Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Mensais: julho 2011

SE EU SOUBESSE, POR CHICO BUARQUE E THAÍS GULIN

Em ritmo de Bossa Nova e acordes de MPB, a cantora e compositora curitibana Thaís Gulin harmoniza neste vídeo sua voz à do também cantor e compositor Chico Buarque. Na gravação de Se eu soubesse, composição do próprio Chico para o novo disco da cantora, a combinação do belo arranjo e da perfeição na execução das notas, proporciona uma experiência sonora expressiva e de elevada qualidade.

Se eu soubesse tem uma poesia que transparece na letra, assim como quase todas as composições de Chico, e tal poesia parece combinar muito bem com as vozes de Chico e Thaís, ambas suaves e sintonizadas em um mesmo destino musical.

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LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO SOMA 251 NOMES, A MAIORIA DOS INGRESSANTES ESTÁ NAS REGIÕES SUL E CENTRO-OESTE

A atualização semestral da lista suja inclui 48 novos nomes, entre eles estão o de dois prefeitos, de municípios do Maranhão e de Minas Gerais

A lista suja do trabalho escravo ou o cadastro dos explorados de mão de obra em condições análogas à escravidão é mantida pela Portaria Interministerial 2/2011, assinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Oficialmente reconhecida pelo governo federal a lista é um avanço na luta contra o trabalho escravo no Brasil por dois motivos básicos:

O primeiro deles diz respeito ao fato de que com a relação oficial de exploradores, os nomes daqueles que financiam o trabalho escravo tornam-se conhecidos por todos e passam, inclusive, a não receber mais ajuda de instituições financeiras públicas, proibidas pelo governo de emprestar dinheito ou fazer qualquer tipo de negócio com os exploradores. Os bancos privados também são recomendados a cortar negócios com os integrantes da lista e outras empresas e companhia privadas também podem aderir ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, assumindo o compromisso de cortar negócios com exploradores de escravidão e de implementar ações para evitar e eliminar problemas que estão na base desse mal.

Além disso, o reconhecimento oficial dos exploradores ajuda a diminuir a impunidade e potencializar as ações de fiscalização e punição, pois a lista tira esse tipo de mal daquela zona que passa ao largo da justiça e graça no terreno da completa impunidade. Prova disso é que entre 2007 e 2009, a média anual de operações de fiscalização registradas ultrapassou 140; mais de 280 estabelecimentos foram inspecionados, em média, a cada 12 meses, como mostra reportagem publicada pelo Repórter Brasil. Só o número de nomes incluídos na lista, 251, já é um dado bastante expressivo que mostra que os processos abertos estão sendo julgados.

A lista suja pode não resolver todos os problemas de um mal que é histórico e cultural na formação social brasileira, mas começa a lançar luz sobre um terreno antes obscuro, sendo assim, já configura um começo.

Veja trecho de texto sobre o assunto publicado pelo Repórter Brasil:

Com 48 inclusões, “lista suja” chega a 251 empregadores
Por Maurício Hashizume

Com a atualização semestral de julho de 2011, a soma total de infratores alcançou a marca de 251 nomes. Na divisão por regiões, Centro-Oeste e Sul aparecem com mais ingressantes. Dois prefeitos entraram no cadastro

A “lista suja” do trabalho escravo, como ficou conhecido o cadastro de exploradores de mão de obra em condições desumanas, jamais teve tantos nomes. Com a atualização semestral desta quinta-feira (28), a soma total de empregadores alcançou a marca de 251 nomes.

Foram incluídos 48 nomes na relação mantida pelo governo federal. Outros cinco foram excluídos. A “lista suja” é mantida pela Portaria Interministerial 2/2011, assinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

A quantidade expressiva de inserções é um reflexo da conclusão do grande volume de processos administrativos iniciados nos últimos anos. O MTE instaura esses procedimentos a partir das situações análogas à escravidão encontradas pelo grupo móvel de fiscalização e pela atuação das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs).

Só entre 2007 e 2009, houve cerca de 4,9 mil libertações por ano. Nesse mesmo período, a média anual de operações registradas ultrapassou 140; mais de 280 estabelecimentos foram inspecionados, em média, a cada 12 meses. (Texto completo)

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CAPITALISMO SENSACIONAL: CONSUMIDOR PAGA R$ 5.800,00 POR UM LITRO DE TINTA DAS IMPRESSORAS EPSON

Cartucho com etiqueta de preço da loja: 5ml por R$ 29,00

Consumo

A compra de uma impressora Epson, modelos T, pode ser uma fria sem tamanho para o consumidor.

Os cartuchos de tinta, que custam cerca de R$ 29,00, contém apenas 5 ml, isto mesmo, 5 ml. Isso equivale a um custo de R$ 5.800,00 por litro de uma simples tinta de impressão. Em alguns lugares é mais caro. Num país decente, isso deveria ser um escândalo.

Incrível, um litro da tinta para impressora da Epson sai por cinco mil e oitocentos reais.

As impressoras custam em média R$ 250,00. A troca de um jogo de cartucho de 5 ml, que não dá para imprimir quase nada, sai por cerca de R$ 120,00.

O consumidor poderia comprar um cartucho genérico, mas não há regulação nos genéricos de tinta e as impressoras da Epson não aceitam outro tipo de cartucho, a não ser os da própria marca.

Portanto, só há uma solução. Jogue a impressora fora e compre de outra marca que tenha um custo menor de impressão.

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TÍMIDA QUEDA DAS TAXAS DE DESEMPREGO PODE SER REFLEXO DA DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA, SEGUNDO SEADE E DIEESE

O setor industrial foi um dos que mais fechou vagas em comparação com o ano passado. São 28 mil vagas a menos

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (27) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade, de São Paulo) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que em comparação com o ano passado a taxa de desemprego ficou praticamente estável nas sete regiões do país. Apenas em São Paulo passou de 10,7% no mês de maio para 11% no mês de junho.

Apesar de não configurarem um cenário negativo, a timidez dos dados surpreendeu os pesquisadores, pois esperava-se uma diminuição maior das taxas de desemprego. A pouca diminuição somada ao crescimento praticamente nulo da população economicamente ativa (PEA) que foi de 0,1% de maio para junho, são um sintoma, segundo os pesquisadores, da desaceleração da economia. Esta termina por  provocar certo arrefecimento do mercado de trabalho que, por sua vez, atravessa um cenário de  incerteza que apenas diminui contratações e investimentos.

Da Rede Brasil Atual

Desemprego não cai, e Dieese vê sinais de preocupação no mercado de trabalho
Seade e Dieese esperavam resultados melhores. Comparação anual ainda é positiva, mas mostra desaceleração

Por Vitor Nuzzi

São Paulo – Os resultados de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (27) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade, de São Paulo) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) preocuparam os técnicos. A taxa média de desemprego de junho não diminuiu como o esperado para este período. Pelo contrário, registrou leve alta na região metropolitana de São Paulo, a maior das sete áreas pesquisadas.

Pode ser um ajuste, depois de dados relativamente positivos de maio, mas a explicação mais apropriada parece ser a dos reflexos da desaceleração da economia no mercado de trabalho. “Ainda é positivo, mas bem menos do que a gente observou em 2010”, afirmou o economista Sérgio Mendonça, técnico do Dieese.

Na média das sete regiões, a taxa de desemprego ficou praticamente estável, passando de 10,9% em maio para 11% no mês passado, bem menor do que em junho de 2010 (12,7%). Em São Paulo, passou de 10,7% para 11%. “Normalmente se espera queda em junho. São Paulo foi a região que apresentou o movimento mais inesperado”, observou Mendonça. De positivo, os 11% de junho representaram a menor taxa para o mês desde 1989 (9,7%).

Mas os indicadores revelam um mercado de trabalho fraco. De maio para junho, a população economicamente ativa (PEA) praticamente não cresceu (0,1%), com 26 mil pessoas a mais em um universo de 22,1 milhões. A ocupação ficou estável, com apenas 8 mil pessoas a mais. Com isso, o número de desempregados teve pequeno acréscimo de 0,7%, com 17 mil a mais. (Texto completo)

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Professores em passeata no Rio de Janeiro

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu que, a partir do dia 1º de agosto, quando termina o recesso letivo do meio do ano, os professores que continuarem em greve terão o salário descontado. A decisão da justiça suspende uma liminar concedida ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) que garantia o direito de manifestação dos professores sem corte de ponto.

A manifestação dos professores no Rio de Janeiro começou em 7 de junho e, segundo a Secretaria da Educação, cerca de 1% do total de professores do estado aderiu à greve, embora o Sepe afirme que a adesão foi de no mínimo 60% da categoria.

A decisão da justiça carioca se baseia principalmente no direito dos alunos de assistirem a todas as aulas previstas no calendário letivo, no entanto, quando tenta-se preservar um direito, acaba-se esbarrando em outro, afinal, qualquer categoria tem direito a se manifestar quando não vê respeitados os seus mais elementares direitos.

Veja trecho de texto sobre o assunto publicado pelo jornal O Globo:

Justiça autoriza e governo do Rio cortará ponto de professores em greve
Ruben Berta

RIO – A Secretaria estadual de Educação do Rio de Janeiro informou na tarde desta terça-feira que irá descontar, a partir de 1º de agosto – quando as aulas serão retomadas após o recesso de meio de ano -, os salários dos professores que continuarem em greve. A medida se baseia numa decisão do Tribunal de Justiça, também publicada nesta terça-feira, suspendendo uma liminar concedida em primeira instância ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que garantia o direito à paralisação sem corte de ponto.

