Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

AGRESSÃO DE ESTUDANTE NA USP POR UM POLICIAL ERA QUASE COMO UMA “TRAGÉDIA ANUNCIADA”

Estudante: "Ainda não caiu a ficha"

Nicolas Menezes Barreto, estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, disse à reportagem da revista Carta Capital que ainda estava “desnorteado” com o episódio em que foi agredido por um policial militar na USP que participava de operação para fechar a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Um vídeo que circula pela internet, já publicado pelo Educação Política, mostra o momento em que o policial aponta a arma para o estudante. Apontar armas é o gesto preferido da polícia nacional e isso não é de hoje. Por isso, o fato acontecido na USP não é uma surpresa. Depois da polêmica envolvendo a presença ou não da polícia no campus da universidade e levando em consideração a forma como a PM resolve os problemas do Brasil, o fato já era esperado.

O próprio estudante reconheceu o histórico de agressões da PM na USP nos últimos anos e disse ser apenas o “bode expiatório da vez” em que o policial teria descarregado não só a violência física, como também a moral, já que o fundo racista do epísódio foi percebido por Menezes e também por outros estudantes que presenciaram a cena.

A polícia militar afastou os envolvidos na agressão, mas o caldo de violência e autoritarismo que forma a cultura nacional ainda está lá, na instituição que deveria dialogar, não levantar armas.

Veja trecho da reportagem publicada pela Carta Capital e também um trecho de ótimo texto de Matheus Pichonelli, indagando: A PM paulista sabe lidar com seres humanos?

‘Ainda não caiu a ficha’, diz estudante agredido
Por Clara Roman

Já passava das 20h quando Nicolas Menezes Barreto atendeu, por telefone, a reportagem de CartaCapital. Mais de oito horas depois de ter sido agredido por Policial Militar em um espaço estudantil na Universidade de São Paulo, Menezes ainda se dizia desnorteado com episódio, gravado com uma câmera digital. “Desculpa se estou sendo exaltado. É que ainda não me caiu a ficha”, afirmou.

Estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Menezes foi abordado com tapas por um policial militar que participava de operação para fechar a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Um vídeo (clique aqui para ver) que circula na internet registrou a cena, inclusive o momento em que o PM aponta a arma para o estudante.

Horas depois da agressão, ele ainda tentava entender o que aconteceu. Segundo ele, a cena foi apenas mais um episódio de um histórico de “opressão” promovido pela Polícia Militar na Universidade. “Eu sou o bode expiatório dessa vez, mas tem um histórico de agressões da USP nos últimos anos”, disse ele.

Tenso, Menezes contou que ainda não sabia se faria algum exame para comprovar o espancamento, o que poderia resultar num processo judicial.“Ainda nem tomei banho. Estou vendo como vou fazer perícia, porque o vídeo já traz todas as provas”, diz. O estudante relatou que tem arranhões e cortes na mão. (Texto completo)

A PM paulista sabe lidar com seres humanos?
Por Matheus Pichonelli

Parecia piada pronta. Estudante, negro, espancado por um policial militar dentro da USP? Tudo isso em vídeo?
Ou é piada ou é boato.
Nem o mais troglodita dos carrascos seria capaz de assinar o recibo desta maneira.
Policial pode até ser rígido, mas não é burro.

Tem a seu favor a reitoria, o governador e a imensa maioria da opinião pública que vê na resistência dos estudantes ao policiamento ostensivo um sintoma de privilégio.

“Querem fumar maconha sem ser incomodados”.

Do governador ao quatrocentão que nunca pisou na USP, todos estavam crentes de que, com a PM no campus, a segurança e a civilidade estariam instauradas de vez.

O resto era conversa, papo de intelectual.

Todo mundo sabe que polícia não agride, polícia protege.

Os argumentos em torno da ordem e da legalidade estavam tão consolidados que soaria como escárnio voltar à discussão a essa altura do campeonato: a PM sabe lidar com estudantes?

A resposta durou 1 minuto e 39 segundos, e é mais representativa que todos os calhamaços já publicados sobre o assunto. E levou a discussão para outro patamar: a polícia paulista sabe lidar com seres humanos?

No vídeo (clique aqui para ver), de menos de dois minutos, um sargento, identificado como André Ferreira, avisa, educadamente, que o prédio sem uso há anos, ocupado pelos estudantes, precisa ser liberado. Os estudantes se negam a deixar o prédio. E questionam os motivos da ação (ao que parece, não está proibido ainda, num espaço estudantil, questionar determinada situação, ainda que o interlocutor seja um policial, um padre ou um professor). (Texto completo)

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4 Respostas para “AGRESSÃO DE ESTUDANTE NA USP POR UM POLICIAL ERA QUASE COMO UMA “TRAGÉDIA ANUNCIADA”

  1. Rodrigo 11 janeiro, 2012 às 10:20 am

    Ah, não, gente… Agora a ação foi racista…
    Vai ser sempre buscada uma fuga, um factóide para desviar do assunto? Ser sempre “jogado pra galera”?
    O agredido, ofendido, sempre vai afirmar racismo/discriminação quanto à sua condição de negro, índio, oriental, branco (ou a cor da pele interfere no caráter a ponto de só entre os “brancos” haver pessoas sem discernimento), nordestino, sulista, latino.
    Ontem vi alguém na tv, em busca de holofotes: “havia tantos brancos e só bateu no negro”. Curioso, havia várias pessoas conversando, uma interrompendo e agitando os braços e que negou-se à identificação (novamente, não deveria, nem merecia ter sido agredido); apenas um foi mais acintoso, chamou a atenção do agressor para si e, infeliz e barbaramente, foi agredido.
    Apenas isso.
    É como disse em outro post, ante a fala do Ministro Mário Negromonte, meu conterrâneo: não poderia ser acusado por ser nordestino, nem dilma poderia ser cobrada por ser mulher. Nem ACM, Lula, Renan e Collor, por serem nordestinos. Nem Maluf, por ter ascendência árabe (salvo engano quanto à origem). Nem mesmo Celso Pitta, por ser negro.
    Se foi algo diferente, eu, que tenho ascendência “branca”, “negra” e “indígena”, além de ser nordestino, estou feito. Qualquer evento que ocorrer, bradarei: estou sendo discriminado!!!!

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