Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 19 fevereiro, 2012

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO: O HÁBITO DE LER E CONTAR HISTÓRIAS É COMO SE APOSSAR DE UM TESOURO FORMADO POR TODA CULTURA DA CIVILIZAÇÃO

Em um belo texto publicado pela Carta Fundamental, a escritora Ana Maria Machado revive um pouco de sua história e resgata suas memórias de infância para falar sobre a importância da leitura nos primeiros anos de vida. Ela revisita as rodas de família em que se liam e comentavam as histórias e mostra como elas conviviam com as brincadeiras e corridas pela praia do litoral do Espírito Santo.

Nos tempos atuais, ela reflete que as brincadeiras são as mesmas, mas surpreende-se em ver que as crianças são capazes de passar horas em frente a um videogame ou tela digital, e ainda ouvem histórias quando alguém mais velho se dispõe a contá-las.

Diante do incrível acervo de ótimas obras que compõem a literatura infantil brasileira, a escritora lembra como além de reforçar laços de afetividade, a leitura proporciona um “embasamento humanista para o futuro, paralelo à aquisição de parte de um legado cultural milenar, que constitui um tesouro das civilizações”.

Em um tempo onde as modas são passageiras e onde tudo acontece muito rápido, a leitura funda uma permanência necessária, para além da simples inserção no contemporâneo, ela escancara as portas de uma cultura milenar, construída ao longo dos anos pela humanidade e desnuda essa mesma humanidade diante de olhos ainda novos, mas que vão se imprimindo da capacidade de imaginar e de ver as coisas pela complexidade inerente a elas e não pela ótica da simplicidade que uma sociedade muitas vezes prática demais procura impôr.

As crianças precisam de ambas as experiências, lembra a escritora, aquela que exige uma resposta mais rápida e também aquela que leva à reflexão. O contato com a leitura desde cedo forma indivíduos mais criativos, como é o caso de grandes escritores lembrados por Ana – Joyce, Virginia Woolf e Ernest Hemingway que, desde cedo, leram Lewis Carroll, de Alice, Robert Louis- Stevenson, de A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, ou Mark Twain, de As Aventuras de Huck.

Hoje, com as mil e uma opções e com o fascínio da tecnologia, o papel dos pais em iniciar os filhos no universo literário é mais importante do que antigamente, “quando as crianças desenvolviam muito cedo o fôlego de leitura”, como diz Ana, mas ele pode ser exercido com o mesmo sucesso de antes e as crianças podem ler mais e melhor. Afinal, as histórias nunca morrem, basta contar e compartilhar…

“Não vivemos apenas de tecnologia de ponta e modas passageiras. Além da inserção no contemporâneo, precisamos também fincar raízes em uma linha de continuidade e ter a segurança de certa permanência, fixada na cultura da humanidade que vem sendo construída há milênios. Sentir que coisas diferentes têm ritmos diferentes. Umas exigem resposta imediata, quase automática. Outras demandam um tempo de reflexão e entendimento -para amadurecer uma reação. Precisamos de ambas as experiências. Uma alimenta a outra. E nós nos nutrimos de todas”. (Texto completo)

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