Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 28 outubro, 2011

TENTATIVA DE ANULAÇÃO DO ENEM POR CAUSA DO VAZAMENTO NO COLÉGIO DO CEARÁ É COLOCAR O INTERESSE DE CRIMINOSOS ACIMA DOS DA SOCIEDADE

Map locator of Brazil's Ceará state

Anular a prova por causa de um único colégio de uma única cidade de um país inteiro é estultice

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma das criações mais importantes do governo Lula, mas todo ano sofre um bombardeio dos grandes meios de comunicação e de setores da justiça, principalmente do Ceará.

Mesmo assim, o exame resiste e tem trazido grandes benefícios para o país e para os pais dos alunos. O fim do Enem interessa a quem quer meter a mão no bolso dos pais dos alunos, que terão de gastar com viagens, estadia e provas em vários locais do país para entrar em uma boa universidade.

O Enem é tão bom para o aluno quanto para seus pais. Com apenas uma prova, pode se passar em grandes universidades do país. E melhor, a prova é feita na própria cidade do aluno. Isso valoriza os estudantes que se preparam para as provas. Com certeza, o Enem é mais seguro do que muitos vestibulares e concursos públicos.

Neste ano, assim como no ano passado, criminosos violaram a prova para beneficiar algumas pessoas ou alguns grupos econômicos. É preciso investigar, punir quem violou e quem se beneficiou da violação, ainda que culposamente, mantendo a validade da prova para todo o país.

Por causa de um colégio,  Colégio Christus de Fortaleza, onde ocorreu o crime, anular todo o processo é um verdadeiro absurdo. Isso só pode ser defendido por interesses escusos. Aos alunos do colégio cearense, para não serem prejudicados, basta fazer nova prova. É isso! O resto é parvoíce e interesses econômicos.

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DUAS NOTÍCIAS EXPLICAM BEM A CRISE DOS ESTADOS UNIDOS: MILIONÁRIOS FICARAM MAIS RICOS E POBREZA AUMENTOU

Selo postal, Estados Unidos, 1847

Os EUA tiraram dos pobres e deram para os ricos

Os governos das últimas décadas dos Estados Unidos aprimoraram a desigualdade social e deram a sua contribuição para a crise dos EUA. Veja abaixo como os ricos ficaram mais ricos enquanto a pobreza aumentou por lá.

Mais ricos dos EUA triplicaram seu patrimônio entre 1979 e 2007

Os cidadãos mais ricos dos Estados Unidos quase triplicaram sua renda entre 1979 e 2007, enquanto as famílias mais pobres viram seu patrimônio crescer apenas 18% no mesmo período, indica um estudo divulgado nesta quarta-feira (26).

A receita líquida (depois do pagamento de impostos) dos 1% mais ricos do país aumentou 275% entre 1979 e 2007, assinala o relatório elaborado pelo Escritório de Orçamentos do Congresso.

Para 60% da população de classe média a receita cresceu 40%, enquanto para os 20% mais pobres o aumento foi de apenas 18%.

Estes números demonstram que a distribuição de renda nos EUA “era substancialmente mais desigual em 2007 do que em 1979”, ressalta o estudo, que também revela que os 1% mais ricos concentravam 17% de toda a renda há quatro anos, contra 8% de três décadas atrás.

O relatório foi publicado em meio aos protestos do movimento “Ocupem Wall Street”, que critica nos EUA os excessos do sistema financeiro e a desigualdade. (Texto integral na Folha)

Nos EUA, pobreza toma conta dos subúrbios

Desde 2000, o número de pobres aumentou em 5 milhões nos subúrbios, com aumentos grandes em áreas metropolitanas tão diferentes quanto Colorado Springs e Greensboro, na Carolina do Norte.

Ao longo da década, subúrbios do meio-oeste registraram maior aumento no número de pobres. Mais recentemente, no entanto, o aumento tem sido mais acentuado onde houve maior colapso imobiliário, como em Cape Coral, na Flórida, e Riverside, Califórnia, de acordo com a análise do Instituto Brookings.

Quase 60% dos pobres de Cleveland, por exemplo, antes se concentravam em seu núcleo urbano, mas agora vivem em seus subúrbios – em 2000, cerca de 46% viviam nos subúrbios.

Em todo o país, 55% da população pobre nas regiões metropolitanas agora vive nos subúrbios – aumento significativo dos 49% registrados anteriormente.

A pobreza é algo novo em Parma Heights, subúrbio tranquilo de pequenas vilas e gramados cortados, e pedir ajuda pode ser difícil. O Parma Heights Food Pantry, espécie de banco de alimentos comunitário com preços reduzidos, que começou a servir várias dezenas de famílias por mês em 2006, agora ajuda 260 e atrai um fluxo de vítimas da economia americana. Muitos nunca precisaram de ajuda para se alimentar antes. (Texto integral no IG)

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JUIZ CRITICA JORNAL ZERO HORA QUE OMITIU DEBATE SOBRE OS MONOPÓLIOS NA COMUNICAÇÃO EM SEMINÁRIO DA ANJ

Caso paradigmático: imprensa defende liberdade de expressão e omite informação

No dia 21 de outubro, a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de expressão e Poder Judiciário. No entanto, apesar de se mostrarem unidos para a organização do evento, na prática, a posição dos grupos sobre os temas em questão não é tão unida assim.

A ANJ engrossa o coro da grande mídia brasileira indo contra qualquer proposta de regulação das comunicações sob a alegação de que regular a mídia significa ameaçar a liberdade de expressão e comunicação. Já os juízes do Rio Grande do Sul enxergam a questão sob outro ponto de vista. Para eles, a regulação seria uma alternativa para evitar a formação dos monopólios na comunicação, por exemplo, que realmente afetam a liberdade de expressão ao uniformizarem e controlarem o teor da informação.

Esse jogo de interesses se refletiu na cobertura do jornal Zero Hora, que pertence ao grupo RBS, afiliado à ANJ, que privilegiou em matéria sobre o evento vários pontos de discussão do seminário, mas omitiu a parte sobre os monopólios de comunicação. O presidente da Ajuris não gostou da atitude do jornal e disse: “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.

A fala do juiz mostra claramente como a grande mídia brasileira graça em plena contradição. Defende a liberdade de imprensa mantendo justamente as estruturas que a ameaçam, e se diz tão defensora dos direitos da imprensa livre que se dá ao luxo de dizer o que quer e como bem entende, sem suportar o outro lado, sem valorizar a diversidade, onde parece residir a autêntica liberdade de expressão.

Veja trecho de texto sobre o assunto com entrevista concedida por João Ricardo dos Santos à Carta Maior:

Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS
Por Marco Aurélio Weissheimer

No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.

O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.

Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.

“Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.

Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado. (Texto completo)

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