Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 19 outubro, 2011

RODA VIVA VIROU UMA SALA DA HEBE APARELHADA PELO PSDB; AGORA É RODA MORTA

Roda Viva ou Ressuscita-me?

O Roda Viva, programa da TV Cultura,  já foi muito importante para o Brasil.  Num período de renascimento da democracia, era praticamente o único espaço de debate político, econômico e cultural da tv brasileira. Na versão original, a quantidade de entrevistadores, ainda que dentro de um espectro ideológico limitado, dava ao programa certa legitimidade.

Recentemente, o programa havia se transformado numa espécie de sala da Hebe aparelhada pelo PSDB.  O programa perdeu importância e perdeu espaço de mediação.  Tornou-se um bate papo de comadres sempre dentro da perspectiva estilística da sala São Paulo, que fica ao lado da cracolândia (quer coisa mais tucana?).  O Roda Viva se transformou num programa a serviço do nada. Vale pouco jornalisticamente.

Esta semana o programa tentou se recuperar com a saída de Marília Gabriela. Aliás, o  programa De frente com Gabi, do sbt, é mais jornalístico que o Roda Viva apresentado por ela, porque é mais verdadeiro e cumpria o que se propunha a fazer. Já o Roda Viva viveu uma faze de controle ideológico agonizante.

O programa da semana, que entrevistou o Cabo Anselmo, conhecido como delator (traidor) dos seus próprios companheiros  que foram mortos e torturados pela ditadura militar, é uma tentativa de reabilitar o programa. Cabo Anselmo foi uma espécie de jogada de marketing de péssimo gosto para a memória da democracia brasileira.

Quem comanda o programa  agora é Mário Sérgio Conti;  basta ler  Notícias do Planalto para conhecê-lo. O livro é um primor de bajulação aos empresários da mídia brasileira, dos Marinhos aos Civitas, sem escapar um.

Ultimamente o Roda Viva se tornou uma Roda Morta, mas quem sabe melhore ao voltar ao formato original. Mas começou da pior maneira possível.

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MUITA IMAGINAÇÃO, POUCA EFICIÊNCIA: LEGISLATIVO CARIOCA ENCHEU O ANO DE HOMENAGENS, MAS TRABALHAR QUE É BOM…

Pelo dia da Integridade, para legislativo, executivo e judiciário!

O legislativo carioca anda com toda criatividade. Os 365 dias do ano já não comportam tantas homenagens definidas pela Casa. Tem-se o dia do contínuo, do office-boy, do urologista, da atenção à saúde sexual do homem, dia do surdo, dia do ascensorista, da babá, da esposa, do folclorista luso-brasileiro, do dançarino de dança de salão e até o dia do nascituro, 25 de março, que comemora o dia dos que ainda nem nasceram.

Com essa imaginação toda, o legislativo parece que tem se esquecido de sua principal função, a de fiscalizar o poder executivo que, no caso do Rio de Janeiro, anda com os cofres abarrotados prestes a se esvaziarem nas próximas eleições municipais.

Aproveitando as manifestações contra a corrupção que aconteceram no último dia 12 de outubro, o dia de Nossa Senhora Aparecida, em muitas cidades brasileiras, seria bom definir uma data também como o dia da Integridade, como sugere a reportagem de Carta Capital, ou simplesmente o dia da democracia, da faxina, que cairia muito bem no 7 de outubro de 2012, data das eleições municipais do ano que vem.

Afinal, cá entre nós, é muita folga!!

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

Dia de fiscalizar o executivo
Por Edgard Catoira

No feriado da última quarta-feira, dia 12 de outubro, dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em muitas cidades do país aconteceram as marchas contra a corrupção.

O dia foi escolhido por organizações apolíticas para conscientizar os cidadãos no descanso do feriado.

No Rio, o sucesso foi positivo. Provocou boa movimentação e muita visualização na tarde da Avenida Atlântica, em Copacabana, inclusive ganhando o apoio do pessoal que bebia nos quiosques da orla.

Estas marchas, porém, não marcaram uma data para ser, todo ano, o Dia Contra a Corrupção, o que é uma pena.

A começar pelo Legislativo Municipal, pelo menos do Rio de Janeiro, principalmente se observarmos o que está disposto na Lei municipal nº 5.146/2010 e o número de projetos que tramitam na Câmara Municipal, selecionando datas para homenagear determinada categoria profissional, bairro, religião ou personalidade. Pelo andar da carruagem, a próxima providência do Legislativo carioca seguramente será a de revogar o calendário gregoriano e ganhar mais espaço no ano para tantos merecidos reconhecimentos que os vereadores descolam. (Texto completo)

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