Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Mensais: dezembro 2011

2011 FOI O ANO EM QUE DILMA MOSTROU A QUE VEIO E A OPOSIÇÃO AMARGOU DIVISÕES INTERNAS E MÁS NOTÍCIAS

Agora é esperar 2012...

O primeiro ano de governo representava um desafio para a presidente Dilma Rousseff, mas ela parece ter respondido muito bem a ele, como mostra texto de Marcos Coimbra publicado pela revista Carta Capital. Driblando as crises, a presidente mostrou a que veio e não só deu continuidade aos avanços do governo Lula, como também aprofundou muitos deles.

A presidente foi firme no combate à corrupção, o que lhe rendeu simpatia de diversos setores da sociedade. Resistiu às pressões feitas pela direita e por parte dos meios de comunicação, soube comandar o país com segurança e passou essa imagem para os países ao redor do mundo.

Dilma aprofundou programas sociais, está atenta a problemas de saúde pública, como a questão do crack, aprovou a Comissão da Verdade, está indo contra as pretensões do STF e, na medida do possível, vem se tornando uma aliada da opinião pública que, pelo menos até agora, não tem motivos para se indignar contra ela, como lembra o texto de Coimbra.

Obviamente, um presidente da república não faz milagres. Também não devemos nos iludir e acreditar que as intenções de Dilma serão prontamente atendidas e que o Brasil do seu governo é um paraíso. Quando fala-se bem de um governo não é porque tudo esteja uma maravilha, e sim porque este parece estar no caminho certo para resolver os problemas sociais e históricos de seu país, corrigindo desigualdades e injustiças nos mais diversos níveis.

Dilma parece estar fazendo tudo isso. Já a oposição não tem muito o que comemorar de 2011. Os partidos de oposição viram seu espaço no Câmara e no Senado diminuir consideravelmente, o PSDB se dividiu internamente e seu discurso está cada vez mais confuso entre as conquistas de Lula ou o legado de FHC. Aliás, com este último talvez a oposição nem possa mais contar depois das denúncias de privataria que abalaram a estrutura da direita nacional. Assim, se em 2011 Dilma ganhou feições próprias, a oposição surpreendeu-se sem forma no jogo político nacional.

Veja trecho inicial do texto:

Drible nas crises
Por Marcos Coimbra

O ano de 2011 foi bom para o governo. Mas poderia ter sido melhor. Para a oposição, trouxe principalmente más notícias.

Quando começou o ano, o maior desafio que Dilma Rousseff tinha pela frente era assumir o lugar de Lula e não deixar que a maioria da população, que o aprovava enfaticamente, sentisse saudade. Ficasse com a sensação de haver perdido algo que prezava.

Isso, ela conseguiu e não foi um feito desprezível.

Se Lula tivesse terminado o mandato com perto de 90% de aprovação popular “apenas” pelas realizações objetivas de sua administração, a tarefa de Dilma já seria grande. Mas ele era também um presidente querido. O País sentia por ele afeição, seja pela história de vida, seja por sua capacidade de estabelecer uma comunicação calorosa com o cidadão comum. Para qualquer político, por mais experiente e habilidoso que fosse, seria um problema suceder alguém como Lula. Imagine-se para ela.

No exterior, Dilma é considerada uma importante liderança, que assumiu com naturalidade o papel de porta-voz de um Brasil com mais protagonismo. Dentro do País, seu trabalho à frente da Presidência é aprovado por cerca de 80% dos brasileiros. Quatro em cada cinco estão satisfeitos com o que ela faz. Os que reprovam o governo representam algo perto de 10%, um cidadão em cada dez.

Dilma chega ao fim de 2011 com muito que comemorar.

Resistiu ao desgaste de uma série de problemas que começaram em junho, com a demissão do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e continuaram durante todo o segundo semestre. Seis ministros acabaram substituídos, quase todos por suspeita de irregularidades, algumas graves, outras menores. Em nenhum episódio foi vista como conivente ou tolerante. Atravessou-os como a maior interessada no seu esclarecimento, como quem queria aproveitar cada um para aprofundar a “faxina” na administração federal. (Texto completo)

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EDUCAÇÃO PARA TODOS: 195 MIL ESTUDANTES PODERÃO RECEBER BOLSA DO PROUNI NO 1º SEMESTRE DE 2012

As inscrições para concorrer às bolsas vão de 14 a 19 de janeiro

Da Agência Brasil

ProUni vai oferecer 195 mil bolsas de estudo para o primeiro semestre de 2012
Por Luana Lourenço

Brasília – O Programa Universidade para Todos (ProUni) vai oferecer mais de 195 mil bolsas de estudo no primeiro semestre de 2012. Serão 98.728 bolsas integrais e 96.302 bolsas parciais, com custeio de 50% da mensalidade. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 14 e 19 de janeiro.

Podem concorrer às bolsas do ProUni estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou com bolsa integral em escola particular. Para pleitear uma das bolsas de estudo integrais, o candidato deve ter renda familiar per capita mensal de até 1,5 salário mínimo ((R$ 933, a partir de 1º de janeiro). Para as bolsas parciais, o requisito é ter renda familiar per capita de até três salários mínimos, o equivalente a R$ 1.866 (a partir de janeiro, considerando o novo valor do mínimo).

Para participar do ProUni o estudante também precisa ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011, ter atingido o mínimo de 400 pontos na média das cinco provas e não ter tirado zero na redação.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), professores da rede pública de ensino básico que concorrem a bolsas em cursos de licenciatura, curso normal superior ou de pedagogia não precisam cumprir o critério de renda, desde que estejam em efetivo exercício e integrem o quadro permanente da escola na qual atuam.

Na inscrição, o candidato poderá escolher até duas opções de curso e de instituição, uma a menos que na seleção anterior, para as vagas do segundo semestre de 2011. De acordo com o MEC, a mudança se deve a “acertos normais do sistema”, que passa por mudanças a cada processo seletivo. (Texto completo)

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O CORPORATIVISMO IGNÓBIL E CRIMINOSO DOS PODERES DA REPÚBLICA

Educação Política Você Faz
Por Ludovicense

Justiça

Nenhum de nós, que tem um mínimo de discernimento acreditaria que um punhado de “homens de bem” confeccionariam no ano de 1988 uma Constituição da República sem reservar ferramentas que pudessem garantir e perpetuar o poder que há muito tempo transita entre eles. Com raríssimas exceções, toda a estrutura político-administrativa deste país foi minuciosamente arquitetada para manter o povo (o qual detém o verdadeiro poder soberano) longe, bem longe das decisões políticas e governamentais, de modo a cristalizar e concentrar ainda mais o poder de uma pequena casta de brasileiros.
Esse corporativismo abjeto, ignóbil e criminoso que temos visto nos Poderes da República, é apenas mais uma prova viva do engendrado, ardiloso e maquiavélico “plano de poder dos homens da república”, com o pérfido intuito e objetivo de perpetuar o comando e o domínio absoluto, das vontades, dos desejos, das vidas dos brasileiros.
O Brasil é estruturado por três pilares mestres. O Poder Executivo, que administra o país; o Poder Legislativo, que inova no mundo jurídico; e o Poder Judiciário, que aplica as leis no caso concreto. E todos os três são harmônicos e independentes entre si, e em tese, nenhum deles deve prevalecer sobre o outro.
É cediço, que os homens públicos deste país são os maiores clientes do Poder Judiciário, quer seja na seara administrativa, penal ou civil.
E pasmem agora. Todos os membros do STF – a mais alta corte deste país (porque acima deles não existe ninguém, nem Deus;se um Ministro do STF disser que Pau é Pedra, não se discute mais, é Pedra mesmo)-, são cuidadosamente escolhidos pelo Poder Executivo e chancelados pelo Poder Legislativo, en passant, também nutre grande apreço e simpatia por decisões judiciais favoráveis.
Esse sistema foi idealizado para sempre dar certo para eles. É a ágil, intrépida e destemida raposa do rabo felpudo cuidando do galinheiro.
Que comprometimento com a República têm esses senhores, que são carinhosamente conduzidos no mais alto cargo do Poder Judiciário apenas por que são amigos da corte, sendo que num futuro muito próximo esse ‘favor’ será cobrado sem misericórdia. Posteriormente deverão julgar com ‘isenção e imparcialidade’ os ‘padrinhos’ que os conduziram ao cargo de julgadores, de toda e qualquer ‘leviana e infundada acusação’ que paire sobre suas imaculadas e íntegras cabeças.
É com pesar que faço essa leitura de nosso país.
Talvez, com alguma sorte, e muitos anos de desenvolvimento sociocultural, esse odioso e aterrador estado de coisas se modifique no futuro.
Mas, infelizmente, por agora, temos que conviver com pessoas inteiramente desprovidas de escrúpulos ou qualquer outro sentimento que se aproxime ou chegue perto da solidariedade ou fraternidade; absolutamente empenhados e exclusivamente preocupados em defender com unhas e dentes os seus pérfidos interesses pessoais e familiares; esse pessoal representa a mais verdadeira e terrível acepção da palavra ‘EGOÍSMO’, exercitam o mais puro e autêntico egoísmo, são praticantes do egoísmo na sua mais alta e intensa dimensão, em detrimento absoluto e indignidade de toda uma nação.
Esse senhor que compõe o STF, é apenas mais um nesta República de Bananas, que está reproduzindo o que vem sendo praticado há anos neste país: O imaculado e angelical egoísmo estatal.
Pessimismo à parte, desejo um excelente ano de 2012, que todos nós consigamos concretizar nossos projetos pessoais e profissionais.

