Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 12 setembro, 2011

PARA LINGUISTA, IMPRENSA FAZ LEITURA PARCIAL DA QUEDA NAS TAXAS DE JURO CONVIDANDO A UMA GENERALIZAÇÃO QUE REFORÇA SUA POSIÇÃO CONTRÁRIA AO GOVERNO

Jornais continuam seguindo a lógica das manchetes: elas dizem uma coisa (o que o jornal quer dizer) e o texto outra (o que a receita manda fazer)

Do Terra Magazine

Leitura Partitiva?
Por Sírio Possenti

A diminuição da taxa básica dos juros, na semana passada, deu o que falar. O resumo pode ser o seguinte: os suspeitos de sempre (os ligados à banca, como diria Elio Gaspari) acharam que o Copom arriscou demais ou que cedeu às pressões do governo. Ou as duas coisas. Os outros, não menos suspeitos (os ligados à indústria), acharam que o Copom fez bem. Até o Serra, em entrevista relativamente longa, apoiou a decisão (o que deixa os tucanos sem discurso ou Serra sem candidatura).

Curiosa é a posição dos jornais. Como quase sempre, eles fazem a liçãozinha de casa, ouvindo mais um lado do que outro (eles afagam seus especialistas, os suspeitíssimos de sempre!). Bem a sua maneira. A marca mais clara de seu ponto de vista é também a mais previsível: as manchetes sempre são contrárias à decisão do “governo” – do atual, pelo menos.

Exemplar é pequena matéria da Folha de S. Paulo (PODER A6, de 02/09/2011). A chamada é ECONOMISTAS CRITICAM BC E PREVEEM INFLAÇÃO MAIOR. O texto reproduz rapidamente todas as posições possíveis: contra a decisão, a favor da decisão, a favor com pedidos de melhores explicações, a favor desde houvesse desaceleração de fato (o economista em questão acha que não há; logo, é contra) etc. Então, por que a manchete é a que é, e não, por exemplo, ECONOMISTAS DIVERGEM SOBRE DECISÃO DO BC?

Se a manchete fosse essa, a Folha não seria a Folha (não sei se posso generalizar e dizer “mas então jornais não seriam jornais”). Pode ser que seja filosofia: alguém disse que imprensa é de oposição ou não é imprensa (se isso for verdade, durante muito tempo quase não tivemos imprensa no Brasil). Mas pode ser interesse circunstancial (água mole em pedra dura etc.). (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

NAS DEMOCRACIAS CONTEMPORÂNEAS, CONSCIÊNCIA DE RENDA SE TORNA MUITO MAIS IMPORTANTE DO QUE A CONSCIÊNCIA DE CLASSE
PILANTRAGEM INACREDITÁVEL DA MÍDIA: MERCADO QUER INTERFERIR NOS JUROS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E O POVO QUE SE EXPLODA
GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA
NA SOCIEDADE ATUAL O “ESTAR SÓ” É VISTO COMO DOENÇA OU EPIDEMIA DISFARÇANDO OS REAIS MALES DA CONTEMPORANEIDADE
%d blogueiros gostam disto: