Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Mensais: fevereiro 2012

ELE NÃO DESISTE: SERRA DIZ QUE PARTICIPARÁ DAS PRÉVIAS DO PSDB PARA A PREFEITURA DE SÃO PAULO

O persistente

O tucano José Serra parece sofrer de uma espécie de compulsão pelo poder. Depois de intensas tentativas para ser presidente da república, o que inclui, cenas e mais cenas junto ao “povo” brasileiro para passar (de forma artificual e forçada) uma imagem de homem popular que ele definitivamente não tem, o notável personagem da privataria tucana decidiu, depois de alguma enrolação, comunicar oficialmente o que muitos já sabiam: a sua pré-candidatura à prefeitura da cidade de São Paulo.

Oficialização previsível para alguém como Serra que não consegue ficar muito tempo longe do poder e das luzes ou sombras que este traz. Não é difícil chegar a essa constatação e também não é leviano fazê-la já que o comportamento de Serra em todas as disputas eleitorais em que entra já fala por si só. O tucano simplesmente não conhece limites para estar onde ele adora estar: no lugar mais alto do poder.

Foi justamente essa vontade de subir no escalão do poder que fez com que Serra simplesmente abandonasse o cargo de prefeito, como fez em 2006, para concorrer ao governo do estado. Portanto, ele terá que convencer a população de que não usará novamente o posto na prefeitura como simples plataforma para disputar outras eleições em nível estadual ou federal.

Na análise do cientista político Celso Roma em notícia publicada pela Carta Capital, a entrada de Serra na disputa dificulta as chances do PT de conquistar a prefeitura da maior cidade do país e, com isso, evitar a polarização do poder nas administrações municipal e estadual.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Serra oficializa pré-candidatura à prefeitura
Por Redação Carta Capital

O ex-governador José Serra oficializou na manhã desta segunda-feira 27, pelo seu perfil no Twitter, sua participação nas prévias do PSDB para a prefeitura da cidade de São Paulo. “Hoje comunicarei por escrito à direção do PSDB de São Paulo minha disposição de disputar a prefeitura de SP”, disse.

O fato já havia sido antecipada pelo atual governador de São Paulo Geraldo Alckmin, no domingo 26. Em reunião realizada no Palácio dos Bandeirantes , o governador avisou o secretário estadual José Aníbal (Energia) e deputado Ricardo Tripoli, pré-candidatos do partido, e pediu a eles que permitissem o adiamento das prévias – prevista inicialmente para 4 de março – para que Serra possa se inserir no processo, conforme demonstrou interesse nesta manhã: “sempre fui favorável às prévias para a escolha do candidato a prefeito do PSDB. E delas pretendo agora participar”.

Os dois pré-candidatos concordam com a entrada do ex-governador, mas discordam do adiamento da data. Tripoli argumenta que já assumiu compromissos com seus eleitores. Os pré-candidatos e secretários Bruno Covas (Meio Ambiente) e Andrea Matarazzo (Cultura) já concordaram em desistir da canditatura para apoiar Serra.

Na sexta-feira 24, Serra decidiu que queria entrar na disputa, em reunião com Alckmin e o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Há pouco tempo, o tucano havia dito que não participaria da disputa. Mas, com a possível aproximação entre o PT e PSD e a ameaça de Fernando Haddad (PT) conquistar a prefeitura da maior cidade do país, Serra sinalizou uma mudança de trajeto. (Texto completo)

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Em uma hora dessas é que perguntamos: e a inteligência jornalística? E a simples relação de causa e efeito livre de maquinações ideológicas? E a urgente regulamentação da mídia? Para onde foram?

Isso também é o jornalismo brasileiro que condena uma suposta “roubalheira”, mas não vê nada de errado com a outra. E ainda transforma uma agente comprovada dessa outra em indefesa vítima de um governo perverso.

Em relação a mais esse comentário do jornalista Boris Casoy poderíamos dizer que ele era totalmente desnecessário e resumir em uma frase a impressão que ele deixou: isto é uma vergonha!

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USP LIDERA RANKING DAS UNIVERSIDADES QUE MAIS FORMAM DOUTORES NO MUNDO, MAS BUSCA PELA QUALIDADE CONTINUA

Além da USP, UNICAMP e UNESP também aparecem bem colocadas no ranking

Os dados são do Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês) por indicadores, elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU) e pelo Instituto de Educação Superior da Universidade Jiao Tong, em Xangai, na China e mostram que em um total de 682 instituições globais, a Universidade de São Paulo (USP) é a que tem o maior número de doutorados defendidos.

A USP aparece na terceira colocação em relação à verba recebida anualmente para pesquisa e também aparece bem colocada no que diz respeito a publicações de artigos científicos e porcentagem de professores com doutorado.

Mas desafios ainda existem para que a USP seja não só a universidade que forma mais doutores no mundo, mas também a que forma os melhores doutores do mundo.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

USP é universidade que mais forma doutores no mundo
Por Elton Alisson

A Universidade de São Paulo (USP) é a universidade que mais forma doutores hoje no mundo.

A constatação é do Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês) por indicadores, elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU) e pelo Instituto de Educação Superior da Universidade Jiao Tong, em Xangai, na China. O levantamento aponta a universidade paulista como a primeira colocada em número de doutorados defendidos entre 682 instituições globais.

O ranking também indica a USP como a terceira colocada em verba anual para pesquisa, entre 637 universidades, além de a quinta em número de artigos científicos publicados, entre 1.181 instituições em todo o mundo, e a 21ª em porcentagem de professores com doutorado em um universo de 286 universidades.

Na avaliação de Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação da USP e membro do Conselho Superior da Fundação de Amparo a Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), a liderança mundial na formação de doutores, apontada pelo levantamento global, deve-se à tradição da pós-graduação da USP no Brasil.

“Nas décadas de 1970 e 1980, praticamente metade dos doutorados no Brasil eram realizados na USP, e hoje mais de 20% dos pós-graduandos no país também obtém o título de doutor aqui. Isso permitiu que a universidade se tornasse um grande centro mundial de pós-graduação, agora confirmado por esse ranking internacional”, disse Agopyan à Agência FAPESP. (Texto completo)

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MEIA-NOITE EM PARIS PODE NÃO SER O FAVORITO AO OSCAR, MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILMES QUE MAIS GEROU POLÊMICA EM 2011

Meia-Noite em Paris é mais um dos filmes de Woody Allen que deu o que falar. Para alguns, a fórmula revisitada da Cinderela foi simplista demais e mostrou um Woody Allen acomodado que, sem dúvida, poderia fazer e já fez melhor. Para outros, a proposta do filme ao realizar uma espécie de digressão rumo ao passado trazendo novamente à tona a atmosfera da Paris dos anos 20, foi como um suspiro de alívio em meio ao mundo burguês, muitas vezes sufocante, em que vivemos e, se não gerou essa consciência, proporcionou, no mínimo, uma boa dose de diversão.

Entre as críticas positivas e negativas, alguns méritos do filme não podem deixar de ser lembrados, assim como alguns detalhes que se ausentes poderiam fazer o filme melhor.

O cenário construído pelo diretor é o de um jovem escritor – Gil (Owen Wilson) – cercado por futilidades que vão desde a esposa (que ele não consegue descrever de outro modo a não ser como “gostosa”) até o marido de uma amiga que se diz “especialista” em todos os assuntos relativos a Paris. Além destes, há o sogro e a sogra que a todo momento lhe dirigem olhadelas cortantes como a repetir freneticamente “incapaz” e que, inclusive, mandam-no vigiar para ver o que o genro tanto faz nas noites em que fica andando pelas ruas de Paris.

É justamente andando pelas ruas de Paris que Gil é surpreendido, à meia-noite, por um Ford T que o leva em uma viagem à Paris dos anos 20, onde ele encontra alguns de seus ídolos da época como Dalí, Picasso, Buñuel, Scott e Zelda Fitzgerald e o escritor Ernest Hemingway. A nostalgia em relação a uma época que já passou e que não volta mais invade o personagem e é reforçada pelo ambiente cheio de futilidade e afetação com o qual ele convive durante o dia à espera de que o carro novamente volte a buscá-lo à meia-noite em ponto.

Se na Cinderela, portanto, a magia terminava à meia-noite, aqui ela começa. O filme assim vai se consturando de forma divertida, encadeando surpresas, mas, muitas vezes, é superficial e didático demais, acomodando-se em fórmulas já existentes e que poderiam ter “se deixado ousar um pouco mais”. São detalhes que fazem com que Meia-Noite em Paris não esteja entre os grandes filmes de Woody Allen, mas também são detalhes que fazem dele um momento cinematográfico extremamente agradável.

Fora o prazer e a supresa em ver surgir e em reconhecer diante da tela as personalidades artísticas com que muitos de nós convivemos em nosso dia-a-dia por meio dos seus quadros, filmes, livros e demais heranças artísticas, o filme nos lembra que as realidades mais fantásticas podem se realizar por meio da arte e que esta pode tanto nos levar ao passado, quanto nos trazer de volta ao futuro, fazendo-nos perceber em toda sua extensão e valor o tempo presente.

Tempo presente que às vezes se contamina pelo vazio, pela superficialidade, pela falta de espírito, pelos rituais burgueses de autoaclamação, pelos indivíduos insuportáveis que são sempre campeões em tudo, como já dizia Fernando Pessoa, que estão por aí cheios de certezas.