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EM ÓTIMO TEXTO, NIRLANDO BEIRÃO IDENTIFICA OS COVEIROS DE LULA E FAZ VER A SOCIEDADE BRASILEIRA NAQUILO QUE ELA TEM DE MAIS RASTEIRO E MESQUINHO

Imagens assim provocam em alguns um "mal disfarçado gozo doentio"

Vale a pena a leitura do artigo abaixo publicado na revista Carta Capital. Muito bem escrito, de forma inteligente e argumentada, o texto do jornalista Nirlando Beirãorevela todas as superstições, o mau-olhado, rancor e desprezo destilados pela mídia e pela sociedade brasileira em ocasião da doença do ex-presidente Lula.

 Todo o ressentimento vem na forma das psicologias mais avançadas e sutis que, nem mesmo Freud, teria sido capaz de conjecturar.

O triste caso, para não usar de outro adjetivo, demonstra que o Brasil reclama de sua desigualdade social e injustiças históricas (quando as percebe), mas no instante em que essas desigualdades são, de alguma forma, quebradas, ameaçando os privilégios de uns e despertando a inveja de outros, é capaz de revelar o homem de forma inimaginável.

Transparência e mau-olhado
Por Nirlando Beirão

A se tomar cultura no sentido amplo que lhe dão os antropólogos – o conjunto de representações simbólicas com as quais se identifica determinado grupo – o câncer do Lula é o acontecimento cultural do Brasil em 2011. Nunca antes neste País uma doença teve o condão de revelar tantos significados emblemáticos e tantas patologias sociais.

Subjacente ao drama pessoal do ex-torneiro mecânico tornado presidente da República reavivam-se crendices, mitos, a mesma intolerância, a mesma intransigência que vêm espreitando cada ato da longa trajetória política de Lula, fazendo borbulhar no caldeirão das mentalidades, elas, sim, -doentias, um vingativo contentamento – como se, da mesma forma como ocorre em certos crimes hediondos, a culpa pudesse ser da vítima.

Foi, aliás, nas vizinhanças do Dia das Bruxas que se divulgou a novidade – “uma bomba”, reagiu uma delas, ruminando mal disfarçado gozo, bruxa radiofônica a bordo de sua fachada de “cientista política”. Indiferente mais uma vez aos efeitos da mandinga e do mau-olhado, Lula decidiu agir com transparência: convenceu a equipe médica, naquele mesmo dia 29 de outubro, de que não havia porque sonegar a informação ao País e instruiu o Hospital Sírio-Libanês a divulgar um boletim relatando a verdadeira natureza de sua doença, um tumor maligno na laringe.

A partir daí, vive o paciente à mercê de um penoso tratamento e de uma natural incerteza, enquanto divide-se a nação entre o susto, a perplexidade, a compaixão, mas também a raiva, o desprezo, o ressentimento, requentados agora pela reconfortante sensação de que, se o adversário é invulnerável na política, há de ser frágil na vida. Atribui-se ao escritor Otto Lara Resende a frase de que o mineiro só é solidário no câncer. No que diz respeito ao mais admirado líder político do País em todos os tempos, há patrícios seus que paradoxalmente nem nesse caso lhe são simpáticos. (Texto completo)

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CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON, ABALOU AS ESTRUTURAS DO CENTRO IRRADIADOR DA DESIGUALDADE SOCIAL E ECONÔMICA

Calmon atingiu o centro estrutural da corrupção e da desigualdade

A democracia brasileira ficou grande demais para o judiciário aristocrático, arrogante, vitalício e pomposo que tem. Parado no tempo, talvez no tempo do império, o judiciário brasileiro se tornou anacrônico diante das transformações sociais e econômicas do Brasil nos últimos 20 anos de democracia.

A situação se agravou ainda mais nos últimos anos com as transformações econômicas, ascensão de uma nova classe média, multiplicidade de meios de comunicação, mesmo os tradicionais, novas formas de se informar como a internet e todas as novas tecnologias.

Há uma primavera democrática no Brasil dentro da própria democracia. Há grupos hegemônicos de mídia ainda com grande poder, mas esse poder está relativizado e ameaçado por uma legião de jovens, adultos e velhos educados nas últimas décadas e que se utilizam de redes sociais e novos espaços de interação e comunicação.

O Brasil talvez ainda não tenha se dado conta do tamanho e do significado da luta de Eliana Calmon, corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Essa não é uma questão que está limitada ao simples combate à corrupção, ela é infinitamente maior.  Eliana Calmon foi no calcanhar da mais odiosa herança brasileira, a impunidade, a desigualdade econômica e social; foi direto no “olha com quem está falando”, no “cada macaco no seu galho”.

A corregedora mexeu no alicerce de 500 anos de história de autoritarismo, arrogância, desigualdade, cordialidade e conservadorismo jurisdicional. Eliana foi no alvo, no centro irradiador da desigualdade brasileira, que é a estrutura judiciária. É ali, na arquitetura, na ostentação, na vestimenta, no ritual, que se conserva e se legaliza a modernidade desigual e corrupta do país.

 Um exemplo dessa situação é o  STJ  (Superior Tribunal de Justiça) que tem 33 juízes e 3.759 funcionários, ou seja,  100 funcionários para cada juiz,  e uma dotação orçamentária em 2010 de R$ 940 milhões, ou seja,  quase R$ 30 milhões para cada ministro. Que justiça se faz com 33 juízes gastando R$ 1 bilhão para funcionar.  Isso não é um tribunal, é uma barbaridade!

Há uma lei muito clara que nossos desembargadores ignoram: quanto mais abusos e privilégios, menos justiça. Essa é uma lógica que tem agraciado parte da elite brasileira que se beneficia dessa estrutura perversa sustentada por séculos.  Isso se reflete na atuação da própria justiça, que anula investigações como Castelo de Areia e Satiagraha, que beneficia políticos e empresários que, assim como os tribunais perdulários, usam e abusam do dinheiro público.

O apoio que teve da sociedade, o titubeada de órgãos da mídia, e a oposição raivosa de associações de juízes torna evidente que Eliana Calmon chegou ao centro estrutural da desigualdade brasileira.

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MAU EXEMPLO VEM DE CIMA: “JUDICIÁRIO É PROJEÇÃO MONÁRQUICA EM ESTADO REPUBLICANO”, DIZ ROBERTO AMARAL

O palácio das majestades...

“Não há nada pior para a democracia do que uma justiça desacreditada”. Essa é uma das declarações presentes em texto de Roberto Amaral, publicado pela revista Carta Capital, que expõe toda a crise moral atravessada pelo Judiciário brasileiro.

Entre outras coisas, o texto lembra a importância e a urgência de uma reforma no Judiciário que não pode ser adiada sob pena de promover grandes estragos na democracia brasileira. Amaral compara o dilema histórico da reforma agrária com a atual situação do Judiciário e relembra as divisões históricas e sociais que impedem ambas as reformas, e outras mudanças, de acontecerem de fato.

O Judiciário aparece no texto como instituição conservadora, ultrapassada e em total desacordo com legítimas aspirações democráticas. Características que fazem da mais alta corte do país uma “projeção monárquica em estado republicano”, onde as estruturas da monarquia, entre elas, cargos vitalícios e mil e um privilégios, ainda sobrevivem e se multiplicam no único poder que não está subordinado à soberania popular.

De fato, todos os poderes constituídos estão, de certa forma, subordinados à vontade popular, menos o Judiciário. Ele é como o último andar de um edifício. Eleva-se sobre todos os outros e vertigina-se com a sua supremacia pomposa e ritualística, perpetuadora de desigualdades e disseminadora da violência nacional, alimentada pela impunidade. E ai de quem se levantar contra ela (CNJ, juízes de primeira instância e outros…).

A consequência de tal realidade não poderia ser das melhores. Aos poucos, ela vai se configurando em uma espécie de pesadelo para a democracia brasileira, afinal, como escreve Amaral em seu texto:

“A pior tragédia da democracia é a convivência com uma Justiça que não julga, fonte de todas as injustiças, e a primeira delas é negar ao cidadão a proteção jurisdicional de seu direito. Uma Justiça assim promove a injustiça e fabrica a impunidade, o vírus que protege o poderoso e contamina o tecido social com a violência”.

Veja trecho inicial do texto logo abaixo:

A crise do Poder Judiciário
Por Roberto Amaral

“Quando Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, resolveu, meses atrás, declarar em alto e bom som que ‘havia bandidos escondidos atrás da toga’, não foi, evidentemente, uma ação tresloucada, obra de rompante ou mera indignação. Foi, isto sim, parte de uma estratégia bem urdida para tentar deter o avanço das ações contra a competência originária do CNJ para iniciar e conduzir investigações disciplinares de magistrados em geral.”
Carlos Augusto Vieira da Costa,
procurador

O João Pedro Stédile, um dos mais importantes brasileiros da história contemporânea, e seus e meus amigos do MST – o único fato novo no movimento social brasileiro, nos ensinava o mestre Celso Furtado – haverão de perdoar-me: hoje, como há muito tempo, a reforma do Judiciário é mais importante do que a reforma agrária, impatrioticamente adiada, faz século, pelas classes dominantes brasileiras. Destas, o mínimo que se pode dizer é que são alienadas (e alienadoras de nosso futuro), desvinculadas de qualquer ordem de projeto nacional. A reforma do Judiciário é imprescindível na construção de um Estado democrático, e inadiável, até por que, sem ela, não teremos reforma agrária alguma. Pois um Judiciário conservador como o nosso não pode admitir o processo de democratização do campo, entendendo-o como necessidade econômica e política, ou seja, como instrumento de justiça social.

