Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 1 setembro, 2011

GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA

150 anos após a morte, Comte vira patrono da imprensa brasileira

A cobertura da grande mídia (Estadão, Folha, Globo etc) sobre a queda dos juros, promovida pelo Banco Central na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) é de um positivismo tacanho e atenta contra a democracia. Até Auguste Comte ficaria enrubescido após 150 anos de ciência positiva.

Vale a observação, para a grande mídia, atentar contra a democracia não é novidade, é tradição. Basta estudar um pouco sobre o golpe civil-militar de 64.

Para a imprensa brasileira (veja exemplos abaixo), um governo eleito democraticamente não pode definir a política de juros do país. Uau!!! Ou seja, na democracia positivista da velha mídia, os integrantes do Copom são os deuses da objetividade que, com decisões técnicas, decidem o que é certo e o que é errado. Não há o que questionar, é a verdade, a neutralidade, a isenção e a imparcialidade desses economistas que nos tiram das trevas da política. Uhhhhuuuulll!!! A “água ferve a 100 graus” e o “Copom decide” são expressões que se equivalem.

Esses integrantes do Copom devem agir de acordo com o Mercado, essa entidade formada por bancos, corretoras, empresas financeiras, agiotas, especuladores, gângsters, bons empresários e ladrões (Sim, se em todos os setores têm algum ladrão, por que não haveria no mercado?). Esse mercado é uma entidade assim como a lei da gravidade que está acima do bem e do mal e, principalmente, acima da vontade popular expressa nas urnas. Então, o governo eleito pelo povo, não pode definir a política de juros. O governo não tem o leme da economia porque há um movimento natural de rotação e translação semelhante ao do planeta Terra. Capite?

O copom e os juros

O problema é que o governo Dilma acaba entrando nesse jogo ao negar interferência no Banco Central. Ora, essa não é a questão. Se o governo não pode interferir na política econômica do país, quem deve fazer? O Mercado eleito nas urnas, o presidente Mercado. Epa!!! A manchetes abaixo escondem a vontade de dizer: o governo é eleito, mas não governa. Que jornalismo é esse?

Governo nega ter interferido em decisão do BC de cortar juros
Folha apurou pressão nos bastidores (Folha)

Governo tenta desfazer imagem de pressão sobre BC para queda de juros
Segundo a presidente Dilma Rousseff, é o quadro econômico internacional que define os juros (Estadão)

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DESENVOLVIMENTO EM QUESTÃO: MORADORES SÃO VÍTIMAS DA POLUIÇÃO CAUSADA POR SIDERÚRGICA NA BAÍA DE SEPETIBA (RJ)

Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA): desenvolvimento ou devastação?

Da Revista Fórum

A luta dos moradores da Baía de Sepetiba (RJ) e o desenvolvimento econômico brasileiro
Por Adriana Delorenzo

Os moradores do entorno da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) estão acampados desde quinta-feira, 25, em frente ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA), órgão responsável pelo licenciamento ambiental da empresa instalada na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro.

Desde que a siderúrgica se instalou na zona oeste do Rio de Janeiro, moradores vêm apresentando os danos causados à saúde por uma fuligem (material particulado oriundo do processo produtivo siderúrgico da empresa).

De acordo com o Observatório do Pré-sal, os moradores esperam um posicionamento do secretário Carlos Minc que, pela terceira vez seguida, não compareceu à audiência pública da Comissão Especial, instaurada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), para apurar “possíveis irregularidades e imprevidências do governo do Estado e do Instituto Estadual do Ambiente – INEA – no processo de concessão de licenciamento ambiental” à CSA.

Além dos danos à saúde da população, a instalação da CSA, joint venture da Vale e da Thyssenkrupp, vem causando problemas a atividade de pesca artesanal das comunidades atingidas. (Texto completo)

Veja vídeo produzido pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) que mostra vários empreendimentos previstos para a região da Baía, a maioria destinado à exportação. As empresas a serem instaladas são, em sua maioria, altamente poluidoras o que afetará o equilíbrio ambiental da Baía, além de fazer com que a população local deixe a área. Vê-lo ajuda a refletir se um modelo de desenvolvimento que polui, afetando o equilíbrio social e ambiental, é de fato a melhor opção dentro do contexto atual.

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