Tempo presente que às vezes pode ser dissolvido pela página de um livro – como fazia Machado de Assis com suas costumeiras digressões nas quais ele não perdoava qualquer fatia da sociedade carioca de sua época –  ou por um carro que nos faça voltar no tempo, e reside aí, em traduzir esse potencial da arte – não talvez da forma mais ousada, intensa e criativa possível – o grande mérito deste Meia Noite em Paris.

Veja trecho de uma crônica sobre o assunto, de Matheus Pichonelli, publicada na Carta Capital:

Azarão’ do Oscar é um tapa na afetação
Por Matheus Pichonelli

Imagine a cena. Toda vez que seu tio fala do quanto gastou com a reforma da casa, o cunhado volta a defender a pena de morte, a cunhada dá detalhes sobre seu mestrado em poodles anêmicos da Austrália, a irmã cita as virtudes financeiras e a viagem MA-RA-Vi-LHO-SA com o novo namorado ou a prima desembesta a narrar a próxima cirurgia plástica, um sujeito de óculos, magrelo, aparece desembestado olhando para a câmera com o polegar para trás dizendo: “deprimente, não?”.

Não sei se vocês perceberam, mas a humanidade dá cada vez mais sinais de cansaço e preguiça. Não bastassem as tragédias que temos de engolir todos os dias sobre acidentes evitáveis, guerras desnecessárias, bombardeios intencionais e cinismos publicados em Diários Oficiais, ainda temos de conviver, a poucos metros, com as ninharias mais fúteis que o ser humano pode produzir.

Nos últimos tempos, temos visto e ouvido de tudo em rodas de conversas que reúnem dois ou mais bípedes numa mesma mesa. Todos os campeões em tudo desfilam a olhos vistos como no Poema em Linha Reta do Fernando Pessoa (“Nunca conheci quem tivesse levado porrada”).

O fato é que entendo cada vez mais os adolescentes que abandonam conversas de adultos e mergulham em fones de ouvido para fugir de conversas sobre temas lamentáveis. “Rapaz, o fulano tá lavando a égua com aquela firma, viu?”; “Comprei o meu em Nova York por muito menos”; “Tá tão difícil arrumar empregada hoje em dia”; “Meu currículo fala por si só”; “Meu cartão de crédito não tem limites”; “O lugar anda muito mal frequentado”… (Texto completo)

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CASO LÚCIO FLÁVIO PINTO EXPÕE O CONFLITO DE INTERESSES ENTRE A REAL FUNÇÃO JORNALÍSTICA E O PODER DE GRUPOS ECONÔMICOS

Jornalismo x poder econômico

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos há mais de 20 anos por denunciar em sua atividade na imprensa a atividade ilegal dos grileiros na região. Recentemente, o jornalista perdeu uma ação judicial para um deles e será obrigado a pagar uma indenização de oito mil reais à família de um empreiteiro.

O crime de Lúcio Flávio Pinto na visão de quem aplica a justiça na região é, por incrível que pareça, o de dizer que um grileiro é grileiro, ou seja, que este explora de forma ilegal a floresta e conntribui para o desmatamento com destruição da fauna e flora locais. Já o grileiro, chamado com razão pelo jornalista de “pirata fundiário”, se esconde atrás desse tipo de “ofensa” para se fazer de vítima, enquanto continua se apropiando ilegalmente de territórios cada vez mais vastos da floresta.

Em episódios assim, vemos o lugar do bom jornalismo e o lugar dos interesses econômicos na sociedade atual. O primeiro está cada vez mais raro, pois faltam personalidades de coragem como Lúcio Flávio. O segundo, no entanto, deita e rola em um país onde certos grupos se dão ao luxo de comprar jornais e com isso fazer a própria notícia, manipulando a opinião pública conforme seus interesses, quando não compram a justiça e convertem-se na própria lei.

Veja trecho de notícia sobre o assunto com nota do jornalista Lúcio Flávio divulgada pelo Portal Amazônia:

Jornalista é alvo de 33 processos por denunciar grileiros
O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos judiciais há mais de 20 anos. Ele terá que pagar oito mil reais à família de um empreiteiro
Observatório da imprensa

BELÉM – O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos judiciais há mais de 20 anos. Solitário em sua busca por divulgar ações criminosas de grandes empresários no Pará, Lúcio acaba de perder uma de suas batalhas e terá de pagar oito mil reais à família de um empreiteiro, acusado de grilar cinco milhões de hectares no Estado. Seu crime: afirmar que um grileiro é, de fato, um grileiro.

Na década de 1990, Lucio Flavio participou de ação contra o empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida e que o impediu de se apropriar ilegamente de mais sete milhões de hectares (o equivalente a 8% de todo o território do Pará).

Em seu jornal, ele se referiu ao empreiteiro como “pirata fundiário”. A expressão lhe rendeu o processo, que se arrasta há mais de uma década e que teve seu final decretado, quando, no início do ano, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) negou agravo do jornalista.

Sem recursos para continuar no processo ou arcar com a indenização, restou a Lucio Flavio Pinto divulgar sua história. A partir dessa semana, foi criada na internet um movimento de solidariedade ao jornalista paraense, o que inclui um fundo para arrecadar recursos – que podem ser enviados ao Banco do Brasil, na agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2 em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista.

Além de pagar a indenização, Lucio Flávio perde a condição de réu primário e fica exposto aos outros 33 processos que acumulou em seu trajeto profissional. Entre eles, ação empreendida pelo madereiro Wandeir dos Reis Costa, depositário de árvores extraídas ilegalmente e apreendidas pelo Ibama em Altamira. Também foi processado pelos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Duarte.

Segundo o STJ, o agravo de Lucio não continha a documentação necessária. O jornalista deve recorrer. “Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniquidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime passível de punição”, afirmou o jornalista, em nota. (Texto completo)

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O cineasta Nelson Pereira dos Santos, já famoso pela sua inclinação em retratar e inspirar-se em nomes como o do escritor Jorge Amado, agora usa de toda sua sensibilidade para tentar reproduzir em filme um pouco do que foi a trajetória de um dos nomes mais expressivos de nossa música popular brasileira: Tom Jobim.

Ao lado de Ana Jobim, viúva do músico, Nelson produz um documentário onde as palavras não bastam para falar da obra musical de Jobim. Sendo assim, elas constituem um mero acessório em um roteiro basicamente montado a partir de imagens e som. Montar aliás parece ser um dos desafios propostos pelo jogo cênico do documentário.

Ao contrário do que ocorre com a maioria dos documentários, o crédito das pessoas que aparecem e das músicas que vão sendo por elas interpretadas não aparece no filme de Nelson e Ana, o espectador é convidado a adivinhar quem é quem, qual seria a época em que certa canção foi interpretada, dentre outras interrogações. E assim, a vida de Jobim vai se abrindo como um quebra-cabeça de sons e imagens, livre, dotado de sua ordem e tom natural, exatamente como suas músicas e sua história musical.

Para aqueles que gostam de informações diretas e direcionamentos claros, dados em um documentário por meio da presença de um narrador e depoimentos, por exemplo, A Música Segundo Tom Jobim, apareceria como um produto bastante aquém das expectativas. No entanto, para aqueles que apreciam as diferentes formas de contar e a exploração das possibilidades narrativas, o documentário é um presente que, inclusive, faz jus à sua proposta desde o título.

Este é claro ao dizer que a música ali será apresentada “segundo Tom Jobim”, ou seja, será ele, seus amigos e intérpretes e a paisagem do Rio de Janeiro que tanto o inspirou e que não somente se reflete na sua obra, como também é refletora desta, que dirão um pouco da vida do admirador da garota de ipanema e que, assim como ela, também deixa o mundo mais lindo e cheio de graça a cada vez que passa…

Nesse ritmo, o documentário musica a sensibilidade e, se as imagens não fossem tão belas e raras, poderíamos apenas ouvi-lo de olhos fechados, já que, como diz o maestro, “a linguagem musical basta”.

Veja o trailler do filme:

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COMPOSIÇÃO DE ALICE RUIZ NA VOZ DE ALZIRA ESPÍNDOLA E ARNALDO ANTUNES
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APESAR DOS DADOS POSITIVOS DA DENGUE ESSE ANO, SURTO DA DOENÇA AINDA AMEAÇA 91 CIDADES

Tocantins é o estado com a maior incidência de dengue: 249,4 casos para cada 100 mil pessoas. A taxa nacional é 21,2 por 100 mil

O verão, época mais favorável à proliferação do mosquito da dengue, ainda não acabou, por isso os cuidados da vigilância sanitária para evitar que os focos do mosquito se espalhem continua redobrado. E não sem motivo já que, apesar da queda no número de casos da doença e mortes registradas esse ano em comparação com o ano passado, 91 cidades ainda correm o risco de viver um surto da doença.

“A taxa superior a 300 casos por 100 mil habitantes é encarada como situação epidêmica”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha em notícia publicada pela Agência Brasil. Palmas, capital do Tocantins, é uma das cidades em estado de alerta. São 743,7 casos por grupo de 100 mil habitantes.

A maioria das cidades com risco de surto encontra-se nos estados da Bahia, Maranhão e São Paulo. Os criadouros do mosquito continuam os mesmos: recipientes e depósitos de lixo, no norte e centro-oeste, pratinhos de planta e calhas entupidas no sul e sudeste; e caixas d’água no nordeste.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Surto de dengue ainda ameaça quase 100 cidades brasileiras
Por Carolina Pimentel

Brasília – Apesar da queda do número de casos de dengue e de mortes decorrentes da doença este ano, 91 municípios ainda seguem com risco de enfrentar surto da doença até o fim do verão. Outros 265 estão em estado de alerta. Palmas, capital do Tocantins, é uma das cidades onde a quantidade de casos já indica surto da doença, segundo balanço divulgado hoje (13) pelo Ministério da Saúde.

