Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

PRÉ-CANDIDATO PETISTA À PREFEITURA DE SÃO PAULO, FERNANDO HADDAD DIZ QUE MUITO TRABALHO SERÁ PRECISO PARA ROMPER A HEGEMONIA DO PSDB EM SÃO PAULO

Cara nova na disputa pela prefeitura de São Paulo

“O Brasil poderia mais, não fosse a âncora conservadora do PSDB de São Paulo. Tem uma bola de ferro no nosso pé que ainda segura muito o país”, disse o pré-candidato petista à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad em entrevista à Carta Maior.

Nome novo nas disputas eleitorais, Haddad contará com o apoio decisivo do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, além disso, uma possível derrota nas urnas não seria tão dura para ele quanto para o principal candidato do PSDB, José Serra, sendo assim, Haddad não entra na disputa pressionado pela quase obrigatoriedade de vencer.

Mas as dificuldades de Haddad são grandes. Além de habilidade política para unir o partido e os tradicionais aliados do PT em torno de sua candidatura, como dito, Haddad é um nome novo que precisa ser apresentado a um eleitorado que se acostumou, pelo menos boa parte dele, aos anos de governo do PSDB e que, como consequência disso, cultua um pensamento conservador sob diversos aspectos. Romper esse quase costume dos paulistanos será difícil, mas Haddad tem a seu lado a imagem da mudança e a chance do novo que podem, quem sabe, alterar as coisas em uma metrópole carregada de problemas.

Veja o trecho inicial de sua entrevista:

Para Haddad, PSDB é bola de ferro que prende país pelos pés
Por Maria Inês Nassif

CARTA MAIOR: O PT assimilou sua candidatura?

FERNANDO HADDAD: Acredito que sim. O processo foi muito bem conduzido e elogiado internamente. É curioso o argumento de que as prévias no PT não ocorreram por pressão. No PT, sempre teve pressão e sempre teve prévias. O Lula já perdeu prévias dentro do PT apoiando um candidato, já ganhou, ele próprio já enfrentou prévias. Isso é da cultura do partido. Óbvio que todo mundo sabe que isso tem consequências, mas ninguém abdica de disputar prévias quando entende ser o caso. A verdade é que, no final do processo, nós contávamos com o apoio da maioria dos militantes. Colhemos mais de 20 mil assinaturas para inscrição, quando eram necessária apenas 3 mil. Nós tínhamos o apoio de 7 dos 11 vereadores. O processo estava muito avançado.

CARTA MAIOR: O maior desconforto foi o namoro com o prefeito Gilberto Kassab?

HADDAD: Não chegou a ser namoro porque sequer houve uma aproximação formal. O que houve foram duas ou três conversas com dirigentes do PSD sobre uma remota possibilidade de o partido me apoiar – o que ocorreria se, e somente se, o [José] Serra [PSDB] não saísse e o PSDB se recusasse a apoiar o Afif, que era um cenário pouco provável. Eu sempre disse, desde que o assunto ganhou os jornais, que nós éramos a terceira prioridade do prefeito, que antes vinham o Serra e o Afif, e que a nossa prioridade é outra, são os partidos da base aliada do governo Dilma. Sempre ficou claro que ele [Kassab] iria caminhar para um lado e nós iríamos caminhar por outro.

CARTA MAIOR: O PT valorizava essa possibilidade, numa estratégia de romper a hegemonia do PSDB junto à classe média conservadora paulistana?

HADDAD: O interesse no PSD, ao meu ver, tem muito mais a ver com a filiação do [Henrique] Meirelles [ex-presidente do Banco Central], que foi ministro do governo Lula por oito anos. O presidente [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] considerou que essa seria uma chapa interessante, complementar. Desde a vitória de 2002, quando compôs a chapa com José de Alencar [empresário e então filiado ao PL], isso sempre contou nas reflexões de Lula sobre a composição de chapa. Ele entendia que o Meirelles tinha um perfil muito interessante. Se Meirelles tivesse se filiado ao PMDB, Lula também iria atrás de uma composição. Nas conversas que tive com o presidente, a hipótese de ter uma chapa com dois ministros de seu governo o agradava.

CARTA MAIOR: O Lula, então, não forçou a barra para uma aliança com o PSD?

HADDAD: Não, de forma alguma. Ele até recomendou cautela, com medo de que isso não fosse compreendido.

CARTA MAIOR: E o apoio dos pré-candidatos do PT que desistiram da prévia?

HADDAD: Acho que é muito importante o partido estar coeso em torno da campanha e nós todos em campo – o presidente Lula, Marta e todos do partido. Mas eu não reduziria a questão a isso. Há um conjunto de problemas a serem enfrentados. Nós fomos muito prejudicados pela questão da TV e praticamente não teremos inserção no primeiro semestre. Todos os outros partidos terão. Isso traz um prejuízo enorme para um estreante, que nunca disputou uma eleição, nunca teve programa de televisão. Nós temos que lidar com isso. (Texto completo)

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