Comecemos pelo fundamental, ao lembrar que o Poder Judiciário, como está estruturado em nosso país, é uma projeção monárquica em Estado republicano, pois a República é incompatível com a vitaliciedade, a irresponsabilidade (no estrito sentido jurídico-político), a sucessão hereditária e o nepotismo, que muitas vezes orientam a constituição de nossas Cortes e a composição dos gabinetes de nossos julgadores.

A vitaliciedade é anacronismo constitucional injustificável do único Poder da República não diretamente subordinado à soberania popular, a qual exige mandatos certos para os titulares do Executivo e do Legislativo. Todos os atos do Executivo são permanentemente apreciados pelo respectivo Legislativo e absolutamente expostos, eviscerados mesmo, como deve ser numa democracia que se preze, por uma imprensa absolutamente livre. E ambos são julgados de forma irrecorrível pelo tribunal da soberania popular, as eleições, fonte de suas legitimidades. Trocando em miúdos: são legítimos, ou seja, legitimados pelo voto, e são transparentes, ou seja, abertos ao julgamento de toda a sociedade. Podem e devem ser ainda mais transparentes, mas esta não é a questão. (Texto completo)

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BRASIL JÁ É A SEXTA ECONOMIA MUNDIAL, NO ENTANTO, PADRÃO DE VIDA EUROPEU SÓ SERÁ ALCANÇADO ENTRE 10 E 20 ANOS

No jogo das cifras mundiais, as jogadas são favoráveis ao Brasil

Notícia divulgada pelo jornal The Guardian já coloca o Brasil como a 6a maior economia do mundo.  Esta semana, a Agência Brasil já trazia as projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR – sigla em inglês) que apontam o Brasil como a provável sexta maior economia do mundo até o fim do ano, superando a Grã-Bretanha, que vinha caindo no ranking das maiores economias do mundo em razão do crescimento da Rússia e da Índia.

A crise financeira de 2008 e a atual crise econômica são apontadas como fatores que contribuíram para a perda de posição da Grã-Bretanha em contraste com o boom vivido pelo Brasil que também se beneficiou com o aquecimento do mercado chinês.

Os tablóides britânicos enfatizaram aspectos positivos do Brasil que estaria deixando de ser reconhecido apenas pelo futebol e pelas favelas e passando a ser visto como locomotiva da economia global com vastas reservas de recursos
naturais e uma classe média em ascensão.

No entanto, o fato do Brasil conquistar posições no ranking das maiores economias mundiais parece traduzir apenas um momento positivo causado por uma combinação de fatores que contribuem para o aumento das exportações brasileiras direcionadas, em sua maioria, ao aquecido mercado chinês.

A desigualdade social e os aspectos conservadores de nosso crescimento continuam marcando presença na cena nacional e esses são problemas bem mais difíceis de resolver, para os quais um conjunto de fatores positivos não basta. É por isso que ao lado da notícia de que o Brasil pode se tornar a sexta economia mundial, o ministro Guido Mantega disse que serão necessários entre 10 e 20 anos para o país atingir o padrão de vida europeu.

Ou seja, o caminho é ainda longo.

Veja trecho de duas notícias sobre o assunto, ambas da Agência Brasil:

Brasil supera Grã-Bretanha e deve se tornar a sexta maior economia mundial
Da BBC Brasil

Brasília – O Brasil deve superar a Grã-Bretanha e se tornar a sexta maior economia do mundo ao fim de 2011, segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (cuja sigla em inglês é CEBR) publicadas na imprensa britânica hoje (26).

De acordo com a consultoria britânica, especializada em análises econômicas, a queda da Grã-Bretanha no ranking das maiores economias continuará nos próximos anos com Rússia e Índia empurrando o país para a oitava posição.

O jornal The Guardian atribui a perda de posição à crise financeira de 2008 e à crise econômica que persiste em contraste com o boom vivido no Brasil na rabeira das exportações para a China.

O Daily Mail, outro jornal que destaca o assunto hoje (26), informa que a Grã-Bretanha foi “deposta” pelo Brasil de seu lugar de sexta maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha e da França.

Segundo o tabloide britânico, o Brasil, cuja imagem está mais frequentemente associada ao “futebol e às favelas sujas e pobres, está se tornando rapidamente uma das locomotivas da economia global” com seus vastos estoques de recursos naturais e classe média em ascensão. (Texto completo)

Mantega diz que Brasil tende a consolidar posição de sexta maior economia do mundo
Por Danilo Macedo

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil tende a consolidar a posição de sexta maior economia do mundo, mas que o país deve demorar entre 10 e 20 anos para que seus cidadãos tenham um padrão de vida europeu, e que precisa investir mais nas áreas social e econômica. Mantega deu a declaração ao comentar o estudo do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (cuja sigla em inglês é CEBR), publicado hoje (26) na imprensa do Reino Unido que mostra que os britânicos foram superados pelo Brasil que assumiu a sexta posição.

“Os países que mais vão crescer são os emergentes como o Brasil, a China, Índia e Rússia. Dessa maneira, essa posição vai ser consolidada e a tendência é de que o Brasil se mantenha entre as maiores economias do mundo nos próximos anos”, disse o ministro em nota. À frente do Brasil estão os Estados Unidos, a China, o Japão, a Alemanha e França. (Texto completo)

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Português: Jornalista Merval Pereira na ALERJ ...

Merval, o soldado dos privatas

Um dos poucos jornalistas que deu a cara para desqualificar o livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr,  foi Merval Pereira, tanto no jornal O Globo como na rádio CBN. Mas isso não adianta muito, é preciso ter consistência na argumentação.

E quem tem consistência parece ser o editor do livro, Luiz Fernando Emediato. Ele é a pessoa mais preocupada com a qualidade das informações presentes no livro, visto que poderia sofrer sérios danos a sua imagem e ao seu bolso se publicasse informações mentirosas. Emediato foi quem investiu dinheiro no livro do Amaury e garante que as informações são irrefutáveis.

 Em entrevista para a Band, uma das raras notícias sobre o livro depois de uma semana de estardalhaço na internet,  Emediato disse o seguinte:

 “o processo de edição foi demorado. “Fiz questão de obter todas as cópias originais dos documentos, que saíram de cartórios, autenticados e com firma reconhecida”. 

Além de obter cópias dos documentos já obtidos anteriormente, Emediato tomou outras precauções. “Antes de publicar, consultei três advogados e um membro do Ministério Público. Eles me disseram que são provas irrefutáveis”. (texto integral)

Moral da história: a falácia de Merval é a fala de Emediato.

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CAMILA VALLEJO FALA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO CHILE E DOS PERIGOS DE UM MODELO QUE REPRODUZ DESIGUALDADES

Educação emancipadora, igualitária e libertadora

Camila Vallejo, considerada a principal figura de 2011 no Chile, seu país, pela atuação no Movimento Estudantil, escreveu, em texto publicado pelo Portal Vermelho sobre a contribuição e continuidade da luta estudantil, ser o atual sistema educacional chileno conscientemente perverso por perpetuar uma situação de desigualdade em que a fragmentação, causada por um modelo de competição, impede a formação de um real sistema educacional.

Além disso, na análise da líder estudantil, o privilégio dado a conteúdos considerados úteis para o mercado de trabalho, impede que o sujeito se forme como ser crítico, e o destina a servir ao aparelho produtivo como mão de obra barata ou profissional de mercado.

O fato da educação no país estar fortemente atrelada à condição de pagamento, também faz com que essa se revista de uma concepção neoliberal, esvaziando cada vez mais o caráter público do saber e, o que é ainda mais grave, transformando-o em mercadoria. Aliás, o modelo neoliberal perpassa o sistema educacional em suas características principais: “o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema”, diz Camila.

Diante de todas essas questões, ela lembra que o movimento estudantil no Chile tem uma enorme importância política por rediscutir o modelo educacional no país, projetando a discussão para outros países do mundo. O papel que a educação desempenha na sociedade, sua relação com o estado e com o mercado são colocados em cheque. E aí vem o ponto principal do movimento chileno, fazer com que a educação seja reconhecida como um Direito Social e um Investimento Social para que, como escreve Camila, a “sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social”.

A luta por uma educação como direito e investimento social que se paute mais por uma lógica crítico-social e não mercadológica é mais do que legítima, mas é também uma das lutas mais difíceis porque é a luta que realmente permite mudanças. Mudanças que essa mesma sociedade de mercado – integrada por boa parte da mídia de muitos países – que nos prepara para viver dentro dos limites das suas possibilidades aparentemente infinitas de escolha, não quer.

