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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

52 NOMES FORAM INCLUÍDOS NA “LISTA SUJA” DO TRABALHO ESCRAVO EM 2011, QUE BATEU RECORDE DE 294 INFRATORES

Pará lidera a "lista suja" com nove inclusões. Na região, trabalho escravo está associado ao desmatamento

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu 52 novos nomes na “lista suja” do trabalho escravo em 2011. A lista tem agora, no total, 294 infratores, o que é um número recorde e que apenas indica a vercidade da afirmação do ministério de que “nunca houve tanta irregularidade ao mesmo tempo”, presente em notícia publicada pela Rede Brasil Atual.

A exploração de mão-de-obra em situação análoga à escravidão acontece em diversos níveis e setores, desde desmatamentos de florestas, construção de usinas, carvoarias, usinas de açúcar, criação de gado, até confecção de roupas de grife e construção civil nos cenários urbanos. O trabalho escravo, tal como ele existe hoje, se espalhou pelo país, confundindo-se com a pobreza, a ilegalidade e o altíssimo grau de impunidade que existe em boa parte do Brasil.

O recorde na lista suja demonstra como diferentes grupos sociais já vêm sendo atingidos por esse mal que talvez nunca tenha sido extirpado da história nacional e que continua disseminando desigualdades.

Os nomes incluídos na lista não podem mais obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entram para a lista das empresas pertencentes à “cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil”

Veja texto com mais detalhes publicado pela Rede Brasil Atual:

Trabalho escravo: “lista suja” tem recorde de 294 infratores
Cadastro de pessoas físicas e jurídicas que cometeram infrações contra trabalhadores teve inclusão de 52 nomes em 2011
Por Evelyn Pedrozo

São Paulo – A “lista suja” de pessoas físicas e jurídicas flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em ato de exploração de mão de obra análoga à escrava foi acrescida de 52 nomes em 2011, totalizando o número recorde de 294 infratores. Foram retirados apenas dois empregadores, que cumpriram os requisitos para a exclusão. O baixo número deve-se, grande parte, à não quitação das multas aplicadas. Segundo o ministério, nunca houve tanta irregularidade ao mesmo tempo. O cadastro é utilizado pelas indústrias, varejo e exportadores para a aplicação de restrições e para não permitir a comercialização dos produtos oriundos do uso ilegal de trabalhadores. O Pará lidera a lista, com nove inclusões, devidas ao trabalho de desmatamento da mata amazônica. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Entre os novos, estão usineiros, madeireiras, empreiteiras, médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano.

O chefe da Divisão de fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, Alexandre Lyra, observou que o setor pecuário está no topo da lista, pelas más condições oferecidas aos trabalhadores nas capinadas para pastagem do gado, seguido de perto pela indústria sucroalcooleira, madeireiras e carvoarias. O executivo mencionou um flagrante registrado em outubro passado, em Goiânia (GO), onde trabalhadores de uma usina de açúcar chegavam a cumprir 19 horas de jornada diária no setor industrializado. “As pessoas acreditam que o pior acontece na lavoura, mas esse caso mostrou uma outra faceta”, disse.

O cadastro foi criado em 2004. Ao ser incluído, o infrator não pode mais obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entra para a lista das empresas pertencentes à “cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil”.

As denúncias chegam ao órgão pela Secretaria de Inspeção, pelas superintendências regionais do Trabalho e Emprego ou por instituições parceiras, como a Comissão Pastoral da Terra, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Departamento de Polícia Federal. (Texto completo)

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