Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

REITOR DA USP, JOSÉ GRANDINO RODAS, COLABOROU COM A DITADURA E FAZ MILITARIZAÇÃO DA USP, INICIADA NO GOVERNO DE JOSÉ SERRA, DIZ PROFESSOR

Militarização da USP

Veja entrevista do professor Luiz Roberto Martins, da Escola de Comunicações e Artes da USP, em que fala da tentativa de José Serra de privatizar a pesquisa e sobre a origem dos problemas da universidade. 

PS. Detalhe, não da entrevista, mas a Folha de S.Paulo que está se referindo aos alunos como “grupo” e não estudantes. Essa Folha…

vi no Com Texto Livre

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18 Respostas para “REITOR DA USP, JOSÉ GRANDINO RODAS, COLABOROU COM A DITADURA E FAZ MILITARIZAÇÃO DA USP, INICIADA NO GOVERNO DE JOSÉ SERRA, DIZ PROFESSOR

  1. M.G. 5 novembro, 2011 às 8:00 pm

    OK, despoliciem o Campus e fumem sua maconha à vontade, mas, por favor, poupem-me de saber de estupros, assaltos, assassinatos e outras barbaridades. Não vou dar a mínima.

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  2. M.G. 5 novembro, 2011 às 8:02 pm

    Desde quando vigilância policial é coisa de ditadura? Tem gente misturando as estações ae…

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  3. Rodrigo 6 novembro, 2011 às 6:44 pm

    O problema é justamente quando um grupo (pior seria se a Folha, com base na tipicidade penal, os definisse logo enquanto quadrilha, não?) julga que o seu direito está acima dos direitos da coletividade. Então partem para atos de barbárie, vandalismo, perdendo qualquer razão que pudessem ter.
    Fatos:
    I- estudantes flagrados usando substância definida em Portaria do Ministério da Saúde enquanto entorpecente e, via de consequência, ilícita; nem vamos adentrar no mérito do financiamento do tráfico de drogas;
    II- policiais treinados para ações comunitárias, não se tratando de grupo de choque, detém normalmente os estudantes, a fim de conduzí-los à Delegacia, aonde seria elaborado termo circunstanciado e, após, liberados.
    III- jovens que sempre tiveram acesso à melhor educação partem para o confronto, atirando cavaletes e desrespeitando a autoridade também de um Delegado, presente;
    IV- viaturas são depredadas;
    V- prédios invadidos e vandalizados;
    VI- patrimônio público destruído;
    VII- para o conhecimento de quem ignora o fato, o reitor é um Desembargador Federal e merece respeito.
    Qual a defesa cabível aos alunos? Alguém apóia qualquer das condutas dos “estudantes”?
    Agora vale o “eu quero sustentar um hábito egoísta e problema da sociedade, porque eu sou mimado e vandalizo? E problema de quem vinha sendo assaltado, estuprado, morto, no campus?”
    Polícia, os Juízes, Promotores, Delegados, da mesma forma que os pais, professores e demais figuras congêneres, reclamam o devido respeito. Aprendam a viver em sociedade, sabendo que o limite de seu direito é não apenas o direito do outro, mas também o seu próprio dever.
    A ditadura tem de parar de ser usada enquanto verborragia populista. Respeitem quem sofreu efetivamente, deixando de dar ouvidos a quem apenas era oportunista e quis galgar alguma forma de poder.
    Depois a Veja é que distorce as situações e falas…
    Algo me cheira a disputa política…

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  4. Thalita Gallucci Sotero 7 novembro, 2011 às 10:11 am

    ao caros que acima fizeram os comentarios, com todo respeito, voces só pode estar de brincadeira né? acho que não entenderam direito a entrevista acima…estamos entao viabilizando a repressão? quantas milhares de vezes já vimos noticiarios de policiais que abusam da força…o professor na entrevista disse claramente “o campus é uma extensão da cidade de sao paulo”, só não percebe quem não quer, e que sim meu caro Rodrigo é disputa politica, alias, sempre foi,a verdade é que essa disputa tem um grande aliado para jose serra, e cia limitada, é a imprensa, a exemplo da Veja citada por vc mesmo….
    E entendo que este blog o qual consumimos informações é uma proposta de se analisar as noticias sob uma nova otica…
    vivemos em um momento crucial, onde o mundo inteiro sai as ruas clamando por justiça, igualdade e critica quanto a logica de distribuição de renda, e nós aqui vamos legitimar a volta do uso da força como solução?…temos sim que usar a ditadura como referencia, pois foram decadas de atraso social e democratico, eu realmente lamento esse tipo de opiniao….

