Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 14 março, 2012

SETE MULHERES VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR SÃO ANISTIADAS, RELEMBRAM SUAS HISTÓRIAS E PEDEM POR JUSTIÇA

Para os que realmente merecem

Por trás dos nomes das sete mulheres vítimas da ditadura militar que foram anistiadas e indenizadas pela Comissão da Anistia na última sexta-feira (09/03) estão as histórias de sonhos interrompidos, medo, dor, angústia e humilhação que marcam a vida de quem foi submetido, de alguma forma, ao autoritarismo dos regimes ditadoriais.

Hilda Alencar Gil, Ida Schrage, Dulce Maia, Maria Angélica Bacellar, Maria Nadja, Maria Niedja Leite de Olivera, Darci Toshiko Miyaki e Gilda Fioravante foram vítimas de tortura e perseguição política durante a Ditadura Militar. Mesmo com as particularidades de cada história, todas sofreram na pele o desrespeito constante à integridade humana, às liberdades civis e se viram no meio da tempestade que se levantava contra a construção da democracia brasileira.

No reencontro, algumas delas relembraram as histórias, os momentos de dor em que procuravam se ajudar como podiam, a prisão no Dops, as diversas perseguições, e não deixaram de pedir justiça em nome dessa mesma memória que elas compartilhavam e que não pode ser perdida. Entre as homenageadas do julgamento estavam as “mães de maio” (movimento formado por mães que perderam seus filhos na reação aos ataques de facções criminosas em maio de 2006).

Elas enfatizaram a necessidade de se fazer justiça tanto no passado quanto no presente, já que os crimes que acontecem hoje são, segundo elas, sustentados pela mesma herança autoritária e impune que vem do passado. “Exigimos deste país a memória, a justiça e a verdade do que aconteceu em maio e do que aconteceu na ditadura. Exigimos a abertura dos arquivos da ditadura”, disse Débora Maria da Silva, representante das mães de maio.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pelo jornal O Globo:

Mulheres perseguidas na ditadura conseguem anistia e indenização
Secretário nacional de Justiça pediu desculpas para cada uma das sete brasileiras
Por Tatiana Farah

SÃO PAULO – Lágrimas e reencontros marcaram nesta sexta-feira o “julgamento” de sete mulheres vítimas da ditadura militar. Em sessão especial de homenagem às mulheres, a Comissão da Anistia julgou e anistiou mulheres que sofreram torturas e perseguições políticas.

– Quero, em nome do Estado, pedir desculpas por todas as perseguições, prejuízos e dores que a senhora sofreu – disse o secretário nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a cada uma das mulheres, entre elas Hilda Alencar Gil, que reivindicou o direito de voltar a estudar Ciências Sociais na USP, já que teve de abandonar o curso devido a perseguições políticas.

Integrante do grupo Polop (Política Operária), Hilda foi mulher do jornalista Pedro Ferreira de Medeiros. Pedro escreveu um artigo histórico na extinta revista O Cruzeiro, sobre o famigerado Comando de Caça aos Comunistas (CCC). No texto intitulado “Comando do Terror”, de 1968, o jornalista dava nomes e conta histórias de integrantes do CCC, o que deflagrou uma perseguição ao casal que não teve parada, mesmo com Pedro e Hilda no exílio.

– A verdade é que ele (Pedro) sempre se recusou a desmentir qualquer uma daquelas afirmações – disse Hilda, que passou a receber uma pensão de R$ 2 mil e uma cota de R$ 222 mil em relação aos pagamentos retroativos desde que correu o processo de anistia.

Planos de estudos e empregos adiados

Militante da Ação Popular (AP) nos anos 60, Ida Schrage teve de viver na clandestinidade , mas acabou presa em 1969. Ficou quatro meses no Dops, onde sofreu tortura física e psicológica. Foi condenada pelo tribunal militar a seis anos de prisão. Na Alemanha, onde se abrigou, dedicou-se a apoiar as mulheres vítimas de violência do Estado de diversos países: (Texto completo)

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