Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 11 setembro, 2011

PRIMUS, PEÇA DA BOA COMPANHIA, IMPRESSIONA PELA QUALIDADE TÉCNICA E ESTÉTICA, MAS AO FINAL FICA UMA QUESTÃO…

Macacos em metamorfose

A peça Primus, da Boa Companhia de Campinas, impressiona pela qualidade técnica e…leia mais.

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11 DE SETEMBRO: A MAIOR OBRA DE ARTE DE TODOS OS TEMPOS?

De dentro do mais funesto espetáculo: uma imagem que vale mais que mil palavras

No dia em que o mundo relembra os dez anos do ataque terrorista aos Estados Unidos cabe evocar e refletir sobre a declaração do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007) de que a maior obra de arte já realizada foi a que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, quando dois aviões explodiram junto a duas das mais altas e famosas torres do mundo: o World Trade Center no coração de Nova York.

Gostos estéticos à parte, não dá para negar que o poder simbólico da cena foi tão explosivo quanto a dissolução dos prédios em pleno ar. Mistura de fogo, fumaça, gritos, desespero, lágrimas, vingança, a mais negra das noites em pleno dia…Talvez nem a melhor das tragédias gregas tenha reunido tais condições tão específicas e provocado tal efeito daquele dia. É, talvez, Osama Bin Laden seja bem melhor que Sófocles que só conseguiu imaginar um homem cercado pelo destino furando e arrancando os próprios olhos, enquanto o primeiro arrancou os olhos do mundo, torceu as linhas do destino e não apenas imaginou…

Talvez esteja aí o cerne da declaração do compositor alemão. A maior obra de arte de todos os tempos posto que realizada no e para além do plano simbólico, rasgando o terreno da realidade, vivendo e apenas se justificando nele. Nem a Mona Lisa, nem a Capela Sistina, nem a Nona de Beethoven, nem o Grande Sertão: Veredas, como lembra texto publicado pela Carta Capital, conseguiram tanto.

11 de Setembro, a maior ‘obra de arte’ de todos os tempos
Alexandre Freitas

Uns dizem que é a Capela Sistina. Outros, a Nona de Beethoven. Alguns, a Monalisa (mais pela fama que pelo apreço). Os nacionalistas ousariam: Grande Sertão Veredas. Mas nenhuma declaração seria mais perturbadora que a do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007). A maior obra de arte já realizada foi a que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, em Nova York, afirmou o músico poucos dias após os ataques.

Concertos foram cancelados e até mesmo um festival em sua homenagem foi anulado na Alemanha. Óbvias consequências. Algo previsível no mundo em que a destreza da condenação se apoia confortavelmente na preguiça de pensar. O desmentido é mudo face ao mentido.

Tal afirmação, evidentemente, foi retirada de seu contexto original e ganhou tons perversos que os mais alienados devem ter, inclusive, relacionado com a nacionalidade do compositor. Alemão igual nazista, italiano igual mafioso, e por aí vai. Na verdade, a declaração foi feita em uma conferência sobre sua obra Licht, conjunto de sete óperas que tem como principais personagens Michel, Eva e Lúcifer. O 11 de setembro foi associado, naquele situação, com a obra de Lúcifer, obra de destruição e crueldade. Stockhausen tentou se explicar, mas já era tarde.

Mesmo quando nos distanciamos do contexto da afirmação do músico e dos julgamentos morais que ela pode suscitar, outras reflexões interessantes afluem, como observou o historiador da arte T.J. Clark em seu livro Modernismos (CosacNaify, 2007). Ele apresentou o 11 de setembro inserido na era da imagem, quando o Estado americano foi derrotado espetacularmente. E espetacularmente, ressalta Clark, não quer dizer superficialmente, para o Estado. (Texto completo)

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