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    • glaucocortez 7 novembro, 2011 às 1:09 pm

      Muito bom Thalita,
      Obrigado pelo comentário.

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    • Rodrigo 7 novembro, 2011 às 2:10 pm

      Thalita, não me valho de qualquer motivo lúdico. Apenas disse que, quem luta por uma liberdade perde sua razão ao partir para a barbaridade; uma luta, qualquer que seja ela, torna-se discurso vazio ao redundar em baderna – o uso da força tem sido observado do lado dos estudantes, não?
      De outro modo atuaram os “marchadores”: rumando pelos caminhos legais, demonstraram ao STF que a marcha da maconha redunda em liberdade de expressão, mas não em apologia. Atuaram de forma inteligente e, mesmo havendo quem discorde, há uma decisão, favorável aos “marchadores”, que há de ser acatada.
      Estamos vivendo uma época de discursos burros, vazios, chegando ao ponto em que estudantes alegam que a PM os atrapalha no estudo. Como assim, “cara-pálida”? Estão havendo invasões da PM em bibliotecas, salas de internet e etc.? Em vez da Polícia Comunitária, está em ação na USP o Batalhão de Choque?
      A situação pode ser invertida e, sim, deixar a impressão de que os alunos brigam por 2 pontos: depor um grupo político e impor outro; liberar o tráfico e consumo de substâncias ilícitas na USP. Tal a desinteligência do movimento, em compasso para com o discurso vazio e radical, agressivo também para com a Língua Portuguesa, que vemos nas redes sociais, blogs e microblogs.
      Com isso, os inteligentes e verdadeiramente pensantes se afastam, vendo a turba perder a razão, facilitando a manutenção de um determinado status quo. Ficam os atiradores de cavalete, os que persistem em conduta de uso de substância, até então, tida por ilícita (sou a favor da liberalização, a partir de quando pouco me importarei com a referida conduta), os que berram e depredam patrimônio público.
      Então os protestantes vestem a carapuça de pequenos ditadores, de quem não sabe manter o equilíbrio “Pinochet-Piaget” (liberdades e deveres individuais e coletivos) – apenas uma denominação também lúdica e para facilitar a memorização, cabendo a explicação a fim de que um desses “bárbaros” não venha me acusar de ser amante de Pinochet (tenho tanto desprezo por ele, quanto por quem desrespeita a memória de quem efetivamente sofreu na ditadura) ou, pior, dos tucanos, democratas etc.
      O exemplo do quanto dito por mim é a foto que estampa um dos posts deste blog: ao falar em militarização, mostra justamente a foto dos baderneiros, atiradores de cavaletes e depredadores do patrimônio público; não identifico na foto a polícia invadindo o campus, agredindo estudantes, mas “estudantes” fazendo baderna.
      Para não serem cegos seguidores de quem apenas também quer manipular – por isso tanto bato na tecla de que será deposta uma “velha mídia” e imposta uma “nova velha mídia”, esta a favor também de determinados interesses políticos e, mais, financeiros.
      Somos animais políticos, humanos e sujeitos aos mesmos erros. Por isso, nem tanto ao mar, nem tanto à terra; ninguém é tão bom, que não possa ser ruim, nem tão ruim, que não possa ser bom.
      E pensem e lembrem da ditadura, mas não a usem como salvo-conduto para a atitude irrefletida. Usem como exemplo do que não pode voltar a acontecer, daquilo que é produto de um radicalismo.

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  5. Thalita Gallucci Sotero 8 novembro, 2011 às 9:35 am

    Bom Rodrigo,vamos a alguns esclarecimentos, concordo contigo sobre barbárie, violência,e também acho que o uso da força não seja a solução…justamente por isso não se deve legitimar a “militarização do campus”, foi uma afirmação do professor no video entrevistado, e que afirma também que não é de hoje a tentativa de muito além usar da força dentro da universidade como PRIVATIZAR áreas de pesquisa, encabeçado por quem? ninguem menos que José Serra,…era de esperar, não é mesmo?
    agora vamos aos fatos, você acha mesmo que a retaliação dos estudantes da usp (julgados como “grupo” “quadrilha” pela imprensa) é uma luta pelo direito de se fumar maconha na usp?? é muita ingenuidade, com todo respeito mais uma vez….E é justamente aí que mora o problema, a questão é muito maior, ela vai muito além de três camaradas que fumavam maconha…O que realmente está em questão são os interesses politicos, e financeiros versus os direitos de ser estudante de uma universidade pública como a USP, uma das poucas coisas que restam neste país como direito garantido pelo governo, ok? E aí como se não bastasse os desmandos de todas os outros setores, o camarada quer privatização dentro da univerisade?? é ou não é para ficar puto??
    Nessa linha faço mais algumas perguntas, manifestantes libios, egipicios são bárbaros por sair as ruas e gritar por democracia, estudantes chilenos também são bárbaros? e a Grécia toda é também? além de Espanha, Italia, alemanha, estados unidos até mesmo ingleses recentemente? e os outros países da primavera árabe? voltando um pouco para nossa história, os guerrilheiros do araguaia, os sequestradores de embaixadores visando trocar por presos politicos, estes entao?? além de professores e bancários que fazem greve por melhores condições, estes na verdade são vagabundos e bandalheiros, não é isso que ouvimos? E o MST, a UNE então? Meus Deus, esses sim são os agitadores que têm um discurso vazio, é isso?? Reintero, a violencia não é e nunca será solução, e consciente de que você seja esclarecido e dotado de uma grande consciência política, apenas lhe peço para avaliar as circunstâncias de uma outra foma, porque meu caro, repito, vai muito além de se poder fumar maconha…
    E é nesse sentido que vem a minha revolta, a mídia, a “Velha Mídia” em nenhum momento, desde que eu passei a avaliar as coisas de uma forma um pouco menos ingênua, os canais de noticias, que atingem a grande massa fazem o que é dever do bom jornalismo, analisar a causa e não a consequência, estabelecer relações e contextualizar para que de fato, a informação seja transmitida,e as pessoas vejam todas as faces da moeda da história.
    A verdade é que atrelada ao poder a interesses internos e externos, políticos e economicos somos bombardeados de “verdades” travestidas de um discurso dominante, manipulador de resignação e manipulação…porque para nós um tanto quantos esclarecidos, fica um tanto mais fácil avaliar quem são os lobos, mas e a sociedade, e as pessoas que leem Veja e assistem JN assegurando que aquilo é imparcialidade e verdade real dos fatos? E é justamente nesse caso que mora o perigo, porque os bonzinhos politicos aclamados pela midia, de verdade são os causadores de violencia, morte, barbarie e retrocesso…
    E a informação meu caro é um bem social, e isso tem que prevalecer, mesmo que apenas meia dúzias de gente infelizmente tenha consciência disso…
    Mais uma pergunta, quem voce julga que será a “Nova Velha Midia”, o autor deste blog, os comunistas da USP, a Dilma?? O PSOL e Jean Willians com o PL/122?? não se aguenta mais abusos do poder, o nosso contextos mundial é a prova!! radicalismos? nem Chicos nem Franciscos, serão aceitos…
    Essa é a verdadeira luta e é nisso que acredito, e definitivamente se fosse um discurso vazio tenha certeza eu não gastaria meu tempo aqui…

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    • Rodrigo 8 novembro, 2011 às 2:25 pm