O número de cidades com risco de surto (91) é superior à previsão divulgada pelo governo em dezembro (48). De acordo com Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde, o aumento já era esperado, pois as informações do ano passado tinham como base a pré-temporada de verão. “É natural que cresça o número de municípios por causa do clima mais propício à proliferação do mosquito”, explicou.

Das 91 cidades em risco de surto, a maioria está nos estados da Bahia, do Maranhão e de São Paulo (46). Nesses municípios, em cerca de 4% das casas e imóveis visitados pelos agentes de vigilância sanitária foram encontradas larvas do mosquito transmissor da doença.

“Como ainda estamos na metade de fevereiro, temos de manter o alerta e a mobilização, para que a gente chegue até o fim do verão [com queda de registros]”, disse Jarbas Barbosa. (Texto completo)

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Irracionalidade paulistana

Cerca de 800 mil pessoas estariam na fila por moradia popular na cidade de São Paulo, segundo dados da prefeitura municipal. Essas 800 mil pessoas ora ocupam prédios abandonados no centro da cidade, ora se instalam nas ruas, ora são depositadas em abrigos até que o poder público resolva o que fazer com elas.

As últimas ações de reintegração de posse na metrópole paulista escancararam o cenário de abandono em que essas pessoas se encontram. Expulsas de um prédio abandonado na esquina das avenidas São João e Ipiranga; e de um edifício na rua Conselheiro Nébias, as famílias acamparam durante dez dias na calçada da avenida São João até serem removidas para um abrigo do bairro do Bom Retiro, onde seriam cadastradas em programas habitacionais municipais.

No entanto, logo nos primeiros dias, a costumeira lentidão das decisões por parte do poder público fez com que as famílias novamente ficassem incertas em relação ao seu futuro e passassem a considerar a possibilidade de voltar às ruas caso nada de efetivo fosse feito em relação à sua situação.

O drama dos sem-teto paulistanos vai longe. Em notícia publicada pela Carta Maior, Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e professor-doutor em assuntos de Habitação Urbana pela FAU-USP, diz que “projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como consequência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”.

Isso acontece, segundo ele, porque não há uma política fundiária para conter a especulação imobiliária provocada por uma alta valorização da terra urbana diante de um cenário de crescimento acelerado da economia e de investimentos feitos na área imobiliária. Diante desse valorização, “as políticas habitacionais, embora com recursos, acabaram por não responder às necessidades”, diz o secretário.

Sem contar que a cidade de São Paulo vive um dilema em função do seu tamanho e da falta de terras disponíveis. Não há também uma regulamentação por parte do governo municipal do uso do solo paulistano e, com isso, o que se vê é uma cidade com milhares de prédios, apartamentos e terrenos vazios, e milhares de famílias sem ter onde morar. Fenômenos típicos da irracionalidade paulistana em toda sua fantasia de progresso e dificuldade de enfrentar o real.

Veja trecho de texto sobre o assunto:

Habitação: especulação e moradia
Grandes obras de planejamento urbano destituídas de uma política fundiária para conter a especulação imobiliária resultam na expulsão dos mais pobres. “Projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como conseqüência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”, diz Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.

Por Caio Sarack

São Paulo – O crescimento acelerado da economia e os investimentos feitos na área imobiliária, inclusive os feitos pelo governo federal para as classes de menor renda, tiveram também seu efeito colateral, segundo análise do secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Georges Bonduki, professor-doutor em assuntos de Habitação Urbana pela FAU-USP: uma alta valorização da terra urbana, que acabam provocando uma forte especulação imobiliária e anulando os efeitos de políticas habitacionais para a população de baixa renda.

“O país voltou a crescer, voltou a investir em áreas importantes, transporte e outras coisas, inclusive habitação. Urbanização das favelas é um bom exemplo. O que acabou acontecendo, no entanto, foi uma valorização exagerada da terra e as políticas habitacionais, embora com recursos, acabaram por não responder as necessidades”, afirma Bonduki.

Grandes obras de planejamento urbano destituídas de uma política fundiária para conter a especulação imobiliária resultam na expulsão dos mais pobres. “Projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como conseqüência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”, diz Nabil Bonduki. “A procura de terras por pessoas de renda mais alta, criou uma dificuldade de atender a demanda popular”, conclui.

Acontecimentos como os incêndios de favelas em São Paulo são colocados pelo professor como resultado de uma disputa por terras no mercado imobiliário. “O problema de habitação na cidade de São Paulo se agrava por conta do tamanho da cidade e indisponibilidade de terra, sem contar superaquecimento do mercado imobiliário”, afirma. Programas federais acabam não respondendo ao déficit habitacional específico da maior capital do país, pois a cidade convive com particularidades que devem ser levadas em consideração na procura de saídas.

“Por exemplo, o programa Minha Casa, Minha Vida, em outras cidades, acaba localizando os conjuntos na periferia; em São Paulo, isso fica mais difícil. Aqui tem o problema dos mananciais, das grandes distâncias e de uma disputa da terra para habitação da periferia com condomínios fechados”. (Texto completo)

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VISTAM AS MÁSCARAS, É CARNAVAL! ELIS E CHICO CANTAM NOITE DOS MASCARADOS

 

Noite dos Mascarados
Chico Buarque

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.

– Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

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SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES TEM NOVA MINISTRA, MAS QUESTÃO DO ABORTO CONTINUA SENDO UM TABU

Tarefa difícil

Um jogo de gangorra vai se desenhando entre o Executivo e o Legislativo quando o assunto é aborto. A nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, assumiu recentemente o cargo e já se encontra no meio da tempestade.

Isso por que quando o assunto é aborto, os interesses ficam cada vez mais complexos e delicados. A presidente Dilma Rousseff, que durante sua campanha eleitoral enfrentou o obscurantismo de certos setores ao falar sobre o aborto, joga a questão no colo do Legislativo, e este, por sua vez, não consegue resolver a questão, pois encontra-se sob fogo cruzado diante da bancada religiosa, que há anos trava a discussão na Casa, e das exigências feitas pelos movimentos sociais que, ao contrário desta última, querem a legalização do aborto e o seu reconhecimento enquanto um problema de saúde pública, independente de todas as questões religiosas ou morais.

Enquanto o Executivo vai se desvencilhando da questão, o obscurantismo avança. Há, inclusive, projetos que querem proibir até mesmo os casos de aborto já permitidos no Código Penal, como os casos de estupro ou que a mãe corre risco de vida com o nascimento, lembra notícia publicada pela Carta Capital. Entre esses projetos está o famoso Estatuto do Nascituro que prevê direitos legais para o ser humano que já está concebido, mas que ainda não nasceu.

Entre outros absurdos, o projeto prevê prisão de até três anos para mulheres que praticarem o aborto e, ainda tem mais, compensa a mulher vítima de agressão com uma “bolsa-estupro” de quem a violentou, paga pelo estuprador ou pelo próprio estado, caso este não seja identificado. Quanta generosidade!

O nome da nova ministra foi bem recebido por militantes feministas, mas há a percepção de que sozinha, Eleonora Menicucci não poderá fazer muita coisa. Nesse jogo entre Executivo e Legislativo o que falta mesmo é um real entendimento sobre as questões sociais brasileiras que não esteja contaminado por preconceitos históricos e ideologias vazias.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Nova ministra, velho tabu
Por Clara Roman

Mal assumiu o cargo e a nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, já foi colocada entre a cruz e a espada. De um lado, a gritaria de parte da opinião pública, representada sobretudo pela bancada religiosa do Congresso, que há anos trava a discussão sobre a descriminalização do aborto no País. De outro, a militância assídua de movimentos sociais que lutam no sentido oposto – e cobram avanços na discussão.

Ao mesmo tempo em que a presidenta Dilma Rousseff, vítima do medievalismo do debate desde a campanha eleitoral, relega o debate para o Legislativo, resoluções da sociedade civil tiradas na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, no fim de 2011, exigem uma postura do Executivo.

“Desde a primeira Conferência, a pauta da descriminalização do aborto é votada pelas mulheres como uma das diretrizes a ser implantadas”, diz Rosângela Talib, da ONG Católicas pelo direito de decidir.

Mas, desde 2005, quando a Secretaria de Políticas para as Mulheres elaborou um projeto de lei e encaminhou para o Congresso Nacional propondo a descriminalização do aborto, o governo se eximiu de novas tentativas.

“Nunca se conseguiu que o projeto avançasse lá [no Congresso]”, explica ela.

“O abortamento é uma questão de saúde pública, para além da questão ideológica e moral. Mulheres estão morrendo por fazer abortamento inseguro. Favorecer a possibilidade das mulheres continuarem vivas é uma pauta do Ministério da Saúde”, acredita Rosângela. (Texto completo)

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DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO: O HÁBITO DE LER E CONTAR HISTÓRIAS É COMO SE APOSSAR DE UM TESOURO FORMADO POR TODA CULTURA DA CIVILIZAÇÃO

Em um belo texto publicado pela Carta Fundamental, a escritora Ana Maria Machado revive um pouco de sua história e resgata suas memórias de infância para falar sobre a importância da leitura nos primeiros anos de vida. Ela revisita as rodas de família em que se liam e comentavam as histórias e mostra como elas conviviam com as brincadeiras e corridas pela praia do litoral do Espírito Santo.

