Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 18 agosto, 2011

MORTE DA JUÍZA PATRÍCIA ACIOLI MOSTRA QUE BRASIL PRECISARÁ DE 100 ANOS PARA SE LIVRAR DO DANO CAUSADO PELA DITADURA

Patrícia Acioli

A morte da juíza Patrícia  Acioli, promovida ou não por milícias de policiais, mostra que o Brasil vai precisar de pelo menos 100 anos para se livrar de todo o dano causado pela ditadura militar instalada em 1964.

A ditadura ajudou a construir o submundo da cultura da violência, uma cultura herdada do coronelismo e inspirada no fascismo. Ela possibilitou a criação de facções criminosas bem organizadas nos tráficos de drogas, deu liberdade para torturadores e policiais matarem e consolidou o país como um dos mais desiguais do mundo.

A ditadura  criou uma cultura de que a lei não vale nada e que muitas vezes está presente nas sentenças dos tribunais superiores. A ditadura alçou ao poder –  em várias esferas, seja legislativa, executiva e judiciárias – as piores pessoas, para que o regime pudesse ser mantido a ferro e fogo.

A ditadura criou a cultura do medo e da covardia. Os juízes no Brasil estão acovardados. Criou-se uma Justiça cínica, que se funda em pormenores técnicos para livrar corruptos e poderosos.

Os grandes juízes, como Patrícia Acioli, quando não estão resignados, tornam-se vulneráveis.

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PARA ANISTIA INTERNACIONAL, MORTE DE JUÍZA NO RIO DE JANEIRO EXPÕE “OS PROFUNDOS PROBLEMAS DE CORRUPÇÃO POLICIAL” E O AVANÇO DO “CRIME ORGANIZADO” NO ESTADO

Milícia, traficante, polícia: complexo sistema

A juíza Patrícia Acioli foi morta com 21 tiros na noite da última quinta-feira (11) no município de Niterói, no Rio de Janeiro. Patrícia trabalhava na Vara Criminal de São Gonçalo, no Grande Rio, e julgava processos sobre crimes cometidos por grupos de extermínios, milícias e quadrilhas de traficantes que agem na região metropolitana do Rio de Janeiro. Era conhecida pelos métodos firmes com que fazia valer a justiça e foi responsável pela condenação de cerca de 60 policiais envolvidos em atividades criminosas.

O fato chamou a atenção da Anistia Internacional que, por meio de nota, lembrou que a morte de uma juíza nas circunstâncias em que se deu o assasinato de Patrícia expõe os graves problemas da corrupção policial no Rio de Janeiro, bem como o avanço do crime organizado.

É como se existisse um complexo sistema organizando a atividade criminosa, conectando milícias, policiais e traficantes e, quando alguém simplesmente tenta furar, penetrar ou desmontar esse complexo sistema, este último automaticamente já deleta essa espécie de vírus que pode danificar sua estrutura de funcionamento.

Quem busca fazer a justiça no Brasil atualmente é justamente isso: um vírus que precisa ser rapidamente eliminado. Daí a preocupação vinda de órgãos internacionais, afinal, em um país onde a justiça é a doença, a saúde só pode ser o caos.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

Assassinato de juíza expõe corrupção policial e avanço do crime organizado no Rio, diz Anistia Internacional
Poe Vitor Abdala

Rio de Janeiro – A execução da juíza Patrícia Acioli expõe “os profundos problemas de corrupção policial” e o avanço do “crime organizado” no Rio de Janeiro, segundo nota divulgada hoje (16) pela Anistia Internacional.

A magistrada, que trabalhava na Vara Criminal de São Gonçalo, no Grande Rio, foi morta com 21 tiros na noite de quinta-feira (11), no município de Niterói.

“A morte de uma juíza que estava simplesmente realizando seu trabalho foi um golpe no Estado de Direito e no sistema judicial no Brasil”, diz, por meio da nota, o representante da Anistia Internacional no Brasil, Patrick Wilcken. “As autoridades precisam fazer uma investigação profunda e independente para levar os responsáveis à Justiça.”

De acordo com a Anistia Internacional, não basta julgar os culpados pelo crime. As autoridades federais, estaduais e municipais precisam dar proteção aos envolvidos na investigação e no julgamento de policiais corruptos e quadrilhas. (Texto completo)

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