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ESTADO DA ARTE

AI SE EU TE PEGO: PIRATARIA É SE APROPRIAR DE BENS CULTURAIS DA HUMANIDADE E COBRAR DIREITO AUTORAL

Teló, capacidade artística para captar os bens culturais da população

A canção Ai se eu te pego, de Michel Teló, é um bom exemplo de como a cobrança de direito autoral é uma grande pirataria contra a humanidade. Não que o artista brasileiro fez alguma coisa errada, Teló fez o que todo bom artista faz, seja músico, pintor, escritor etc.  O artista se utiliza de bens da humanidade, que pertencem à população, e o transforma, dando um formato autoral, mas não deixa de ser uma apropriação.

No caso da canção de Michel Teló, isso fica muito evidente. Veja, quantas vezes você já não ouviu na sua infância “ai se eu te pego, moleque!”, seja na casa do vizinho, na boca de seus pais, de sua vó, de sua tia, etc. Essa expressão, muito popular, faz parte da cultura do povo brasileiro e carrega em si toda a história de formação desse país. Assim também, o autor Michel Teló e todos os outros compositores populares se apropriam de frases, recursos linguísticos e da própria língua para construir uma canção.

Isso é inevitável, como deveria ser inevitável que o artista que quer cobrar direito autoral deva também retribuir à sociedade a cultura de que se apropria. No caso de uma canção popular: a língua, expressões, ritmos, notas, cifras etc. Uma forma de retribuir à sociedade o que o artista utiliza seria, por exemplo, permitir que o público tenha livre acesso às obras, por meio de compartilhamento na internet e outros. O direito autoral seria cobrado de quem de fato comercializa a obra do artista.

No entanto, a indústria do direito autoral se apropria dos bens da população e, na cara dura, exige que essa mesma população pague por uma obra que está fundada em sua própria cultura. Isso é a grande pirataria. Muitos artistas ficam iludidos  com os sonhos milionários do direito autoral, mas poucos são os que realmente ganham algum dinheiro e, quando ganham, a indústria que sustenta essa pirataria ganha cem vezes mais. A indústria do direito autoral promove uma grande pirataria da humanidade.

Numa rede social, um jovem postou que o Ecad é uma das manifestações do capeta. Fora a graça e o humor diante dessa tragédia cultural, a indústria do direito autoral promove hoje uma inquisição cultural e assaca populações.

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Por glaucocortez

Blog Educação Política

11 respostas em “AI SE EU TE PEGO: PIRATARIA É SE APROPRIAR DE BENS CULTURAIS DA HUMANIDADE E COBRAR DIREITO AUTORAL”

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Se formos parar para pensar, eu, Advogado, não poderei mais cobrar pelo meu trabalho. Afinal, o Direito, como expôs Miguel Reale, é erigido em cima de 3 pilares, quais sejam: fato, valor e norma, em sua Teoria Tridimensional do Direito; fato e valor têm grande caráter social, em função da origem.
Mais, remete a um corpo social, seus usos e costumes e respectiva evolução natural, então todo o meu trabalho depende do que a sociedade produziu.
Do mesmo modo, professores não poderiam cobrar por aulas, palestras e obras intelectuais. Teriam de trabalhar gratuitamente, buscando outra fonte de renda que não envolvesse qualquer caráter sócio-cultural.
Assim se tornaria mais igualitária a defesa da expropriação de bens dos artistas. Analistas, observadores da sociedade que os circunda, extraem elementos, moldando-os, fundindo ou criando conceitos, rimas, versos. Estudam, atuam, interagem e modificam, percebendo a remuneração pelo trabalho, possibilitando a continuidade da obra e sendo seu meio de vida.
Se, com base nisso, algum ou alguns deles têm maior divulgação seu trabalho, maior remuneração, ainda em função da qualidade ou “qualidade”, e atinge melhor patamar quanto a nível de vida, parabéns para ele: demonstrou competência.
Mas considero válida revisão do conceito de propriedade intelectual, desde que não em louvor à expropriação de bens e ao ócio de alguns, ao que em detrimento do trabalho de outros. Não merece prosperar a insaciável necessidade de “põr a mão grande” no patrimônio alheio, tão bem vista por torcedores de determinadas agremiações políticas.
Mais, poderíamos passar a ensinar nossas crianças e jovens o valor do trabalho. Ensiná-las a admirar quem alcançou o sucesso e tê-los enquanto modelos, na busca de alternativas para os problemas diários, soluções eficazes, uso do raciocínio lógico, sem conformismos ou comodismo.
Fazê-las entender quao satisfatório e edificante é trabalhar e crescer, sem cobiçar os bens e conquistas alheias.

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Veja, o advogado (quando advoga), o professor (quando ensina), o engenheiro (quando engenha) e o músico (quando toca) estão trabalhando fisicamente, estão atuando com o legado histórico. Muito diferente do direito de criação artística, que deve ser pago por quem ganha dinheiro com ele e não pela população.

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