Nos tempos atuais, ela reflete que as brincadeiras são as mesmas, mas surpreende-se em ver que as crianças são capazes de passar horas em frente a um videogame ou tela digital, e ainda ouvem histórias quando alguém mais velho se dispõe a contá-las.

Diante do incrível acervo de ótimas obras que compõem a literatura infantil brasileira, a escritora lembra como além de reforçar laços de afetividade, a leitura proporciona um “embasamento humanista para o futuro, paralelo à aquisição de parte de um legado cultural milenar, que constitui um tesouro das civilizações”.

Em um tempo onde as modas são passageiras e onde tudo acontece muito rápido, a leitura funda uma permanência necessária, para além da simples inserção no contemporâneo, ela escancara as portas de uma cultura milenar, construída ao longo dos anos pela humanidade e desnuda essa mesma humanidade diante de olhos ainda novos, mas que vão se imprimindo da capacidade de imaginar e de ver as coisas pela complexidade inerente a elas e não pela ótica da simplicidade que uma sociedade muitas vezes prática demais procura impôr.

As crianças precisam de ambas as experiências, lembra a escritora, aquela que exige uma resposta mais rápida e também aquela que leva à reflexão. O contato com a leitura desde cedo forma indivíduos mais criativos, como é o caso de grandes escritores lembrados por Ana – Joyce, Virginia Woolf e Ernest Hemingway que, desde cedo, leram Lewis Carroll, de Alice, Robert Louis- Stevenson, de A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, ou Mark Twain, de As Aventuras de Huck.

Hoje, com as mil e uma opções e com o fascínio da tecnologia, o papel dos pais em iniciar os filhos no universo literário é mais importante do que antigamente, “quando as crianças desenvolviam muito cedo o fôlego de leitura”, como diz Ana, mas ele pode ser exercido com o mesmo sucesso de antes e as crianças podem ler mais e melhor. Afinal, as histórias nunca morrem, basta contar e compartilhar…

“Não vivemos apenas de tecnologia de ponta e modas passageiras. Além da inserção no contemporâneo, precisamos também fincar raízes em uma linha de continuidade e ter a segurança de certa permanência, fixada na cultura da humanidade que vem sendo construída há milênios. Sentir que coisas diferentes têm ritmos diferentes. Umas exigem resposta imediata, quase automática. Outras demandam um tempo de reflexão e entendimento -para amadurecer uma reação. Precisamos de ambas as experiências. Uma alimenta a outra. E nós nos nutrimos de todas”. (Texto completo)

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QUANTA BOBAGEM: PROJETO FICHA LIMPA NADA TEM DE CLAMOR POPULAR E NEM PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, É REGRA

Ficha Limpa
Ficha Limpa é apenas uma regra

O projeto ficha limpa não tem nada a ver com clamor popular nem com presunção de inocência. É uma simples regra eleitoral que o Brasil tem o direito de experimentar e ver se funciona.

O projeto ficha limpa é muito ponderado e bastante cauteloso. O candidato só é impedido após duas condenações: em primeira instância e em órgão colegiado. Ou seja, é quase impossível que uma pessoa totalmente inocente seja condenada em duas instâncias, principalmente políticos que têm bons advogados e recursos financeiros.

A ideia de que o Supremo aprovou o projeto diante do clamor popular é uma tese esdrúxula porque não houve qualquer clamor popular. Houve sim uma mobilização popular para assinar o projeto e uma pressão via internet. Não houve nada grandioso como nas campanhas do impeachment do ex-presidente Fernando Collor ou nas Diretas Já.

Outra bobagem proferida pelos nossos mais altos magistrados foi a tese (estapafúrdia) de que a regra fere a presunção de inocência. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A presunção de inocência  não mudará em nada com a nova regra eleitoral. A situação de um indivíduo acusado e condenado será a mesma e ele poderá no futuro ser julgado inocente. A presunção de inocência está garantida no trâmite do processo na justiça.

O ficha limpa é uma regra que muitas empresas e o próprio governo utilizam, ou seja, exigem antes da contratação uma negativa de antecedentes criminais. Quantas pessoas não fazem ou fizeram isso na vida para conseguir um emprego. Aliás, o ficha limpa deveria ser estendido a todos os funcionários públicos comissionados, ou seja, aos funcionários que os políticos levam para as prefeituras e governos estaduais e federal em primeiro, segundo e terceiro escalão. Esses funcionários são muitas vezes os operadores das falcatruas e muitos já foram condenados por práticas criminosas.

Presunção de inocência se deve ter diante da justiça, mas existem regras eleitorais que são coisas totalmente distintas. Para os ministros do supremo que votaram contra a lei, sugiro contratar alguém condenado em segunda instância por estelionato para cuidar das finanças pessoais deles, só para provar a importância da presunção de inocência.

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CLIMA DE CARNAVAL: ÓTIMA REUNIÃO DE MARCHINHAS NA VOZ DE MARTINHO DA VILA

Abram alas que aí vem: Pierrô Apaixonado; A Jardineira; Mal me Quer; Florisbela; Aurora; Uma Andorinha não faz verão; Linda Lourinha; O Teu Cabelo Não Nega; Bandeira Branca; Saca Rolhas; Cachaça e Cidade Maravilhosa.

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IMPUNIDADE SE MULTIPLICA NO PAÍS ONDE A JUSTIÇA ABSOLVE CRIMINOSOS COMO DANIEL DANTAS E MANTÉM AMIZADE COM ELES

A Operação Chacal, que investigava a contratação da empresa americana Kroll pelo já tão famoso Daniel Dantas para grampear ilegalmente, terminou com a absolvição do banqueiro das acusações de formação de quadrilha pela Justiça Federal de São Paulo.

O mais impressionante em todo caso é que, como lembra o jornalista Paulo Henrique Amorim, a justiça condenou os membros de uma quadrilha, mas inocentou os mandantes. Sendo assim, a impunidade chega a casos tão singulares a ponto de se conceber que há um grupo de espionagem sem mandantes. Ora, como diz Amorim: “Espionar para quem ? Para ninguém. Espionavam por deleite”. Uma quadrilha sem chefe!

Chega-se de fato ao cúmulo da aplicação da justiça no Brasil. Como lembra o jornalista, provas não faltam no processo contra Dantas no caso Kroll e muitas outras suspeitas existem contra ele, inclusive de sua ligação com os maiores escândalos de corrupção recentes no país.

Mas de que valem as provas em um país onde os ministros da Justiça são amigos de bandidos a ponto de serem tratados carinhosamente por “Zé”? De que valem as provas no império dos advogados que vestem a lei segundo as atrações do luxo e do dinheiro? De que valem as provas em um país onde a ilegalidade está legalizada quando se trata de Dantas e outros nomes por aí?

Paulo Henrique Amorim se diz uma das vítimas da espionagem do banqueiro, que move uma ação judicial contra ele toda quarta-feira, e é taxativo ao dizer que “o Ministério Público pode não ter conseguido demonstrar que ele fazia parte da quadrilha – no papel inequívoco de mandante. E a Justiça errou”.

Veja trecho do texto:

Kroll: Eu acuso Daniel Dantas
Por Paulo Henrique Amorim

A Justiça Federal de São Paulo absolveu Daniel Dantas da acusação de formação de quadrilha, no âmbito da Operação Chacal, que investigou como Daniel Dantas contratou a empresa americana Kroll para grampear ilegalmente (leia mais AQUI).

A Dra Cecíclia Melo, da Justiça de São Paulo, foi quem desbastou as acusações contra Dantas e deixou essa última – formação de quadrilha – para ser agora, provisoriamente, encerrada.

A Dra Melo chegou a desconsiderar a confissão de uma testemunha-chave, que confessou ter mentido – pago – para tirar Dantas ou um enviado especial da casa de um espião/grampeador.

É uma decisão singular: são condenados os membros de uma quadrilha que espionava e não há mandantes.

Espionar para quem ?

Para ninguém.

Espionavam por deleite.

Por voyeurismo, como os espectadores do BBB.

Navalha

Eu, Paulo Henrique Amorim, cidadão de uma República, jornalista e pai de família, acuso Daniel Dantas de me grampear.

Entre outros crimes.

Conheço essa história na palma da mão.

Fui testemunha de acusação contra Dantas no processo da Kroll.

Estive na mesma sala em que se encontravam dezenas de advogados dele, notadamente Varões da Advocacia Brasileira, como Wilson Mirza e Nélio Machado.

Conheço o coronel da PM de São Paulo contratado para me espionar.

Conheço o espião/trapalhão israelense que fazia lista por escrito dos clientes e serviços prestados – e que a Justiça parece não ter lido.

Conheço o parente de Dantas que foi à casa do espião/trapalhão acertar o negócio em nome de Dantas.

E ele sabe que o conheço muito bem.

Conheço tudo desse mar de lama.

Dantas me grampeou.

Grampeou uma ligação minha com o empresário Antoninho Marmo Trevisan.

Conhece a minha dieta.

Meus horários.

Meus amigos mais diletos, como Mino Carta.

Espionou membros de minha família.

Grampeou minha filha, enquanto estava noiva.