Veja trecho do texto de Camila:

Camila Vallejo: Contribuição sobre o movimento e sua continuidade

Este movimento, fruto de longos processos de acumulação, amadurecimento político e consolidação orgânica no seio do mundo educacional, não apenas conseguiu elaborar um diagnóstico que demonstra a triste realidade do sistema de educação chileno, como também constatou em sua origem e evolução uma causalidade funcional na reprodução e aprofundamento das desigualdades no nosso país.
Por Camilla Vallejo

Dado o papel que a educação desempenha, ao constituir-se dentro da super-estrutura social como ferramenta de transformação ou reprodução material e cultural das ideias de um modelo econômico, social e político determinado, hoje não restam dúvidas de que é um sistema conscientemente perverso.

Vimos como a educação no Chile contribui muitíssimo para a exclusão, a segregação e para a segmentação social. A competição como elemento mobilizador da qualidade educativa, ao fazer com que os atores compitam entre si, decide por eliminar toda possibilidade de que a rede de servidores possa se desenvolver como um verdadeiro sistema, e, pelo contrário, contribuiu para a sua fragmentação. A super valorização exacerbada dos métodos de avaliação padronizados impostos sobre os processos de formação, acabam evidenciando as enormes desigualdades de origem e permitindo a discriminação com base nisso. A compartimentação dos conteúdos em conhecimentos úteis apenas para o “empreendimento” não permite formar sujeitos integrais e com capacidade crítica. O viés deliberado na formação dos educandos os pré-destina a ser mão de obra barata do aparelho produtivo ou de profissionais para o mercado. A concepção de bem e de investimento individual – no lugar de pública – no momento de financiar a educação permite que o custo de educar recaia sobre cada família e que seja, no fim das contas, a sua capacidade de pagamento o que determina o exercício de seu direito à educação.

Este modelo se encarrega da geração de um imaginário sociocultural que promove princípios e valores próprios do neoliberalismo. Princípios anti-éticos como o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema, às custas das grandes massas de trabalhadores, moradores de comunidades diversas e estudantes que se vêm prejudicados e arrastados numa correnteza sem fim, onde são sempre eles que assumem os custos através do endividamento, da instabilidade de emprego, da sub-valorização profissional e do desemprego. Enquanto abundam os ingressos de empresas que, sem produzir ou inovar, lucram de maneira muito conveniente com aquilo que em qualquer outro país seria considerado um direito.

Diante de tão triste realidade, é que a demanda do movimento estudantil, que rapidamente ecoa no âmango do mundo social, torna-se uma questão eminentemente política. Coloca em cheque o papel que deve desempenhar a educação no seio da sociedade e consequentemente, sua relação com o mercado e com o Estado. Neste sentido, a recuperação da educação como um Direito Social e um Investimento Social, não é apenas por gerar mobilidade social, mas, sim, para que a sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social (Meller, P. “El problema no es el lucro, es el mercado”) a partir da democratização do conhecimento e da formação integral de todo o povo. Este último merece verdadeira atenção, considerando que frente à complexidade da nossa sociedade atual (injustiça social, aumento progressivo das desigualdades, diminuição generalizada da qualidade de vida, violência estrutural, deterioração ambiental, precarização laboral etc.) não podemos depender de profissionais e técnicos com uma visão fragmentada e restrita apenas aos conhecimentos úteis para o empreendimento individual ou coletivo, mas, sim, de sujeitos, gerações completas que tenham uma visão integral e ampla da realidade nacional e mundial. Só assim poderemos enfrentar a complexidade dos problemas sociais e ambientais que nos afetam. Definitivamente, trata-se de gerar dispositivos contra-hegemônicos ao modelo de mercado, porque é este que aliena a nossa sociedade e a condena à manutenção das desigualdades e injustiças atuais. (Texto completo)

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NO DIA DE NATAL UMA BOA NOTÍCIA: GOVERNO DILMA ESTÁ CONTRA O STF E A FAVOR DO “INTERESSE DIRETO DO POVO”

Bandidos de toga ficaram sem presente de Natal

A pretensão do Supremo Tribunal Federal de pairar acima da própria lei ao conceder liminar que limita o poder de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e ao querer aumentar salários de juízes e seus servidores foi reprovada pelo governo Dilma. A Advocacia Geral da União (AGU), órgão ligado à presidência, já acionou o Supremo para caçar a liminar da própria corte alegando que “investigar é interesse direto do povo”. Dilma também negou o aumento salarial aos juízes.

A ação da Advocacia contra o STF lista uma série de argumentos jurídicos que inviabilizam a concessão da liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello e demonstra que teria existido atropelo da lei da magistratura e de regras internaS do próprio STF em nome de possíveis interesses políticos que orientaram a iniciativa.

Vale lembrar que a ação de investigação do CNJ é de total interesse público e salutar para a democracia brasileira. O CNJ investiga irregularidades em todo território nacional e, em sua maioria, trata-se de casos de extrema gravidade que só perpetuam a cultura do favorecimento e da ilegalidade como a distribuição irregular de processos, o favorecimento em concursos públicos, fraudes e até mesmo indícios de enriquecimento ilícito e a venda de sentenças judiciais.

Não existe um estado democrático de direito onde há um estado judiciário de benesses e irregularidades. O poder de um só é incompatível com qualquer democracia e é justamente pela manutenção de privilégios na estrutura social e política brasileira que até hoje nós ainda não conseguimos superar as estruturas coloniais.

A inacreditável pretensão do STF é  extremamente prejudicial ao Brasil e o fato do governo terminar o ano em confronto com a corte máxima do país é uma ótima notícia, quase como um presente de Natal. Que o governo fique firme e derrube a vazia majestade dos bandidos de toga nacionais!

Veja trecho de notítica sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

Governo Dilma se une ao CNJ e fecha o ano em confronto com STF
Órgão da Presidência, Advocacia Geral da União aciona Supremo Tribunal Federal para cassar liminar da própria corte que proíbe órgão de controle externo do Judiciário de apurar conduta de juízes. Segundo mandado de segurança, investigar é de ‘interesse direto do povo’. Dilma também peitou STF ao negar aumento salarial.
Por André Barrocal

BRASÍLIA – O governo Dilma termina o ano em confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF), a corte máxima do país e que, em termos políticos, fala pelos tribunais brasileiros. Na votação do orçamento 2012, não aceitou separar dinheiro para aumentar o salário de juízes e seus servidores. E, na polêmica sobre o direito de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigar a magistratura, uniu-se ao órgão de controle externo do Judiciário na disputa contra o STF.

A Advocacia Geral da União (AGU), que responde diretamente ao presidente da República e defende os interesses do governo federal em julgamentos no STF, entrou com um mandado de segurança na corte para derrubar liminar concedida por um ministro do mesmo Supremo que proibira a Corregedoria do CNJ de abrir processos para apurar a conduta de juízes e servidores do Judicário.

A ação do advogado Luiz Inácio Adams, que está no cargo desde a gestão Lula, lista uma série de argumentos jurídicos para questionar a concessão da liminar, no apagar das luzes do ano judiciário, pelo ministro Marco Aurélio Mello. Teria havido atropelo de uma lei que trata da magistratura e regras internas e processuais do STF. Mas tem alguns trechos que mostram que também há uma decisão política por trás da iniciativa. (Texto completo)

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CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON, TENTA CONTER CORRUPÇÃO E O ESTADÃO E A FOLHA DIZEM QUE HÁ CRISE NO JUDICIÁRIO
ASSOCIAÇÕES DE JUÍZES SÃO MENTIROSAS, MALEDICENTES E IRRESPONSÁVEIS, AFIRMA CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FEZ ESCOLA: JOVEM DIZ QUE PODE ATÉ MATAR, MAS DEPOIS PAGA PROPOPINA, OU MELHOR, FIANÇA
PRESIDENTE DO SUPREMO, MINISTRO CEZAR PELUSO, DEVERIA RENUNCIAR APÓS REVELAÇÃO DE QUE RECEBEU R$ 700 MIL

SENSACIONAL: CARNAVAL 2012 DA ESCOLA DE SAMBA DA ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS DO BRASIL, UNIDOS DA IMPUNIDADE

MORTE E VIDA SEVERINA, POEMA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO, EM UMA BELA VERSÃO EM DESENHO

As festas renovam o ritmo da vida, mas a vida em si já é uma festa, já é explosiva e renovada desde sempre, concedendo aos homens o gosto de serem eternos, mesmo quando esta eternidade é assim franzina, mesmo sendo a eternidade de uma vida severina. Boas Festas!

…“E não há melhor resposta 
que o espetáculo da vida: 
vê-la desfiar seu fio, 
que também se chama vida, 
ver a fábrica que ela mesma, 
teimosamente, se fabrica, 
vê-la brotar como há pouco 
em nova vida explodida 
mesmo quando é assim pequena 
a explosão, como a ocorrida 
como a de há pouco, franzina 
mesmo quando é a explosão 
de uma vida Severina”.

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UM DESCANSO: DAS ROSAS, DE DORIVAL CAYMMI, COM BADEN POWELL E SEU VIOLÃO
EM MEIO AOS APELOS DE “FELICIDADE E PERFEIÇÃO”, A BUSCA POR ALGUÉM QUE SE FAÇA “GENTE NO MUNDO” NUNCA FOI TÃO NECESSÁRIA
NA HISTÓRIA DE UMA CANÇÃO, O AMOR ADIADO, MAS NÃO DESPERDIÇADO, À ESPERA DE QUE ALGUÉM COMPLETE A SUA FUNÇÃO DE AMOR

CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON, TENTA CONTER CORRUPÇÃO E O ESTADÃO E A FOLHA DIZEM QUE HÁ CRISE NO JUDICIÁRIO

Eliana Calmon: o poder da democracia

A corregedora Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão criado para combater a corrupção no judiciário, está sendo linchada moralmente pelas associações de magistrados e a imprensa diz que há crise no judiciário. Há crise na imprensa. Há uma crise de valores.