      Não disse que o discurso é vazio. Disse que é esvaziado por atitudes irrefletidas, senão imaturas. Ao fim, ao contrário de quem marcha pela maconha, aqueles “uspianos” alcançaram foi a antipatia pública.
      Está sendo descumprida a lei na USP? Está sendo “privatizada” a pesquisa? Demonstrem isso ao Ministério Público, Estadual e Federal e Defensorias. Façam passeatas, atos organizados e não baderna. Os políticos que se alinham ao teu modo de pensar também têm espaço na mídia – que dele se valham, não se valendo da depredação e de coquetéis molotov…
      No fim das contas, da FFLHC, havia 70 alunos. Pouco mais de duas salas de todos os períodos dos cursos de Filosofia, Letras e Ciências humanas; não vi alunos de cursos como ciências jurídicas, biológicas, exatas etc. Qual é mesmo o total de alunos da USP?
      Vamos generalizar e chamar a todos de burgueses e eleitores de tucano e DEM? Caso positivo, a deficiência na argumentação é revelada, haja vista a ofensa ao interlocutor, a tentativa de desqualificação do mesmo, mas não de sua fala, não revelar-se enquanto argumento.
      São momentos assim que me remetem a Ghandi e à desobediência civil, por ele pregada a partir de determinado momento de sua vida. Assim agiram muitos integrantes de movimentos como a Primavera Árabe (em que pese a desarrazoada reprimenda promovida por líderes do Governo, quando descabida e desproporcional), manifestações do Chile e Grécia, em que pese a atuação de baderneiros; uma revolução pode se dar com maiores ou menores perdas.
      Assim, apóio movimentos sociais, quando legítimos e interessados no bem comum, mas não na simples deposição de um grupo, para a imposição de um outro, com novos vícios. Não apóio quem se iguala ao pretenso carrasco e também tortura, estupra e assassina (por isso apóio a ampla e irrestrita abertura dos arquivos da ditadura, a fim de serem exposto os erros de ambos os lados).
      Apóio a reivindicação justa, mas não a tentativa de tomar o que foi conquistado com trabalho.
      Apóio o cumprimento da lei e desapropriação de terras efetivamente improdutivas, mas não invasões criminosas, seguidas de saques, morte de animais e destruição de maquinário e plantações. Também não apóio o confronto com a autoridade policial legalmente constituída, descumprindo ordem judicial emanada também de autoridade legalmente constituída.
      Já quanto às mídias, certo é que toda ela, seja “velha”, seja “nova velha”, noticia o que a ela interessa. Beba das duas fontes, mantendo a sua opnião, não permitindo que qualquer delas venha a te alienar. Novamente, ninguém é tão mal, que não possa ser bom, nem tão bom, que não possa ser mau; somos humanos.
      Seja qual for a fonte de qual beberei, procuro ter atenção e critério, a fim de não ser iludido por uma inclinação partidária, ainda que não proposital. Por isso, me faria muito feliz ver a “nova velha mídia” investigar e noticiar também os escândalos da atual “esquerda”, mostrando que efetivamente dissocia-se dos vícios que aponta na “velha mídia”; concordo contigo que a informação é um direito de todos, mas ela há de ser sempre integral, mas jamais apenas a parte conveniente, seja ao ser noticiada pela “velha” ou pela “nova velha” mídia.
      Mostrar ombate abusos com abusos. A vítima, ao se igualar ao pretenso algoz, demonstra não ser coisa muito melhor que este.

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  6. Thalita Gallucci Sotero 9 novembro, 2011 às 1:21 pm

    Depoimento de quem estava lá!

