Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 19 junho, 2011

VÉUS AO VOLANTE: MULHERES SAUDITAS TENTAM MUDAR A REALIDADE DE UM DOS PAÍSES MAIS CONSERVADORES DO PLANETA

Na direção da revolução!

Ao contrário das grandes manifestações e protestos que têm acontecido no mundo árabe, reunindo multidões e mais multidões na luta por democracia, dessa vez, o oriente foi palco de um protesto silencioso, quase imperceptível de tão discreto, mas não menos importante e legítimo que o primeiro.

Na última sexta-feira, 17 de junho, várias mulheres sauditas portadoras de carteira de habilitação internacional saíram às ruas dirigindo seus carros como sinal de protesto contra a prisão de uma mulher no mesmo país alguns dias antes justamente por dirigir seu próprio carro.

Na Arábia Saudita, um dos países mais conservadores do mundo, não há nenhuma lei civil que proíba as mulheres de dirigir, mas como a prática não é bem vista pela religião, não são concedidas carteiras de habilitação a elas, o que as leva a conseguir as carteiras no exterior. Mesmo assim, Manal al-Sharif, de 33 anos, acabou presa por algo como “apologia ao crime”, depois de colocar um vídeo no YouTube mostrando a sua atitude.

O protesto das mulheres sauditas por melhorias na sua condição social, política e cidadã é importante por representar a possibilidade de que mudanças efetivas aconteçam em um dos países mais conservadores do mundo. Este prostesto feminino representa a consciência das mulheres mulçumanas que, mesmo formadas no seio de outra cultura, aspiram pela liberdade e pelo direito de dirigir a própria vida, não apenas um carro. Enfim, elas se mostram, mesmo por trás dos véus!

Véus ao volante, perigo para o rei
Redação Carta Capital

Há anos, as sauditas são frustradas por promessas não cumpridas de melhora em sua condição. Há seis anos, quando das primeiras eleições municipais no país, o governo prometeu que da próxima vez elas participariam – mas há eleições este ano e não lhes foi permitido registrar-se como eleitoras. Também em 2005, o rei prometeu autorizá-las a dirigir, o que também não aconteceu.

Cansada de esperar, Manal al-Sharif, de 33 anos, saiu com seu carro em maio, o que a rigor não é ilegal, apesar de condenado pelas autoridades religiosas wahabitas. Nenhuma lei civil proíbe explicitamente as mulheres de dirigir. Apenas não lhes são concedidas habilitações – mas ela conseguira uma carteira internacional no exterior.

Mesmo assim, ela foi presa e acusada de -“perturbação social” por postar um vídeo de sua façanha no YouTube. “Apologia ao crime”, como diriam, por aqui, desembargadores paulistas e blogueiros conservadores. Mas, em vez de intimidar, a ação policial indignou as compatriotas. A campanha Women2Drive ganhou corpo no Facebook e convocou mulheres com habilitações internacionais a dirigir na sexta-feira 17 de junho, em protesto contra a proibição, que foi a primeira ação desde novembro de 1990, quando 47 sauditas dirigiram 15 carros por Riyadh antes de serem presas. (Texto completo)

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