Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 14 novembro, 2011

MULTINACIONAIS QUEREM PRODUZIR PUBLICIDADE LÁ FORA E NÃO PAGAR IMPOSTO AQUI NO BRASIL

DSC03786

Faz lá fora e não quer pagar imposto

No Brasil, só pobre paga imposto.

E cada vez que se aumenta um imposto para grandes empresas, logo tem um lobby para barrar.

É isso que está acontecendo com a medida provisória que aumenta o imposto de quem produz filme publicitário lá fora e quer veicular aqui no Brasil. O imposto que estava sem aumento desde 2001 (epa!!! Que festa!), passará agora para R$ 2oo mil. Isso é um cafezinho para empresas que produzem lá fora e anunciam aqui.

Imagina! Quem produz filme lá fora e divulga aqui? Somente grandes multinacionais, que têm campanhas publicitárias mundiais na casa dos bilhões de dólares. Esse valor deveria ser muito maior. R$ 200 mil é irrisório.

Fazem o filme lá fora e não contratam agências brasileiras, atores, diretores, cinegrafistas, etc. E querem pagar um impostinho. Só o cachê de um ator famoso é bem maior do que isso. E pior, passam o mesmo filme em vários países.

Veja trecho de matéria sobre o assunto:

O aumento da taxa para a veiculação de filmes publicitários produzidos no exterior provocou um racha no meio publicitário. Enquanto a associação das agências apoia a medida, os anunciantes resolveram centrar forças no Congresso.

Eles tentam alterar o texto da medida provisória 545, que amplia receitas e atribuições da Ancine (Agência Nacional do Cinema). A MP deve ser votada até o fim do ano.

Desde a criação da Ancine, em 2001, produtoras de filmes publicitários ganharam uma proteção contra a concorrência estrangeira: para ser veiculado no Brasil, o filme estrangeiro paga R$ 80 mil. Filmes adaptados, que demandam alguma finalização no país, R$ 50 mil.

Os recursos, assim como a taxa de R$ 1.700 paga pelas produções nacionais, são a principal fonte de receita da Condecine, contribuição para o desenvolvimento do cinema nacional.

A nova MP aumenta a taxa para produções estrangeiras para R$ 200 mil e acaba com a figura da obra estrangeira adaptada. Eesses valores não eram reajustados desde 2001. (Texto completo/Bol)

Leia mais em Educação Política:
O NATAL CHEGOU: BNDES SUSTENTA O OLIGOPÓLIO DAS TELES, CONCENTRA RENDA E JOGA O BRASIL NO CAMINHO DA CRISE EUROPEIA
TENTATIVA DE ANULAÇÃO DO ENEM POR CAUSA DO VAZAMENTO NO COLÉGIO DO CEARÁ É COLOCAR O INTERESSE DE CRIMINOSOS ACIMA DOS DA SOCIEDADE
FALHA DA TECNOLOGIA FLEX (BICOMBUSTÍVEL) AJUDA A MANTER O PREÇO ALTO DO ETANOL; CARRO PODE BATER PINO COM GASOLINA
O HAITI É AQUI: BANDA LARGA NO BRASIL É PIOR DO QUE NO HAITI, ETIÓPIA E IGUAL À DO IRAQUE, PAÍS DESTRUÍDO PELA GUERRA

MODELO BUROCRÁTICO DA ACADEMIA BRASILEIRA, VALORIZAÇÃO DA QUANTIDADE E NÃO DA QUALIDADE ESTÃO ENTRE OS ENTRAVES PARA O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO NO BRASIL, DIZ NICOLELIS

Nicolelis falou de forma otimista, mas lembrou o país de seus desafios

Aos 50 anos, Miguel Nicolelis já foi considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista Scientific American, uma gigante na área. Ele se formou pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez a graduação e o doutorado e onde também bateu de frente com alguns professores que, segundo ele, tinham uma visão feudal das coisas e não deixavam que a ciência avançasse de fato.

Exilado na Filadélfia, Nicolelis desenvolveu uma carreira brilhante, onde o sonho de produzir conhecimento científico aliado ao desenvolvimento social de uma região carente sempre esteve presente, orientando seus projetos. Sobre a situação da ciência e da pesquisa atualmente no Brasil, o cientista que coordena o projeto de interface entre cérebro e computador mais próximo de fazer um ser humano paraplégico voltar a andar, diz que ainda há muitos entraves que impedem o país de realmente ser visto como uma nação desenvolvida.