A Polícia Federal pode não ter conseguido filmar com foco o encontro do parente de Dantas com o espião/trapalhão. (Texto completo)

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Greve da PM na Bahia já terminou, mas persiste o desafio de saber escolher em uma democracia

As recentes manifestações de policiais militares e bombeiros em Salvador e no Rio de Janeiro provocaram diversas discussões a respeito da legitimidade ou não dos movimentos, principalmente, depois de declarações da presidente Dilma Rousseff a respeito da greve dos policiais militares na Bahia.

Notícia publicada pela Agência Brasil mostra duas opiniões diferentes sobre as manifestações. Uma delas vem do especialista em segurança pública Nelson Gonçalves, professor da Universidade Católica de Brasilia (UCB). Ele declarou que a greve dos policiais e bombeiros é ilegítima e usou como argumento a própria Constituição Federal que em seu Artigo 142 proíbe a greve de militares.

Nelson reconheceu que as aspirações por melhores salários e condições de trabalho são totalmente válidas para qualquer categoria, no entanto, o problema segundo ele está justamente no modo como as manifestações dos policiais e bombeiros têm sido feitas, isso porque policiais e bombeiros são profissionais da segurança pública e, como tal, são necessários à sociedade como um todo.

Vale o mesmo para profissionais da educação e da saúde, por exemplo. Quando qualquer um desse setores para, os efeitos são rapidamente sentidos pela população. Sendo assim, visto nesses termos, não é que os policiais estejam errados em lutar pelos seus direitos, mas, dentro dos limites da sua profissão, eles devem no mínimo respeitar as formas de fazê-lo. Cometer crimes, praticar atos de violência e expor inocentes talvez não seja a melhor forma de uma categoria responsável justamente por garantir a segurança da população se manifestar.

Já o sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa considera o movimento legítimo e diz que ele já era previsto e que cabe agora aos estados e à União encontrar os meios necessários, inclusive no Orçamento, para conceder “um salário mais digno” aos policiais militares e bombeiros.

De fato, salário digno e melhores condições de trabalho, inclusive com cursos e demais meios de qualificação são direitos legítimos de todo profissional e o direito de se manifestar também é legítimo em uma democracia, mas, justamente por estarmos em uma democracia, há diferentes formas de fazê-lo que não passam necessariamente pela opção da violência.

E quanto ao argumento de que violências muito maiores já foram permitidas como meio de manifestação na história brasileira e hoje são até anistiadas, vale lembrar que, naquela época, simplesmente não havia liberdade, o regime era de exceção. Em uma ditadura, onde praticamente só há violência em todos os sentidos, não há tantas formas de lutar.

Hoje, como dito, os tempos são de democracia, existe a possibilidade de diálogo e, o que está em jogo mais do que nunca, é a capacidade de decidir e saber usar dessa liberdade conquistada não com tanta facilidade.
Mas é aí que o peso da liberdade começa a ser sentido por aqueles que não sabem conviver com ela, tampouco compreender seu sentido. E isso vale tanto para quem não sabe lutar por seus direitos, como para quem não sabe reconhecê-los, lados impossíveis mais uma vez.

Veja trecho da notícia:

Movimentos grevistas de policiais e bombeiros dividem opiniões
Por Marcos Chagas

Brasília – O especialista em segurança pública Nelson Gonçalves, professor da Universidade Católica de Brasilia (UCB), disse que os movimentos grevistas dos policiais militares e bombeiros são “ilegítimos, a começar pelo que estabelece a Constituição Federal”. Ele ressaltou que os policiais militares incluem-se no Artigo 142 da Constituição que proíbe a greve de militares.

“Isso não quer dizer que as aspirações por melhores salários e dignidade no trabalho não sejam legítimas. Agora, o modo como elas vêm sendo feitas é ilegítimo”, destacou o especialista.

O professor lembrou que greves em setores como segurança pública, educação e saúde sempre produzem reflexos prejudiciais à população. Ele reconheceu que essas áreas da administração pública necessitam de legislação especial.

O sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa tem opinião diferente. Para ele, as greves dos policiais militares e bombeiros do Maranhão, da Bahia e do Rio de Janeiro foram legítimas e até mesmo previsíveis desde 2011. Ele disse que houve um “planejamento” dessas ações desde as manifestações da categoria nas dependências do Congresso Nacional para pressionar os deputados a votar a chamada PEC 300, proposta de emenda à Constituição que prevê um piso salarial único para policiais militares e bombeiros. (Texto completo)

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"Hélio Costa renascido"

Em ótimo texto, o colunista da Carta Capital Leandro Fortes compara o atual ministro Paulo Bernardo a um “Hélio Costa renascido, mas sem a vasta e grisalha cabeleira global”. Isso porque Paulo Bernardo simplesmente tem apoiado todas as demandas dos oligopólios midiáticos, travando o debate em torno da “regulação de conteúdo”, à qual ele se disse contrário, e dando atenção a discussões como controlar capital estrangeiro em sites jornalísticos na internet.

Sobre o assunto que realmente importa, a questão da propriedade cruzada de veículos de comunicação, o ministro simplesmente não se manifesta. Vale lembrar que é a propriedade cruzada que sustenta os conglomerados midiáticos, impondo uma espécie de ditadura da baixa qualidade e baixa diversidade da programação disfarçada de liberdade de imprensa e expressão. O mesmo acontece com a regulação de conteúdo que é tratada de forma enviesada, como lembra Leandro Fortes, de modo a se confundir com censura.

Quanto à questão de controlar o capital estrangeiro na rede, é uma discussão que beira a piada segundo Fortes. “A internet é universal e transnacional por natureza”, lembra o jornalista. Enquanto o ministro Paulo Bernardo perde tempo (ou ganha) com questões tão desimportantes e mirabolantes, o verdadeiro debate em torno das reais mudanças que já deveriam ter sido feitas há muito tempo nas comunicações nacionais vai se convertendo em uma miragem.

Ao invés de prestar atenção nas telefônicas que, como ressalta Fortes, têm dinheiro e condição para criar uma nova política de conteúdo na rede e são, por isso, o grande fantasma dos oligopólios, o Congresso insiste em fazer a vontade dos barões da mídia. É, quando se acostuma a obedecer, fica difícil mandar…

Veja trecho do texto:

Paulo Bernardo também cede às pressões dos barões da mídia
Por Leandro Fortes

O ministro Paulo Bernardo, ao que parece, é o ministro Hélio Costa renascido, mas sem a vasta e grisalha cabeleira global. Apóia todas as demandas dos oligopólios, desde o impedimento de “regulação de conteúdo”, à esparrela de controlar capital estrangeiro em sites jornalísticos na internet. Nem uma palavra sobre a única questão que realmente interessa nessa discussão, que é a proibição, pura e simples, da propriedade cruzada.

Esse sistema, pilar do poder dos conglomerados de comunicação do país, permite às organizações de mídia controlar jornais, rádios, TVs e portais de internet, tudo ao mesmo tempo. Sistema que coíbe a concorrência, impõe pensamento único, cala as divergências e torna invisíveis os movimentos sociais e populares. É uma ditadura, curiosamente, consolidada sob o refúgio de uma falsa liberdade de imprensa e de expressão – dois conceitos diferentes, mas deliberadamente misturados para interditar essa discussão.

O próprio conceito de “regulação de conteúdo” é colocado de forma enviesada, de maneira a se confundir com censura, inclusive de veículos impressos e de internet, quando, na verdade, diz respeito apenas às concessões de radiodifusão. Sequer se trata de censura prévia, mas de normatização de um espaço público dominado, atualmente, pela baixaria e pela manipulação informativa. Sem falar na questão da classificação de horário por faixa etária, da qual o governo Lula, depois de fazer um longo estudo, abriu mão por pressão das grandes emissoras de TV. (Texto completo)

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HOLLYWOOD ESTARIA VIVENDO NOSTALGIA DO SILÊNCIO COM AUMENTO DE PROJETOS DE CINEMA E TEATRO INSPIRADOS NA ERA MUDA

Cena de O Artista - "nostalgia do silêncio"

Processos silenciosos permitem ao indivíduo perceber a si mesmo e o mundo ao seu redor. O silêncio sempre foi bastante explorado pelos filmes de arte e foi durante muito tempo o principal material do cinema com os filmes mudos. É interessante perceber como atualmente, em uma época onde os efeitos especiais e a exploração sonora de todos os tipos e em diversos níveis é tão expressiva, o silêncio volta a ganhar espaço juntamente com os roteiros que abordam histórias pessoais.

As biografias silenciosas estão em alta em Hollywood que viveria uma espécie de nostalgia da era muda, segundo reportagem do The Observer publicada pela Carta Capital. Tudo teria começado com o sucesso do filme mudo O Artista, que promete ser uma das surpresas do Oscar para esse ano. O filme se passa na Hollywood dos anos 20, e conta a história de George Valentin (Jean Dujardin), uma das maiores estrelas do cinema mudo.

A partir daí, uma série de produções não só de filmes mudos, como também de peças de teatro e filmes que homenageiam as estrelas da época passaram a surgir, como um musical baseado na vida de Charles Chaplin, que estreará na Broadway este ano e um filme baseado no astro romântico da era silenciosa Rudolph Valentino e que se concentra na morte precoce do ator, aos 31 anos.

O filme revela que o astro apenas compreende sua vida através de uma sequência silenciosa e onírica em que tem fama e glória, mas é privado das coisas mais prezadas na vida. Tem-se assim a combinação entre silêncio e percepção pessoal, entre silêncio e limite ou ponto chave da existência.