Associações que estão tentando impedir as investigações legais do CNJ ganham espaço como se fosse uma disputa onde não há quem tem razão, onde não há quem defende os interesses republicanos contra os interesses corporativos.

Veja, até o presidente do CNJ, Cezar Peluso, que também não quer que o CNJ investigue os juízes, recebeu R$ 700 mil de auxílio-moradia com tanta gente sem ter onde morar no Brasil. Uma coisa não tem a ver com a outra? Sim, tem tudo a ver. É por isso e por outros que não tem dinheiro para investir em favelas, melhorar a qualidade de vida da população. Segundo pesquisa recente do IBGE, são quase 12 milhões de pessoas em moradias irregulares, favelas etc e o presidente do Supremo recebe R$ 700 mil dos cofres públicos de auxílio-moradia. Há uma crise moral na justiça e não uma crise na justiça.

Os editores da grande mídia sabem, pelo menos deveriam saber, que o CNJ foi um anseio da sociedade brasileira diante da corrupção e do abuso de poucos juízes. O CNJ não foi o sistema que se idealizou na época. Era para ser um controle externo do judiciário, não controlado pelos próprios juízes.  Mesmo assim, a presença da corregedora Eliana Calmon  e do ex-corregedor Gilson Dip, juízes de formação, mostrou que há privilégios inaceitáveis na magistratura, ainda que legais !!!, além dos poucos casos de corrupção mesmo.

As associações de magistrados tentam manter os privilégios absurdos de uma pequena casta de juízes e a imprensa diz que há crise no judiciário.

As associações entram com ações seguidas e orquestradas contra a corregedora do CNJ e ganham o mesmo espaço dos defensores dos valores republicanos, talvez até mais. Falta utopia para a construção de um país mais justo.

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A ministra Eliana Calmon.

No Brasil, quem investiga a corrupção é linchado moralmente

As associações dos juízes sentiram o peso da democracia na força e dignidade da corregedora do CNJ, Eliana Calmon. Ela não se curvou ao achaque das associações e de alguns membros do Supremo Tribunal Federal, que tentam desqualificar o seu trabalho republicano de combate a corrupção dos “bandidos de toga”.

Ela afirmou que está sofrendo um linchamento moral por parte dessas associações, que se utilizam de ações para travar a investigação contra juízes que não cumprem a lei, além de declarações na imprensa contra a ministra. Para Calmon, essas associações são mentirosas, maledicentes (difamadoras) e irresponsáveis.

As associações se utilizam de um recurso muito comum de ataque via judiciário: elas abusam de declarações na imprensa, processos e ações seguidas contra opositores. É a velha tradição brasileira, que substitui a bala por uma metralhadora de ações judiciais.

A postura de alguns membros do Supremo Tribunal Federal (STF), que deveriam zelar pelo bem público, é a mesma das associações. Não se sentem em um regime de compartilhamento de poder, sentem-se acima da lei porque se consideram a própria lei. O problema no Brasil não é o político corrupto, é o poder judiciário que está viciado de benesses imorais nas mais altas cúpulas. O judiciário brasileiro é o fermento do político corrupto.

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CPI DA PRIVATARIA TUCANA REVELA AS DIVISÕES INTERNAS DO PT: MENOS DA METADE DAS ASSINATURAS QUE PEDEM A COMISSÃO É DE MEMBROS DO PARTIDO

A batalha de Protógenes mal começou

Ao que parece, a repercussão do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, não vai se restringir apenas a fazer cair a máscara de boa parte da direita nacional e da velha mídia que lhe serve de respaldo. As consequências das denúncias de corrupção envolvendo as privatizações feitas durante o governo FHC prometem revelar também as divisões internas dentro do próprio PT.

Isso já começou a acontecer. Como mostra notícia publicada pela revista Carta Capital, e como divulgamos ontem aqui no Educação Política, das 185 assinaturas confirmadas no pedido de abertura da CPI da Privataria na Câmara, apenas 67, ou seja, pouco menos da metade, é de deputados do PT, o que permite concluir que os caciques do partido não pretendem facilitar a criação da Comissão.

A reação um tanto constrangida do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) ao receber do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) o documento com as assinaturas revela que o caminho vai ser longo para aqueles que querem fazer valer justiça em uma realidade política onde os interesses são tão peculiares a ponto de metade da situação não querer que a oposição seja investigada.

A CPI, se acontecer, ficará mesmo só para 2012. O curioso, no entanto, não seria nem tanto a reação de Marco Maia que, como lembra a revista, pode estar revestida apenas de um “traje institucional”, e sim o fato de alguns nomes importantes dentro do PT simplesmente não constarem da lista dos requerentes da CPI da Privataria Tucana que, mesmo as pessoas não sabendo direito do que se trata pelos interesses de boa parte da mídia, está dando o que falar.

Veja abaixo trecho da notícia publicada pela Carta Capital:

PT ‘racha’ para assinar CPI

Pouco menos da metade das 185 assinaturas confirmadas no pedido de abertura da CPI da Privataria na Câmara é de deputados do PT, a maior bancada da Casa. Ao todo, 67 petistas assinaram o documento, entre eles lideranças como André Vargas, Dr. Rosinha, Henrique Fontana, Vicentinho e Ricardo Berzoini.

Existem, no entanto, dois sinais de que, para sair do papel, a comissão não contará com tanta boa vontade dos caciques do partido.

O primeiro foi o certo constrangimento do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), ao receber do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) o documento com as assinaturas.

Enquanto o ex-delegado dizia em seu Twitter que contava com o apoio do presidente da Câmara, Maia saiu de fininho, dizendo que ainda precisava observar as exigências regimentais para a criação da CPI. E que tudo só seria feito no início de 2012, quando as tramóias do governo tucano deveriam entrar na fila para serem investigadas pelos deputados, que já encaminharam comissões sobre o tráfico de pessoas e trabalho escravo. (Texto completo)

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Vaccarezza foi um dos que não assinaram

Veja a lista de deputados do PT que não assinaram a  CPI da Privataria Tucana.

O presidente da Câmara, Marco Maia, tem uma explicação porque é presidente da Câmara que vai investigar, mas e os outros?

BENEDITA DA SILVA PT RJ – dep.beneditadasilva@camara.gov.br
CÂNDIDO VACCAREZZA PT SP – dep.candidovaccarezza@camara.gov.br (líder do governo Dilma)
CARLINHOS ALMEIDA PT SP – dep.carlinhosalmeida@camara.gov.br
DALVA FIGUEIREDO PT AP – dep.dalvafigueiredo@camara.gov.br
DÉCIO LIMA PT SC – dep.deciolima@camara.gov.br
EDSON SANTOS PT RJ – dep.edsonsantos@camara.gov.br
GILMAR MACHADO PT – MG dep.gilmarmachado@camara.gov.br
JESUS RODRIGUES PT PI – dep.jesusrodrigues@camara.gov.br
JILMAR TATTO PT SP – dep.jilmartatto@camara.gov.br
JOSÉ AIRTON PT CE – dep.joseairton@camara.gov.br
MARCO MAIA PT RS – dep.marcomaia@camara.gov.br (presidente da Câmara)
MIGUEL CORRÊA PT MG – dep.miguelcorrea@camara.gov.br
ODAIR CUNHA PT MG dep.odaircunha@camara.gov.br
PAULO TEIXEIRA PT SP dep.pauloteixeira@camara.gov.br
PEDRO EUGÊNIO PT PE dep.pedroeugenio@camara.gov.br
RUI COSTA PT BA dep.ruicosta@camara.gov.br
SÉRGIO BARRADAS CARNEIRO PT BA dep.sergiobarradascarneiro@camara.gov.br
ZECA DIRCEU PT PR dep.zecadirceu@camara.gov.brD

Vi no Nassif

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CERCA DE 70.000 PESSOAS VIVEM NA ROCINHA, A MAIOR FAVELA DO PAÍS, SEGUNDO DADOS DO IBGE

Os diferentes andares de um mesmo país

Vistas de longe, elas parecem uma maquete ampliada. Quadradinhos com portas, janelas e roupas coloridas penduradas. Todos empilhados, um sobre o outro, formando um único bloco. À noite, são como luzes a enfeitar o morro, onde elas geralmente estão localizadas, e dão à natureza uma decoração sutil e peculiar, um toque humano.

As favelas são hoje realidade urbana em boa parte do país e deixaram de ser monopólio das grandes metrópoles, embora nestas últimas sua presença seja bem mais ostensiva. Reflexo da desigualdade social brasileira, as casas penduradas nos morros são alternativas para quem não tem onde morar e legítimos espaços onde o estado custa a chegar.

Em um mapeamento deste cenário urbano, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou, por meio do levantamento “Aglomerados Subnormais – Primeiros Resultados”, que a comunidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, é a favela mais populosa do país. Nela viviam 69.161 em 2010, ocupando 23.352 domicílios, com uma média de três habitantes cada.

