Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

EM PROPRIEDADE CONTROLADA POR UM DEPUTADO ESTADUAL, CRIANÇAS BEBEM A MESMA ÁGUA QUE O GADO E TRABALHADORES SÃO SUBMETIDOS A CONDIÇÕES ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO

Para deputado, isso de trabalho escravo é novidade!

Denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão em fazendas, cujo controle está ligado a deputados e a outras personalidades públicas, têm se tornado cada vez mais comuns. Esse é o caso, por exemplo, de uma fazenda no Pará, da Agropecuária Santa Bárbara, com a qual parentes do banqueiro Daniel Dantas possuem comprovadas ligações, que matinha os trabalhadores em condições análogas à de escravo.

Além deste episódio, engrossando a lista está a  fazenda Bonfim, localizada na zona rural de Codó, estado do Maranhão, que teve sete pessoas resgatadas depois de denúncias de alguns trabalhadores sobre as condições degradantes a que eram submetidas as famílias instaladas no local.

As crianças bebiam da mesma água que o gado, retirada de uma lagoa suja sem qualquer espécie de tratamento prévio. A mesma lagoa também servia de local de banho para os trabalhadores. O mato servia como banheiro. A propriedade da fazenda, cuja atividade principal é a criação de gado de corte, foi atribuída à empresa Líder Agropecuária Ltda, da família Figueiredo, que tem como sócio o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD/MA).

O deputado disse que a fazenda é administrada por seu pai, o ex-prefeito de Codó (MA), Biné Figueiredo que, por sua vez, disse não ser responsável pela administração do local, além de alegar que na fazenda não haveria trabalhadores e sim “moradores”. Moradores permanentes ou não, as condições de moradia das famílias eram bastante precárias segundo relatos dos trabalhadores resgatados em março por ação conjunta de Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal.

Os abrigos não tinham sequer proteção lateral e os trabalhadores ficavam expostos à chuva e ao frio. Quando soube da libertação na fazenda Bonfim, o deputado se disse surpreso alegando que “isso de trabalho escravo é novidade para mim”. Tal declaração, no entanto, não é novidade nenhuma. Os problemas da senzala nunca interessaram à casa grande e continuam a não interessar.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada no blog do Sakamoto que também traz alguns trechos de uma reportagem de Bianca Pyl, da Repórter Brasil, sobre o assunto:

Crianças bebiam água do gado em fazenda de deputado flagrada com escravos
Por Leonardo Sakamoto

Crianças bebiam a mesma água que o gado na fazenda Bonfim, zona rural de Codó, Estado do Maranhão, de onde foram resgatadas sete pessoas de condições análogas às de escravo após denúncia de trabalhadores. Retirada de uma lagoa suja, ela era acondicionada em pequenos potes de barro e consumida sem qualquer tratamento ou filtragem, a não ser a retirada dos girinos que infestavam o lugar. Os empregados também tomavam banho nesta lagoa, e, como não havia instalações sanitárias, utilizavam o mato como banheiro.

Entre os controladores da propriedade, aparece um deputado estadual. Não é a primeira que um político é envolvido em casos desse tipo no Brasil. O Ministério do Trabalho e Emprego já realizou operações semelhantes em fazendas pertencentes aos deputados federais Inocêncio Oliveira (PR-PE), Beto Mansur (PP-SP), entre outros. Neste ano, o Supremo Tribunal Federal já aceitou a denúncia contra dois parlamentares por trabalho análogo ao de escravo: o senador João Ribeiro (PR-TO) e o deputado federal João Lyra (PSD-AL).

A libertação aconteceu em março e foi realizada por ação conjunta de Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal. Abaixo, trechos da reportagem de Bianca Pyl, da Repórter Brasil:

A propriedade de criação de gado de corte em que foram flagradas condições degradantes foi atribuída à empresa Líder Agropecuária Ltda, da família Figueiredo, que tem como sócios o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD/MA). Ele afirmou desconhecer as denúncias e disse que a fazenda é administrada por seu pai, Benedito Francisco da Silveira Figueiredo, ex-prefeito de Codó, que – por sua vez – nega que seja administrador e alega que não há trabalhadores na propriedade, “apenas moradores”. (Texto completo)

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