Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

PARA ESPECIALISTA EM SEGURANÇA PÚBLICA, GREVE DE POLICIAIS E BOMBEIROS É ILEGÍTIMA POR PROVOCAR EFEITOS PREJUDICIAIS À POPULAÇÃO

Greve da PM na Bahia já terminou, mas persiste o desafio de saber escolher em uma democracia

As recentes manifestações de policiais militares e bombeiros em Salvador e no Rio de Janeiro provocaram diversas discussões a respeito da legitimidade ou não dos movimentos, principalmente, depois de declarações da presidente Dilma Rousseff a respeito da greve dos policiais militares na Bahia.

Notícia publicada pela Agência Brasil mostra duas opiniões diferentes sobre as manifestações. Uma delas vem do especialista em segurança pública Nelson Gonçalves, professor da Universidade Católica de Brasilia (UCB). Ele declarou que a greve dos policiais e bombeiros é ilegítima e usou como argumento a própria Constituição Federal que em seu Artigo 142 proíbe a greve de militares.

Nelson reconheceu que as aspirações por melhores salários e condições de trabalho são totalmente válidas para qualquer categoria, no entanto, o problema segundo ele está justamente no modo como as manifestações dos policiais e bombeiros têm sido feitas, isso porque policiais e bombeiros são profissionais da segurança pública e, como tal, são necessários à sociedade como um todo.

Vale o mesmo para profissionais da educação e da saúde, por exemplo. Quando qualquer um desse setores para, os efeitos são rapidamente sentidos pela população. Sendo assim, visto nesses termos, não é que os policiais estejam errados em lutar pelos seus direitos, mas, dentro dos limites da sua profissão, eles devem no mínimo respeitar as formas de fazê-lo. Cometer crimes, praticar atos de violência e expor inocentes talvez não seja a melhor forma de uma categoria responsável justamente por garantir a segurança da população se manifestar.

Já o sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa considera o movimento legítimo e diz que ele já era previsto e que cabe agora aos estados e à União encontrar os meios necessários, inclusive no Orçamento, para conceder “um salário mais digno” aos policiais militares e bombeiros.

De fato, salário digno e melhores condições de trabalho, inclusive com cursos e demais meios de qualificação são direitos legítimos de todo profissional e o direito de se manifestar também é legítimo em uma democracia, mas, justamente por estarmos em uma democracia, há diferentes formas de fazê-lo que não passam necessariamente pela opção da violência.

E quanto ao argumento de que violências muito maiores já foram permitidas como meio de manifestação na história brasileira e hoje são até anistiadas, vale lembrar que, naquela época, simplesmente não havia liberdade, o regime era de exceção. Em uma ditadura, onde praticamente só há violência em todos os sentidos, não há tantas formas de lutar.

Hoje, como dito, os tempos são de democracia, existe a possibilidade de diálogo e, o que está em jogo mais do que nunca, é a capacidade de decidir e saber usar dessa liberdade conquistada não com tanta facilidade.
Mas é aí que o peso da liberdade começa a ser sentido por aqueles que não sabem conviver com ela, tampouco compreender seu sentido. E isso vale tanto para quem não sabe lutar por seus direitos, como para quem não sabe reconhecê-los, lados impossíveis mais uma vez.

Veja trecho da notícia:

Movimentos grevistas de policiais e bombeiros dividem opiniões
Por Marcos Chagas

Brasília – O especialista em segurança pública Nelson Gonçalves, professor da Universidade Católica de Brasilia (UCB), disse que os movimentos grevistas dos policiais militares e bombeiros são “ilegítimos, a começar pelo que estabelece a Constituição Federal”. Ele ressaltou que os policiais militares incluem-se no Artigo 142 da Constituição que proíbe a greve de militares.

“Isso não quer dizer que as aspirações por melhores salários e dignidade no trabalho não sejam legítimas. Agora, o modo como elas vêm sendo feitas é ilegítimo”, destacou o especialista.

O professor lembrou que greves em setores como segurança pública, educação e saúde sempre produzem reflexos prejudiciais à população. Ele reconheceu que essas áreas da administração pública necessitam de legislação especial.

O sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa tem opinião diferente. Para ele, as greves dos policiais militares e bombeiros do Maranhão, da Bahia e do Rio de Janeiro foram legítimas e até mesmo previsíveis desde 2011. Ele disse que houve um “planejamento” dessas ações desde as manifestações da categoria nas dependências do Congresso Nacional para pressionar os deputados a votar a chamada PEC 300, proposta de emenda à Constituição que prevê um piso salarial único para policiais militares e bombeiros. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

DILMA NÃO CONCORDA COM ANISTIA PARA POLICIAIS QUE COMETERAM CRIMES DURANTE A PARALISAÇÃO EM SALVADOR, “AÍ VIRA UM PAÍS SEM REGRA”, DISSE A PRESIDENTE
CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO
EX-SECRETÁRIO DE JUSTIÇA DO GOVERNO DILMA DIZ QUE AÇÃO DO GOVERNO PAULISTA NA CRACOLÂNDIA É UM TRABALHO DE “ENXUGAR GELO” E FAZ PARTE DE POLÍTICAS EXCLUDENTES
SECRETÁRIA ESTADUAL DA JUSTIÇA E DA DEFESA DA CIDADANIA DISSE QUE NÃO PODE RESPONDER SOBRE A VIOLÊNCIA EM PINHEIRINHO POIS “NÃO ESTAVA LÁ PARA SABER”

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: