por medos, superstições e outras barreiras invisíveis. O lema “querer é poder” é a superstição do homem moderno.

Para sustentar essa crença, no entanto, o homem contemporâneo pega o preço de uma incrível falta de introspecção. Não consegue perceber que, apesar de toda a sua racionalização e eficiência, continua à mercê de “forças” fora do seu controle. Seus deuses e demônios absolutamente não desapareceram; têm apenas novos nomes. E o conservam em contato íntimo com a inquietude, com apreensões vagas, com complicações psicológicas, com uma insaciável necessidade de pílulas, álccol, fumo, alimento e, acima de tudo, com uma enorme coleção de neuroses.

Carl Gustav Jung em O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008


Leia mais em Educação Política:

A TERCEIRA MARGEM DO CORAÇÃO SELVAGEM – PENSANDO CLARICE LISPECTOR E GUIMARÃES ROSA
RIO DE JANEIRO RECEBE A MOSTRA “SAUL STEINBERG – AS AVENTURAS DA LINHA” E PORQUE NÃO DA VIDA
AS PAREDES DE UMA PEDRA ENCANTADA DE NOME PAÊBIRU
LIVRO APROVADO PELO MEC É ALVO DE CRÍTICAS DA IMPRENSA POR CONTER “ERROS GRAMATICAIS”
%d blogueiros gostam disto: