Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 26 dezembro, 2011

EDITOR DO LIVRO ´PRIVATARIA TUCANA` CONSULTOU TRÊS ADVOGADOS, UM MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO E FEZ QUESTÃO DE OBTER AS PROVAS ORIGINAIS DOS DOCUMENTOS

Português: Jornalista Merval Pereira na ALERJ ...

Merval, o soldado dos privatas

Um dos poucos jornalistas que deu a cara para desqualificar o livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr,  foi Merval Pereira, tanto no jornal O Globo como na rádio CBN. Mas isso não adianta muito, é preciso ter consistência na argumentação.

E quem tem consistência parece ser o editor do livro, Luiz Fernando Emediato. Ele é a pessoa mais preocupada com a qualidade das informações presentes no livro, visto que poderia sofrer sérios danos a sua imagem e ao seu bolso se publicasse informações mentirosas. Emediato foi quem investiu dinheiro no livro do Amaury e garante que as informações são irrefutáveis.

 Em entrevista para a Band, uma das raras notícias sobre o livro depois de uma semana de estardalhaço na internet,  Emediato disse o seguinte:

 “o processo de edição foi demorado. “Fiz questão de obter todas as cópias originais dos documentos, que saíram de cartórios, autenticados e com firma reconhecida”. 

Além de obter cópias dos documentos já obtidos anteriormente, Emediato tomou outras precauções. “Antes de publicar, consultei três advogados e um membro do Ministério Público. Eles me disseram que são provas irrefutáveis”. (texto integral)

Moral da história: a falácia de Merval é a fala de Emediato.

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CAMILA VALLEJO FALA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO CHILE E DOS PERIGOS DE UM MODELO QUE REPRODUZ DESIGUALDADES

Educação emancipadora, igualitária e libertadora

Camila Vallejo, considerada a principal figura de 2011 no Chile, seu país, pela atuação no Movimento Estudantil, escreveu, em texto publicado pelo Portal Vermelho sobre a contribuição e continuidade da luta estudantil, ser o atual sistema educacional chileno conscientemente perverso por perpetuar uma situação de desigualdade em que a fragmentação, causada por um modelo de competição, impede a formação de um real sistema educacional.

Além disso, na análise da líder estudantil, o privilégio dado a conteúdos considerados úteis para o mercado de trabalho, impede que o sujeito se forme como ser crítico, e o destina a servir ao aparelho produtivo como mão de obra barata ou profissional de mercado.

O fato da educação no país estar fortemente atrelada à condição de pagamento, também faz com que essa se revista de uma concepção neoliberal, esvaziando cada vez mais o caráter público do saber e, o que é ainda mais grave, transformando-o em mercadoria. Aliás, o modelo neoliberal perpassa o sistema educacional em suas características principais: “o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema”, diz Camila.

Diante de todas essas questões, ela lembra que o movimento estudantil no Chile tem uma enorme importância política por rediscutir o modelo educacional no país, projetando a discussão para outros países do mundo. O papel que a educação desempenha na sociedade, sua relação com o estado e com o mercado são colocados em cheque. E aí vem o ponto principal do movimento chileno, fazer com que a educação seja reconhecida como um Direito Social e um Investimento Social para que, como escreve Camila, a “sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social”.

A luta por uma educação como direito e investimento social que se paute mais por uma lógica crítico-social e não mercadológica é mais do que legítima, mas é também uma das lutas mais difíceis porque é a luta que realmente permite mudanças. Mudanças que essa mesma sociedade de mercado – integrada por boa parte da mídia de muitos países – que nos prepara para viver dentro dos limites das suas possibilidades aparentemente infinitas de escolha, não quer.

Veja trecho do texto de Camila:

Camila Vallejo: Contribuição sobre o movimento e sua continuidade

Este movimento, fruto de longos processos de acumulação, amadurecimento político e consolidação orgânica no seio do mundo educacional, não apenas conseguiu elaborar um diagnóstico que demonstra a triste realidade do sistema de educação chileno, como também constatou em sua origem e evolução uma causalidade funcional na reprodução e aprofundamento das desigualdades no nosso país.
Por Camilla Vallejo

Dado o papel que a educação desempenha, ao constituir-se dentro da super-estrutura social como ferramenta de transformação ou reprodução material e cultural das ideias de um modelo econômico, social e político determinado, hoje não restam dúvidas de que é um sistema conscientemente perverso.

Vimos como a educação no Chile contribui muitíssimo para a exclusão, a segregação e para a segmentação social. A competição como elemento mobilizador da qualidade educativa, ao fazer com que os atores compitam entre si, decide por eliminar toda possibilidade de que a rede de servidores possa se desenvolver como um verdadeiro sistema, e, pelo contrário, contribuiu para a sua fragmentação. A super valorização exacerbada dos métodos de avaliação padronizados impostos sobre os processos de formação, acabam evidenciando as enormes desigualdades de origem e permitindo a discriminação com base nisso. A compartimentação dos conteúdos em conhecimentos úteis apenas para o “empreendimento” não permite formar sujeitos integrais e com capacidade crítica. O viés deliberado na formação dos educandos os pré-destina a ser mão de obra barata do aparelho produtivo ou de profissionais para o mercado. A concepção de bem e de investimento individual – no lugar de pública – no momento de financiar a educação permite que o custo de educar recaia sobre cada família e que seja, no fim das contas, a sua capacidade de pagamento o que determina o exercício de seu direito à educação.

Este modelo se encarrega da geração de um imaginário sociocultural que promove princípios e valores próprios do neoliberalismo. Princípios anti-éticos como o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema, às custas das grandes massas de trabalhadores, moradores de comunidades diversas e estudantes que se vêm prejudicados e arrastados numa correnteza sem fim, onde são sempre eles que assumem os custos através do endividamento, da instabilidade de emprego, da sub-valorização profissional e do desemprego. Enquanto abundam os ingressos de empresas que, sem produzir ou inovar, lucram de maneira muito conveniente com aquilo que em qualquer outro país seria considerado um direito.

Diante de tão triste realidade, é que a demanda do movimento estudantil, que rapidamente ecoa no âmango do mundo social, torna-se uma questão eminentemente política. Coloca em cheque o papel que deve desempenhar a educação no seio da sociedade e consequentemente, sua relação com o mercado e com o Estado. Neste sentido, a recuperação da educação como um Direito Social e um Investimento Social, não é apenas por gerar mobilidade social, mas, sim, para que a sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social (Meller, P. “El problema no es el lucro, es el mercado”) a partir da democratização do conhecimento e da formação integral de todo o povo. Este último merece verdadeira atenção, considerando que frente à complexidade da nossa sociedade atual (injustiça social, aumento progressivo das desigualdades, diminuição generalizada da qualidade de vida, violência estrutural, deterioração ambiental, precarização laboral etc.) não podemos depender de profissionais e técnicos com uma visão fragmentada e restrita apenas aos conhecimentos úteis para o empreendimento individual ou coletivo, mas, sim, de sujeitos, gerações completas que tenham uma visão integral e ampla da realidade nacional e mundial. Só assim poderemos enfrentar a complexidade dos problemas sociais e ambientais que nos afetam. Definitivamente, trata-se de gerar dispositivos contra-hegemônicos ao modelo de mercado, porque é este que aliena a nossa sociedade e a condena à manutenção das desigualdades e injustiças atuais. (Texto completo)

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