A Secretaria de Educação ressaltou que, por decisão própria, resolveu efetuar o pagamento dos dias parados e anotados desde o início do movimento, em 7 de junho. Segundo o órgão, dos 51 mil professores regentes de turma, 542 (cerca de 1%) aderiram ao movimento. As aulas já perdidas até agosto terão que ser repostas, de acordo com calendário estipulado pelo estado. Se não houver reposição, o servidor terá o desconto também retroativo. Até o fim desta semana, será divulgado o calendário de reposição de aulas, que deverá ocorrer até o dia 15 de setembro.

– É de fundamental importância que os alunos não tenham qualquer tipo de prejuízo – afirmou o secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia. (Texto completo)

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Multidão democrática

Grupos de música, alojamento de “indignados”, microfone coletivo, comissões essenciais, como Cozinha e Atendimento Médico, além de Ponto de Informação sobre o movimento e sua programação de atividades. É assim, de forma organizada e um tanto irreverente, que o 15-M se faz ouvir com faixas, cartazes e a certeza de que na luta pela igualdade e aumento de oportunidades “El pueblo unido jamás será vencido”.

Da Carta Maior

Milhares de jovens acampam em Madri
Por Fabíola Munhoz

Na hora marcada, uma massa de manifestantes começou a descer o Passeio do Prado aos gritos de “Que no, que no, que no nos representa!”, “A, anti, anticapitalista!” e “El pueblo unido jamás será vencido”, entre outros hinos. Cada vez mais pessoas iam se somando ao grupo, enquanto ele se aproximava do cruzamento do Passeio do Prado com a Rua Atocha. Ali, um microfone aberto à livre expressão possibilitava a quem quisesse, compatilhar suas reclamações com outras milhares de pessoas. A reportagem é de Fabíola Munhoz, direto de Madri.

A Puerta del Sol, em Madri, despertou agitada na manhã de domingo (24). Passei pela nova acampada feita pelo 15-M no local, por volta das 11 horas, e me deparei com tendas para informação sobre o movimento e também atividades das comissões de Ação, Cozinha, Comunicação, Meio Ambiente, Infraestrutura e Atendimento Médico.

Uma grande exposição de fotografias contava a história do processo de mobilização popular iniciado naquela mesma praça, no dia 15 de maio deste ano, atraindo o olhar de quem passava. Os transeuntes também se detinham para ler as mensagens de indignação presentes nos inúmeros cartazes espalhados pelo local. Ao lado, duas apresentações musicais aconteciam simultaneamente, acompanhadas por um público pequeno, porém animado.

Uma dessas atrações consistia num grupo de rappers que cantava frases rimadas, com conteúdo crítico à atual política socioeconômica levada a cabo pelos governos de toda a Europa frente à atual crise financeira. Os artistas eram acompanhados por uma base eletrônica que marcava o ritmo de suas canções, movida pelas pedaladas em uma bicicleta, cuja energia mecânica era transformada em impulso para funcionamento do equipamento de som, graças a uma engenhoca ecológica criada por algum defensor do meio ambiente. Na tenda de informação, um mural divulgava a programação prevista para aquela tarde e também para os dois seguintes dias, dando especial ênfase à manifestação que aconteceria a partir das 18h30 de ontem, na glorieta de Atocha. (Texto completo)

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Traços pessoais já são coisa do passado

A abolição do ensino da letra cursiva ou “a mão”, como é conhecida, em escolas de mais de 40 estados norte-americanos, é um reflexo do crescente peso da tecnologia na sala de aula e divide opiniões entre os educadores. Em um tempo onde o computador está integrado a praticamente todas as relações do dia-a-dia, os professores americanos consideram mais importante focar no ensino da letra de forma, de traços mais simples, já que o contato cada vez mais frequente com os teclados, dispensariam o tempo exigido para o aprendizado da letra cursiva.

No entanto, para muito educadores, o ensino da letra cursiva continua importante, pois ele responde a necessidades básicas que às vezes surgem no cotidiano, além de preservar um tom mais intimista da escrita respondendo a uma necessidade de aprendizagem para a vida social. Outros ainda afirmam que o aprendizado da letra cursiva faz parte do desenvolvimento do ser humano e que tão importante quanto saber digitar com habilidade no teclado de um computador é saber escrever com lápis e papel, pois, segundo Artur Gomes de Morais, professor titular do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, muitos países valorizam muito mais um documento escrito à mão do que digitado no computador.

Polêmicas à parte, notícias como essa fazem perceber como a massificação produz e visa produzir seres cada vez mais homogêneos. Para o mundo globalizado, das novas e complexas tecnologias, nós não nos diferenciamos mais pelo gosto, pelas roupas, pela comida, e agora, nem mais pela letra! Resta perguntar: para onde está indo o indivíduo?

Leia texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

Estados americanos abolem escrita à mão nas escolas
Por Ricardo Carvalho

O estado norte-americano de Indiana, seguindo uma tendência de mais de 40 estados do país, aboliu a exigência do ensino de letra cursiva em suas escolas.

A nova norma recomenda aos professores não dar ênfase na aprendizagem da letra cursiva – escrita manuscrita em que as letras são arredondadas e ligadas umas às outras pelas pontas – e focar em outras habilidades, como a digitação de textos em teclados. Desse modo, os educadores norte-americanos conferem menos importância à prática de caligrafia, algo que sempre foi tradição no país. Na prática, a norma significa o desestimulo ao trabalho de uma das formas da escrita à mão – e mantém-se a exigência do ensino da letra de forma (também chamada de “imprensa”), o que acarreta na diminuição do tempo gasto com a aprendizagem da forma manuscrita.

A medida adotada por Indiana é um reflexo do crescente peso das novas tecnologias na sala de aula. Os responsáveis por sua adoção creem que o uso cada vez mais frequente pelos alunos de computadores torna desnecessário que a criança concentre esforços na forma cursiva.

Trata-se, também, de um reflexo de algo que já é uma realidade em muitas escolas norte-americanas. De acordo com o jornal Valor Econômico, pesquisas nacionais mostram que 90% dos professores da 1ª a 3ª série gastam apenas uma hora por semana para o desenvolvimento da escrita à mão.

A nova norma gerou polêmica tanto entre educadores norte-americanos quanto brasileiros. “Não há perda propriamente da aprendizagem escolar (ao abandonar-se o ensino da letra cursiva), mas sim na aprendizagem para a vida social: o da escrita para comunicações pessoais, bilhetes, listas de compras, atividades que a escrita com lápis e papel resolve mais rapidamente, preservando a intimidade da comunicação”, afirma Magda Becker Soares, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. (Texto completo)

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Um mal mascarado

Na usina Petribu, em Pernambuco, o manuseio de agrotóxico pelos trabalhadores tem causado consequências sérias para a saúde destes e de seus familiares. Os trabalhadores são vítimas de intoxicação pelo veneno aplicado nos canaviais e não recebem qualquer tipo de indenização ou tratamento adequado por parte dos responsáveis pela usina.

Em muitos casos, são usadas medidas paliativas para conter os efeitos nocivos do veneno, como a ingestão de leite ou de uma dose de pinga depois do dia de trabalho. No entanto, tanto um como o outro não resolvem o problema, sem contar que a pinga, por ser também ela uma substância nociva ao organismo, potencializa o efeito negativo do veneno.

O problema não se restringe apenas aos trabalhadores. O uso indiscriminado de agrotóxicos nos canaviais pernambucanos faz com que o veneno se espalhe por ar, terra e água quando os canaviais são queimados e quando o veneno é lançado por aviões sobre a plantação e também sobre as casas e, algumas vezes, sobre os próprios moradores.

O raio de alcançe dos agrotóxicos na região, vai muito além das plantações de cana. Eles são utilizados em plantações de tomate e em diversas fruticulturas, contaminando mulheres que, quando grávidas, ou sofrem abortos, ou geram crianças com deficiências físicas ou distúrbios neurocomportamentais.

Tal quadro de total exposição da saúde das pessoas e do equilíbrio ambiental aos danos causados pelos agrotóxicos ajuda a ver como esse tipo de recurso amplamente utilizado nas práticas agrícolas pode ser prejudicial à saúde e ao meio ambiente e alerta a população a prestar cada vez mais atenção ao que se come e como se come. Mas, infelizmente, não são todas as pessoas que têm a chance de escolher e aí entra a responsabilidade do poder público em informar e impor limites ao uso dessas substâncias.

Veja texto sobre o assunto publicado pelo Brasil de Fato:

Veneno na pele
Em usina de Pernambuco, trabalhadores que manuseiam agrotóxicos ficam enfermos e transmitem doenças para familiares

Por Charles Souto
de São Lourenço da Mata e Itaquitinga (PE)

“De repente a menina cansava sem ninguém sabe como. Tinha que pegar e levar pro hospital às pressas”, relembra Madalena. A cena se repetia todos os dias. Sua sobrinha, à época com quatro anos, tinha crises respiratórias a cada fi m de tarde e era socorrida no hospital de São Lourenço da Mata, zona da mata norte de Pernambuco. “Foi então que a médica descobriu que os ataques só aconteciam quando meu irmão chegava em casa do trabalho. Ela pediu pra ele se afastar do serviço por algum tempo. Passou um mês e a menina não teve mais nada, quando ele voltou a trabalhar os ataques voltaram”. O irmão de Madalena aplicava agrotóxicos nos canaviais da usina Petribu.

