Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

O ENSINO DE LETRA CURSIVA NAS ESCOLAS DEIXA DE SER EXIGÊNCIA EM UM NÚMERO CADA VEZ MAIOR DE ESTADOS NORTE-AMERICANOS

Traços pessoais já são coisa do passado

A abolição do ensino da letra cursiva ou “a mão”, como é conhecida, em escolas de mais de 40 estados norte-americanos, é um reflexo do crescente peso da tecnologia na sala de aula e divide opiniões entre os educadores. Em um tempo onde o computador está integrado a praticamente todas as relações do dia-a-dia, os professores americanos consideram mais importante focar no ensino da letra de forma, de traços mais simples, já que o contato cada vez mais frequente com os teclados, dispensariam o tempo exigido para o aprendizado da letra cursiva.

No entanto, para muito educadores, o ensino da letra cursiva continua importante, pois ele responde a necessidades básicas que às vezes surgem no cotidiano, além de preservar um tom mais intimista da escrita respondendo a uma necessidade de aprendizagem para a vida social. Outros ainda afirmam que o aprendizado da letra cursiva faz parte do desenvolvimento do ser humano e que tão importante quanto saber digitar com habilidade no teclado de um computador é saber escrever com lápis e papel, pois, segundo Artur Gomes de Morais, professor titular do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, muitos países valorizam muito mais um documento escrito à mão do que digitado no computador.

Polêmicas à parte, notícias como essa fazem perceber como a massificação produz e visa produzir seres cada vez mais homogêneos. Para o mundo globalizado, das novas e complexas tecnologias, nós não nos diferenciamos mais pelo gosto, pelas roupas, pela comida, e agora, nem mais pela letra! Resta perguntar: para onde está indo o indivíduo?

Leia texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

Estados americanos abolem escrita à mão nas escolas
Por Ricardo Carvalho

O estado norte-americano de Indiana, seguindo uma tendência de mais de 40 estados do país, aboliu a exigência do ensino de letra cursiva em suas escolas.

A nova norma recomenda aos professores não dar ênfase na aprendizagem da letra cursiva – escrita manuscrita em que as letras são arredondadas e ligadas umas às outras pelas pontas – e focar em outras habilidades, como a digitação de textos em teclados. Desse modo, os educadores norte-americanos conferem menos importância à prática de caligrafia, algo que sempre foi tradição no país. Na prática, a norma significa o desestimulo ao trabalho de uma das formas da escrita à mão – e mantém-se a exigência do ensino da letra de forma (também chamada de “imprensa”), o que acarreta na diminuição do tempo gasto com a aprendizagem da forma manuscrita.

A medida adotada por Indiana é um reflexo do crescente peso das novas tecnologias na sala de aula. Os responsáveis por sua adoção creem que o uso cada vez mais frequente pelos alunos de computadores torna desnecessário que a criança concentre esforços na forma cursiva.

Trata-se, também, de um reflexo de algo que já é uma realidade em muitas escolas norte-americanas. De acordo com o jornal Valor Econômico, pesquisas nacionais mostram que 90% dos professores da 1ª a 3ª série gastam apenas uma hora por semana para o desenvolvimento da escrita à mão.

A nova norma gerou polêmica tanto entre educadores norte-americanos quanto brasileiros. “Não há perda propriamente da aprendizagem escolar (ao abandonar-se o ensino da letra cursiva), mas sim na aprendizagem para a vida social: o da escrita para comunicações pessoais, bilhetes, listas de compras, atividades que a escrita com lápis e papel resolve mais rapidamente, preservando a intimidade da comunicação”, afirma Magda Becker Soares, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. (Texto completo)

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3 Respostas para “O ENSINO DE LETRA CURSIVA NAS ESCOLAS DEIXA DE SER EXIGÊNCIA EM UM NÚMERO CADA VEZ MAIOR DE ESTADOS NORTE-AMERICANOS

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