Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 22 janeiro, 2012

EM ILUSÕES PERDIDAS, BALZAC JÁ TRAÇAVA UM OBSCURO E PERTURBADOR CENÁRIO DA IMPRENSA PARISIENSE

A sociedade francesa, os interesses, a vaidade máxima, a crítica mordaz, encontram-se no romance balzaciano por execelência

[…] “O jornal, em vez de ser um sacerdócio, tornou-se um meio para os partidos; e de um meio passou a ser um comércio e, como todos os comércios, não tem nem fé, nem lei. Todo jornal é, como o disse Blondet, uma loja onde se vendem ao público palavras com as cores que ele deseja. Se existisse um jornal dos corcundas, dia e noite provaria a beleza, a bondade, a necessidade dos corcundas. Um jornal não é mais feito para esclarecer, mas para adular as opiniões. Assim, todos os jornais serão em um dado tempo covardes, hipócritas, infames, mentirosos, assassinos; matarão as ideias, os sistemas, os homens, e por isso mesmo florescerão. Terão a vantagem de todos os seres pensantes: o mal estará feito sem que ninguém seja o responsável. […] Napoleão justificou esse fenômeno moral ou imoral, como desejarem, por meio de uma frase sublime, ditada por seus estudos sobre a Convenção: “Os crimes coletivos não comprometem ninguém”. O jornal pode se permitir a mais atroz conduta, ninguém sairá pessoalmente maculado. (p. 365)

“A ferida é incurável, será cada vez mais maligna, cada vez mais insolente; e quanto maior for o mal, mais ele será tolerado, até o dia em que a confusão se instalará nos jornais, pela sua abundância, como em Babilônia. Todos nós sabemos que os jornais irão mais longe que os reis em ingratidão, mais longe que o mais sujo comércio em especulações e em cálculos, que devorarão nossas inteligências vendendo-lhes todas as manhãs a sua matéria cerebral; mas ali escreveremos, à maneira daqueles que exploram uma mina de mercúrio sabendo que ali morrerão”. (p. 368)

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