Em seguida, aparecem o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, cidade do Distrito Federal, com 56.483 moradores; e Rio das Pedras, na capital fluminense, com 54.793, como mostra notícia da Agência Brasil. A pesquisa contabilizou as comunidades separadamente, neste caso, o Complexo do Alemão, também no Rio de Janeiro, aparece com apenas 4.322 domicílios, mas, somando-se as dez áreas aglomeradas que formam o Complexo, o número chega aos 16.359.

Os dados reafirmam o fato de que as favelas não são apenas um mero detalhe no perfil urbano, mas um espaço que se ainda não foi corretamente visto pelo poder público, está cada vez mais presente na face social brasileira, demarcando-a em suas desigualdades e ineficiências. Longe, portanto, de serem meras maquetes ou luzes desprendidas dos morros, as favelas são de verdade, assim como os problemas nacionais.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Rocinha é a maior favela do Brasil, mostra IBGE
Por Thais Leitão

Rio de Janeiro – Na comunidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, viviam 69.161 pessoas em 2010, o que garantiu ao local o posto de maior favela do país. Os moradores ocupam 23.352 domicílios, que têm em média três habitantes cada.

Segundo dados do levantamento Aglomerados Subnormais – Primeiros Resultados, divulgado hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na lista das favelas mais populosas do Brasil, aparecem, em seguida, o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, cidade do Distrito Federal, com 56.483 moradores; e Rio das Pedras, na capital fluminense, com 54.793.

O estudo destaca, no entanto, que algumas comunidades podem ser maiores do que os números indicam, pois, para realizar a pesquisa, foram considerados critérios técnicos como divisão legal segundo cadastros das prefeituras. Dessa forma, o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que engloba dez áreas aglomeradas, teve as comunidades contabilizadas separadamente. Somente o Morro de Alemão, aparece com 4.322 domicílios. Somando-se todas as favelas que compõem o complexo, no entanto, o número total de unidades habitacionais pula para 16.359.

O levantamento também destaca que no Rio de Janeiro as ocupações mais antigas estão localizadas na área central e nos bairros das zonas sul e norte, mais próximos ao centro, que é onde se concentra a maior oferta de trabalho. Já na zona oeste da cidade, as ocupações são mais recentes e de menor porte, entre o tecido urbano formal. (Texto completo)

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Peluso: contra o CNJ e R$ 700 mil

Justiça, a cínica.

A melhor interpretação da justiça brasileira:

“Como a lei no país é tão frouxa, não tá nem aí, eu também não tô nem aí com o país e com a lei”, diz jovem Luan de 22 anos, que aprendeu muito bem o exemplo dado pelo Supremo e pelos tribunais superiores do Brasil. Veja vídeo abaixo.

O Brasil precisa de uma mãos limpas, como na Itália, para afastar os juízes corruptos e lenientes.

O CNJ (Corregedoria Nacional de Justiça) foi criada justamente para diminuir a corrupção no judiciário. Mas o presidente do Supremo, Cezar Peluso, quer acabar com o poder de investigação do CNJ.

Gilmar Mendes, outro ministro do Supremo, quando presidente da principal corte deu dois habeas corpus para um banqueiro acusado de corrupção em menos de 48 horas.

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A que ponto chegamos? O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, que está tão interessado em impedir as investigações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) recebeu R$ 700 mil de indenização legal que foi julgada pelos próprios colegas do tribunal em São Paulo. Peluso orquestrou uma ofensiva contra a ministra Eliana Calmon, que estava investigando justamente benefícios como esses e o enriquecimento ilícito de juízes de São Paulo.

Diante de tal revelação, o presidente do Supremo deveria renunciar. Mas no Brasil temos um histórico de benesses financiadas pelo povo. Tudo é legal, mas não deixa de ser imoral. O presidente do Supremo se sente à vontade para julgar ações em que pode ser parte beneficiada, segundo a Folha. É inacreditável.

Somente o Senado pode tomar uma atitude e chamar o presidente do Supremo às falas.  Ministros do Supremo se sentem acima da lei (ou realmente estão?). Na verdade, eles deveriam dar explicações ao Senado, assim como os ministros de Estado. Sempre que tiver uma atitude atípica, por exemplo, dar dois habeas corpus em menos de 48 horas, como fez Gilmar Mendes, quando presidente, o ministro deveria ser convocado pelo Senado para esclarecer os fatos.

É por essas, e principalmente por essas, que vereadores, prefeitos, deputados, senadores etc se sentem à vontade para usurpar dinheiro do povo brasileiro. Que orgulho da ministra Eliana Calmon, que vergonha do Brasil!

Veja trecho da matéria da Folha

O próprio ministro Peluso, que, como Lewandowski, foi desembargador do TJ paulista, recebeu recursos desse passivo.

Ele recebeu R$ 700 mil, de acordo com a própria assessoria do presidente do Supremo.

Peluso considera que, apesar dos recebimentos, nem ele nem Lewandowski estão impedidos de julgar ações sobre o tema porque os ministros do STF não se sujeitam ao CNJ.

Portanto, não seria possível falar que agem em causa própria ou que estão impedidos quando julgam a legalidade de iniciativas daquele órgão, já que não estão submetidos a ele, e sim o contrário, de acordo com a Constituição e com decisão do próprio STF. (Texto Integral)

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BIOINSETICIDA EM FORMATO DE COMPRIMIDO PROMETE SER MAIS UM ALIADO PARA COMBATER A DENGUE NO PRÓXIMO ANO

Mais um aliado da sociedade na luta contra o Aedes aegypti

Em 2012, a dengue poderá ser combatida utilizando mais um recurso além do que recomenda evitar a água parada. Trata-se de um bioinseticida desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que será produzido na forma de comprimidos para dissolução em caixas d’água e também em apresentações maiores, para utilização em açudes e reservatórios.

O bioinseticida é resultado de quase dez anos de pesquisas coordenadas pela cientista Elizabeth Sanches, que trabalha na Farmanguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela produção de medicamentos, como mostra notícia publicada pela Agência Brasil.

O comprimido hidrossolúvel paralisa os músculos da boca e do intestino da larva e causa infecção generalizada, além disso não apresenta qualquer risco para o meio ambiente sendo ideal para uso domiciliar. A produção dos bioinseticidas deve ser iniciada dentro de alguns meses e a previsão de Elizabeth é que no meio do ano que vem eles já estejam no mercado.

Vale lembrar que o bioinseticida é importante por realmente garantir a morte do mosquito já que, muitas vezes, o simples cuidado de não deixar água parada não é garantia de que ele não se multiplicará.

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Brasil terá bioinseticida contra dengue em 2012
Por Vladimir Platonow

Rio de Janeiro – O país contará com um importante aliado para combater a dengue no próximo ano. Um bioinseticida desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e fabricado por uma indústria farmacêutica promete ser divisor de águas na luta contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.

O bioinseticida é resultado de quase dez anos de pesquisas coordenadas pela cientista Elizabeth Sanches, que trabalha na Farmanguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela produção de medicamentos. Criado a partir do Bacillus thuringiensis e do Bacillus sphaericus, ele será produzido na forma de comprimidos, para dissolução em caixas d’água, ou em apresentações maiores, para utilização em açudes e reservatórios.

“No caso da dengue domiciliar, é recomendável a utilização do comprimido hidrossolúvel. O produto tem duas ações concomitantes: paralisa os músculos da boca e do intestino da larva e causa infecção generalizada nela”, explicou Elizabeth, engenheira bioquímica e bióloga.

A pesquisadora garantiu que o bioinseticida não apresenta qualquer risco para o meio ambiente. “Nós fizemos todos os testes referentes a impacto ambiental e toxicologia da formulação em animais de sangue quente, inclusive. Temos a segurança dos produtos que desenvolvemos, justamente por serem aplicados em ambientes domiciliares.

A Farmanguinhos concluiu o treinamento dos funcionários da empresa BR3, vencedora da licitação e que poderá iniciar a produção dentro de alguns meses, segundo Elizabeth. “A empresa acabou de ser treinada e está bem adiantada na implantação do projeto. Eu penso que no meio do ano que vem nós já tenhamos produtos dessa parceria tecnológica”. (Texto completo)

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CPI DA PRIVATARIA TUCANA MOSTRA A IMPORTÂNCIA E A FORÇA DOS PEQUENOS PARTIDOS NA DEMOCRACIA BRASILEIRA

English: Deputy Marshal Protogenes Queiroz Por...

O pluripartidarismo da democracia brasileira demonstrou a sua força nos últimos dias. Dois acontecimentos aparentemente sem conexão mostram a força e a importância dos pequenos partidos políticos. PCdoB, PDT e PSol atuaram de forma republicana em defesa dos interesses do povo brasileiro.

O primeiro acontecimento foi a coleta de assinaturas para a CPI da privataria tucana, a partir do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A possibilidade de CPI foi o que ajudou a levar a pauta para a velha mídia, que tentou escondê-la durante uma semana.

Na hora em que viu a existência de 171 assinaturas na CPI, acendeu o sinal de alerta. Pela primeira vez desde a redemocratização do país talvez, a grande imprensa se coloca contra a instalação de uma CPI de forma contundente.

Mas o deputado Protógenes Queiroz (do PCdoB), auxiliado pelo deputado Brizola Neto (PDT) fizeram uma força tarefa para coletar as assinaturas da CPI da privataria tucana, que devem passar de 200.

Nesse episódio, os dois grandes partidos políticos que buscam comandar o país, PT e PSDB, tiveram atitudes semelhantes. O PSDB se fingiu de morto e o PT em geral se dizia não saber do que se tratava. Agora a dificuldade é a instalação da CPI, que poder ser barrada pelo PT, vejam só.

