Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

NO MONÓLOGO A CASA AMARELA, GERO CAMILO DESENHA UM RETRATO POÉTICO E EXISTENCIAL DE VAN GOGH

O ator Gero Camilo interpretando Van Gogh: "é necessário ter ousadia para sentir uma comunhão com a pessoa que se vai interpretar".

“Sou de um lugar pequeno, gosto de ser pequeno, mas penso grande”. São frases como essa que fazem ver um pouco da personalidade múltipla e complexa do pintor impressionista Vincent Van Gogh, personalidade que o ator Gero Camilo tenta revelar ao público na peça de sua autoria A Casa Amarela, em cartaz no Tucarena até 28 de agosto, com direção de Marcia Abujamra.

Como o próprio título permite depreender, a peça focaliza um dos períodos mais produtivos e intensos da vida de Van Gogh, tanto do ponto de vista da produção artística, quanto da vivência e pesquisa estética da obra de arte, acompanhada pela intensidade e crua poesia da sua dimensão psíquica e existencial.

Depois de viver uma fase criativa em Paris, Van Gogh vai para Arles, no sul da França, com o sonho de fundar uma comunidade de criação artística. A Casa Amarela, no entanto, só chega a abrigar ele e o também pintor Paul Gauguin, que protagonizaram uma relação de mútua admiração, mas longe de ser pacífica. É nessa época que Van Gogh discepa parte de sua orelha em um dos seus momentos de loucura.

Nos palcos, essa história linear é revestida de poesia e contada a partir daquele que seria o ponto de vista do próprio Van Gogh. Esse deslocamento do foco narrativo permite que os delírios, os questionamentos e a existência densa do pintor chegue ao público de forma mais próxima, sendo quase compartilhada por ele. Prova disso são os inúmeros momentos de indagação da peça em que a platéia é convidada à reflexão e a pensar em eternas perguntas como: quem somos?, de onde viemos?, para onde vamos?

Mesmo sem ver de perto, algumas cenas e a própria história de vida de Van Gogh permitem apostar no espetáculo. Van Gogh e os caminhos de sua obra são sempre uma boa receita para inspirar peças teatrais ou qualquer outra manifestação artística, pois sua vida sintetiza a experiência humana em todas as suas dúvidas e dentro de toda sua loucura. Afinal, em algum lugar, nós todos também moramos dentro de uma casa amarela.

Veja entrevista com o ator Gero Camilo sobre a peça no site da revista Cult.

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3 Respostas para “NO MONÓLOGO A CASA AMARELA, GERO CAMILO DESENHA UM RETRATO POÉTICO E EXISTENCIAL DE VAN GOGH

  1. alana gonçalves cardoso 25 novembro, 2011 às 2:20 pm

    tenho q fazer um trabalho sobre a historia da obra de van gogh “acasa amarela”evc nao me ajudou entao vou de dar uma dica faz um site contando a historias das obras dele q o seu site vai bombar.
    EU TE AVISEI!!!!!!!!!!!!

    Curtir

  2. Pingback: A TOCA DE KAFKA INVADE O TEATRO COM A ADAPTAÇÃO DE A CONSTRUÇÃO PARA OS PALCOS « Educação Política

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