Os ataques de asma que a sobrinha de Madalena sofria eram causados pelos vestígios de agrotóxico que permaneciam no corpo de seu irmão, “muito embora”, ressalta Madalena, “quando largava do trabalho, ele tomava banho na usina e trocava de roupa antes de ir pra casa”.

O relato de Madalena é reforçado por outras esposas e mães da região, cujos nomes verdadeiros foram preservados para evitar retaliações da usina. “O fedor é muito forte”, lembra Regina, cujo esposo de 30 anos aplica veneno nos canaviais da Petribu pela segunda safra consecutiva. “Quando ele chega do serviço, só entra pela porta de trás. A roupa que ele usa pra ir e voltar do trabalho tem que deixar na porta da casa. Boto na água sanitária e nada do cheiro sair. Tem dia que o fedor é tão forte que não consigo nem ficar perto dele”, completa.

Regina revela que seu esposo já foi parar no hospital municipal depois de passar mal e desmaiar durante a aplicação dos agrotóxicos. “Ele tomou soro e foi liberado. O médico não disse nada sobre o veneno e não passou nenhuma medicação. Até hoje tem dia que ele acorda no meio da noite com o corpo cheio de câimbra.” (Texto completo)

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ATIRADOR DO MASSACRE NA NORUEGA É BRANCO, LOIRO, OLHOS AZUIS E MILITOU EM PARTIDO DA EXTREMA-DIREITA

ATIRADOR DE OSLO MILITOU POR 7 ANOS NO PARTIDO NORUEGUÊS DE EXTREMA-DIREITA, 2ª FORÇA DO PAÍS

Da Carta Maior

Lindo: Quando a extrema-direita não contém seus desejos

A primeira reação da chamada grande imprensa diante dos atentados de dimensões catastróficas ocorridos em Oslo, em que morreram cerca de 90  pessoas, foi relacionar sua autoria a grupos terroristas islâmicos. O ‘New Yok Times’ chegou a divulgar um texto atribuído a um desses grupos,  que confirmava a autoria dos massacres. A informação foi rapidamente replicada em todo o mundo, sem qualquer investigação empírica, como algo dotado de uma lógica  autoexplicativa. Era falso. Tudo isso aconteceu antes que o próprio governo norueguês fornecesse uma pista para elucidar as motivações dos atentados. Quando se pronunciou, foi para advertir  que as maiores suspeitas recaíam sobre Anders Behring Breivik,  jovem branco, alto, louro, de olhos verdes e de classe média, islamofóbico, que  militou durante sete anos (1999/2006) no Partido do Progresso, uma legenda norueguesa de extrema direita, nacionalista e xenófoba. Segunda força do país, com 29% dos votos e 41 cadeiras no Parlamento, o PP é uma espécie de emulação nórdica do Tea Party norte-americano e a única legenda da Noruega que em plena crise mundial defende o corte de impostos e de gastos governamentais. Nisso se identifica com a ala bushiniana do Partido Repúblicano dos EUA e congêneres nativos. O enredo não fazia sentido. Na pauta esfericamente blindada da narrativa dominante  quase não há espaço para interações entre crise econômica,  extrema direita e violência terrorista. É bom ir se acostumando. O estreitamento do horizonte social produzido por interesses financeiros que levaram o mundo a uma espiral ascendente de incerteza, desemprego e volatilidade gera impulsos mórbidos que a extrema direita historicamente instrumentalizou. Vide as duas guerras mundiais do século 20. Uma precipitação da mídia em circunstancias como essa envolve o risco, nada desprezível, de desencadear represálias violentas contra comunidades etnicas e religiosas em diferentes pontos do planeta. É inevitável lembrar que a manipulação do medo e do ódio nos EUA, através de mídias como a Fox News, de Rupert  Murdoch, após o repulsivo atentado de 11 de Setembro, pavimentou o caminho de uma guerra desordenada em busca de ‘armas de destruição em massa’, de resto nunca encontradas. Sobretudo em situações extremas, a pluralidade da informação de alcance isonômico mostra-se uma salvaguarda indispensável da democracia contra a manipulação do medo e da dor pelo império do preconceito e da intolerancia.

(Carta Maior; Domingo, 24/07/ 2011)
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RETRATOS DA ORIGEM: EXPOSIÇÃO NO MAM DE SÃO PAULO TRAZ OBRAS DOS ANOS INICIAIS DE PORTINARI

Portinari, Retrato de Maria, 1934

Alguns traços modernos a pintar cenas populares e tradicionais. Um retrato do Brasil em cores alegres e às vezes sérias. Um pintor de denúncia social, de alegria popular, de natureza viva dotada de voz. O Brasil espalha-se nas telas de “um artista reverencial do século XX no Brasil”, Candido Portinari, que soube vê-lo desde a enxada do trabalhador, até a beleza da mulher.

O MAM de São Paulo promete para o período de julho a setembro “uma experiência de apreciação de pinturas de altíssima qualidade” com a mostra No Ateliê de Portinari que reúne 90 trabalhos do artista, além de esboços, fotos e documentos dos primeiros anos de carreira.

Sem dúvida, em se tratando de Portinari, a experiência prometida pelo curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo tem grandes chances de se concretizar. No entanto, olhar os movimentos iniciais de um artista, seja ele pintor ou poeta, é sempre uma experiência interessante, afinal, há os que dizem que os segredos mais insondáveis e inapreensíveis de toda uma trajetória de criação artística estão no seu começo, nos sutis retratos da origem.

Vi na edição da revista Cult de julho de 2011

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FLIP PARA O RESTO DO BRASIL: TODAS AS CIDADES E ESCOLAS BRASILEIRAS DEVERIAM VIVER A BELEZA, AS IDEIAS E A POESIA QUE PASSOU POR PARATY

Como diria Oswald de Andrade, o homenageado desse ano, para que mais pessoas possam "comer do biscoito fino da literatura e das ideias"

A FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) é um evento com grandes méritos. Primeiro, porque ela reúne nomes muito bons que pensam literatura e arte no Brasil. Segundo, porque ela promove um intercâmbio entre cidade, história, literatura e movimento popular.

Entre livros, versos, ideias, citações, a FLIP faz com que Paraty seja, uma vez por ano, um centro irradiador de beleza e cultura, mas Paraty e FLIP é para poucos. Como lembra Jorge Portugal em texto publicado na Terra Magazine, “Paraty é cidade cara, e fica mais cara ainda nessas ocasiões…”

Daí a sugestão de levar a FLIP para outras cidades do Brasil, para as escolas, para crianças, jovens, adultos, para aqueles que já descobriram ou ainda estão por descobrir o gosto afrodisíaco das letras. Uma semana dedicada à literatura, ao contato da população com escritores, suas obras e ideias, não é difícil de fazer. As escolas podiam ter uma semana de leitura em seu calendário, ao lado das festas juninas, do dia das mães e dos pais. As cidades também podiam movimentar-se em torno das letras, valorizando não só sua produção artística, quanto seu patrimônio histórico e cultural.

Tais semanas, tão simples de se fazer quanto uma boa história de se contar, possibilitariam que o sentimento FLIP se estendesse por todo ano, sendo amplificado por diferentes vozes, tecendo em fios variados e belos, a teia fantástica de um mundo eternamente a se escrever!

Veja a proposta de Jorge Portugal e acompanhe suas impressões sobre a FLIP desse ano:

A Flip e o resto do Brasil
Jorge Portugal

Passei cinco dias na FLIP gravando matérias e entrevistas para o programa Aprovado! aqui da Bahia. Mais do que isso, também curti a FLIP, suas mesas, as palestras, os debates, aquela overdose de cultura de alto repertório. Vi, com olhos marejados, o depoimento do Mestre Antonio Candido, na abertura do evento e, na sequência, a prosa poético-solar de Zé Miguel Wisnik, sempre brilhante, talento que nunca tira férias. O duelo de titãs entre o ceticismo filosófico de Luiz Felipe Pondé e o humanismo científico de Miguel Nicolelis nos deu a certeza de que o Brasil nada deve ao pensamento avançado do mundo.

Vi também Inácio de Loyola Brandão e Contardo Caligaris transformarem um fim de tarde em Paraty num belo thriller de narrativas memoráveis e assisti, por fim, a João Ubaldo Ribeiro, pop star absoluto da grande literatura da Ilha Brasil. Só para ficar nos nacionais. Trinta mil pessoas aplaudiam, com entusiasmo, intervenções, leituras, citações, tudo que fosse palavra boa de quem sabe fazer a mais fina arte com as palavras. Cheguei a fazer uma boutade com João Ubaldo, sugerindo uma letra de lei em nossa constituição que determinasse o direito (e o dever) a todas as cidades brasileiras realizarem uma FLIP. Naqueles dias, Paraty foi a capital da inteligência brasileira, uma espécie de centro irradiador de poesia, beleza e grandes ideias.

Mas aí, “aquele demônio inquieto” que mora no coração do educador começa a se coçar e a sonhar com coisas não recomendáveis a quem deseja paz de espírito. Por exemplo: Por que essa maravilha SÓ para 30.000 pessoas? Tudo bem, a internet transmitiu em tempo real, mas o contato direto, a fricção, o encontro com as super figuras que lá estiveram foram privilégio de poucos. Paraty é cidade cara, e fica mais cara ainda nessas ocasiões…(Texto completo)

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EM UM ANO, 600 MILHÕES DE SACOLAS PLÁSTICAS DEIXARAM DE SER CONSUMIDAS PELA POPULAÇÃO NO RIO DE JANEIRO

"Em Portugal, os mercados cobram cerca de 10 centavos de euro por cada sacola plástica. Acho que deveria ser assim aqui também”, sugeriu publicitária carioca adepta das sacolas retornáveis

Da Agência Brasil

Lei que desestimula uso de sacolas plásticas faz um ano e tem bom resultado no Rio
Por Flávia Villela

Rio de Janeiro – Em um ano de vigência da Lei 5.502/09, que desestimula o uso de sacolas plásticas no estado, a população fluminense deixou de consumir 600 milhões de sacolas. O número representa redução de cerca de 25% das 2,4 bilhões de sacolas que eram distribuídas anualmente no estado.

Os dados foram levantados pela Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e divulgados hoje (15) pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que ficou satisfeito com o resultado. No entanto, Minc disse que é preciso intensificar a campanha e criar novas ações para estimular o consumo consciente da população fluminense.

“É um resultado expressivo. São menos 600 milhões de sacolas nos rios, lagoas e canais. É menos gasto para o Poder Público em dragagem e menos gente que perde tudo e morre por causa das inundações. Mas nosso objetivo é dobrar essa meta no ano que vem e passar para 50% de redução em relação ao número inicial de 2,4 bilhões de sacolas”, acrescentou.

Entre as propostas para incentivar o consumidor a aderir à campanha para reduzir o consumo de sacolas plásticas, Minc citou a redução do preço das embalagens reutilizáveis, o aumento do desconto dado ao cliente que não usa sacolas plásticas e a veiculação de peças publicitárias sobre o assunto.

Nesta manhã, o secretário visitou alguns supermercados na capital, para ver se os estabelecimentos estão cumprindo a lei e dando o desconto de 3 centavos por sacola não utilizada, viabilizando alternativas e informando com cartazes sobre o desconto e os males ao meio ambiente que esse tipo de embalagem traz. Durante a operação foram entregues também folhetos para incentivar a sociedade a mudar de comportamento. (Texto completo)

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NÚMERO DE HOMICÍDIOS CAI EM SÃO PAULO, MAS VIOLÊNCIA POLICIAL E LOTAÇÃO DOS PRESÍDIOS LEVANTA DISCUSSÃO SOBRE MÉTODOS PREVENTIVOS DE COMBATE AO CRIME

Quem vigia o vigilante?

As taxas de homicídio doloso vêm caindo nos últimos dez anos no estado de São Paulo. No entanto, os índices de queda nos assassinatos são acompanhados de superlotação e expansão da população carcerária; e de uma violência crescente por parte da polícia e das autoridades responsáveis por conter a criminalidade.

O Educação Política divulgou em post recente que a polícia de São Paulo mata mais do que a polícia de Nova York. Tal situação nos leva a refletir a respeito dos métodos que estão sendo utilizados para garantir segurança à população e, por outro lado, permitir àqueles que cometeram algum tipo de crime o acesso a políticas efetivas de recuperação e reinserção na sociedade.

Como mostra reportagem publicada pela Unesp Ciência, pesquisadores da área de segurança pública questionam justamente os métodos utilizados pela polícia e dizem que ao pensar que as taxas de homicídio estão sendo reduzidas porque a polícia está de fato contendo a ação dos criminosos é uma visão da criminologia muito primária, mesmo porque o Brasil tem taxas de reincidências altíssimas.

O problema da segurança pública no Brasil é que não há uma política de segurança pública no Brasil. As polícias quando não matam, apenas encarceram os criminosos em espaços onde eles continuam cometendo os mesmos crimes de sempre. Por isso, métodos preventidos e uma vigilância dos próprios vigilantantes são alternativas pensadas por estudiosos da área, como mostra texto logo abaixo.

Transparência para quem precisa
O número de homicídios em São Paulo vem caindo, enquanto o total de prisões cresce e o de mortes pela PM se mantém; cientistas sociais põem em xeque a relação entre os dados e defendem uma polícia mais preventiva, aberta ao controle da sociedade

Por Pablo Nogueira e Giovana Girardi

Nos últimos dez anos, São Paulo vem obtendo uma sequência de quedas nas taxas de homicídio
doloso. No primeiro trimestre deste ano, o índice chegou a 9,5 casos por 100 mil habitantes, o que pela primeira vez deixou o Estado abaixo do nível considerado epidêmico pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 10 por 100 mil. A divulgação dos índices repercutiu positivamente junto à sociedade e permitiu ao governo do Estado reivindicar méritos para a estratégia de segurança pública que vem sendo desenvolvida na última década.

Mas outros indicadores precisam ser considerados para entender as mudanças que ocorreram na segurança pública neste período. A população carcerária do Estado explodiu, saltando de 53.117 em 1999 para 173.060 em 2010, o equivalente a 35% do total nacional. A principal responsável pelas prisões, a Polícia Militar, viu crescer
em mais de 200% sua participação no total de homicídios dolosos contabilizados em São Paulo, pulando de 2,63% em 1996 para 11,15% em 2008 (veja gráfico na pág. 21). Só para comparar, no mesmo ano, os policiais nova-iorquinos responderam por 1,3% dos homicídios registrados na cidade.

Esses números têm levantado questionamentos por parte de alguns pesquisadores da área de segurança pública. “Pensar que as taxas de homicídio estão se reduzindo porque estamos detendo os criminosos é uma visão de criminologia muito primária de que se o indivíduo é preso não vai reincidir. E os dados no Brasil apontam
alta taxa de reincidência”, diz Luís Antonio Francisco Souza, coordenador científico do Observatório de Segurança Pública da Unesp em Marília.

“O sujeito contido não deixa de cometer crime nem durante a punição nem depois de cumprir a pena.” Desde 2005, Souza e um grupo de estudantes de pós-graduação se dedicam a monitorar as boas práticas que surgem na
área, além de refletir criticamente sobre o setor. Para ele, os dados têm de ser interpretados de outro modo: “as taxas de encarceramento continuam altas a despeito da redução das taxas de criminalidade”, diz. (Texto completo)

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SEGUNDO A TELEBRASIL, NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2011, A CADA DOIS SEGUNDOS UM NOVO BRASILEIRO PASSOU A TER ACESSO À INTERNET BANDA LARGA

Velocidade e mobilidade: em comparação com o primeiro semestre de 2010, a banda larga móvel cresceu 67%

Da Telesíntese

Brasil chega a 43,7 milhões de acessos em banda larga
Segundo dados da Telebrasil, só no primeiro semestre deste ano foram realizadas 8,5 milhões de conexões.

O número de acessos à internet em banda larga no Brasil chegou a 43,7 milhões no primeiro semestre de 2011. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), de janeiro a junho deste ano 8,5 milhões de novas conexões foram ativadas, o que significa que a cada dois segundos um novo cliente passou a ter acesso à internet em alta velocidade. A entidade afirma que, nos últimos 12 meses, houve um crescimento de 49% na base de clientes, com 15,5 milhões de novos usuários de banda larga.

Os números divulgados pela Telebrasil levam em conta os acessos em banda larga fixa e móvel, incluindo modems e celulares de terceira geração (3G), que permitem conexão à internet em alta velocidade. Somente no mês de junho, diz a entidade, 1,8 milhões de novos acessos foram ativados em todas as modalidades, o que representa uma evolução de 4,3% frente a maio de 2011.

Do total de conexões registradas no fim do primeiro semestre, 15,8 milhões são em banda larga fixa, que apresentou uma evolução de 26% desde junho de 2010. A banda larga móvel, por sua vez, cresceu 67% no período, chegando a 27,9 milhões de acessos em junho de 2011. Nesse segmento, os modems de acesso móvel à internet somaram 6,7 milhões, com crescimento de 21,5% nos últimos 12 meses, e os celulares 3G chegaram a 21,3 milhões, com evolução de90% no mesmo período. (Texto original)

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PESQUISA DO IPEA REVELA QUE EM PERÍODOS DE CRISE GASTO SOCIAL DO GOVERNO LULA FOI BEM MAIOR QUE NOS ANOS FHC

As crises e os investimentos federais

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009, traça um retrato estatístico do Brasil em três momentos de crise na economia, ocasionada por fatores externos. A atitude de um governo em épocas de crise revela não só sua habilidade para governar, como também suas prioridades no exercício do poder que, por sua vez, ajudam a ver a linha ideológica de um governante.

Os resultados da pesquisa revelam que enquanto no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) o gasto com políticas sociais caiu, acompanhando a queda no PIB, no governo Lula, os investimento sociais não são sacrificados pelo momento de instabilidade econômica.