Se isso ocorrer, vamos ter uma demonstração da armadilha que se instala em sistemas democráticos em que há o predomínio muito forte de apenas dois partidos políticos. Apesar de opositores, PT e PSDB têm interesses corporativos comuns. O PMDB, que também é um grande partido, é um caso à parte.

Um outro acontecimento que mostra a importância dos pequenos partidos é a ação protocolada pelo  PSOL no último dia 15  no Supremo Tribunal Federal (STF), em que pede a proibição de concessões, autorizações e renovações de radiodifusoras a políticos com mandato eletivo.

Segundo matéria do G1, de acordo com levantamento da ONG Intervozes, citado pelo partido, sete senadores e 41 deputados federais são donos de rádios ou emissoras de TV. O levantamento foi feito com base no cruzamento das declarações de renda dos políticos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). (texto completo). PT e PSDB sempre se calaram diante desse escândalo.

É certo que temos muitos… muitos pequenos partidos que são caça-níqueis, ou seja, agrupamentos cuja única ideologia é a forma mais curta de se chegar ao dinheiro do p ovo brasileiro. Por isso é que não se vê ações como essas nos outros pequenos partidos. Apesar dos problemas, são justamente essas ações que transformam pequenos partidos em grandes politicamente e dão vigor à democracia brasileira.

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OS SEGREDOS DE UM DOS MAIS FAMOSOS QUADROS DA HUMANIDADE VÃO ALÉM DO SORRISO

Os círculos representam os pontos nos quais os animais teriam sido achados: à esquerda, acima, estaria a cabeça de um leão; abaixo dele, a de um macaco. À direita da Gioconda, um búfalo.

Por trás da mulher se esconderiam inúmeros mistérios sendo ela considerada, desde as culturas mais antigas, o mais engenhoso exemplar da espécie humana (Continue lendo… 

PRESENTE DE NATAL PARA A CORRUPÇÃO: O GOLPE CONTRA O BRASIL VEM DA MAIS ALTA CORTE DO PAÍS, O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

A imprensa vê corrupção só de um lado e a Justiça não vê nada

Justiça, a Cínica

O Brasil tem avançado bastante no combate à corrupção, mas há um longo caminho pela frente.

De um lado, temos uma imprensa que se cala diante do maior escândalo de corrupção do país, o que faz a população levantar suspeita sobre as reais relações de alguns grupos de mídia com a corrupção durante a privatização do governo Fernando Henrique Cardoso.

Agora é o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que dá liminar, no acender das luzes do final do ano, contra o poder de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e contra a corregedora do órgão, ministra Eliana Calmon, que de forma corajosa tenta enfrentar a corrupção dentro da própria justiça.

O poder judiciário é, na realidade, o grande centro de permissividade da corrupção no Brasil. Podem criticar os políticos, os deputados, os senadores e os governadores, mas é a leniência do poder judiciário que irradia a corrupção. O poder judiciário no Brasil é a certeza da impunidade. Quantos políticos foram punidos até hoje? Nenhum…. E juízes….

Se ninguém foi punido, então não existe corrupção. Certo? É isso que o judiciário nos diz com a ditadura da presunção de inocência ou um supremo que sufoca o povo brasileiro com dois habeas corpus em 48 horas para um banqueiro envolto a vários processos de corrupção.

O poder judiciário é o fermento da corrupção no Brasil. Nele, há excesso de presunção de inocência e ineficiência crônica. E ele só consegue ser assim porque temos uma grande mídia subserviente e muda, em busca de seus próprios interesses econômicos e sem relativizá-los com os do próprio país.

O poder judiciário brasileiro ainda não chegou à república.  É por isso que os cargos no STF são vitalícios.

Em decisão liminar nesta segunda-feira (19), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello suspendeu o poder “originário” de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra magistrados, determinando que o órgão só pode atuar após as corregedorias locais. (texto completo)

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HUMOR: PRIVATARIA TUCANA CHEGA ÀS TELAS DE CINEMA COM ROTEIRO COMPLEXO QUE ENVOLVE MÍDIA E POLÍTICA

ASSIM COMO O YOUTUBE, REDES SOCIAIS TAMBÉM ESTÃO REVOLUCIONANDO A MANEIRA DE ASSISTIR TELEVISÃO NO BRASIL

TV Social: um mundo que vê, faz e lê o tempo todo

Quando o canal de vídeos YouTube começou a se popularizar na rede, a maioria das pessoas já tinha percebido que a maneira de assistir televisão já não era mais a mesma. Grande parte do conteúdo das emissoras estava no YouTbe em poucos segundos, compartilhado e visto por milhares de pessoas com uma qualidade muitas vezes melhor do que na tela das televisões.

Agora, é a vez das Redes Sociais alterar nossa forma de assistir TV. Isto porque elas estão repercutindo em tempo real o conteúdo visto nas telas. Segundo pesquisa da Motorola Mobility, que investigou os hábitos de consumo de mídia em 16 países, 72% das pessoas discutem o conteúdo da TV pelas redes sociais enquanto assistem. No Brasil, especificamente, 43% das pessoas entrevistadas usaram as redes sociais para recomendar conteúdos, ou seja, a integração entre TV e redes sociais tem se mostrado bastante expressiva.

Ainda segundo a pesquisa, o Brasil é o maior usuário de mobile TV da América Latina e o segundo do mundo. No país, 19% dos entrevistados afirmam assistir vídeos no celular diariamente. Como mostra notícia publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, “o usuário da América Latina passa por semana, em média, 3 horas jogando games, 6 horas em redes sociais, 11 horas assistindo TV ou filmes e 12 horas na Internet (web). São cinco horas semanais a menos de TV que na pesquisa do ano anterior”.

Estudos como esse mostram que as plataformas de acesso a informação estão mudando rapidamente. O mundo é cada vez mais móvel e a televisão precisa estar atenta para as novidades, adequando-se ao esquema das redes sociais para que uma alimente a outra ao invés de excluir. Se essa sociedade móvel e repleta de informações é boa ou ruim ainda não se sabe, o fato é que ela está aí e já faz parte da realidade de boa parte da população mundial.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Pesquisa aponta integração entre TV e redes sociais
Por André Mermelstein*
PAY-TV

Segundo a pesquisa, 72% das pessoas discutem o conteúdo da TV pelas redes sociais enquanto assistem
No Brasil, 43% das pessoas entrevistadas usaram as redes sociais para recomendar conteúdos

São Paulo – A Motorola Mobility apresentou nesta terça, 6, em primeira mão, uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de mídia em 16 países, a “Media Engagement Barometer – How do people consume media and the Internet”. Pela primeira vez, a América Latina fez parte do painel, que entrevistou 9 mil pessoas, na América do Norte, Europa, Brasil, México e Argentina.

Segundo a diretora sênior para o mercado doméstico nas Américas da empresa, Liz Davidoff, os dados levantados mostram as tendências-chave às quais as operadoras devem atentar para gerar aumento de receita e base de assinantes. O estudo foi apresentado durante o Moto4you, evento que a fabricante realiza esta semana com operadores na Flórida.

Segundo a pesquisa, 72% das pessoas entrevistadas discutem o conteúdo da TV com seus amigos enquanto assistem, pelas redes sociais. Em 2010, este número era 38%. Recomendações de filmes e séries são desejadas por 62% dos entrevistados. E 50% apontaram que desejam formas de conectar o serviço de TV às suas redes sociais. “Percebemos que a conectividade entre devices tem que ser inteligente, os dispositivos têm que conversar” diz Liz. (Texto completo)

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PARA HISTORIADORA, CENTRO DE CULTURA POPULAR (CPC) DA UNE FOI UM EXPRESSIVO PERÍODO DE EDUCAÇÃO ESTÉTICA, POLÍTICA E SENTIMENTAL INICIADO COM PEÇA DE VIANINHA

Miliandre Garcia

O Brasil com certeza ainda não reconheceu a importância artística presente no momento histórico que deu origem ao Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante os anos 60, mas aos poucos historiadores vão trazendo à tona uma história que está por ser contada, debatida e entendida, para que possa ser conhecida pela própria população brasileira. Esse é caso da historiadora Miliandre Garcia, que publicou o livro Do teatro militante à canção engajada: a experiência do CPC da UNE (1958-1964), pela Fundação Perseu Abramo. Para ela, apesar de curto período, o CPC foi uma experiência de educação estética, política e sentimental dos próprios quadros que começou com a exploração de conceitos como o de “mais-valia”, presente na peça A mais valia vai acabar, seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho (o Vianinha), criador do seriado de TV A Grande Família.

É interessante que são muito populares os nomes de artistas que participaram daquele período, como Gianfrancesco Guarnieri, Ferreira Gullar, Lélia Abramo, Flávio Migliácio,  Milton Gonçalves, Augusto Boal, José Renato, Carlos Lyra, Nara Leão, João do Vale, Zé Keti e outros. No entanto, a história coletiva desses personagens, a importância estética e cultural do momento histórico, parece ter sofrido ao longo do tempo uma espécie de apagamento. Nesta entrevista, Miliandre Garcia,  formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com mestrado em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta um pouco desse momento histórico.