Ele cita a estrutura burocrática, engessada e hierárquica da academia brasileira – coisa que não existe mais em outros lugares – como um dos problemas, ao lado do modelo de funcionamento dos institutos apoiadores da pesquisa nacional que consideram a quantidade dos trabalhos produzidos pelo pesquisador e não a qualidade. Também diz que o pesquisador deveria apenas fazer pesquisa, e não ter que dar aulas ou ser administrador e chama atenção para a falta de ênfase nos programas de pós-doutorado que são o que realmente movimenta a ciência lá fora.

E diz que o pesquisador deve ser treinado para ser independente: ” você não valoriza o cara que responde o que está escrito no livro. Você não valoriza aquele cara que diz amém, você valoriza o cara que está pensando independentemente”.

Veja trecho da entrevista publicada pela Revista Carta Capital:

Na primeira parte da entrevista, o cientista Miguel Nicolelis relata os problemas burocráticos que encontrou quando fez graduação e doutorado em Medicina na USP, nos anos 1980. Diz que o Brasil melhorou de lá para cá, mas a estrutura engessada da academia brasileira ainda é muito refratária à boa prática científica. Não há mais espaço para o mestrado, acredita. E critica o atual sistema do CNPq, que prioriza a quantidade e não qualidade dos trabalhos. “Einstein só teve cinco teses até 1905. Assim não seria considerado um pesquisador top no CNPq”, diz.

CartaCapital: Como era fazer ciência no Brasil na época em que o senhor estava na faculdade, nos anos 1980?
Miguel Nicolelis: Era muito difícil porque, no Brasil daquela época, tudo tinha que passar pelos chefes de departamento, que eram professores titulares (na Faculdade de Medicina da USP, onde se graduou). Não havia como fazer nada sem estar sob a tutela ou sob a proteção de algum dos catedráticos. E isso era muito difícil, porque a maioria deles era de médicos, alguns muitos bons médicos, mas sem formação cientifica. E o espírito era muito feudalista. Eu bati de frente com um dos professores, que foi o motivo de eu sair do Brasil. Tornei-me pessoa non grata do departamento. Tive a sorte de, no primeiro ano de pós-doc lá fora, ter um trabalho publicado na revista Science. E isso causou uma reação em cadeia oposta do que eu esperava…

CC: Ciumeira?
MN: A mensagem era “nem volte, porque você não vai ter espaço nenhum aqui”. E então decidi ficar nos Estados Unidos. Se eu voltasse, ficaria no “closet” (gíria da academia para designar profissionais sem função).

CC: O que exatamente houve para sua saída da USP?
MN: Eu não vou entrar em detalhes porque não vale a pena, são disputas acadêmicas. Nós estávamos criando uma nova disciplina dentro da faculdade e claramente fomos considerados, eu e mais alguns, uma ameaça. Ameaça de progressão na carreira, estávamos fazendo algo muito novo, uso de computadores em medicina. Estou falando de vinte tantos anos atrás. Mas eu senti o peso que era você realmente conseguir fazer alguma coisa. Quando comecei a publicar alguma coisa de peso, na universidade que eu estava (a Hahnemann, da Filadélfia), meu orientador de pós-doutorado me disse: “Não te querem lá (no Brasil) mas nós te queremos”. Foi lá que desenvolvi o primeiro passo nessas interfaces cérebro-máquina. E seis meses depois eu recebi a oferta da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), onde eu estou até hoje. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

UNICAMP TRAZ VENCEDORES DO NOBEL DE QUÍMICA PARA DISCUTIR USO DE RECURSOS NATURAIS E ALTERNATIVAS PARA O FUTURO
BRASIL AVANÇA 21 POSIÇÕES NO RANKING DE INOVAÇÃO MUNDIAL, MAS AINDA ESTÁ ATRÁS DE PAÍSES COMO MALÁSIA, CHILE E COSTA RICA
LÖWY: INTERESSE, CAPACIDADE E CONSCIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA DEVEM GUIAR O PESQUISADOR NA SUA BUSCA PELA VERDADE
ELETRICIDADE DE GARAPA: CALDO DE CANA JÁ PODE SER UTILIZADO PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
%d blogueiros gostam disto: