Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

CASO LÚCIO FLÁVIO PINTO EXPÕE O CONFLITO DE INTERESSES ENTRE A REAL FUNÇÃO JORNALÍSTICA E O PODER DE GRUPOS ECONÔMICOS

Jornalismo x poder econômico

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos há mais de 20 anos por denunciar em sua atividade na imprensa a atividade ilegal dos grileiros na região. Recentemente, o jornalista perdeu uma ação judicial para um deles e será obrigado a pagar uma indenização de oito mil reais à família de um empreiteiro.

O crime de Lúcio Flávio Pinto na visão de quem aplica a justiça na região é, por incrível que pareça, o de dizer que um grileiro é grileiro, ou seja, que este explora de forma ilegal a floresta e conntribui para o desmatamento com destruição da fauna e flora locais. Já o grileiro, chamado com razão pelo jornalista de “pirata fundiário”, se esconde atrás desse tipo de “ofensa” para se fazer de vítima, enquanto continua se apropiando ilegalmente de territórios cada vez mais vastos da floresta.

Em episódios assim, vemos o lugar do bom jornalismo e o lugar dos interesses econômicos na sociedade atual. O primeiro está cada vez mais raro, pois faltam personalidades de coragem como Lúcio Flávio. O segundo, no entanto, deita e rola em um país onde certos grupos se dão ao luxo de comprar jornais e com isso fazer a própria notícia, manipulando a opinião pública conforme seus interesses, quando não compram a justiça e convertem-se na própria lei.

Veja trecho de notícia sobre o assunto com nota do jornalista Lúcio Flávio divulgada pelo Portal Amazônia:

Jornalista é alvo de 33 processos por denunciar grileiros
O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos judiciais há mais de 20 anos. Ele terá que pagar oito mil reais à família de um empreiteiro
Observatório da imprensa

BELÉM – O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto é alvo de processos judiciais há mais de 20 anos. Solitário em sua busca por divulgar ações criminosas de grandes empresários no Pará, Lúcio acaba de perder uma de suas batalhas e terá de pagar oito mil reais à família de um empreiteiro, acusado de grilar cinco milhões de hectares no Estado. Seu crime: afirmar que um grileiro é, de fato, um grileiro.

Na década de 1990, Lucio Flavio participou de ação contra o empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida e que o impediu de se apropriar ilegamente de mais sete milhões de hectares (o equivalente a 8% de todo o território do Pará).

Em seu jornal, ele se referiu ao empreiteiro como “pirata fundiário”. A expressão lhe rendeu o processo, que se arrasta há mais de uma década e que teve seu final decretado, quando, no início do ano, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) negou agravo do jornalista.

Sem recursos para continuar no processo ou arcar com a indenização, restou a Lucio Flavio Pinto divulgar sua história. A partir dessa semana, foi criada na internet um movimento de solidariedade ao jornalista paraense, o que inclui um fundo para arrecadar recursos – que podem ser enviados ao Banco do Brasil, na agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2 em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista.

Além de pagar a indenização, Lucio Flávio perde a condição de réu primário e fica exposto aos outros 33 processos que acumulou em seu trajeto profissional. Entre eles, ação empreendida pelo madereiro Wandeir dos Reis Costa, depositário de árvores extraídas ilegalmente e apreendidas pelo Ibama em Altamira. Também foi processado pelos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Duarte.

Segundo o STJ, o agravo de Lucio não continha a documentação necessária. O jornalista deve recorrer. “Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniquidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime passível de punição”, afirmou o jornalista, em nota. (Texto completo)

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5 Respostas para “CASO LÚCIO FLÁVIO PINTO EXPÕE O CONFLITO DE INTERESSES ENTRE A REAL FUNÇÃO JORNALÍSTICA E O PODER DE GRUPOS ECONÔMICOS

  1. marcio r ramos 25 fevereiro, 2012 às 6:04 pm

    o que nao pode ser neste PAIZ de merda, e ser honesto , os juizes a maioria deles sao tudo corrupto , os politico nem se fala ,e o povo mais covarde ainda ,o incra e um mar de desvio de dinheiro dos impostos do povo brasileiro,fazer o que ,o povo quer assim . quer a soluçao .?

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