E é essa a receita que tem feito sucesso: a inspiração na era muda somada a uma boa história, por isso, críticos e comentadores de cinema norte-americanos dizem que não se surpreenderiam se muitos filmes baseados na vida de Chaplin não começassem a surgir por aí. Explorar as potencialidades do silêncio e das boas histórias parece ser, neste sentido, a grande lição que O Artista dá ao cinema contemporâneo.

Veja texto completo aqui.

E trecho com o trailer de Os Artistas:

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EM COMEMORAÇÃO AOS 90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922, TARSILA DO AMARAL GANHA MOSTRA NO RIO DE JANEIRO

Depois de 43 anos, o Rio de Janeiro recebe uma exposição individual de um dos nomes mais importantes da Semana de Arte Moderna de 1922 que está completando 90 anos: a pintora Tarsila do Amaral. E Tarsila, a pintora de formas inusitadas e peculiares, cores vibrantes e forte sensibilidade para retratar o Brasil e o povo brasileiro, aparece de forma intimista, em uma espécie de conexão entre sua arte e sua vida pessoal.

Isso porque a exposição Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo que acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, de 14 de fevereiro a 29 de abril, foi pensada a partir da descoberta de seu Diário de Viagens o que permitiu reunir cerca de 80 obras, entre pinturas, desenhos, objetos e até gravuras capazes de traçar um contorno emocional com a “caipirinha vestida por Poiret”, como a chamava Oswald de Andrade e assim não só a obra, como também os traços de uma personalidade marcante da história nacional poderão ser revisitados.

O Theatro Municipal de São Paulo também revisita as origens do Movimento de 1922, que começou justamente naquele palco, com apresentações de música e dança entre 15 e 26 de fevereiro.

Vi na edição de fevereiro da revista Cult.

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A luta pelos direitos e proteção às mulheres vai se consolidando a cada dia. O recente reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade da Lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra a violência e prevê punições aos agressores, é mais um passo importante dessa trajetória.

Junto com o reconhecimento da validade da Lei, o Supremo também aperfeiçoou o seu texto ao determinar que o agressor pode ser punido mesmo que a vítima não apresente queixa contra ele. Este é um avanço bastante significativo já que muitas mulheres não denunciam seus agressores por medo, vergonha ou qualquer outro tipo de constrangimento e passam meses ou anos perpetuando a situação de agressão.

Como diz notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior, o cerco à violência contra a mulher vem se fortaleçendo a cada dia e as políticas públicas do governo estão enfim se voltando de forma efetiva para a questão. Inclusive, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), composta por deputados e senadores (a grande maioria, é de mulheres), foi instalada no Congresso para investigar as razões do não cumprimento da Lei.

A CPMI não visa trazer à tona mais denúncias e sim tentar descobrir por que as instituições responsáveis – como tribunais, delegacias e abrigos – não conseguem fazer com que a Lei Maria da Penha funcione. As raízes da impunidade no que diz respeito aos crimes contra a mulher começam assim a ser desenterradas, raízes essas que, por sua vez, estão sustentadas por uma cultura marcadamente machista, fruto de uma herança patriarcal que silenciou e subjugou as mulheres durante séculos. Mas a mudança já começa a se anunciar…

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Governo, Supremo e Congresso cercam violência contra mulher
Em três dias, três vitórias da Lei Maria da Penha. Supremo Tribunal Federal decide que é constitucional e pode ser aplicada contra agressor mesmo sem queixa da vítima. Congresso instala CPI de deputados e senadores para investigar descumprimento da legislação. Nova ministra das Mulheres assume dando prioridade zero ao combate à violência de gênero.

Por Najla Passos

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, em julgamento nesta quinta-feira (9), que a lei Maria da Penha, que protege mulheres contra violência e pune os agressores, é constitucional, ou seja, tem validade e deve ser aplicada. E mais: ao examinar um ponto específico da lei, decidiu retirá-lo do texto, por 10 votos a um, para que o autor da agressão seja processado mesmo que a vítima não peste queixa contra ele.

A sentença da corte máxima do país ajuda a compor uma espécie de “cerco” à violência contra as mulheres levado adiante esta semana.

No governo, a nova ministra-chefe de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, que toma posse nesta sexta-feira (10), anunciou prioridade zero para a aplicação efetiva da lei Maria da Penha, em entrevista na última terça-feira (8). “O pacto de não violência contra a mulher tem que ser ampliado para estados e municípios. Falta segurança pública”, criticara Eleonora.

No Congresso, foi instalada nesta quinta-feira uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), composta por deputados e senadores (a grande maioria, é de mulheres), para investigar as razões do não cumprimento da Lei. A CPMI será presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) e terá relatoria da senadora Ana Rita (PT-ES) será a relatora.

Para Jô Moraes, os índices alarmantes de violência contra a mulher, no Brasil, já são conhecidos de todos. “O foco da CPMI não é levantar dados ou fazer novas denúncias, mas investigar porque as instituições responsáveis – como tribunais, delegacias e abrigos – não conseguem fazer com que a Lei Maria da Penha funcione”, disse à Carta Maior. A deputada acompanhou o julgamento do STF nesta quinta-feira. (Texto completo)

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DILMA NÃO CONCORDA COM ANISTIA PARA POLICIAIS QUE COMETERAM CRIMES DURANTE A PARALISAÇÃO EM SALVADOR, “AÍ VIRA UM PAÍS SEM REGRA”, DISSE A PRESIDENTE

Os PMs grevistas deixaram a assembleia legislativa e agora discutem as próximas ações em um ginásio, no centro de Salvador

Em visita ao nordeste para vistoriar as duas maiores obras de infraestrutura da região: a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, a presidente Dilma Rousseff deu sua primeira declaração sobre a greve dos policiais militares da Bahia que já tem mais de dez dias e nenhum acordo em vista.

O episódio, que já envolveu violência e abusos de todos os tipos, parece estar longe de acabar. Isso porque uma das exigências dos policiais amotinados, como já divulgamos aqui no Educação Política, é que os líderes do movimento sejam perdoados de eventuais crimes cometidos durante a paralisação. No entanto, a própria presidente Dilma foi incisiva ao afirmar que o direito de manifestação e greve de qualquer categoria é totalmente legítimo, mas esse direito não justifica que crimes sejam cometidos impunemente.

No caso dos policiais baianos, alguns deles são acusados de formação de quadrilha, incitação ao crime e depredação de patrimônio público, entre outros delitos, como mostra notícia publicada pela Agência Brasil, sendo assim, a presidente considera inadmissível a possibilidade de anistia a esses policiais. “Se você anistiar, aí vira um país sem regra”, disse a presidente.

Tudo isso parece indicar que os lados impossíveis do nosso país, na maioria das vezes, alimentados pela violência e falta de diálogo, estão cada vez mais distantes de um real acordo. Anistiar a violência não faz mesmo sentido, muito menos em um contexto democrático, o problema é encontrar um lugar ou discurso na cena nacional onde ela ainda não esteja impregnada.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

“Estarrecida” com gravações, Dilma diz que anistia a PMs criará “país sem regras”
Por Luana Lourenço

Brasília – Na primeira declaração sobre a greve de policiais militares da Bahia, que entrou hoje (9) no décimo dia, a presidenta Dilma Rousseff disse que respeita as reivindicações da corporação, mas não concorda com anistia para policiais que cometeram crimes durante a paralisação. Ela foi incisiva ao dizer que “crimes contra o patrimônio, contra as pessoas e contra a ordem pública não podem ser anistiados. Se anistiar, vira um país sem regras”.

“Não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com uma democracia. Eu não considero que o aumento de homicídios na rua, queima de ônibus, entrar encapuzados em ônibus, seja a forma correta de conduzir o movimento.” A presidenta disse que ficou “estarrecida” com as gravações telefônicas divulgadas ontem (8), pela TV, que revelam conversas de líderes dos policiais e bombeiros baianos no sentido de radicalizar o movimento, estendendo-o, inclusive, para outros estados.

As declarações da presidenta foram dadas durante visita a obras da Ferrovia Transnordestina, no município pernambucano de Parnamirim.

Dilma disse que respeita “democraticamente os movimentos e suas reivindicações”, mas não considera admissível anistiar quem comete crimes durante uma greve, caso de alguns policiais militares baianos que estão sendo acusados de formação de quadrilha, incitação ao crime e depredação de patrimônio público, entre outros delitos.

“Vai chegar um momento em que vão anistiar antes do processo grevista começar. Eu não concordo com isso. Por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm de ser presas, nem condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública, não podem ser anistiados. Se você anistiar, aí vira um país sem regra”. (Texto completo)

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AO CONTRÁRIO DO QUE BOA PARTE DA MÍDIA VEM DIVULGANDO, PT NÃO ESTARIA INICIANDO UMA NOVA ERA DE PRIVATIZAÇÕES COM A CONCESSÃO DE AEROPORTOS, DIZ ESPECIALISTA
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O aeroporto de Viracopos está entre os que participaram das concessões

A recente concessão de aeroportos brasileiros à iniciativa privada pelo governo Dilma já provocou certo rebuliço na imprensa e na cena política nacional. O discurso propagado foi o de que a era das privatizações de FHC estaria de volta e de que o PT, até então tão crítico ao processo de privatização, teria enfim cedido à política de desestatização.

