Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 25 setembro, 2011

VOTO SECRETO PARA PARLAMENTAR SÓ É IMPORTANTE NA DITADURA

Democracia é o melhor remédio contra corrupção

Há muita confusão até mesmo nos setores mais avançados da sociedade brasileira. É claro que não se pode deixar as alas mais conservadoras se apropriarem de um discurso que poderia gerar uma repetição da história do golpe de 64.

A condenação das manifestações contra a corrupção são válidas enquanto reflexão histórica sobre os períodos pré-ditadura de 64, quando o discurso udenista se utilizou desse bordão pra abrir caminho para a ditadura.

Mas a luta contra a corrupção não pode ser uma bandeira da direita mais retrógrada do país. Mesmo porque é essa direita mais retrógrada que condena a democracia e que se beneficia da corrupção. É estranho ver gente alinhada aos pensamentos mais progressistas condenarem de forma integral qualquer manifestação contra a corrupção. Acredito que precisamos ter ponderação para não nos alinharmos ao sistema de corrupção.

A luta contra a corrupção tem de ser uma bandeira também das alas mais progressistas. Mas deve ser uma bandeira fundada na história e nos aspectos mais técnicos para o aperfeiçoamento da democracia, nunca contra a democracia. Contra a corrupção, mas com democracia. Só a democracia pode diminuir a corrupção. A ditadura é a institucionalização da corrupção; é a corrupção sem limites.

Não é possível continuarmos como uma das principais economias do mundo e o país mais desigual do mundo. E, com certeza, a corrupção é um fator importante para manter a desigualdade social e econômica. Se o dinheiro que vai para o Ministério dos Transportes ou para o Ministério da Saúde e não chega a uma parte da população, a desigualdade persiste.

Por isso, o voto secreto para parlamentar só é importante em regimes autoritários. Assim, a Constituição 1937, que rompe com o voto secreto do parlamentar, é na verdade a inauguração da ditadura. Isso ocorre, obviamente, porque é uma ditadura. A mesma realidade acontece com a ditadura militar, no episódio em que parlamentares da Arena votaram contra a ditadura, que tentava processar Márcio Moreira Alves, graças ao voto secreto. Ou seja, voto secreto para parlamentar só na ditadura.

Já na democracia o voto secreto serve para desestabilizar o governo, minar a base governamental e abandonar totalmente a ideia de representatividade e relação com o eleitor.

Em uma democracia, é inaceitável que o parlamentar possa esconder seu voto, seja do governo, seja da sociedade. É preciso ter caráter político. Ninguém vai ser perseguido numa democracia. Não podemos pensar a democracia com cabeça de ditadura.

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Entusiasmo e esperança dos palestinos

Enquanto o Brasil, por meio da presidente Dilma, declarava o seu apoio ao reconhecimento pela ONU do estado palestino, as mobilizações populares na Palestina já iam à todo vapor. Estima-se que mais de um milhão de palestinos teriam se mobilizado na última quarta-feira (21/09) para demonstrar aprovação ao pleito que Mahmoud Abbas, presidente da OLP (Organização para Libertação da Palestina), apresentou à 66ª Assembleia Geral da ONU na sexta-feira, dia 23.

O sonho do estado da Palestina já é antigo e muitos acreditam que a paz no Oriente Médio só será possível quando os palestinos tiverem seu estado reconhecido e a influência de Israel for assim, aos poucos, diminuindo.

A animação e o entusiasmo dos palestinos apenas demonstra a força que esse sonho ainda tem junto à população local. Muitos reconhecem, com consciência e maturidade política, que o caminho para a liberdade ainda é longo, mas acreditam que o reconhecimento do estado é o começo dele, podendo fazer do restante uma trilha menos acidentada e mais segura.

Veja texto publicado pela Carta Maior com detalhes das manifestações e as diferentes questões geopolíticas envolvidas no assunto:

Apoio ao Estado mobiliza mais de um milhão na Palestina
Por Baby Siqueira Abrão, de Ramallah, Palestina

A coordenação da campanha nacional “Palestine: State 194” calcula que mais de um milhão de pessoas reuniu-se ontem, no centro das 10 regiões distritais palestinas, para demonstrar aprovação ao pleito que Mahmoud Abbas, presidente da OLP, apresentará à 66ª. Assembleia Geral da ONU na sexta-feira, dia 23.

Essa demonstração de apoio é confirmada por uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Harry S. Truman e pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Divulgada no dia 21, ela aponta que 83% dos palestinos apoiam a reivindicação à ONU, confirmando outro levantamento, do Instituto Near East Consulting, de Ramallah, segundo o qual essa porcentagem é de 84%. Entre os israelenses, 69% querem que o governo aceite a decisão da ONU.

A disposição dos palestinos contrastou com o marasmo das últimas semanas. Nesse período, a conversa girou em torno de assuntos nada agradáveis: a ocupação, que se manteria mesmo com o reconhecimento do Estado palestino na ONU; de um possível aumento da repressão por parte do governo israelense quando a Assembleia terminar; da ilegitimidade do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), cujo mandato expirou em 25 de janeiro de 2010; de acusações sobre “corrupção” dentro da ANP e da falta de liberdade que caracteriza a vida dos palestinos.

O desânimo, porém, começou a ser substituído pelo entusiasmo poucos dias antes das manifestações de ontem. No dia 20, uma enorme cadeira de madeira pintada de azul – referência ao assento que a Palestina deveria ocupar na ONU –, colocada em Al-Manara, a praça central de Ramallah, atraía moradores, ativistas e turistas, que se deixavam filmar e fotografar em frente a ela. Um restaurante local preparou uma pizza retangular com as cores da bandeira palestina, usando produtos locais (zata, queijo branco, hortelã, tomates) e a levou à praça, chamando a atenção de transeuntes e motoristas. Grupos se reuniam em diversos pontos da Al-Manara, discutindo prós e contras da ida à ONU. E no início da noite uma carreata saiu da Al-Muqata, a sede do governo, e foi até a praça Yasser Arafat, recentemente reformada, sob aplausos e gritos de vitória. (Texto completo)

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