Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

JUIZ CRITICA JORNAL ZERO HORA QUE OMITIU DEBATE SOBRE OS MONOPÓLIOS NA COMUNICAÇÃO EM SEMINÁRIO DA ANJ

Caso paradigmático: imprensa defende liberdade de expressão e omite informação

No dia 21 de outubro, a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de expressão e Poder Judiciário. No entanto, apesar de se mostrarem unidos para a organização do evento, na prática, a posição dos grupos sobre os temas em questão não é tão unida assim.

A ANJ engrossa o coro da grande mídia brasileira indo contra qualquer proposta de regulação das comunicações sob a alegação de que regular a mídia significa ameaçar a liberdade de expressão e comunicação. Já os juízes do Rio Grande do Sul enxergam a questão sob outro ponto de vista. Para eles, a regulação seria uma alternativa para evitar a formação dos monopólios na comunicação, por exemplo, que realmente afetam a liberdade de expressão ao uniformizarem e controlarem o teor da informação.

Esse jogo de interesses se refletiu na cobertura do jornal Zero Hora, que pertence ao grupo RBS, afiliado à ANJ, que privilegiou em matéria sobre o evento vários pontos de discussão do seminário, mas omitiu a parte sobre os monopólios de comunicação. O presidente da Ajuris não gostou da atitude do jornal e disse: “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.

A fala do juiz mostra claramente como a grande mídia brasileira graça em plena contradição. Defende a liberdade de imprensa mantendo justamente as estruturas que a ameaçam, e se diz tão defensora dos direitos da imprensa livre que se dá ao luxo de dizer o que quer e como bem entende, sem suportar o outro lado, sem valorizar a diversidade, onde parece residir a autêntica liberdade de expressão.

Veja trecho de texto sobre o assunto com entrevista concedida por João Ricardo dos Santos à Carta Maior:

Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS
Por Marco Aurélio Weissheimer

No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.

O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.

Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.

“Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.

Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado. (Texto completo)

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3 Respostas para “JUIZ CRITICA JORNAL ZERO HORA QUE OMITIU DEBATE SOBRE OS MONOPÓLIOS NA COMUNICAÇÃO EM SEMINÁRIO DA ANJ

  1. Pingback: CONSULTA PÚBLICA SOBRE REGULAÇÃO DA MÍDIA DEVE FICAR PARA O ANO QUE VEM « Educação Política

  2. maria eugenia cavalheiro 5 novembro, 2011 às 10:42 pm

    ” a vaidade dos outros nos é insuportável porque ofende a nossa. ” gostamos de falar mais dos outros do que de nós mesmos, a imprensa não é diferente e o limite do ato de comunicar é a preservação do seu patrimônio, o seu poder, o seu domínio.

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  3. José Carlso gomes lucas 8 novembro, 2011 às 7:30 am

    O monopólio dos meios de comunicação é o câncer da Sociedade contemporânea . Não há liberdade de imprensa . O que existe , verdadeiramente , é o controle da liberdade pel a imprensa. José Carlso Lucas

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