É importante perceber, no entanto, a diferença que existe entre o processo de privatização ocorrido durante o governo FHC e as recentes concessões de aeroportos feitas pelo governo Dilma. Em notícia publicada pela Carta Capital, Gilson de Lima Garafalo, professor dos cursos de economia da Universidade de São Paulo (USP) e da PUC-SP, enfatizou a diferença existente nos dois processos, reforçando o fato de que a “transferência dos aeroportos foi feita por meio de concessões – a empresa não é vendida, mas “emprestada” por um período de tempo”, diz ele.

O governo, neste sentido, continua sendo o “dono do negócio” e passa a ter maior possibilidade de fiscalização, apenas a administração é repassada aos compradores. O modelo das concessões também teria evitado as demissões em massa que sempre acompanham processos de privatização.

Além disso, o empréstimo dos aeroportos à iniciativa privada se justificaria, segundo ele, no contexto atual em que o Brasil se prepara para sediar um evento mundial como a Copa do Mundo de 2014. Repassados a empresas privadas, as obras essenciais que precisam ser feitas nos terminais aéreos sairiam do papel com mais facilidade já que a concessão desburocratiza a execução dessas mesmas obras por dispensar o processo de licitações e concorrência para a contratação, além de outros entraves da administração pública.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

A volta das privatizações?
Por Clara Roman

A impressão dos jornais, colunas e especialistas depois dos leilões que concederam três dos maiores aeroportos brasileiros à iniciativa privada é de que, depois de anos de oposição ferrenha ao processo de desestatização nos governo Collor e Fernando Henrique Cardoso, o PT cedeu e iniciou uma nova era das privatizações. No Twitter, Elena Landau, presidente do BNDES no governo FHC comemorou a “vitória”: “Hoje é dia muito importante: o debate sobre privatizações se encerrou… e nós ganhamos”. Pouco depois, satirizou a presidenta: “Hoje me aposento e passo o bastão: Dilma é a nova musa das privatizações”.

“O PT privatizou”, “A privatização está de volta” “O PT mudou”. Esse era o tom geral das manchetes e artigos nos jornais da terça-feira. Os sindicalistas do PSDB fizeram questão de aplaudir Dilma.

“A privatização promovida pelo governo Dilma demonstra, na opinião do Núcleo Sindical do PSDB-SP, que houve amadurecimento na mentalidade estatizante que o partido da presidente pregava nos anos 90″, declararam em nota.

No leilão na bolsa de valores de São Paulo, na segunda-feira 6, o aeroporto de Guarulhos foi adquirido pelo consórcio da Invepar (formada pelas empresas de fundo de pensão Previ, Funcef e Petros), a construtora OAS e a operadora estatal sul-africana ACSA, com lance de 16,21 bilhões e ágio de 373,5%.

O aeroporto Juscelino Kubitschek em Brasília, principal centro de distribuição de voos no Brasil, foi concedido ao consórcio Inframerica, das empresas Infravix e a argentina Corporación America, com lance de 4,5 bilhões e ágio surpreendente de 673%. Viracopos, de Campinas, ficou com a Triunfo e a francesa Égis, que administra 11 aeroportos em países africanos. (Texto completo)

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CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO
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CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO

Exército faz a proteção de crianças liberadas pelos grevistas

A Assembleia Legislativa da Bahia está ocupada por policiais militares em greve desde o último dia 31 de janeiro, terça-feira, em Salvador. A estimativa é de que cerca de 800 pessoas estejam no prédio, segundo notícia divulgada pela Agência Brasil, incluindo mulheres e crianças que seriam parentes dos amotinados.

O local segue cercado por homens do Exército, da Força Nacional e PMs de batalhões que não aderiram ao movimento. Aos poucos, o desenho que se vê é o de uma verdadeira arena de guerra, onde a falta de diálogo é gritante. Os capítulos do episódio só revelam que a tensão entre os grupos aumenta cada vez mais, os interesses intensificam o conflito e no meio do tiroteio estão cerca de 150 crianças que acabam servindo de escudo, amortecendo o choque entre os grupos.

Os militares já tentaram invadir o prédio, depois optaram por isolar o local e agora mantêm o cerco enquanto as difíceis negociações entre governo e grevistas acontecem. A rotina dos moradores de Salvador foi bastante alterada diante do cenário de instabilidade em que mergulhou a cidade e é lamentável, para dizer o mínimo, que tal situação esteja se estendendo por tantos dias.

Agora, a possibilidade de um acordo entre o governo e os grevistas é a expectativa para o fim da paralisação. A principal exigência dos policiais é que os líderes do movimento não sejam punidos, além do pagamento de gratificações aos policiais militares acordadas em 2001, ainda no governo de Paulo Souto.

Mais uma vez, vemos, na história nacional, repetir-se a mesma cena de um exército cercando um grupo de “revoltosos”, mulheres e crianças. Mais uma vez,  a deficiência brasileira em lidar com o social e sua incrível inclinação para a violência ficam evidentes. Mais do que um lado certo e outro errado, toda a situação em Salvador nos revela lados impossíveis, afastados pela falta de um verdadeiro entendimento de si e do outro.

Veja trecho de um dos últimos textos sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

Reunião entre grevistas e governo da Bahia pode pôr fim à paralisação dos policiais militares
Por Luciana Lima

Salvador – Um acordo para encerrar a paralisação dos policiais militares na Bahia deve sair da reunião entre associações que representam os grevistas e o governo estadual, que está sendo realizada nesta tarde com a presença do arcebispo de Salvador, Murilo Krieger. A expectativa é da assessoria do governo da Bahia.

O principal ponto da negociação refere-se à punição dos policiais grevistas. Em entrevistas às emissoras de rádio e de televisão locais, o governador Jaques Wagner tem garantido que não irá punir quem participou da greve de forma pacífica, mas os policiais envolvidos em atos de vandalismo serão processados. O governador não deixou claro, no entanto, se os líderes do movimento serão anistiados, já que a greve foi considerada ilegal pela Justiça.

Ontem, após o Exército cercar um grupo de policiais amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia, os líderes da greve disseram aos políticos que entraram no prédio que o principal ponto de resistência ao acordo seriam os mandados de prisão expedidos pela Justiça para 12 líderes do movimento. No entanto, a suspensão desses mandados cabe apenas à Justiça, e não ao governador. Mesmo assim, o governo da Bahia adotou hoje a postura de amenizar o clima de tensão que tomou conta da cidade nos últimos dias.

Dos 12 mandados de prisão, foi cumprido apenas o do soldado Alvir dos Santos, do Batalhão de Policiamento Ambiental. O líder do movimento, Marco Prisco, que estaria dentro do prédio da Assembleia, também está com a prisão determinada pela Justiça. (Texto completo)

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Síntese do Brasil

Vale a pena a leitura de entrevista concedida pelo ex-secretário de justiça do governo Dilma e professor de direito penal e de violência e crimes urbanos na Fundação Getulio Vargas (RJ), Pedro Abramovay. Pedro saiu da secretaria ao defender o fim da prisão para pequenos traficantes, o que o fez bater de frente com o ministro José Eduardo Cardozo.

Sobre a polêmica envolvendo a ação do governo paulista por meio da polícia militar na região da cracolândia, no centro de São Paulo, Pedro mantém o mesmo perfil de pensamento que o fez deixar o cargo de secretário da justiça: o de ver a questão das drogas e do crack, em especial, não sob a ótica autoritária, excludente e repressiva, mas percebendo-o como um problema de saúde pública.

Em uma entrevista lúcida e precisa, Pedro afirma que a ação do governo de São Paulo na cracolância foi como “enxugar gelo”, já que ao eleger a polícia como ator principal, impede-se a ação de agentes de saúde e assistentes sociais. Segundo Pedro, o governo agiu desprezando o exemplo de políticas internacionais de combate à droga – que mostraram que o foco no usuário e no pequeno traficante é completamente equivocado – servindo a interesses políticos e reafirmando o seu método excludente que quer revitalizar o centro de São Paulo “internando a pobreza”, arrastando-a para debaixo do tapete.

A questão do combate ao crack, como ele mostra, é complexa e, para ganhar legitimidade junto à população o governo prefere respostas imediatistas que revelam apenas indicadores de processo, ou seja, quantidade de drogas apreendidas, número de presos e até de mortos, mas não o cumprimento de um real objetivo como a diminuição da violência e do consumo.

Ilustração da versão em quadrinhos feita pelos irmãos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel para "O alienista", de Machado de Assis

Para enfrentar o crack o ex-secretário vai contra políticas de internamento compulsório a não ser em casos excepcionais onde ele realmente seja necessário. A política de internamento como ele lembra, pode se transformar em uma política de internação da pobreza em que todos acabam dentro da Casa Verde, como no conto O Alienista, de Machado de Assis.

Pedro não vê conflito entre o debate sobre a descriminalização da maconha e o problema do crack, mesmo porque, como ele lembra, quando as drogas são legalizadas a implementação de políticas públicas para combatê-las se dá com mais facilidade e aí sim resultados expressivos na diminução de consumo e violência podem aparecer.

De forma resumida, a entrevista revela sob todos os pontos de vista que a repressão nunca é a solução para problema algum, sempre existe uma porta de saída, outra alternativa que se mostra viável e que dá resultados com o passar do tempo. O exemplo de Portugal e outros países que adotaram ações alternativas e com foco em políticas públicas comunitárias está aí para comprovar.

