Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 16 setembro, 2011

FUSÃO DE GRANDES EMPRESAS ESTÁ NA RAIZ DA CRISE ECONÔMICA QUE ABATE OS ESTADOS UNIDOS E A UNIÃO EUROPÉIA

O capitalismo precisa ser um pouco socialista para sobreviver. Parece um paradoxo, mas não é. O capitalismo é um sistema que tende, organicamente, à concentração de renda na mãos de poucos e, com renda cada vez mais concentrada,o sistema fica engessado e vulnerável  a crises.

Essa característica do sistema dá uma grande importância à questão política e aos governantes. São os Estados-nações que, ao redistribuir a renda, teriam um papel importante para a manutenção do capitalismo e para aumentar o seu dinamismo.

 Essa é a situação atual do Brasil, bastou o governo de Lula, num período de 8 anos, distribuir um pouco a renda, para que a economia deslanchasse. Quanto mais distribuída a renda na sociedade, mais dinamizado fica o capitalismo porque passa a ser alimentada toda uma rede de pequenos empreendedores que beneficiam grande parte da sociedade.

Na Europa e Estados Unidos dos últimos 20 anos, desde os anos 90, houve uma escandalosa concentração de poder e riqueza, um período de grandes fusões e aquisições de empresas menores ou com dívidas por empresas maiores. Para piorar, o governo Busch retirou imposto dos mais ricos.

Quando se concentra a renda em um sistema financeiro expressivo como é atualmente, além da falta de dinamismo no capital, há também um grande risco sistêmico de crise, que pode ocorrer em qualquer setor. Se um banco é muito grande, tem 30% do mercado, e tem uma administração irresponsável, gera uma grande crise no país. Se o mercado é controlado por uma grande empresa de alimentação e os produtos são contaminados, pode gerar um estrago sem controle na saúde das pessoas e na economia do país, se somente algumas empresas controlam a distribuição de internet banda larga, o país fica refém dessas empresas, impedindo o desenvolvimento de outros setores da economia.

A fusão de empresas para o bem dos liberais, deveria ser proibida. Mais que isso, usar dinheiro público, como do BNDES, para financiar aquisição e fusão de empresas deveria ser considerado crime. Aí se pergunta: então não teremos grandes empresas, players globais? Claro que não, porque isso é a pior coisa que existe para o sistema e para a sociedade. O próprio nome diz: ao se tornarem “jogadores globais”, as empresas abandonam o sistema de mercado e entram num processo de intervenção. São empresas que deveriam se chamar de interventoras globais. A competição se torna desleal com a população e com outras empresas. Financiar a construção de empresas interventoras globais com o dinheiro público é algo escandaloso.

Os players globais deveriam ser sobretaxados no Brasil caso entrassem aqui com capacidade para quebrar pequenas empresas. Esse taxa deveria financiar a aplicação de pequenas e médias empresas. Uma grande empresa, com poder de mercado, só poderia existir como estatal,  de modo que o governo possa interferir e usar a empresa para ajustar o mercado e promover o desenvolvimento. Como é o caso da Petrobrás.  É importante que se crie empresas estatais eficientes e com um controle de gestão público.

O Brasil também promoveu grandes fusões nos últimos 20 anos, durante o governo FHC, e as coisas pioraram muito. Quanto mais fusão ou aquisição de empresas de modo a controlar um setor do mercado, pior para a população e para o país. O Brasil, paradoxalmente, melhorou nos últimos anos porque havia uma demanda muito grande para o consumo, uma massa populacional, que estava e ainda está fora do mercado formal, com grande potencial de consumo. Mas a situação é diferente nos países da Europa e Estados Unidos que enfrentam essa crise do capitalismo.

Um dia, dar dinheiro público para uma empresa comprar outra deverá ser considerado corrupção.

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PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE GANHAM VISIBILIDADE COM PRÊMIO VICTOR VALLA

As inscrições vão até dia 15 de outubro

Quem conhece um pouco a realidade da saúde pública no Brasil sabe que ela está longe do ideal. Falta um pouco de tudo nos hospitais e sobram pessoas à espera de atendimento. É por isso que ações que valorizam as iniciativas, projetos e experiências pensadas para promover a saúde no SUS (Sistema Único de Saúde), melhorando e humanizando seu funcionamento, são importantes.

O prêmio Victor Valla de Educação Popular em Saúde, uma iniciativa inédita da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva em parceria com o Ministério da Saúde, busca justamente dar visibilidade às diversas ações de educação popular em saúde, incentivando-as enquanto formas e projetos fundamentais que projetam uma saúde melhor para o futuro.

Seja por meio de texto, som, vídeo ou imagem, a criação, orientada por uma necessidade social e humana, é a principal premiada desta iniciativa. É preciso acreditar e pensar as mudanças, mesmo quando elas parecem distantes.

Veja texto com mais informações sobre o prêmio, quem pode participar e como será feita a premiação:

Concurso premia ações de educação popular em saúde
Por Agência Saúde

Inscrições para a edição inédita do concurso Victor Valla vão até 15 de outubro; iniciativa é apoiada pelo Ministério da Saúde

Estão abertas até 15 de outubro as inscrições para o prêmio Victor Valla de Educação Popular em Saúde, uma iniciativa inédita da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva em parceria com o Ministério da Saúde. O prêmio visa contribuir com o fortalecimento de grupos, movimentos populares e acadêmicos, assim como serviços de saúde que desenvolvem ações de educação popular em saúde. A proposta pretende fortalecer a Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa no Sistema Único de Saúde (ParticipaSUS).

“O prêmio foi criado para dar visibilidade, força e respeito às práticas, experiências e coletivos de educação popular em saúde, ressaltando sua capacidade de produzir iniciativas e conhecimentos que contribuam na construção do SUS”, explica a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Júlia Roland. Acesse, aqui, o edital do concurso.

PARTICIPAÇÃO – Podem participar do concurso integrantes de movimentos populares, conselheiros de saúde, gestores, trabalhadores, estudantes, educadores, pesquisadores e pessoas envolvidas com experiências de educação popular em saúde, incluindo a sociedade civil organizada. Serão premiadas iniciativas inéditas de caráter público, sem fins lucrativos, embasadas nos princípios da Educação Popular e articuladas ao SUS em quatro categorias: narrativas ou relatos, produções audiovisuais ou musicais, textos artísticos e textos científicos.

PREMIAÇÃO – As experiências classificadas em primeiro lugar em cada categoria receberão R$ 6 mil. O segundo lugar, R$ 5 mil e o terceiro lugar, R$ 4 mil. As iniciativas apresentadas na forma escrita premiadas poderão compor a 2ª edição do Caderno de Educação Popular em Saúde, publicação do Ministério da Saúde. Já os dez vídeos ou áudios vencedores irão compor um DVD educativo que será desenvolvido pelo Ministério. Os autores e coautores das iniciativas classificadas ou premiadas receberão certificados de participação e os trabalhos selecionados em cada categoria serão divulgados. Para que os valores sejam investidos na visibilidade e no fortalecimento das culturas e práticas populares de saúde, os autores premiados deverão apresentar um plano de ação indicando como e onde será utilizado o valor da premiação. (Texto completo)

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