    http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892

    “Cheguei na USP às 3h da manhã, com um amigo da sala. Ia começar o nosso ‘plantão’ do Jornal do Campus. Outros dois amigos já estavam lá. A ideia era passar a madrugada lá na reitoria, ou pelas redondezas. 1) para entender melhor a ocupação, conhecer e poder escrever melhor sobre isso tudo. 2) para estarmos lá caso a PM realmente aparecesse para dar um fim à ocupação.
    Conversa vai, conversa vem. O tempo da madrugava passava enquanto ficávamos lá fora, na frente da reitoria, conversando com alunos da ocupação. Alguns com posicionamentos bem definidos (ou inflexíveis), outros duvidando até das próprias atitudes. A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)…e, por enquanto, era só. Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pixações). A ocupação era organizada, eles estavam divididos em vários núcleos e tinham medidas pra preservar o ambiente. Aliás, nada de Molotov.
    Mais conversa foi jogada fora, a fogueira que aquecia se apagou várias vezes e eu levantei a pergunta pra alguns deles: e se a PM realmente aparecesse lá logo mais? Seria um tiro no pé dela? Ela sairia como herói? Os poucos que conversavam comigo (eram uns 4, além dos amigos da minha sala) ficaram divididos. “Do jeito que a mídia está passando as coisas, eles vão sair como heróis de novo”, disse um. “Se ele vierem vai ter confronto e isso já vai ser um tiro no pé deles”, disse outra. Mas, numa coisa eles concordavam: poucos acreditavam que a PM realmente ia aparecer.
    Eu achava que a PM ia aparecer e muito provavelmente isso que me fez ficar acordada lá. Não demorou muito e, pronto, muita coisa apareceu. A partir daí, meu relato pode ficar confuso, acho que ainda não vou conseguir organizar tudo que eu vi hoje, 08 de novembro.
    Muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido:

    os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: “Corram!”, enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação.
    Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era.
    Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas.
    “Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora”, disse um dos militares para a enxurrada de “jornalistas”.
    A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): “os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?”. Respondi: “sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar”
    A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim.
    Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era “queremos algo às claras”. Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair?
    Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): “Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer”. Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como “maconheirazinha”, “raça de merda” e “marginal” .
    Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a ‘corrente’ em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que.
    Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar da JC. Ouvi em troca “ai, é um jornal da usp. De estudantes, não pode. Complica”.
    Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP.
    Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim.
    Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram.

    Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM.
    Não costumo me envolver com discussões do ME, divulgar textos ou participar ativamente de algo político do meio universitário. Mas, como poucos realmente sabem o que aconteceu hoje (e eu acredito que muita coisa vai ser distorcida a partir de agora, por todos os lados), achei que valeria a pena escrever esse texto. Taí o que eu vi.”

    Termino por aqui…

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    • Rodrigo 9 novembro, 2011 às 5:25 pm

      Agora vão acusar a PM, sem provas (caso haja alguma, mudo minha falo e recriminarei ações que revelem abuso)…
      E também foi a PM que pixou as paredes, quebrou as câmeras (muito conveniente a quebra de câmeras, com posterior alegação de não terem sido os “alunos” os vândalos)?.
      Que cavaletes e depredou viaturas?
      Que possuía 5 litros de gasolina, coquetéis molotov e morteiros?
      Saldo final: patrimônio público depredado, antipatia pública para com os “alunos” e nenhum aluno agredido. Ação bem planejada e realizada pela PM.
      Parece que desejavam o confronto, para se fazerem de coitados, mas o mesmo não houve.
      Não houve “borrachada no lombo de maconheiro”, como alguns queriam, gás pimenta, tiros, sequer feridos. Nada.
      Talvez por isso tantas vazias alegações, buscando os bons olhos da opnião pública.
      É, meus amigos, assumam a consequências de seus atos. Assumam suas próprias responsabilidades, não seguindo, assim, o exemplo de nossos políticos.
      Não manipulem informações, haja vista ser essa a crítica de vocês a determinados veículos de imprensa.
      Se há “privatização de pesquisa”, o caminho é seguir a lei e se valerem de MPE, MPF, DPE e DPF (Ação Civil Pública), bem como Ação Popular! E manifestações responsáveis.
      Se querem fumar maconha, cheirar cocaína, fumar crack etc., assumam a consequência legal (até o momento) de tanto. Ou vão pra Holanda e Suíça, aonde há consumo regulamentado.
      Não se comportem como crianças birrentas, mimadas, do tipo: eu posso e eu quero e, se não deixar, “quebro tudo”.

