Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

RETIRADA DE MORADORES DO ASSENTAMENTO PINHEIRINHO, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, É CLASSIFICADA COMO UM “MASSACRE” POR MORADORES DA REGIÃO

Clima de guerra

1,8 mil policiais estão mobilizados para retirar 9 mil pessoas que vivem no assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos há pelo menos sete anos. Na manhã desse domingo, a Polícia Militar foi autorizada a dar continuidade à ação de desocupação do local. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram utilizadas para vencer a resistência dos moradores que, segundo a PM, atearam fogo nos acessos da ocupação para dificultar a entradas dos policiais.

O clima, segundo moradores da região, é de guerra e tenso sob todos os aspectos. Segundo o jornal “O Vale”, de São José dos Campos, mais de dez pessoas já foram presas por resistirem à operação e a mídia local tem tido dificuldade em registrar a ação de desocupação já que um carro de transmissão móvel da TV Vanguarda foi incendiado.

As famílias começaram a deixar o local perto das 13h de ontem. Passaram por um centro de triagem e eram encaminhadas para casas provisórias, como mostra notícia publicada pela Carta Capital com informações da Agência Brasil. Por trás de mais esse capítulo de violência em nossas questões sociais, há o desejo dos moradores de não abandonar o local e a incrível falta de diálogo entre estes mesmos moradores e os que fazem cumprir a lei.

Vale destacar trecho da notícia publicada pela Carta Capital que mostra um pouco do que está envolvido no conflito ao dizer: “a ação cumpriu uma determinação da Justiça estadual de São Paulo em benefício da massa falida da empresa Selecta, do investidor libanês naturalizado brasileiro Naji Nahas. Os ocupantes dizem, entretanto, ter uma decisão do Tribunal Regional Federal contra a reintegração”.

O Pinheirinho existe há pelo menos sete anos e desde então se transformou em um bairro esquecido pela prefeitura. A regularização fundiária do local nunca teria acontecido por resistência dos órgãos locais, alega o Ministério Público Federal da cidade. Caso realmente ocorra a desocupação, o MPF exige da prefeitura que garantias sejam dadas aos moradores como o cadastramento em programas habitacionais em até cinco dias, alojamento temporário em condições dignas de saneamento e, em até um ano após a reintegração, um aluguel mensal às famílias que seja suficiente para imóvel do mesmo padrão.

Os moradores é que parecem não acreditar muito nessas garantias, haja vista o abandono em que viveram pelos últimos sete anos. Para todas as divergências que possam surgir, lá está a polícia paulistana, seu método, e sua incrível capacidade de argumentação.

Veja trecho de notícia na Carta Capital:

Clima de guerra na ocupação Pinheirinho
Por Redação Carta Capital

Um conflito de liminares entre as Justiças federal e estadual, na última semana, permitiu que a Polícia Militar iniciasse, na manhã deste domingo 22, a retirada de milhares de moradores que vivem no assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos.

A PM chegou ao local com a Tropa de Choque por volta das 6h – um horário, portanto, em que dificilmente os veículos de comunicação que acompanhavam o caso estariam de prontidão.

As primeiras informações chegaram pela internet. Moradores das proximidades relatavam que os policiais estavam armados e classificaram a ação como um “massacre”.

Segundo a assessoria da corporação, aproximadamente 1,8 mil policiais trabalham para retirar 9 mil pessoas que vivem há sete anos na área.

De acordo com a PM, os moradores atearam fogo nos acessos da ocupação para dificultar a entrada dos policiais. Para vencer a resistência, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Ainda segundo a PM, um homem foi ferido por um tiro de munição real disparado pela Guarda Civil Metropolitana. Ele foi encaminhado a um hospital para receber atendimento médico. Agentes da prefeitura de São José dos Campos também dão apoio a operação.

A ação cumpriu uma determinação da Justiça estadual de São Paulo em benefício da massa falida da empresa Selecta, do investidor libanês naturalizado brasileiro Naji Nahas. Os ocupantes dizem, entretanto, ter uma decisão do Tribunal Regional Federal contra a reintegração.

Segundo o jornal “O Vale”, de São José dos Campos, mais de dez pessoas foram detidas por resistirem à operação. Dois helicópteros foram utilizados na operação – um deles com câmera para filmar e fotografar a ação. (Texto completo)

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