Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

BRASIL É O PAÍS QUE MAIS NEGLICENCIA SEUS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO, DIZ A NOBEL DA PAZ RIGOBERTA MENCHÚ

Rigoberta Menchú

Os povos indígenas, desde a colonização, sempre foram postos à margem e negligenciados pelos sucessivos regimes e governos que passaram pelo Brasil. Até hoje, direitos básicos dos índios como direito à terra, à saúde, educação e até representação civil não são garantidos pelo estado.

Notícias de morte de índios por madeireiros e exloradores são frequentes, mas parecem não importar muito às autoridades nacionais. A polêmica recente envolvendo Belo Monte, por exemplo, diz respeito diretamente aos indígenas que vivem no local a ser atingido pela usina e que, até agora, não foram consultados e muito menos receberam garantias sobre como ficará a sua situação depois que as áreas onde vivem forem inundadas pela barragem.

Sobre isso, a ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, em 1992, pela reivindicação dos direitos de povos indígenas, dos quais descende, concedeu uma entrevista à revista Carta Capital em que denuncia o total descaso com que os índios são tratados no Brasil e também o conservadorismo nacional no que diz respeito à concessão de direitos aos povos indígenas.

Entre outras coisas, a guatemalteca que teve uma infância difícil e perdeu o pai, a mãe e o irmão vítimas de tortura pelo regime militar da Guatemala, lembra que antes de realizar qualquer empreendimento nas florestas, por mais legítimos que sejam seus objetivos, a população do local nunca deve deixar de ser consultada.

Veja trecho:

‘Nenhum país trata tão mal os seus índios como o Brasil’
Por Gabriel Bonis

Desde a adolescência, Rigoberta Menchú engajou-se na luta por melhorias sociais na Guatemala. Ainda jovem lutou por causas feministas, mas ganhou destaque mundial e o prêmio Nobel da Paz em 1992 pela reivindicação dos direitos de povos indígenas, dos quais descende.

Oriunda de uma família camponesa, Menchú superou a infância pobre e violenta marcada pela morte da mãe, pai e irmão torturados pelas forças do regime militar guatemalteco. Também envolvida com causas ambientais e melhoria nas condições de trabalho campestre, seu ativismo despertou a ira de círculos influentes, lhe rendendo diversas ameaças de morte.

Presença garantida no 2º Fórum Global de Sustentabilidade do festival de música SWU, em Paulínia (SP), no dia 12 de novembro, Menchú conversou com o site de CartaCapital, por telefone. A ativista destaca, entre outros aspectos, a relutância do Brasil em aceitar a resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), para suspender o licenciamento da Usina de Belo Monte até que as comunidades indígenas sejam consultadas.

Além disso, segundo a Nobel da Paz, o Brasil é o País que mais negligencia os seus povos indígenas no mundo. “Os índios são os mais marginalizados da sociedade brasileira e o País se opõe às soluções debatidas no âmbito internacional. O Brasil permanece a nação mais conservadora na concessão de direitos aos povos indígenas.”

Na entrevista, Menchú também debate a indisposição de Israel e Palestina para chegar a um acordo de Paz verdadeiro, o movimento mundial dos “indignados” e a necessidade de se realizar uma reforma econômica e social ampla capaz de melhorar a qualidade de vida da população do planeta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista:

CartaCapital – Como a senhora vê a relação conflituosa entre Israel e Palestina? Há uma saída para esse conflito, como a criação de dois Estados na região?

Rigoberta Menchú – É difícil que haja uma solução verdadeira na região sem passar por uma solução do povo palestino. Esse é um conflito antigo, que seria difícil resolver sem disposição para mudanças. Creio que ambos os lados não demonstram vontade verdadeira de chegar a um acordo.

CC – Como a senhora analisa os movimentos dos “indignados” contra o neoliberalismo em diversas partes do mundo? Há um futuro para esse tipo de manifestação?

RM – A decadência do sistema internacional e a crise generalizada afetam todos os povos do planeta, incluindo as grandes instituições, como o Fundo Monetári

o Internacional (FMI), e as pessoas. Provoca também a falta de valores, a corrupção e a intolerância. Por isso, a sociedade precisa de uma reforma integral e transformações que levem a uma melhora na qualidade de vida. Há a necessidade de uma mudança no sistema econômico internacional, que mira a ganância e propaga a violência. Neste cenário, a humanidade segue por um caminho difícil, pois o vão entre a pobreza e a riqueza está cada vez maior, existe mais incidência de fome entre adultos e crianças. Precisamos recuperar o equilíbrio e a missão social que é nossa responsabilidade e também do Estado, além de fazer reformas com enfoque social. (Texto completo)

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Uma resposta para “BRASIL É O PAÍS QUE MAIS NEGLICENCIA SEUS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO, DIZ A NOBEL DA PAZ RIGOBERTA MENCHÚ

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