Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

INVESTIMENTOS SOCIAIS E SEGURANÇA AINDA SÃO REALIDADES DISTANTES EM COMUNIDADES QUE RECEBERAM AS UPPs

Que olhar deve ser lançado à comunidade?

Quando as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram instaladas em algumas favelas do Rio de Janeiro, a sensação era de que, enfim, o estado se fazia presente na periferia, diluindo a fronteira que até então a separava do “asfalto” – como se convencionou dizer – separando-a do acesso a investimentos sociais, garantia de segurança e execução dos demais direitos do cidadão.

No entanto, recente pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), demonstrou que em duas comunidades cariocas que receberam as UPPs, as favelas do Cantagalo e do Vidigal, a realidade não mudou muito. Moradores ouvidos reclamam da violência policial e da falta de investimentos em saneamento básico, pavimentação e coleta de lixo.

Os dados da pesquisa talvez demonstrem não o fracasso das UPPs, e sim a extensão da cultura da atividade policial no Brasil que se formou ancorada na corrupção e na violência. Neste sentido, fazer com que as fronteiras entre o centro e a periferia das grandes metrópoles diminua por meio da efetiva oferta de serviços sociais e proteção jurídica equivale à realização de mudanças que de fato combatam a corrupção policial e tornem possível o fim de incursões policiais violentas e prejudiciais aos moradores.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

Pesquisa da FGV em duas comunidades pacificadas mostra que muita coisa ainda precisa ser feita
Da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A vida dos moradores de duas comunidades cariocas que receberam as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), as favelas do Cantagalo e do Vidigal, pouco mudou. A conclusão é de uma pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas, divulgada hoje (14). O objetivo do estudo foi conhecer hábitos dos moradores das comunidades em relação ao exercício de direitos e ao uso de serviços jurídicos, após a instalação das UPPs.

Na Favela do Cantagalo, na zona sul, 29% dos moradores da comunidade declararam ter sido desrespeitados pela polícia nos últimos doze meses. A UPP funciona no local desde dezembro de 2009. No Vidigal, também na zona sul, 20% das pessoas relataram o mesmo problema. Segundo a pesquisa, menos da metade dos entrevistados, quando agredidos, procuram a Defensoria Pública e a própria polícia para solucionar as questões.

A pesquisa também apontou uma grande diferença entre as duas comunidades avaliadas em relação à infraestrutura básica. No Cantagalo, 75% dos entrevistados apontaram que os problemas mais preocupantes são a pavimentação e a coleta de lixo. Já no Vidigal, 35% dos moradores reclamaram da pavimentação e de os serviços de abastecimento de água e saneamento.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, atribuiu as reclamações de abuso policial feitas pelos moradores à ausência do Estado nessas regiões nos últimos quarenta anos. Beltrame disse que a corrupção policial e seus excessos continuarão a ser combatidos com punições. “Essas questões são ajustes que serão feitos ao longo do processo. Não existia ali a convivência entre moradores e policiais, agora essa convivência passou a existir”. (Texto completo)

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