Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 26 janeiro, 2012

SECRETÁRIA ESTADUAL DA JUSTIÇA E DA DEFESA DA CIDADANIA DISSE QUE NÃO PODE RESPONDER SOBRE A VIOLÊNCIA EM PINHEIRINHO POIS “NÃO ESTAVA LÁ PARA SABER”

Ideologia dos cumpridores da lei: uma mentira se torna verdade pelo esforço da repetição

Vale a pena a leitura deste excelente texto de Matheus Pichonelli publicado na Carta Capital que nos faz ver a situação degradante em que se encontra o aparato legal e governamental do estado de São Paulo que, vale dizer, também se estende para boa parte do país. O comportamento das autoridades paulistas em relação à desocupação de Pinheirinho, em São José dos Campos, chega ao ápice do cinismo e da hipocrisia, para não utilizar de outras palavras, e resvala em uma frieza e em um egoísmo brutais.

Mas o mais interessante é a atitude do governo e dos responsáveis por fazer cumprir a lei, como eles gostam de dizer, ao simplesmente tentar desmentir ou fingir que não existe aquilo que as câmaras de televisão e máquinas fotográficas cansaram de registrar, ou seja, toda violência e brutalidade com que a questão foi tratada. A prepotência chega a tanto que eles se julgam capazes de desafiar as leis da física, como diz o texto, isso porque a realidade é pouco demais para quem se julga acima dela.

Mas como bem respondeu a nossa secretária estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa Arruda, ela não pode dizer se houve ou não abuso na ação policial junto à população, pois ela “não estava lá para saber”. Como se vê, estamos muito bem servidos quando se trata de proteção e defesa da cidadania. Com uma secretária dessas, ninguém precisa se preocupar com os direitos humanos, eles estão mais do que resguardados.

Aliás, com um estado assim tão eficiente, que instaura a ordem, a legalidade, que faz cumprir a lei, temos que convir, estamos de fato muito bem servidos. Não precisamos de televisão, de internet, de informação, de mais nada, eles dizem o que devemos saber, eles contam a história, mesmo sem ter estado lá, como disse a secretária. Que prodígio não?!  E é claro, não respiram a fumaça das bombas de gás, não recebem as pancadas dos cacetetes, sequer derramam lágrimas. Os vencedores são altivos, não se curvam para as misérias do homem, antes de tudo está a ordem e a lei.

Veja trecho do texto:

‘Não estou lá para saber’
Por Matheus Pichonelli

O governo Alckmin só não fez chover durante a expulsão das 1,3 mil famílias do assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos. Fora este detalhe, todas as leis da ciência e da lógica foram desafiadas no episódio.

No despacho judicial que autorizou a ação militar patrocinada pelo Estado não constava a ordem “faça-se a chuva”. Mesmo assim, bastou uma canetada para provocar uma fileira com centenas de desalojados, tão comuns nessa época do ano, a estação chuvosa. As cenas pareciam repetição de tragédias naturais recentes: famílias deixando suas casas, e se abrigando em igrejas com o que conseguem carregar na enxurrada.

Coube ao governo decretar a calamidade, colocando todo seu efetivo policial nas ruas para, em tese, garantir a ordem. A ordem pelo caos. Detalhe macabro: chovia e fazia frio quando as famílias deixaram suas casas, sob o som das bombas e a sombra dos cassetetes.

E se após janeiro de 2012 os livros escolares disserem que um governo ou juiz não pode, com uma canetada, decretar uma tempestade, será bom desconfiar. Porque o excerto deverá conter um asterisco: a exceção é o estado de São Paulo.

“O que fizemos foi cumprir a lei”, saíram espalhando aos quatro ventos os responsáveis pela ação. E não houve violência policial – e desta vez quem é desafiada é a lei da física: a luz e a imagem projetada.

Porque, no discurso oficial, a lei foi cumprida e a legalidade, instaurada. E o que se vê no abrigo improvisado na igreja da cidade é tudo menos calma. E se a responsabilidade é cuidar da lei, e não de gente, soa inútil perguntar à secretária estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania se houve excesso policial, como fez o jornal Estado de S.Paulo. Se perguntar, ela te dirá: “Não estou lá para saber”.

Na mesma e inacreditável entrevista, Eloisa Arruda só faltou dizer que faltou à cena por medo de sujar o sapato na lama, tal a frieza nas respostas e o distanciamento do episódio. “Pelo que tenho conhecimento, as famílias estão alojadas e têm possibilidade de retirar pertences. Vivemos o império da lei”. E mais: “Uma ordem judicial foi cumprida e a polícia usou os recursos necessários”. (Texto completo)

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