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  7. Pingback: RELATO DE ESTUDANTE SOBRE A REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA REITORIA DA USP REVELA A VIOLÊNCIA GRATUITA, O ABUSO DE PODER E A DESUMANIZAÇÃO DA PM « Educação Política

  8. Thalita Gallucci Sotero 10 novembro, 2011 às 4:17 pm

    Eu jurei que iria terminar pelo meu ultimo comentário, mas não dá…

    http://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739

    “Somos alunos da ECA-USP e visto a falta de imparcialidade da mídia com referência aos últimos acontecimentos ocorridos dentro da Universidade de São Paulo, cremos ser importante divulgar o cenário real do que realmente se passa na USP. Alguns fatos importantes que gostaríamos de mostrar:

    – O incidente do dia 27/10/11, quando 3 alunos foram pegos portando maconha, NÃO foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes.

    – Portanto, gostaríamos de explicitar que a legalização da maconha, seja dentro da Cidade Universitária ou em qualquer espaço público, não é uma reivindicação estudantil. Alguns grupos até estão discutindo essa questão, mas ela NÃO entra na pauta de discussões que estamos tendo na USP.

    – Os alunos da USP NÃO são uma unidade. Dentro da Universidade há diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e, dentro de cada unidade, grupos com diferentes opiniões. Por isso não se deve generalizar atitudes de minorias para uma universidade inteira. O que estamos fazendo, isso no geral, é sim discutir a situação atual em que se encontra a Universidade.

    – O Movimento Estudantil, responsável pelos eventos recentes, NÃO é uma organização e tampouco possui membros fixos. Cada ação é deliberada em assembleia por alunos cuja presença é facultativa. O que há é uma liderança desse movimento, composta principalmente por membros do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e dos CAs (Centros Acadêmicos) de cada unidade. Alguns são ligados a partidos políticos, outros não.

    – Portanto, os meios pelos quais o Movimento Estudantil se mostra (invasões, pixações, etc.) não são decisão de maiorias e, portanto, são passíveis de reprovação. Seus fins (ou seja, os pontos reais que são discutidos), no entanto, têm adesão muito maior, com 3000 alunos na assembleia do dia 08/11.

    – Apesar de reprovar os meio usados pelo Movimento Estudantil (invasões, depredação), não podemos desligitimar as reivindicações feitas por esses 3000 alunos. Os fatos não podem ser resumidos a uma atitude de uma parcela muito pequena dos universitários.

    Sabendo do que esse movimento NÃO se trata, seguem suas reinvidicações:

    DISCUSSÃO DO CONVÊNIO PM-USP / MODELOS DE SEGURANÇA NA USP

    A reivindicação estudantil não é: PM FORA DO CAMPUS, mas antes SEGURANÇA DENTRO DO CAMPUS. Os estudantes crêem na relação dessas reivindicações por três motivos:

    A PM não é o melhor instrumento para aumentar a segurança, pois a falta de segurança da Cidade Universitária se deve, entre outros fatores, a um planejamento urbanístico antiquado, gerando grandes vazios. Iluminação apropriada, política preventiva de segurança e abertura do campus à populacão (gerando maior circulação de pessoas) seriam mais efetivas. Mas, acima de tudo…

    A Guarda Universitária deve ser responsável pela segurança da universidade. Essa guarda já existe, mas está completamente sucateada. Falta contingente, treinamento, equipamento e uma legislação amparando sua atuação. Seria muito mais razoável aprimorá-la a permitir a PM no campus, principalmente porque…

    A PM é instrumento de poder do Estado de São Paulo sobre a USP, que é uma autarquia e, como tal, deveria ter autonomia administrativa. O conceito de Universidade pressupõe a supremacia da ciência, sem submissão a interesses políticos e econômicos. A eleição indireta para reitor, com seleção pessoal por parte do governador do Estado, ilustra essa submissão. O atual reitor João Grandino Rodas, por exemplo, era homem forte do governo Serra antes de assumir o cargo.

    POSTURA MAIS TRANSPARENTE DO REITOR RODAS / FIM DA PERSEGUIÇÃO AOS ALUNOS

    Antes de tudo, independentemente de questões ideológicas, Rodas está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção, sob acusação de envolvimento em escândalos como nomeação a cargos públicos sem concurso (inclusive do filho de Suely Vilela, reitora anterior a Rodas), criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto sem previsão orçamentária e autorização legal, e outros.

