Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 13 novembro, 2011

O TERROR NO JOGO POLÍTICO DO AMAZONAS E A IMPRENSA BRASILEIRA ACOBERTANDO

Tudo começou com a taxa do lixo

O blog de Luís Nassif publica uma série de textos sobre o terror no estado do Amazonas, em que blogueiros e tuiteiros foram aterrorizados e perseguidos.

Isso com a atuação da CBN local, retrasmissora da Rede Globo. A CBN precisa se explicar.

A democracia chegou à política, mas não chegou aos meios de comunicação no Brasil. Ali, nas concessões públicas de rádio e televisão, é que está o cerne do novo coronelismo, a sustentação do país mais desigual do mundo e o horror da extrema-direita.

 Veja abaixo um texto pessoal de Ismael Benigno sobre o assalto em sua casa na véspera das eleições. (entenda o Caso)

Do Blog o Malfazejo

De Ismael Benigno, um dos líderes do Movimento Manaus de Olho

Violência ou Castigo?

Não há teste melhor para avaliar a natureza humana do que perguntar às pessoas o que elas acham da menininha do vestidinho curto, estuprada no beco da esquina.

38 horas se passaram. Estou sentado na varanda de um apartamento alheio. Num dos quartos, repousam uma pequena mala de viagem, dois pares de sapatos, uma sacola com xampu, uma mulher e uma criança de 3 anos. Não há tevê ligada, conversas pela casa. Só o som do trânsito lá embaixo. É assim que decidi tentar, depois de poucas horas de sono, escrever sobre as eleições no Amazonas.

A lógica sussurra aqui do lado, desde a madrugada de domingo, me lembrando de separar as coisas, mas a tentação de misturar tudo é grande. Nunca fui de espalhar pequenas notas ao longo do dia, friamente separando assuntos, como se alguns deles não me fossem caros. Quando falo, falo do que penso e sinto. E o que ocorreu nas últimas 38 horas tem tudo misturado, o terror de um drama familiar ocorrido exatamente num dia de eleição. Política é do que venho falando há tempos, mas minha vida é o que venho vivendo há mais tempo ainda. Não consegui separar a gema da clara, o que vivemos quase nunca é algo diferente de um omelete. Saiba mais

CASO USP E RECENTE PRISÃO DE TRAFICANTES NA ROCINHA REVELAM O QUANTO A LÓGICA DO ESPETÁCULO CONTINUA VALENDO PARA ALGUNS, NÃO PARA TODOS

Interessante texto de Sergio Lirio, publicado na Carta Capital, revela que no Brasil a lei que vale é mesmo a do dois pesos, duas medidas. Ainda sob as repercussões do caso USP, o texto revela como a justiça neste país é tão adaptável às diferentes pessoas e circunstâncias quanto uma massa de modelar.

Muito se disse, se ouviu e se escreveu sobre o caso USP.

A “patética ocupação da reitoria, aliada à desproporcional reação da polícia”, como colocou outro texto de Matheus Pichonelli, publicado pela mesma revista disse: “a ocupação da reitoria da maior universidade do País deu munição para que boa parte da opinião pública (inclusive estudantes) testemunhasse, graças à transmissão ao vivo das emissoras, a legitimação de seus desprezos contra estudantes que, diferentemente deles, ainda ousam apontar o dedo para o alto e dizer que alguma coisa está errada”.

E ainda: “critique-se o quanto quiser a partidarização de parte do movimento, mas são os estudantes os agentes de uma história que ainda somam coragem e disposição para se organizar e promover discussões e manifestações que, via de regra, apontam caminhos não observáveis por quem, a olhos nus, está atolado nas funções diárias da divisão social do trabalho. O empregado tem medo da greve e de perder o emprego; o patrão tem medo de perder o lucro; o governador, o medo de perder poder. Mas os estudantes estão, em tese, livres das amarras que os impediriam de simplesmente optar por outros caminhos. Isso não deveria ser vergonhoso, nem apontado como privilégio”.

No tumulto das opiniões, o fato acontecido foi visto sob diversos ângulos e pontos de vista. Mas uma coisa parece sobressair-se: o espetáculo promovido pela mídia e, principalmente, pelos policiais. Esse não pode ser classificado com outro adjetivo a não ser “deplorável”.

O interessante é constatar que sob a égide desse mesmo espetáculo, o texto de Sergio Lirio lembra que quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco não houve uma inssurreição popular pedindo que o cidadão e as liberdades individuais fossem respeitadas. Colunistas, ministros, advogados, todos conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismo. O barulho resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

No entanto, a “lei das algemas” parece valer mesmo apenas para os donos do Brasil, afinal, o que se viu no recente caso na USP e na prisão do traficante Nem, na Rocinha, foi a encenação do espetáculo, atendendo “aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade”, como diz o texto.

Em defesa dos estudantes ninguém, da mídia ou das altas cortes de justiça, se manifestou.

Veja trecho dos dois textos mencionados, publicados pela Carta Capital:

Lei das algemas? Só para influentes
Por Sergio Lirio

Quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco uma nova marcha pela liberdade não tomou as ruas do País. Os “democratas” diziam que o Brasil vivia sob um Estado policial. Ministros de tribunais superiores, advogados milionários, colunistas de política e economia e juristas (que vivem de juros) de todo calibre conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismos. A estridência resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

Como sempre, certos direitos são reservados a uma minoria de privilegiados. Aos influentes, aos donos do Brasil. Tanto no caso da remoção dos estudantes da USP quanto na operação na Rocinha que prendeu o traficante Nem, as regras foram jogadas às favas. Alunos e traficantes foram forçados por policiais a exibir o rosto a cinegrafistas e fotógrafos. Nos dois casos, optou-se por atender aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade. (Texto completo)

Ocupação patética, reação tenebrosa
Por Matheus Pichonelli

Ao que tudo indica, a ocupação da reitoria da USP foi de fato patrocinada por um grupo de aloprados, que atropelou o rito das assembleias realizadas até então e, num ato de desespero (calculado?), fez rolar morro abaixo uma pedra que, aos trancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão.

Uma vez que essa pedra rolou, como se viu, tudo desandou. Absolutamente tudo, o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito (algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia (tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperavam o ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor para, em nome da legalidade, arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima.

O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. Primeiro porque mostra que, como outros temas-tabus (questão agrária, aborto…), a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite para o enterro do bom senso. O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional – segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição “zero” ou “um”. Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”. (Texto completo)

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