Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

PRIMEIRA PÁGINA DA FOLHA EXPÕE OS MÉTODOS DA POLÍCIA DE SÃO PAULO AO DISPERSAR USUÁRIOS DE CRACK COM BOMBAS E TIROS

Há pelo menos meio século, as questões sociais no Brasil são caso de polícia. No jogo de esconde-esconde entre a polícia e os usuários de crack no centro de São Paulo o filme é o mesmo. A polícia dispara bombas de efeito moral e balas de borracha enquanto os usuários se espalham pela região. Passada a fumaça e o corre-corre, os usuários voltam aos mesmos lugares de antes.

Questões e problemas sociais devem ser resolvidos na prática, mas a prática da polícia está longe de resolver qualquer tipo de problema. Os exemplos da história são vastos e mostram que o método da bala é muito mais ineficaz do que o pensar o assunto entre quatro paredes.

Há uma ilusão de que quem pensa a realidade não age sobre ela e fica apenas teorizando sobre os assuntos sem realmente “colocar a mão na massa”. Mas no ato de pensar já existe uma ação e quando não se pensa, tampouco se age. A polícia não vai conseguir nada, nem higienizar as ruas, como pretende, muito menos higienizar a si própria. A conta de violência e desrespeito aos direitos humanos já é alta demais. Que o digam os “Canudos” e as “cracolândias” nacionais.

Veja trecho de texto do Conversa Afiada com a matéria de primeira capa da Folha e comentários:

A “noite dos cristais” na Cracolândia da Chuíça (*)

PM dispersa usuários de crack com bombas e tiros
Policiais e seguranças passam a noite tentando liberar ruas da cracolândia. Polícia Militar afirma que balas de borracha foram disparadas para liberar a circulação nas ruas do centro de SP

Por AFONSO BENITES
FELIX LIMA
DE SÃO PAULO

O primeiro fim de semana de ocupação da PM na cracolândia foi marcado por correria, bombas de efeito moral e tiros de balas de borracha entre a noite de sábado e a madrugada de ontem.

A movimentação dos usuários de crack foi intensa desde as 22h de sábado na região do Bom Retiro, localizado no centro de São Paulo.
Era um esconde-esconde.

De um lado, os viciados caminhavam frequentemente de uma rua para outra procurando os traficantes. De outro, PMs, guardas-civis e seguranças de prédios iam em busca dos usuários de crack para evitar aglomerações.

Por volta das 23h45 de anteontem, cerca de cem usuários e traficantes se concentraram na rua dos Gusmões, entre as ruas Guaianases e Conselheiro Nébias. (Texto completo)

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6 Respostas para “PRIMEIRA PÁGINA DA FOLHA EXPÕE OS MÉTODOS DA POLÍCIA DE SÃO PAULO AO DISPERSAR USUÁRIOS DE CRACK COM BOMBAS E TIROS

  1. Rodrigo 10 janeiro, 2012 às 9:59 am

    “Por volta das 23h45 de anteontem, cerca de cem usuários e traficantes se concentraram na rua dos Gusmões, entre as ruas Guaianases e Conselheiro Nébias.”
    Só tal trecho já dá uma real dimensão do problema, extretamente grave e perigoso, havido na cracolândia… Lá não se encontravam, pois, trabalhadores, estudantes, pessoas integrantes de movimentos sociais justos ou eivados de política.
    Havia seres humanos adictos, que reclamam tratamento e infelizmente põem em risco a vida de tantos que necessitam transitar pela região (a tv não cansa de noticiar trabalhadores que, descendo dos ônibus, têm de atravessar as ruas da cracolândia em grupos, para não serem assaltados por traficantes ou por usuários) e traficantes (também seres humanos, que deliberadamente optaram pela vida no crime).
    Alguma sugestão para a retirada dos mesmos, ou melhor, alguma atitude efetivamente operacional, já testada e comprovada? Algum crítico quer levá-los para casa, ou pedir que, por obséquio, se retirem, distribuindo flores? Mas deixemos o animus jocandi de lado, tão bem quisto em debates que, ao fim, somente se revelam políticos, pois a situação é séria.
    Se, para a situação de crise em questão, após o abandono do Estado e mesmo por parte dos “críticos” (já que palavras em jornais e blogs não resolvem nem amenizam a situação), houver alternativa melhor que gás lacrimogênio e balas de borracha, ficaria muito feliz em saber.

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