Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 23 dezembro, 2011

CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON, TENTA CONTER CORRUPÇÃO E O ESTADÃO E A FOLHA DIZEM QUE HÁ CRISE NO JUDICIÁRIO

Eliana Calmon: o poder da democracia

A corregedora Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão criado para combater a corrupção no judiciário, está sendo linchada moralmente pelas associações de magistrados e a imprensa diz que há crise no judiciário. Há crise na imprensa. Há uma crise de valores.

Associações que estão tentando impedir as investigações legais do CNJ ganham espaço como se fosse uma disputa onde não há quem tem razão, onde não há quem defende os interesses republicanos contra os interesses corporativos.

Veja, até o presidente do CNJ, Cezar Peluso, que também não quer que o CNJ investigue os juízes, recebeu R$ 700 mil de auxílio-moradia com tanta gente sem ter onde morar no Brasil. Uma coisa não tem a ver com a outra? Sim, tem tudo a ver. É por isso e por outros que não tem dinheiro para investir em favelas, melhorar a qualidade de vida da população. Segundo pesquisa recente do IBGE, são quase 12 milhões de pessoas em moradias irregulares, favelas etc e o presidente do Supremo recebe R$ 700 mil dos cofres públicos de auxílio-moradia. Há uma crise moral na justiça e não uma crise na justiça.

Os editores da grande mídia sabem, pelo menos deveriam saber, que o CNJ foi um anseio da sociedade brasileira diante da corrupção e do abuso de poucos juízes. O CNJ não foi o sistema que se idealizou na época. Era para ser um controle externo do judiciário, não controlado pelos próprios juízes.  Mesmo assim, a presença da corregedora Eliana Calmon  e do ex-corregedor Gilson Dip, juízes de formação, mostrou que há privilégios inaceitáveis na magistratura, ainda que legais !!!, além dos poucos casos de corrupção mesmo.

As associações de magistrados tentam manter os privilégios absurdos de uma pequena casta de juízes e a imprensa diz que há crise no judiciário.

As associações entram com ações seguidas e orquestradas contra a corregedora do CNJ e ganham o mesmo espaço dos defensores dos valores republicanos, talvez até mais. Falta utopia para a construção de um país mais justo.

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A ministra Eliana Calmon.

No Brasil, quem investiga a corrupção é linchado moralmente

As associações dos juízes sentiram o peso da democracia na força e dignidade da corregedora do CNJ, Eliana Calmon. Ela não se curvou ao achaque das associações e de alguns membros do Supremo Tribunal Federal, que tentam desqualificar o seu trabalho republicano de combate a corrupção dos “bandidos de toga”.

Ela afirmou que está sofrendo um linchamento moral por parte dessas associações, que se utilizam de ações para travar a investigação contra juízes que não cumprem a lei, além de declarações na imprensa contra a ministra. Para Calmon, essas associações são mentirosas, maledicentes (difamadoras) e irresponsáveis.

As associações se utilizam de um recurso muito comum de ataque via judiciário: elas abusam de declarações na imprensa, processos e ações seguidas contra opositores. É a velha tradição brasileira, que substitui a bala por uma metralhadora de ações judiciais.

A postura de alguns membros do Supremo Tribunal Federal (STF), que deveriam zelar pelo bem público, é a mesma das associações. Não se sentem em um regime de compartilhamento de poder, sentem-se acima da lei porque se consideram a própria lei. O problema no Brasil não é o político corrupto, é o poder judiciário que está viciado de benesses imorais nas mais altas cúpulas. O judiciário brasileiro é o fermento do político corrupto.

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CPI DA PRIVATARIA TUCANA REVELA AS DIVISÕES INTERNAS DO PT: MENOS DA METADE DAS ASSINATURAS QUE PEDEM A COMISSÃO É DE MEMBROS DO PARTIDO

A batalha de Protógenes mal começou

Ao que parece, a repercussão do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, não vai se restringir apenas a fazer cair a máscara de boa parte da direita nacional e da velha mídia que lhe serve de respaldo. As consequências das denúncias de corrupção envolvendo as privatizações feitas durante o governo FHC prometem revelar também as divisões internas dentro do próprio PT.

Isso já começou a acontecer. Como mostra notícia publicada pela revista Carta Capital, e como divulgamos ontem aqui no Educação Política, das 185 assinaturas confirmadas no pedido de abertura da CPI da Privataria na Câmara, apenas 67, ou seja, pouco menos da metade, é de deputados do PT, o que permite concluir que os caciques do partido não pretendem facilitar a criação da Comissão.

A reação um tanto constrangida do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) ao receber do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) o documento com as assinaturas revela que o caminho vai ser longo para aqueles que querem fazer valer justiça em uma realidade política onde os interesses são tão peculiares a ponto de metade da situação não querer que a oposição seja investigada.

A CPI, se acontecer, ficará mesmo só para 2012. O curioso, no entanto, não seria nem tanto a reação de Marco Maia que, como lembra a revista, pode estar revestida apenas de um “traje institucional”, e sim o fato de alguns nomes importantes dentro do PT simplesmente não constarem da lista dos requerentes da CPI da Privataria Tucana que, mesmo as pessoas não sabendo direito do que se trata pelos interesses de boa parte da mídia, está dando o que falar.

Veja abaixo trecho da notícia publicada pela Carta Capital:

PT ‘racha’ para assinar CPI

Pouco menos da metade das 185 assinaturas confirmadas no pedido de abertura da CPI da Privataria na Câmara é de deputados do PT, a maior bancada da Casa. Ao todo, 67 petistas assinaram o documento, entre eles lideranças como André Vargas, Dr. Rosinha, Henrique Fontana, Vicentinho e Ricardo Berzoini.

Existem, no entanto, dois sinais de que, para sair do papel, a comissão não contará com tanta boa vontade dos caciques do partido.

O primeiro foi o certo constrangimento do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), ao receber do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) o documento com as assinaturas.

Enquanto o ex-delegado dizia em seu Twitter que contava com o apoio do presidente da Câmara, Maia saiu de fininho, dizendo que ainda precisava observar as exigências regimentais para a criação da CPI. E que tudo só seria feito no início de 2012, quando as tramóias do governo tucano deveriam entrar na fila para serem investigadas pelos deputados, que já encaminharam comissões sobre o tráfico de pessoas e trabalho escravo. (Texto completo)

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