Educação Política: Ferreira Gullar hoje talvez pense bastante diferente de quando militava na esquerda, mas ele afirmou nos anos 60 que a experiência do CPC foi um fenômeno novo na história brasileira, no sentido de que os artistas buscaram uma arte popular a partir de uma consciência revolucionária, ou seja, entendendo também a sua própria condição nas estruturas da sociedade. Você concorda com o entendimento de Gullar? Que avaliação você faz da arte brasileira, música e teatro principalmente, após esse período? Ou seja, como esse período alterou o processo artístico nas décadas posteriores, que influência teve?

Do teatro engajado à música militante

Miliandre Garcia: Nas décadas de 1950 e 1960, intelectuais e artistas brasileiros, influenciados pelo ideário nacionalista, buscavam o desenvolvimento de amplos setores. Numa estrutura de mercado, as produções artísticas buscavam não somente nacionalizar sua linguagens assim como expandir seu público alvo. A preocupação com a nacionalização das linguagens artísticas, que caracterizou a produção artística desde início do século XX, pautou-se pela construção de uma arte “nacional-popular” na segunda metade do século, constituindo inúmeros grupos como o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional de Estudantes (UNE), o Teatro de Arena, o Teatro Opinião, entre outras instituições de caráter artístico-cultural; contudo, mantinham como eixo comum a proposta de uma arte com feições nacionais e características próprias sem reproduzir os padrões estéticos das vanguardas artísticas ou os padrões culturais estrangeiros. Por isso, preferimos ao invés de utilizar “teatro político” ou “teatro engajado”, termos mais abrangentes que reúnem grupos como o Teatro de Arena e o Oficina num único bloco, empregar a expressão “teatro nacional-popular” que, apesar de também genérico (como bem evidenciou Marcelo Ridenti em Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV), restringe a compreensão das experiências cênicas a um conjunto de preocupações, quais sejam, as de reunir diferentes matizes em torno de objetivos comuns como a nacionalização da dramaturgia, a expansão do público e a politização do repertório.

EP: Você considera a trajetória de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, como um exemplo da transformação do pensamento do artista engajado da década de 60. Você poderia falar um pouco desse autor e explicar esse processo de transformação? Qual a importância desse processo para o entendimento do período?

Oduvaldo Vianna Filho, um dos criadores do CPC

MG: A trajetória de Vianinha e sua participação no CPC demonstra como se deu o processo de politização artística nos anos 1960 e o lugar social do produtor de cultura bem como a assimilação da cultura popular por ele próprio. Num primeiro momento, a produção de cultura popular esteve relacionada aos artistas e intelectuais do CPC, que produziram obras isoladas sobre as classes populares, a exemplo dos autos teatrais, do filme Cinco Vezes Favela e do compacto O Povo Canta, ainda que tivessem o “povo” brasileiro como principal tema e também como público em potencial. Já num segundo momento, voltou-se para a interlocução com os artistas populares que participaram dos eventos culturais como a I Noite de Música Popular no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No início de 1964, vislumbra-se uma nova fase de produção artística na qual os artistas populares eram os agentes do processo, interrompida com o golpe de 1964. Em linhas gerais, os artistas e intelectuais do CPC aderiram à visão simplista de instrumentalização da arte, com o objetivo máximo de empreender a revolução brasileira, não importasse o sacrifício estético (o manifesto do CPC representa essa primeira fase). Numa segunda fase, se deu a revisão de suas linhas diretivas, de simplificação formal através de um processo de autocrítica individualizada, ou seja, diferente em cada integrante, mas ainda assim de modo coletivo – tanto que no início de 1964 tínhamos outro CPC que em quase nada se assemelhava às teses do manifesto. Foi um curto, porém um expressivo período de educação estética, política e sentimental dos próprios quadros que começou com a exploração de conceitos como a “mais-valia”, como disse Vianinha no encarte da peça A Mais-Valia vai Acabar, seu Edgar, “procurei explicar a mais-valia de maneira primária que só de maneira primária a conheço”, passou por um momento de “higiene mental” como definiu Carlos Lyra o seu contato com os músicos populares até organizar um encontro heterogêneo como a IV Festival de Cultura Popular, com espaço de manifestações da música brasileira, desde a “nova música” até o samba de raiz, entre outras manifestações artístico-culturais.

EP:  Havia uma discussão muito grande, ao que se percebe, entre uma arte nacional em oposição ao conteúdo estrangeiro na década de 60. No entanto, no começo do século passado tivemos a Semana de arte moderna de 22 e o Manifesto antropofágico, de Oswald de Andrade. Essa antropofagia não fazia parte da discussão cultural da época? Por quê?
MG: A discussão sobre a antropofagia não permeou os debates cepecistas, mas esteve na pauta das discussões de outros grupos. Ainda assim, não se tratava de simplesmente de reproduzir o manifesto oswaldiano que, por sua vez, passou por um processo de releitura num novo contexto. O teatro Oficina, por exemplo, destacou-se no cenário nacional por, entre outras características, inspirar-se no movimento antropofágico, preocupação que, no entanto, não surgiu no momento de criação do grupo, mas se consolidou ao longo dos anos 1960.

EP:  Carlos Lyra compôs, junto com Vianinha, músicas para a peça A Mais-valia vai Acabar, seu Edgar e tem toda uma obra referencial para entender o período, como você analisa em seu livro. Qual a importância de Carlos Lyra para o CPC?

Carlos Lyra nos anos 60

MG: Como um dos principais interlocutores da arte engajada dos anos 1950 e 1960, eu situo Carlos Lyra em duas frentes: como criador e mediador cultural. Como criador, o músico não conseguiu incorporar com naturalidade, nem era sua intenção, o material musical do samba carioca. Como mediador cultural, Carlos Lyra foi um dos responsáveis por trazer à cena musical (leia-se; bossa-nova) o morro, o terreiro e o sertão.
A ascensão do “nacional-popular” no meio musical, no entanto, não se configura como uma proposta de fazer música com base nos costumes e na tradição de um único extrato da população brasileira. Para Carlos Lyra, a tentativa de pesquisar e buscar as raízes da música das classes populares significou uma forma de enriquecer a sua música com elementos sonoros do morro e do sertão. Isso, entretanto, não obrigou o compositor a assumir a idéia de ser povo ou parte integrante dele, de acordo com o “manifesto do CPC”. Consciente dos limites da própria classe social, o compositor buscava, já na fase de formação do CPC, fazer música também para o povo, o que não o tornava parte dele. Aliás, essa foi uma das primeiras divergências de Carlos Lyra em relação ao que se colocava em pauta no início da fundação do CPC. Portanto, pesquisar a música popular urbana, em especial o samba, não significou para o compositor abdicar das influências da Bossa Nova, do jazz ou da música erudita. Assim, a idéia de que a introdução de elementos “nacional-popular” na música está presa à unilateralidade de um gênero ou estilo musical, está relacionada mais ao senso comum ou à influência de uma determinada literatura que se consagrou posteriormente, que propriamente ao confronto das idéias que se veicula sobre o período e o que, de fato, se produziu. Ou seja, o confronto entre o discurso e a obra.

EP:  É possível trabalhar com o conceito de arte engajada para entender os processos artísticos da atualidade? E se não é arte engajada, que arte é essa?
MG: A questão da arte engajada, em princípio, pode ser considerada sob duas perspectivas: uma de ordem conceitual, que apresenta um conjunto de elementos que caracterizam, de modo geral, o encontro da arte com a política, podendo defender um determinado poder ou ideologia ou colocar-se em oposição a ele; outra, como fenômeno histórico que evidencia características próprias que, sob perspectiva particularizada, variam de acordo com as condições artístico-culturais e também sócio-econômicas situadas em determinado tempo e lugar. Como fenômeno histórico, a “arte engajada” foi uma das formas históricas do encontro entre arte, política e crítica social no século XX que implicou na confluência do aspecto formal da obra com um conteúdo representacional ou uma postura estética para a construção de uma consciência revolucionária, era informada por uma ideologia de mudança social e por uma crítica ideológica específica. A produção atual pode ser contestadora ou crítica, pode, inclusive, se auto-representar como engajada, mas o que se percebe é que não se volta à construção de um projeto mais amplo de sociedade, nem está vinculada a uma ideologia específica., Está mais ligada à construção de identidades (individuais ou de grupos), ao consumo, a padrões comportamentais e à memória de uma suposta tradição revolucionária. Dessa forma, não é engajada no sentido que o termo adquiriu no século XX, ainda que seja contestadora e crítica e possa estimular a conscientização e informar a militância cultural ou política. Não está interligada num continuum à tradição do engajamento da esquerda, pois não se insere num projeto global de transformação da sociedade, não fala para um receptor universal nem escapa das fórmulas pré-estabelecidas pelo mercado de bens culturais. Em suma: o conceito de “engajamento”, universalista por definição, não deve ser transferido para a produção atual sem as devidas mediações históricas e sociais.

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A ARTE EXTRAVASANDO AS PORTAS E PAREDES DO COTIDIANO: BELA APRESENTAÇÃO DE CORPO, MÚSICA E DANÇA

Os limites e as possibildiade de um “duo” que se aprisiona enquanto se liberta, que se forma enquanto se precipita, que torna-se grande enquanto se faz encolher, que se encontra enquanto se despede e que ama enquanto prefere esconder. Contradições que só a arte pode expressar, preservando o que há de essencial e belo na própria contradição que é a vida.

Da companhia Mats Ek, Appartement.

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