Durante a crise de 2008-2009, os dados do IPEA revelam a firmeza da política social do governo Lula que não hesitou em tomar uma parcela maior do PIB para reduzir a desigualdade social no país. Esse fato responde em parte às críticas de que Lula apenas continuou governando da mesma forma que seu antecessor, esquecendo suas bandeiras de luta. Ele pode sim ter adotado o pragmatismo da gestão anterior, mas não abriu mão de investir no social, tirando, como de fato aconteceu, muitas famílias da pobreza.

Veja texto sobre o assunto de Mauricio Dias publicado pela Carta Capital, no qual ele também fala sobre a recepção externa do “modelo lulista” de governar que estaria, segundo alguns, chegando ao seu limite devido ao superaquecimento da economia. No entanto, está em jogo nesta questão duas percepções opostas, como ele aponta: aquele que vê nos limites do capitalismo formas de erradicar a desigualdade social e aquela que simplesmente condena os mais pobres ao fogo do inferno material.

As diferenças que contam
Por Mauricio Dias

Discursos do presidente prefaciados pelo mote “nunca antes na história deste país…” tornaram-se troça da imprensa com Lula e de Lula com a imprensa. Mas, afora essa curtição, bem ao gosto do coração corintiano do ex-operário metalúrgico, a frase expressava, em várias ocasiões, situações inéditas como a que pode ser extraída agora de um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009”.

O trabalho mostra como a política social praticada pelo petista na crise de 2009-2008, foi radicalmente oposta à prática dos governos tucanos nas crises de 1998-1997 e 2003-2002 (gráfico). Nos três momentos o País foi atingido por crises econômico-financeiras geradas muito além das fronteiras brasileiras.

Em 1998 e 2002, sob o governo de FHC, o Gasto Social Federal cai e acompanha a queda do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008, O PIB despenca e o GSF acelera em sentido oposto. A decisão política é concretamente definida: não sacrificar o investimento social do governo.

Nos gastos sociais considerados pelo Ipea está incluído o dinheiro “efetivamente gasto nas políticas sociais no total de recursos mobilizados pelo governo federal” em meio à disputa dos vários interesses legítimos, de inúmeros agentes, em torno do dinheiro público.

Para alcançar esse objetivo, o Orçamento foi desmontado e remontado, e analisada ação por ação no que se refere à destinação social do dinheiro, entre 1995 e 2009.

Eis algumas constatações comparativas no período analisado:

• O GSF cresceu 3,7% do PIB e 146% em valores reais, acima da inflação (IPCA).

• De 1995 a 2002 (oito anos de FHC) o crescimento do GSF foi de 1,7% do PIB.

• De 2003 a 2009 (sete anos de Lula) o GSF foi aumentado em 2,7% do PIB.

A crise de 2008-2009 mostra a firmeza da política social lulista. Com a economia freada, o governo tomou uma parcela maior do PIB para o GSF. Um salto expressivo de 14,9% (2008) para 15,8% (2009). (Texto completo)

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PROGRAMA DO GOVERNO FEDERAL PREVÊ A CONSTRUÇÃO DE 120 NOVAS ESCOLAS TÉCNICAS ATÉ 2014

A construção de novas escolas técnicas faz parte das metas do PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego)

Da Agência Brasil

Mais da metade da população brasileira terá escola técnica em seu município, diz Dilma Rousseff
Por Amanda Cieglinski

Brasília – A expansão da rede federal de educação profissional vai assegurar que 52% da população brasileira tenham uma escola técnica em seu município até 2014, disse nesta segunda-feira (11) a presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia para comemorar os 60 anos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado no fim de abril pela presidenta, prevê a construção de 120 novas unidades da rede federal até 2014. Somadas às 140 que já existiam, com as 214 criadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais as 80 que estão em andamento, será formada uma rede de 555 escolas técnicas profissionalizantes.

O Ministério da Educação (MEC) aguarda a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei que cria o Pronatec para dar início às ações do programa. A meta é oferecer oportunidades de formação profissional para 8 milhões de pessoas até 2014, incluindo estudantes do ensino médio e trabalhadores sem qualificação. Além das vagas na rede federal, serão oferecidas bolsas de estudo em cursos técnicos de instituições de ensino. (Texto original)

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ANTONIO CANDIDO: O SOCIALISMO É UMA DOUTRINA TRIUNFANTE E A LITERATURA, UM DIREITO DE TODO E QUALQUER CIDADÃO

"A verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito".

De temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Assim, o crítico literário Antonio Candido fala sobre si mesmo. Apaixonado pela literatura e pela sociedade, o professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), sempre quis entender como os elementos da realidade social podem se transformar em estrutura estética, considerando, acima de tudo, a autonomia da própria obra, mas não esquecendo que esta, muitas vezes, responde ao seu tempo e à subjetividade de quem lhe deu forma.

Um intelectual que diz não ter muito apreço pelas obras novas, assim como também não tem muito apreço por coisas novas como email e computador. Para ele, telefone e máquina de escrever já estão de bom tamanho. Acima de tudo, um intelectual erudito, mas que se faz conhecer e seduz pelos textos escritos em linguagem simples, acessível a todos. Uma forma do seu pensamento não se restringir a este nicho ou outro, e sim, de fazer-se um bem comum.

Bem comum também deveria ser a literatura na sua concepção. E não é difícil que as pessoas entendam a”grande literatura” e a compartilhem em seu cotidiano. O povo tem direito à literatura e entende a literatura, ele diz, basta saber explicar, fazer chegar e utilizar uma linguagem comum.

Socialista convicto, Antonio Candido vê o socialismo como doutrina triunfante no sentido de que a sua busca pela igualdade é uma das principais bandeiras de luta em pleno séc XXI e, muito do que os trabalhadores conseguiram até hoje, está nas mensagens mais genuínas da ideologia pensada por Marx. Definitivamente, ele não vê nada de bom na exploração e no lucro sem medida do sistema capitalista descartável e criador de necessidades cumulativas e irreversíveis; e diz que se o dever da sua geração era político, o da sociedade atual é ter saudade!

Veja trecho de entrevista concedida por Antonio Candido ao Brasil de Fato:

“O socialismo é uma doutrina triunfante”
Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras
Por Joana Tavares

Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.

Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.

Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?

Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.

O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?

Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras. (Texto completo)

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PROJETO DE CATALOGAÇÃO DE OBRAS DE ARTE NAS RUAS DE SÃO PAULO VALORIZA UM PATRIMÔNIO ÀS VEZES ESQUECIDO

Porque não há limites para a expressividade...

Arte Fora do Museu. É esse o nome do projeto multimídia pensado por dois jornalistas, André Deak e Felipe Lavignatti, que pretende mapear as pinturas, esculturas, grafites e construções arquitetônicas espalhadas pela cidade de São Paulo.

O objetivo principal do catálogo de 103 obras que veem, cada uma delas, acompanhada de sinopse detalhada junto do comentário de um especialista, além de valorizar manifestações artísticas que às vezes se dissolvem na pressa e no anonimato das grandes metrópoles, também mapeia nosso próprio patrimônio artístico naquilo que ele tem de mais genuíno e natural.

Rompendo os limites da arte vista e circunscrita ao espaço dos museus, esse projeto busca a arte que está nas ruas, o que confere a ele o mérito de atingir uma diversidade única, de tipos, cores, formas e estéticas ainda não reconhecidas pelo grande público ou pelas instituições artísticas, mas existentes dentro do seu próprio espaço e movimento de criação.

Além disso, o projeto pode ajudar na preservação e restauro das obras, como lembra um dos jornalistas idealizadores do projeto em reportagem publicada pelo Brasil de Fato.

Projeto mapeia obras de arte nas ruas de São Paulo
“Arte Fora do Museu” traz um catálogo de pinturas, esculturas, construções arquitetônicas e grafites em espaços públicos
Por Patrícia Benvenuti

Mapear obras de arte que estão nas ruas mas que passam despercebidas na cidade de São Paulo. Esse é o objetivo do projeto multimídia Arte Fora do Museu, que traz um catálogo de pinturas, esculturas, construções arquitetônicas e grafites em espaços públicos paulistanos.

O projeto dos jornalistas André Deak e Felipe Lavignatti apresenta 103 obras, que vêm com uma sinopse detalhada junto do comentário de um especialista, transformando o site em uma visita guiada pela cidade.

Lavignatti explica que a iniciativa surgiu em 2008, quando ele visitou uma exposição na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Lá ele se deparou com cópias de obras de Aleijadinho, o que o deixou surpreso.

“Eu não sabia que tinha cópias do Aleijadinho em São Paulo e pensei que devia haver muitas obras que não estão catalogadas. No Masp [Museu de Arte de São Paulo] tem um catálogo das obras, mas como saber o que está na rua?”, questiona. (Texto completo)

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IRONIAS DA VIDA: RACISTAS DE SÃO PAULO DEVERIAM AGRADECER AO EX-PRESIDENTE LULA, O NORDESTINO

Uma questão de QI

Os racistas de São Paulo e de outras regiões do Sudeste e Sul do país deveriam agradecer ao ex-presidente Lula.

No governo Lula, como mostra o IBGE, o número de migrantes caiu praticamente pela metade. Ou seja, Lula evitou que os nordestinos saíssem do local onde vivem e viessem para São Paulo tentar a vida. Não com políticas xenofóbicas e excludentes como as da Europa e Estados Unidos. Lula foi mais inteligente; criou condições melhores de vida para as regiões que mais tinham migrantes.

