Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

DEBATE SOBRE A REGULAÇÃO É IMPRESCINDÍVEL PARA QUE UMA CONCENTRAÇÃO DE PODER CADA VEZ MAIOR NAS MÃOS DAS TELES NÃO ACONTEÇA, DIZ FRANKLIN MARTINS

Liberdade de expressão (de verdade)

Em reportagem publicada pela revista Carta Capital, o ex-ministro da Comunicação Social no governo Lula, Franklin Martins, demonstrou, entre outras coisas, como o fantasma da censura invocado constantemente pelos meios de comunicação tornou-se a mais escancarada forma de censura.

Ele diz claramente: “se existe um ato de censura hoje em voga no País ele parte daqueles que se proclamaram defensores das liberdades”. Vale a pena a leitura e a reflexão que vem com ela a respeito do uso indiscriminado de certos conceitos e ideias como a da liberdade de expressão.

O termo já foi tão utilizado para servir a tantos interesses que a essência de sua expressão, o seu real significado se perdeu em meio a uma ideologia que parece não ter fim. A palavra enquanto palavra já não existe por si só, ela se agregou a diferentes significados ditados por interesses que não têm afinidade alguma com a autêntica ideia de liberdade.

Liberdade de expressão hoje, para as teles e empresas de comunicação, é sinônimo de controle, atraso e produção intensa de ideologia. É essa liberdade que eles querem resguardar! Ideologia aqui não no sentido de opinião, visto que esta existe em qualquer veículo de comunicação, desde um grande jornal até um blog na internet. Ideologia aqui no sentido daquilo que simplesmente não se atém à realidade e, exatamente por isso, não guarda um distanciamento minimamente prudente desta.

O fato é que não pode ser compatível com um regime democrático e com uma imprensa realmente livre uma realidade onde políticos são donos de rádios, jornais e televisão, exercendo extenso poder em suas áreas de atuação; onde um número mínimo de famílias controla as principais empresas de comunicação do país; onde a programação nacional e regional simplesmente não tem espaço e onde a própria constituição torna-se refém dos interesses econômicos.

Agora é esperar pra ver se a mídia brasileira será capaz, como diz o texto, de enfrentar seu pior inimigo: ela mesma.

Segue trecho inicial da reportagem:

Para ganhar no grito
Por Sergio Lirio

Franklin Martins afasta o corpo da mesa, gira levemente a cabeça e contorce os lábios em um de seus gestos típicos, um misto de impaciência e desdém com um comentário que no primeiro momento lhe parece irrelevante ou fora de foco. Ele veste jeans e uma camisa social, e tem dedicado o “ano sabático” a escrever dois livros sobre a forma como a música brasileira retrata a política, projeto interrompido quando aceitou ingressar no governo Lula em 2007.

Talvez tenha sido um recurso para ganhar tempo na elaboração da resposta. Martins nem bem sentara à mesa de um café em Brasília, onde topou o encontro após uma razoável dose de insistência minha, quando observei que os meios de comunicação têm tentado nos últimos anos impingir-lhe a marca de “censor”, de um autoritário disposto a conspurcar o sagrado direito à liberdade de expressão. “É um reflexo condicionado, ideologia”, começa. “A mídia brasileira não quer se discutir nem deixar discutir. Mas não hácomoescapar, é inevitável diante das mudanças tecnológicas. Ou fazemos um debate franco e democrático sobre a regulação dos meios, com a participação de todos, ou prevalecerá a lei do mais forte.”

Desta vez e ao contrário do passado, desconfia Martins, a selva tem um novo rei, as companhias telefônicas. “Em 2010, as empresas de mídia faturaram 13 bilhões de reais. As teles, 180 bilhões. É fácil imaginar quem vai ganhar essa disputa econômica se a -opção for o -vale-tudo, o faroeste. O problema para a sociedade é que são enormes os riscos de uma concentração ainda maior.” (Texto completo)

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5 Respostas para “DEBATE SOBRE A REGULAÇÃO É IMPRESCINDÍVEL PARA QUE UMA CONCENTRAÇÃO DE PODER CADA VEZ MAIOR NAS MÃOS DAS TELES NÃO ACONTEÇA, DIZ FRANKLIN MARTINS

  1. Rodrigo 29 novembro, 2011 às 11:20 am

    O problema, Glauco, é que tais projetos sempre aparecem posteriormente a graves denúncias de corrupção, desde o início do Governo Lula. E sempre culpam a impressa pelas denúncias, levando muitos à questão: só pode ser denunciada a falta da oposição? Somente em tal momento a mídia não precisa ser regulamentada?
    Por isso a regulamentação passa a ser mal vista pela sociedade. A culpa pela impressão que fica é dos denunciados, daqueles pegos com a boca na butija, com dinheiro na cueca, passeando de jatinho, pagando pensão alimentícia com dinheiro de empreiteira, fazendo mensalão (dos já descobertos, PT e DEM).
    O último exemplo foi Mário Negromonte, afirmando que Dilma é discriminada por ser mulher, ao que ele o seria por ser nordestino. Ora, responda às acusações, mas não se esconta por trás de um conceito de origem, raça, sexo, ideologia etc., mostrando-se destituído de capacidade argumentativa.
    Sou nordestino e me envergonha a fala de tal Sr. Antes de tudo, todos, somos seres humanos, afeitos aos mesmos vícios e virtudes; mais ou menos dinheiro e melanina, origem, etnia, sexo etc. não são atestados de caráter.

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