    No mais, suas decisões são contrárias à autonomia administrativa que é direito de toda universidade. Depois de declarar-se a favor da privatização da universidade pública, suspendeu salários em ocasiões de greve, anunciou a demissão em massa de 270 funcionários e, principalmente, moveu processos contra alunos e funcionários envolvidos em protestos políticos.

    Rodas, em suma: foi eleito indiretamente, faz uma gestão corrupta e destrói a autonomia universitária.

    Você pode estar pensando…

    MAS E O ALUNO MORTO NO ESTACIONAMENTO DA FEA-USP, ENTRE OUTRAS OCORRÊNCIAS?
    Sobre o caso específico, a PM fazia blitz dentro da Cidade Universitária na noite do assassinato. Ainda é bom lembrar que a presença da PM já vinha se intensificando desde sua primeira entrada na USP, em Junho/2009 (entrada permitida por Rodas, então braço-direito de Serra). Mesmo assim, ela não alterou o número de ocorrências nesse período comparado com o período anterior a 2009. Ao contrário, iniciou um policiamento ostensivo, regularmente enquadrando alunos, mesmo em unidades nas quais mais estudantes apoiam sua presença, como Poli e FEA.

    MAS E A DIMINUIÇÃO DE 60% NA CRIMINALIDADE APÓS O CONVÊNIO USP-PM?
    São dados corretos. Porém a estatística mostra que esta variação não está fora da variação anual na taxa de ocorrências dentro do campus ( http://bit.ly/sXlp0U ). A PM, portanto, não causou diminuição real da criminalidade na USP antes ou depois do convênio. Lembre-se: ela já estava presente no início do ano, quando a criminalidade disparou.

    MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A TAL AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA?
    Serve para que a Universidade possa cumprir suas funções da melhor maneira possível. De maneira simplista, são elas:
    – Melhorar a sociedade com pesquisas científicas, sem depender de retorno financeiro imediato.
    – Formar cidadãos com um verdadeiro senso crítico, pois mera especialização profissional é papel de cursos técnicos e de tecnologia.

    Importante: autonomia universitária total não existe. O dinheiro vem sim do Governo, do contribuinte, porém a autonomia universitária não serve para tirar responsabilidades da Universidade, mas sim para que ela possa cumprir essas responsabilidades melhor.

    COMO ISSO ME AFETA? POR QUE EU DEVERIA APOIA-LOS?
    As lutas que estão ocorrendo na USP são localizadas, mas tratam de temas GLOBAIS. São duas bandeiras: SEGURANÇA e CORRUPÇÃO, e acreditamos que opiniões sobre elas não sejam tão divergentes. Alguém apoia a corrupção? Alguem é contra segurança?

    O que você acha mais sensato:
    – Rechaçar reivindicações justas por conta de depredações e atos reprováveis de uma minoria, ou;
    – Aderir a essas mesmas reivindicações, propondo ações mais efetivas?

    Você tem a liberdade de escolher, contra-argumentar ou mesmo ignorar.
    Mas lembre-se de que liberdade só existe com esclarecimento.
    Esperamos ter contribuído para isso.

    Se você se interessa pelo assunto, pode começar lendo este depoimento: http://on.fb.me/szJwJt

    Bárbara Doro Zachi
    Jannerson Xavier Borges

    PS: Já que a desconfiança é com a mídia, evitamos linkar material de qualquer veículo.”

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  11. Daniela 14 novembro, 2011 às 7:13 pm

    TAMBÉM NÃO GOSTO DO RODAS.ELE FOI UM FROUXO NO CASO DA INVASÃO DA REITORIA…DEVERIA TER MANDADO A PM DESCER O CACETE NAQUELES MACONHEIRO SEM VERGONHA DE CARA!!! A USP NÃO PERTENCE AQUELES MOLEQUES MACONHEIROS, PERTENCE A POPULAÇÃO BRASILEIRA QUE PAGA SEUS IMPOSTO. COMO CIDADÃO EU EXIJO A PM NA USP!!!

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