A ironia da vida é que racistas devem agradecer ao nordestino.

Pensando melhor, talvez não seja ironia, mas uma questão de QI (coeficiente de inteligência, mesmo), visto que o racista trabalha sobre uma lógica imbecilizante: confunde alma com corpo e esconde, por trás do racismo, uma reserva de mercado para sua incompetência.

Veja matéria sobre o tema:

IBGE aponta queda em migrações entre regiões

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Pesquisa divulgada hoje (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra mudanças nas migrações entre as regiões do país. O estado de São Paulo não exerce a mesma atração de duas décadas atrás, e o Nordeste não é mais a principal área de emigração.

De acordo com o levantamento, o número de migrações entre regiões vem apresentando queda. De 1995 a 2000, 3,3 milhões de pessoas deixaram a região em que viviam. O número caiu para 2,8 milhões, entre 1999 e 2004, e chegou a 2 milhões no período de 2004 a 2009.

A Região Sudeste, entre 2004 e 2009, teve mais emigrantes do que imigrantes (saldo de 12,4 mil) e o Nordeste, de onde partia boa parte de pessoas em busca de melhores condições de vida em outras regiões do país, perde população em escala menor.

A pesquisa também mostra que, na maioria dos estados brasileiros, o fluxo de imigrantes e de emigrantes é praticamente igual. Entre 1999 e 2009, mesmo áreas consideradas tipicamente emigratórias ou aquelas potencialmente atrativas registraram trocas equilibradas.

Edição: Talita Cavalcante e Juliana Andrade

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EMPRESAS DE TELEFONIA SÃO O CUSTO BRASIL E EMPERRAM O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS
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CLÍNICAS PSIQUIÁTRICAS E ASILOS EM FRANCO DA ROCHA ESTÃO SOB INVESTIGAÇÃO DEPOIS DE DENÚNCIAS FEITAS PELA POPULAÇÃO

A reforma psiquiátrica não silenciou todos os gritos...

Franco da Rocha, na grande São Paulo, ficou conhecida como a cidade que abrigou um dos maiores hospitais psiquiátricos do país, o Juquery. Hoje, pós-reforma psiquiátrica, e com o fechamento de boa parte dos manicômios, as clínicas clandestinas proliferam na região e boa parte da população não recebe atendimento médico adequado.

Catorze clínicas e azilos psiquiátricos estão sob investigação do Ministério Público depois de terem sido alvo de denúncias de maus-tratos e ilegalidade feitas pela população. De todas as clínicas denunciadas, duas já foram fechadas e cinco interditadas, mas dessas últimas, duas continuam funcionando porque os pacientes internados não têm para onde ir.

Essa situação revela uma deficiência quando se fala em política de tratamento para portadores de transtorno mental. Com a reforma psiquiátrica, métodos alternativos de tratamento à internação constante e prolongada não foram criados. Com isso, de um lado, as famílias não sabem o que fazer com seus doentes, de outro,  pessoas que nunca foram médicos ou tiveram qualquer experiência na área, decidem abrir clínicas sem qualquer tipo de autorização legal, prestando um atendimento médico de fachada e recebendo o dinheiro das aposentadorias dos internos.

Em qualquer um dos casos, quem sai perdendo é o portador de transtorno mental que não tem acesso a um tratamento digno e realmente coerente com os termos da reforma psiquiátrica. Casos em que o paciente ainda é amarrado – como ocorrem nessas clínicas- remontam às épocas mais obscuras do tratamento da doença mental e revelam que o grito do desatinado, como bem colocou Foucault em sua História da Loucura, ainda está ecoando em novos e velhos muros à espera de que alguém o escute de fato.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

MP investiga clínicas psiquiátricas clandestinas em Franco da Rocha
Por Daniel Mello e Vinicius Konchinski

São Paulo – Após denúncias da população, catorze clínicas psiquiátricas e asilos para idosos de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, estão sendo investigados pelo Ministério Público (MP). Inquéritos civis apuram suspeitas de irregularidades na documentação dos estabelecimentos e de maus-tratos a internos.

Desde o início das investigações, quatro clínicas entraram em processo de regularização, duas fecharam e cinco foram interditadas. Dessas, duas continuam funcionando enquanto não há local para a transferência dos pacientes.

Responsável pelos inquéritos abertos no ano passado, a promotora de Saúde e Política para Idosos, Ana Paula Ferrari Ambra, visitou as clínicas sob investigação. Em operação conjunta com a prefeitura de Franco da Rocha, ela constatou as instalações precárias e o tratamento inadequado em alguns estabelecimentos.

“Encontramos um doente amarrado em uma das clínicas”, disse. “Em outra, encontramos fezes dentro de um balde, o que mostra a falta de estrutura do local.”

Segundo a promotora, as clínicas e asilos também funcionam sem qualquer licença ou alvará, e sem equipe profissional adequada. “Essas clínicas foram abertas por pessoas comuns, sem formação, que viram isso como uma oportunidade de renda”, explicou. “Elas prestam o atendimento e recebem a aposentadoria, a que os doentes ou os idosos têm direito, como pagamento”, acrescentou. (Texto completo)

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SÓ A TELEBRÁS FORTE PODE SALVAR O PLANO NACIONAL DE BANDA LARGA E DAR AUTONOMIA NA TRANSMISSÃO DE DADOS AO PAÍS

Telebrás: autonomia e preço baixo

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que teve um desenlace recente com a assinatura de uma acordo entre o governo e as grandes operadoras de telefonia privada, é um fiasco que pode ser consertado. As declarações das empresas de telefonia após a assinatura dava a sensação de que o governo foi ludibriado.

Aquela velha história das operadoras campeãs do Procom: “mas isso não dá, isso não pode. Download é limitado etc, etc”. Sempre as mesmas baboseiras. Falta capitalismo na internet brasileira, ou seja, concorrência.

Para salvar o PNBL, só mesmo uma Telebrás forte e com capacidade para investimento, ainda que de forma gradual, para montar uma grande estrutura cruzando o país. Essa estrutura deve permitir a entrada de competidores menores  no mercado e, mais que isso, se firmar como uma estrutura estratégica de comunicação para o país. Um país que pretende participar do Conselho de Segurança da ONU não pode prescindir de uma rede estatal de transmissão de dados.

As empresas de telefonia só se mexeram quando a Telebrás começou a ser reativada. Com medo de capitalismo, elas resolveram melhorar um pouco para não perder mercado e usar todos os recursos contra a Telebrás, desde ação na justiça até plantação de matéria na grande mídia.

Agora, com o plano limitado e amarrado, vão encostar e mandar dólares para as matrizes no exterior. Isso se a Telebrás não fizer o papel de uma grande estrutura capaz de garantir soberania ao país e competição ao mercado.

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ITÁLIA É APENAS MAIS UMA PEÇA DO JOGO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL QUE AFETA ESPANHA, GRÉCIA E ESTADOS UNIDOS

Será que ele vem?

Editorial publicado recentemente pela Carta Maior ao lado de notícia sobre a recente crise na Itália, lembrou o balanço da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado na última segunda-feira indicando desaceleração e perda de fôlego das 30 maiores economias do mundo. O cenário de crise na zona do euro – com quedas dos índices das bolsas de valores e instabilidade fiscal – aliado às incertezas da economia americana que cria cada vez menos empregos gera consequências ao nível mundial.

Além disso, a crise parece apontar para o fato de que os mercados europeus desregulados e o modelo ortodoxo de condução da economia demonstram certo esgotamento, haja vista a situação vivida por países como Grécia, Espanha, Itália, dentre outros, que vão assistindo à instabilidade de suas economias envoltos em crescente efervescência política e social.

Diante de tanta incerteza e fragilidade, cabe refletir sobre a economia brasileira e como esta deve se preparar para enfrentar o cenário da longa instabilidade mundial que os economistas acreditam vir pela frente.

Veja texto sobre a crise italiana e suas conexões com a crise na economia mundial publicado pela Carta Maior:

Crise na Itália provoca reunião de emergência da UE
Da Esquerda.net

A Itália é o mais novo alvo da pressão dos chamados mercados. Na sexta-feira, a bolsa de Milão caiu 3,3% e a taxa de risco subiu a um máximo de 247 pontos base, com os bancos a serem muito castigados. A Itália tem uma dívida pública que representava, no final de 2010, 119% do PIB. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou uma reunião de emergência para esta segunda-feira em Bruxelas com os principais líderes da União Europeia. Na agenda está a a situação da Itália.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou uma reunião de emergência para esta segunda-feira em Bruxelas com os principais líderes da União Europeia. Na agenda está a a situação da Itália, o mais novo alvo da pressão dos mercados, e o segundo plano de resgate da Grécia.

A reunião vai ocorrer antes do Ecofine e contará, de acordo com a agência Reuters, com a presença do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn.

Itália na mira
A Itália é o mais novo alvo da pressão dos chamados mercados.

Na sexta-feira, a bolsa de Milão caiu 3,3% e a taxa de risco subiu a um máximo de 247 pontos base, com os bancos a serem muito castigados. A Itália tem uma dívida pública que representava, no final de 2010, 119% do PIB, segundo dados do Eurostat. Na semana passada, as agências de rating puseram o país em observação, afirmando a Standard & Poor’s que a crise tinha feito gorar “todos os esforços italianos de consolidação fiscal realizados durante a última década”, enquanto a Moody’s punha em revisão o rating da Itália e de 16 entidades de crédito locais.(Texto completo)

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BRASIL AVANÇA 21 POSIÇÕES NO RANKING DE INOVAÇÃO MUNDIAL, MAS AINDA ESTÁ ATRÁS DE PAÍSES COMO MALÁSIA, CHILE E COSTA RICA

No topo do Índice estão seis países europeus, dois asiáticos e dois americanos

Do Inovação Unicamp

Brasil avança 21 posições e ocupa 47º lugar em ranking de inovação
Por Guilherme Gorgulho

O Brasil subiu 21 posições no Índice Global de Inovação 2011 da instituição de ensino de negócios e de pesquisa INSEAD, ocupando a 47ª colocação, mas ainda figura atrás de países como Malásia (31ª), Chile (38ª) e Costa Rica (45ª). Em 2009, o País ocupava a 50ª posição, mas caiu no ano seguinte para a 68ª posição. Na lista dos dez países mais inovadores estão seis europeus, dois asiáticos e dois americanos: Suíça (1ª), Suécia (2ª), Cingapura (3ª), Hong Kong (4ª), Finlândia (5ª), Dinamarca (6ª), Estados Unidos (7ª), Canadá (8ª), Holanda (9ª) e Reino Unido (10ª).

A 4ª edição do ranking levantou dados sobre 125 países, que compreendem 93,2% da população e 98% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. O estudo foi desenvolvido em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a consultoria Booz & Company, a empresa de telecomunicações Alcatel-Lucent e a Confederação da Indústria da Índia. Segundo a INSEAD, o Índice foi calculado por meio de uma média de pontos que incluem “insumos” (referentes ao ambiente propício à inovação) e “produtos” (mensurando os resultados reais da inovação). No fator “insumos” estão incluídos: instituições, capital humano e pesquisa, infraestrutura, excelência do mercado e excelência de empresas. O fator “produtos” subdivide-se em dois: produtos científicos e produtos criativos. (Texto completo)

 

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JUÍZA BARRA AÇÃO DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO EM FAZENDA NO MATO GROSSO DO SUL

O trabalho escravo persiste, pois divisões histórico-sociais continuam as mesmas

Uma ação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) localizou 827 trabalhadores em situação análoga à escravidão em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. Eles trabalhavam no corte de cana de uma usina localizada no município e eram submetidos a condições degradantes. A ação do grupo de combate ao trabalho escravo além de determinar a liberação e o pagamento de indenizações aos trabalhadores, também pretendia interditar a frente de trabalho.

No entanto, a juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do DF, suspendeu o resgate dos trabalhadores e vetou a interdição, cedendo às pressões do agronegócio. Militantes da luta contra o trabalho escravo consideraram a decisão da juíza como uma desmoralização da fiscalização, com o objetivo principal de não causar prejuízos à empresa destinatária da produção de cana da fazenda onde foram encontradas as irregularidades.

Esse tipo de impasse revela que situações anacrônicas como a do trabalho escravo em pleno século XXI, ainda persistem na realidade brasileira porque esta continua pautada pelas mesmas relações de dominação que sempre existiram ao longo da nossa história, dividindo o país e, literalmente, curvando as instâncias de poder aos interesses de uns e outros que são, por sua vez, os reais deputados, juízes e policiais da cena nacional.

Veja notícia sobre o assunto publicada pela Rede Brasil Atual:

Impedimento judicial a operação desmoraliza esforços contra trabalho escravo
Ação conjunta encontrou 827 pessoas em situação degradante em plantação de cana-de-açúcar
Por Virginia Toledo

São Paulo – Uma ação do grupo de combate ao trabalho escravo – composto por Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal – localizou 827 trabalhadores em condições análogas a escravidão no município de Naviraí, Mato Grosso do Sul. Entrentanto, na quarta-feira (6), uma juíza trabalhista suspendeu o resgate atendendo a um pedido de liminar da empresa Infinity, destinatária da produção de cana da fazenda onde foram encontradas as irregularidades.

A ação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) foi iniciada na última terça-feira (29). detectou a ocorrência de trabalho degradante no corte de cana de uma usina localizada em Naviraí (MS). Além de determinar a libertação e pagamento de indenizações aos trabalhadores, a operação pretendia também interditar a frente de trabalho.

Porém, a decisão da juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do DF, vetou também a interdição. Preventivamente, determinou ainda a não inclusão da empresa na “lista suja” do Ministério do Trabalho. As empresas incluídas na lista por emprego de mão de obra escrava sofrem restrições a crédito e deixam de fornecer para a cadeia de empresas inscritas no Pacto Nacional Contra o Trabalho escravo..

De acordo com o jornalista Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG Repórter Brasil, a explicação da juíza para suspender a operação é que “a interdição está causando prejuízos irreversíveis, já que desde a data da interdição a cana cortada está estragando e os trabalhadores e equipamentos estão parados”. (Texto completo)

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OS FATOS RECENTES E OS QUE ESTÃO POR VIR REVELAM QUE DILMA AINDA BUSCA O FORMATO DA SUA ADMINISTRAÇÃO

Entre diversos rostos, a presidente vai destacando o seu no governo

Quando o ex-ministro Antonio Palocci deixou o governo, muitos pensaram que era ali, de fato, que começava o governo Dilma. No entanto, Palocci caiu quase à revelia do controle de Dilma. A situação do ex-ministro era de tão modo insustentável que as hipóteses possíveis em relação ao seu destino no governo se fecharam em torno da única possível: o seu afastamento.

No entanto, as recentes denúncias de corrupção envolvendo o Ministério dos Transportes fez com que a presidente Dilma tomasse a sua decisão em relação ao futuro do ministro e de seus subordinados e, ao que parece, a fila de demissões não para por aí. Há no Ministério muitos outros nomes na lista de Dilma que, entre uma atitude e outra, vai enfim buscando as formas próprias do seu governo.

Veja trecho de texto sobre o assunto publicado pela revista Carta Capital:

Dilma, é a hora
Cynara Menezes

Na edição 650, CartaCapital afirmou, diante do afastamento de Antonio Palocci da Casa Civil, que o governo Dilma Rousseff enfim começava. Erramos. Os acontecimentos recentes e os que estão por vir nas próximas semanas revelam outro cenário: uma presidenta ainda em busca do formato definitivo de sua administração. Pode-se afirmar que de um modo um tanto tortuoso o Palácio do Planalto opera por etapas uma reforma ministerial. No caso Palocci, a mudança deu-se à revelia do controle de Dilma. Talvez não se possa dizer o mesmo da alteração no Ministério dos Transportes, cujo titular, Alfredo Nascimento, do PR do Amazonas, e todos os seus subordinados foram obrigados a deixar os cargos após uma nova série de denúncias de corrupção. Entre o primeiro petardo e o último, aquele que selou seu destino, Nascimento permaneceu quatro dias sob fogo cerrado.

Será esse o novo estilo de Brasília? É pouco provável, pois em um governo de coalizão, que oferece tantos cargos comissionados e tantas oportunidades de “ganhos extras”, e uma rede de intrigas composta de políticos, arapongas, lobistas e jornalistas sempre em busca de uma nova crise, o afastamento imediato de subordinados mediante qualquer suspeita pode tornar as baixas um ritual quase cotidiano no Planalto Central. Faz sentido imaginar, portanto, que o afastamento da turma do PR dos Transportes não tenha sido um gesto doloroso para a presidenta. (Texto completo)

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DE JOÃO CABRAL PARA DANDARA: OS VERSOS DE UM AVÔ POETA PARA A NETA

O poeta dos versos curtos, pouco emotivos, inclinados para o trabalho com a forma, mas destinados, a seu modo, a falar sobre a vida, revela-se em livro recentemente lançado com poemas dedicados à sua neta Dandara, um poeta de frases carinhosas e doces.

Enquanto foi embaixador no Senegal, à época de 1975, um dos mais importantes poetas do século XX, o pernambucano João Cabral de Melo Neto, recebia de sua filha Inez Cabral, fotos da neta que tinha então dois anos de idade. As fotos inspiraram uma série de versos que ele escrevia e enviava à neta no Brasil.

O livro Ilustrações para Fotografias de Dandara traz instantes poéticos como “Eis Dandara, alegria da rua,/que nasceu a assoviar,/ quando virás por aqui/ ver teus avós em Dacar?” e projeta aos olhos do leitor uma poesia de pura vivência e descoberta, exatamente como se desenha no tempo da existência humana esse instante inicial e único, o instante da infância para os quais os poetas estão sempre voltados, de uma forma ou de outra, em versos metafísicos ou concretos, pois esta vida severina, por mais que seja dura, também um dia já foi, e vez ou outra é, apenas uma menina!

O livro sai publicado pela editora Objetiva e já está nas livrarias de todo país. Mais informações na página da editora.

Vi na edição da revista Cult de junho de 2011.

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TV CULTURA ENFRENTA OS ÍNDICES DE AUDIÊNCIA MAIS BAIXOS DE SUA HISTÓRIA

Hora de levantar voo!

O atual cenário da TV Cultura, como diz reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, é “pouco animador”. A emissora vive uma das piores crises de sua história enfrentando índices de audiência inferiores a um ponto no Ibope. A queda na audiência teve como consequência uma diminuição da arrecadação da emissora que no mês de maio foi 58% menor que o previsto.

A situação atual da TV Cultura reflete, em primeiro lugar, as divergências internas dentro do próprio PSDB, partido que controla a emissora desde o fim dos anos 1990. Os presidentes da Fundação Padre Anchieta entram e saem de acordo com a preferência do governador do momento. Cada um dos presidentes, por sua vez, tem um método diferenciado de gestão o que acaba, inevitavelmente, afetando a qualidade da emissora.

No entanto, podemos dizer sem exagero que a atual crise da TV Cultura já era uma crise anunciada. Desde que o atual presidente e ex-secretário de Cultura João Sayad assumiu a direção da Fundação sua política de corte de gastos, demissão de funcionários, extinção e reformulação dos programas, deu uma outra cara à TV Cultura, além de gerar outros gastos que inicialmente não estavam previstos.

Essa “outra cara” desagradou muitos telespectadores já que, como mostra reportagem do Estadão baseada em um relatório interno produzido pela emissora, ao qual o jornal teve acesso com exclusividade, em 12 meses, período em que Sayad cortou 993 vagas (46% dos funcionários fixos), a Cultura perdeu 27% de sua audiência média e assistiu a um distanciamento da meta de arrecadação de fontes externas para o mês de maio que era de R$ 4,7 milhões e foi de apenas R$ 1,99 milhão.

Ao que parece, o método do PSDB de corte de gastos e aparelhamento de uma emissora pública não vem agradando. E o mais preocupante de todo esse processo de desmonte é assistir à diluição do caráter público e plural de uma emissora que sempre representou um reduto de programação de qualidade no cenário descartável da televisão brasileira e, agora, amarga o último lugar na preferência do telespectador.

Veja trecho da reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo:

Audiência e receita da TV Cultura desabam
Estudo interno da emissora paulista mostra ”traço” no Ibope, captação de recursos abaixo do previsto e maior gasto com funcionários afastados
Por Jotabê Medeiros

A média de audiência atual da TV Cultura, mantida pelo governo do Estado, é a mais baixa da História. Corresponde a 0,8 ponto, o equivalente a 47,2 mil domicílios. O “traço” de audiência se reflete na arrecadação da emissora: em maio, sete meses após a eleição do ex-secretário de Cultura João Sayad como presidente da Fundação Padre Anchieta, a receita obtida foi 58% menor que o previsto. Em 12 meses, período em que cortou 993 vagas (46% dos funcionários fixos), a Cultura perdeu 27% de sua audiência média.

Esse cenário não é uma visão externa pessimista dos rumos da fundação. Trata-se de relatório interno produzido pela emissora, ao qual o Estado teve acesso com exclusividade. Produzido para exame da direção e do Conselho Curador, o relatório pinta um retrato pouco animador da atual gestão.

Segundo a emissora, o documento “prova momento de transparência” na administração.

Historicamente, as audiências da Cultura eram baixas, mas nunca chegaram a tal patamar. Raros programas ultrapassam 1 ponto de audiência (share de 1,8). A queda média de audiência é de 26% em um ano, e a Cultura ficou 21 dias no penúltimo lugar e 10 dias no último na Grande São Paulo em maio.

Todos os indicadores do relatório são negativos. A meta de arrecadação de fontes externas, em maio, era de R$ 4,7 milhões, e a emissora conseguiu levantar R$ 1,99 milhões. O governo investe R$ 84 milhões na Cultura, que tem dividido com a TV Gazeta os últimos lugares de audiência. (Texto completo)

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A LIBERDADE DE IMPRENSA DO PSDB DE SÃO PAULO: “Acabo de sair da Folha Metropolitana a pedido de dois deputados tucanos”

Liberdade de imprensa e de expressão é com o PSDB, veja abaixo a história do jornalista Ricardo Gomez. Vi no Com Texto Livre.

 

Amigos e colegas:

Anibal e Alckmin: TV Cultura aparelhada e cabeça de repórter

Acabo de ser demitido da Empresa Jornalística Folha Metropolitana um ano, um mês e quatro dias depois de ser contratado para ser repórter de política. Este não é meu primeiro trabalho e nunca tornei público o motivo da saída por julgar que admissão e demissão fazem parte da liturgia das empresas. Logo, jamais exporia as razões da saída, se o motivo fosse contenção de despesas, qualidade do trabalho prestado, incompatibilidade entre mim e a chefia…

Desta vez, porém, é diferente: a minha demissão ocorreu porque noticiei em primeira mão e venho acompanhando o caso de nepotismo na Secretaria de Estado da Energia, sob o deputado licenciado José Aníbal (PSDB). A notícia está na página 10 da edição desta quinta-feira do jornal Metrô News.

Na segunda-feira, fui para uma entrevista com o deputado Carlos Roberto de Campos (PSDB-SP), munido de várias perguntas, uma das quais sobre nepotismo. O Metrô News vem acompanhando o episódio da contratação de Mateus Achilles Gomes pelo secretário-adjunto da Pasta, Ricardo Achilles, desde o início de junho.

Uma das estratégias era ver a opinião de Carlos Roberto sobre o caso ocorrido na pasta comandada por José Aníbal, uma vez que o PSDB é muito veemente nas críticas contra irregularidades. Carlos Roberto não foi induzido ou coagido a falar, mas falou e criticou severamente Ricardo Achilles e o colega de ninho, José Aníbal. A matéria foi publicada hoje, claro, com o consentimento do editor-responsável.

Nesta tarde, Carlos Roberto foi à redação, conversou com a direção do jornal e exigiu que o veículo desse uma resposta. A resposta foi a minha demissão.

Acho que devo dar essa explicação a todos os que me acompanham diariamente, seja por meio das das reportagens da Folha Metropolitana e do Metrô News ou na coluna ‘Em Off’, que mantinha às quartas e sextas-feiras.

Aproveito para agradecer o carinho dos colegas e me desculpar por possíveis desencontro de ideias. Creiam, sempre coloquei a lealdade e o respeito acima dos interesses diversos que permeiam o posto que ocupava. Nunca pactuei com interesses outros que não fosse o de dar a notícia da forma mais correta. Nunca usei do cargo para fins de ética duvidosa. Nunca aceitei barganhar a notícia. Nunca ‘carlosrobertei’, nem ‘anibalizei’ meu trabalho.

Peço que me ajudem a multiplicar essa mensagem indignada. Reitero: entrar e sair de empresas é fato comum e essa não é a primeira vez que acontece. Nunca, porém, tornei público o motivo da saída, por entender que essa é uma particularidade que cabe a patrão e a empregado. Dessa vez, porém, minha saída teve motivação política. Por trabalhar de forma correta, acabei punido.

O ciclo na empresa está terminado.

Um forte abraço a todos.

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Entre o livro e a espada...

O último relatório produzido pelo Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (Ecosoc – ONU) revela a existência de uma ligação entre conflitos armados e educação. Os dados mostram que em países onde ocorrem conflitos armados, o número de crianças que abandonaram a escola aumentou. Durante o período de 1999 a 2008, de um total de 35 países que sofreram com guerras que prolongaram-se por até doze anos, estima-se que 28 milhões de crianças foram obrigadas a deixar a escola primária por causa dos conflitos e 79% dos jovens são analfabetos.

A permanência de um estado de caos e violência em alguns países impede que muitas crianças estudem, já que a prática educacional requer o mínimo de segurança social e estabilidade política e econômica. A violência das armas vem gerando, neste sentido, uma violência ainda maior: a da impossibilidade do conhecimento.

O que talvez gere mais indignação, além desses números, é que o mesmo relatório da ONU mostra que o investimento em armamento por parte dos países ricos é bastante superior ao investimento em educação. O relatório diz que se apenas 10% dos recursos investidos fossem aplicados na educação, haveria quase 10 milhões a mais de crianças na escola.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Brasil de Fato:

Conflitos armados e pobreza deixam 67 milhões de crianças fora da escola
Número de adultos analfabetos é de 796 milhões, que corresponde a 17% da população adulta mundial
Por Vivian Fernandes
Radioagência NP

A falta de acesso à educação atinge pelo menos 67 milhões de crianças em todo o mundo. O número de adultos analfabetos é de 796 milhões, que corresponde a 17% da população adulta mundial. Estas informações constam em relatório – “A crise oculta: Conflitos Armados e Educação” – produzido pelo Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (Ecosoc – ONU).

O relatório aponta que entre os anos de 1999 a 2008 cresceram as matrículas na educação primária. Porém, nos países onde ocorrem conflitos armados e que possuem baixo desenvolvimento econômico, aumentou o número de crianças que abandonaram a escola.

Na década analisada, 35 países sofreram com guerras que duraram até 12 anos. Nesse período, 28 milhões de crianças foram obrigadas a deixar a escola primária por causa dos conflitos e 79% dos jovens são analfabetos. No Afeganistão, por exemplo, foram registrados 613 ataques a escolas em 2009. E na Tailândia, 63 estudantes e 24 professores foram assassinados ou feridos no período de dois anos. (Texto completo)

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