Se elegermos a repressão, “ao invés de retirarmos a droga da vida da pessoa, é a pessoa que será retirada de sua própria vida”, como diz Pedro, sendo trancafiada em “casas verdes”, como escreveu Machado, ou em clínicas espalhadas pelo país que tratam a questão das drogas e dos problemas mentais como qualquer outra coisa, menos como um problema de saúde que deve ser encarado do ponto de vista científico e social.

O crack é delicado, pois sintetiza como poucos fenômenos brasileiros todas as nossas mazelas sociais: violência, pobreza, exclusão. O crack explica o Brasil, por isso, não é para principiantes.

Veja trecho da entrevista:

Crack e tabu
Ex-secretário de Justiça do governo Dilma, Pedro Abramovay critica a ação do governo de São Paulo na cracolândia
Por Marcos Flamínio Peres

CULT – Como avalia a recente ação do Estado na cracolândia, em São Paulo?

Pedro Abramovay – Ela cometeu erros muito graves. O principal deles foi a utilização da polícia como principal instrumento. Qualquer política pública tem que estabelecer seu objetivo de maneira clara, seja porque é a única maneira de haver políticas eficientes, seja porque só assim a população pode compreender e avaliar o que o poder público está fazendo.

Qual é o objetivo da polícia na cracolândia? Lidar com o problema do crack? Garantir a segurança dos comerciantes da região? Revitalizar o centro? Pelas declarações das autoridades, não dá para compreender, pois todas essas justificativas se misturam. E as ações, na verdade, não enfrentaram nenhum desses problemas.

Do ponto de vista da segurança pública, a ação é um erro porque as experiências internacionais mostram que o foco no usuário e no pequeno traficante é completamente equivocado – não diminui a violência ligada ao tráfico e muito menos a oferta de drogas. É um trabalho de enxugar gelo; mas não é inócuo, pois causa danos à possibilidade de tratar o tema pelo lado da saúde pública.

Do ponto de vista da política de drogas, também é um desastre. Afinal, a ação que tem a polícia como principal ator impede a abordagem de agentes de saúde e assistentes sociais.

Houve uso político do episódio, em razão das eleições municipais deste ano?

Isso sempre acontece quando se fala de política sobre drogas, pois os políticos sabem que qualquer posição dura contra elas traz dividendos. Mesmo que seja ineficiente e provoque sérios danos às pessoas.

A ação também poder ter sido motivada por pressão de setores interessados na valorização imobiliária da região, que vem sendo chamada pelo poder público de “Nova Luz”?

Certamente. Há e sempre houve um debate sobre o centro de São Paulo, entre aqueles que acreditam que sua revitalização passa pela expulsão de toda a população de baixa renda da região e aqueles que defendem que é possível revitalizá-lo com essas pessoas, de forma inclusiva.

A atual gestão da prefeitura, desde o governo Serra, tem uma posição muito clara de promover políticas de urbanização excludentes. E a ação na cracolândia é absolutamente coerente com essa postura. (Texto completo)

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AÇÃO DA POLÍCIA MILITAR NA CRACOLÂNDIA É VISTA POR ESPECIALISTAS COMO “HIGIENISTA”, DESPREZANDO A QUESTÃO SOCIAL E DE SAÚDE PÚBLICA
GOVERNO DILMA PRETENDE IMPLANTAR POLÍTICA AMPLA DE COMBATE AO CRACK
SEGUNDO LEVANTAMENTO DA ALESP, CRACK JÁ É A SEGUNDA DROGA MAIS CONSUMIDA DO ESTADO, FICANDO ATRÁS APENAS DO ÁLCOOL

O DINHEIRO DO SUS (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE) ESTÁ INDO PARA O RALO DA FOLHA DE PAGAMENTO DO PODER JUDICIÁRIO

A folha de pagamento do poder judiciário chega a ter funcionários que recebem até R$ 400 mil em um mês, além de auxílio-tablets, como no Tribunal de Justiça de São Paulo.

A folha de pagamento do poder judiciário abaixo somados chega a estratosférica quantia de R$ 23 bilhões, segundo levantamento do Estadão.  Isso mesmo, R$ 23 bilhões!!!

Se a justiça fizesse um pouquinho de economia e, de quebra, um pouquinho de justiça, mesmo pagando altos salários, poderia economizar com folga R$ 10 bilhões. Esse seria um dinheiro importante para melhorar o SUS (Sistema Único de Saúde) e pagar melhores salários para os médicos dos serviços públicos.

Veja o escândalo do gasto com pessoal da justiça em uma gráfico:

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UNIÃO SUSTENTA CORTE MAIS CARA DO PAÍS, O TJ DO DISTRITO FEDERAL, QUE JÁ CHEGOU A PAGAR R$ 400 MIL PARA UM DESEMBARGADOR

Carinho heim!?

Os tribunais milionários se multiplicam pelo país. Depois das notícias denunciando os abusos cometidos nos tribunais de São Paulo e do Rio de Janeiro, agora é a vez do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que é considerado a corte mais cara do país com um custo de R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos previsto para este ano.

O gasto é cinco vezes maior do que o do Supremo Tribunal Federal e o pior, é custeado pelo Orçamento da União. As tais “vantagens eventuais”, que ocorrem também no Rio e em São Paulo, fazem com que a folha de pagamento do TJ-DF aumente mais do que o normal, tornando possível a um único desembargador receber de uma só vez R$ 370,3 mil em benefícios que, incorporados ao salário de R$ 24,1 mil, garantiram ao magistrado um total de R$ 401,3 mil de salário, como mostra notícia publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

É uma verdadeira “farra” com o dinheiro público. São benefícios e mais benefícios que não acabam mais e que tampouco se restringem apenas aos magistrados. O TJ-DF, mais caro dentre todos os estaduais, entra assim na lista dos tribunais com remunerações fora do normal, para dizer o mínimo, que estão sob investigação da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Felizmente, dada a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira, o CNJ vai poder continuar investigando esses juízes e desembargadores que se julgam acima da lei e que, definitivamente, viraram as costas para o interesse público.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

Corte mais cara do País, TJ-DF gasta com pessoal 5 vezes mais que Supremo
Folha de pagamento será de R$ 1,4 bi neste ano; contracheque supera R$ 400 mi no caso de um desembargador
Por Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo

A folha de pagamento do tribunal estadual mais caro do País vai custar R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos este ano. Custeado pela União, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF) vai gastar cinco vezes mais que o Supremo Tribunal Federal (STF)com a folha de pagamento e o dobro das despesas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com pessoal. Essas cortes também são custeados pelo Orçamento da União.

Assim como nos tribunais de Justiça de São Paulo e do Rio de Janeiro, a folha de subsídios da corte do DF (o mais caro entre todos os estaduais) é engordada com as chamadas “vantagens eventuais”. Em dezembro passado, os cofres federais pagaram salários milionários aos magistrados e servidores do tribunal na capital federal.

Naquele mês, um dos desembargadores recebeu de uma só vez R$ 370,3 mil em benefícios, que, incorporados ao salário de R$ 24,1 mil, garantiram ao magistrado um total de R$ 401,3 mil. No mesmo mês, um juiz substituto ganhou R$ 240,5 mil só em vantagens.

O relatório de pagamentos, publicado em cumprimento à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que os benefícios não são exclusividade dos magistrados.

Um analista judiciário, cujo salário é de R$ 11 mil, recebeu R$ 205 mil em vantagens. Também em dezembro, um técnico ganhou R$ 145,9 mil, ou seja, 22 vezes mais do que o salário que recebe mensalmente pelo cargo que ocupa – R$ 6,5 mil.

Na soma de exemplos como esses, a folha atingiu R$ 205 milhões, sendo mais da metade – R$ 132 milhões – só com as vantagens. O valor retido pelo teto foi de R$ 160 mil.

Em janeiro, 280 juízes receberam vencimentos brutos acima do teto. Os valores variaram de R$ 32 mil a R$ 150 mil. Nos outros meses, analistas receberam somas entre R$ 12 mil e R$ 35 mil. Técnicos tiveram pagamentos que variaram de R$ 4 mil a R$ 17,9 mil. No total, são 10.087 servidores do TJ-DF. (Texto completo)

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PARECE ÓBVIO, MAS É A BARBÁRIE DO ESTADO DE DIREITO NO BRASIL
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DO JAZZ À BOSSA, CRIS DELANNO CONVIDA O BRASIL PARA BALANÇAR

O resgate da memória da música popular brasileira se somam ao estilo pessoal  dessa cantora nascida no Texas, mas bem brasileira. Cris Delanno já fez parcerias com grandes nomes da música nacional como Roberto Menescal, que inclusive dirigiu alguns projetos musicais da cantora, interpretou Nara Leão no show Nara- Uma Senhora Opinião, gravou clássicos de Tom Jobim, Newton Mendonça, além de realizar participações em discos de Ivan Lins e do grupo BossaCucaNova.

Com suas influências musicais, a cantora reúne a sonoridade do jazz e o tom peculiar da Bossa Nova em interpretações onde não faltam técnica e emoção! Neste vídeo, Delanno interpreta O Brasil Precisa Balançar, de Paulo César Pinheiro e Roberto Menescal, que faz parte de seu novo disco.

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COMPOSIÇÃO DE ALICE RUIZ NA VOZ DE ALZIRA ESPÍNDOLA E ARNALDO ANTUNES
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CHICO BUARQUE PRESTA BELA HOMENAGEM AO RAPPER CRIOLO EM SUA NOVA TURNÊ
MEU MUNDO, POR CEUMAR – QUALQUER DIA, QUALQUER HORA, É TEMPO DE FALAR DE AMOR
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