Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 17 janeiro, 2012

HÁ ALGO DE COMUM ENTRE O DANIEL ACUSADO DE ESTUPRO E O DANIEL NEGRO QUE É CONTRA A COTA PARA NEGROS?

Todos estão em condições de igualdade

Daniel, o mesmo indivíduo que se pronunciou contra a cota para negros, foi acusado no BBB (Big Brother Brasil) de estupro. Tudo parece marketing, mas se não for, vale a pena pensar sobre esses dois fatos.

Há algo em comum entre os dois casos, isto é, entre o possível estupro e a negação da cota para negros?  Pode ser que não, mas provavelmente um indivíduo pensa e age de acordo com suas convicções. Acredito que coisas tão díspares podem ter um fundo próximo.

O que levaria um negro a ser contra a cota para negros? Pode ser uma opção política, visto que cota é um processo polêmico em qualquer situação. Particularmente, acho que as cotas são importantes como reparação histórica e devem ter um prazo determinado para se encerrar, talvez uma ou duas gerações.

No entanto, um negro contra as cotas normalmente é um negro em boa condição financeira. Dificilmente um negro em condição social desfavorável, que teve péssimas condições de estudo apesar de esforçado,  será contra a possibilidade de obter uma ascensão social por meio de cota, ainda que isso possa ocorrer. Afinal, o ideal seria o processo igual para todos se todos fossem iguais.

Mas quando diz que é contra cota. Daniel também diz que não há necessidade de reparação por 400 anos de escravidão de seus antepassados.  Ou seja, diz que não devemos colocar nas contas atuais o holocausto da escravidão negra.

 É um tipo de pensamento bastante liberal, defendendo que não há necessidade de compensação e que renega a história. É um pensamento que afirma que  não se deve se preocupar com outros negros em situações piores provocadas pela escravidão de antepassados.

Esse pensamento não deixa de ter um tom individualista, visto que os melhores (em condições históricas totalmente diferentes) devem competir como iguais. Ou seja, cada um que se vire.

Assim é também o pensamento liberal individualista em relação às mulheres. Um pensamento que vai questionar os direitos conquistados das mulheres e que impede novos avanços em defesa da mulher. Afinal, todos estamos em condições iguais: os negros, os homossexuais, as mulheres, as crianças, os anestesiados pela bebida e os espertos.

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O ARTISTA PLÁSTICO ANTONIO VERONESE REAGE À MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL O GLOBO E DIZ QUE A GRANDE REVOLUÇÃO É A DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA

A reação do artista plástico Antonio Veronese ao fato de o site do jornal O Globo ter dado no seu caderno de Cultura um espaço para contar quantas vezes as meninas se masturbaram no último BBB é precisa e lúcida na crítica que faz à televisão brasileira, à baixa qualidade do que é produzido por aqui e vendido como cultura pela coerente mídia nacional, e à decadência dos tempos atuais em comparação com anos passados.

Entre outras coisas, ele diz: “a grande revolução é a da educação e da cultura, senão, continuaremos a ser um país de terceira classe, apesar de nosso crescimento”.

Seu questionamento sobre o que é dado para o público consumir, faz lembrar uma frase de Cervantes, presente em Dom Quixote, em que o escritor não perdoa os escritos que desprezam a arte e o método, com a desculpa de que as massas leriam uma novela ou assistiriam a uma comédia apenas para entreter-se, e que as novelas deixariam de agradar a todos à medida que se tornassem mais refinadas do ponto de vista estético, e dá um recado que serviria tanto para aqueles que produzem “arte” atualmente, como para aqueles que produzem “conteúdo”, ou seja, a mídia nacional: “O problema não está no vulgo, que pede disparates, mas naqueles que não sabem representar outra coisa”.

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