Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 29 abril, 2012

AULA DE JORNALISMO: ESTADÃO MANIPULA REPORTAGEM PARA LIVRAR A CARA DO MINISTRO DO SUPREMO, GILMAR MENDES

Gilmar Mendes e Roberto Irineu Marinho, boas relações com a mídia

Ontem o Estadão online estampou na capa o comprometimento de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

O blog Educação Política deu um post sobre o tema. Mas prevendo que o Estadão poderia retirar o texto ou mudá-lo, visto que era jornalismo demais para aquele jornal, reproduzimos o início da matéria no blog. Foi uma forma de garantir que a informação não fosse manipulada de forma a prejudicar o entendimento do post. Pensamos até em não reproduzir, mas só o fizemos por precaução de ofício. E bingo!!! O jornal aliviou o texto para Gilmar Mendes.

Hoje pela manhã comprei o jornal na banca e lá estava uma matéria ridícula de tão pequena sobre esse episódio. Um ministro da mais alta corte do país com um possível envolvimento com o crime organizado transformou-se em um texto bastante favorável a Gilmar Mendes.

No mesmo caderno do jornal impresso de hoje há também uma página inteira sobre o enriquecimento do senador Demóstenes Torres (ex-DEM), o que não tem a menor importância jornalística. Afinal, toda corrupção política é para isso mesmo, enriquecimento. Para que serve divulgar o patrimônio de Demóstenes em uma página inteira? Isso é fazer uma página inteira sobre o óbvio.

Já um ministro do Supremo favorecendo o crime organizado….. Vai vê que o editor pensou assim: “dá uma notinha sobre o ministro do Supremo porque isso tem todo dia….”

Enfim, é incrível essa autocensura. O repórter do Estadão provavelmente fez o melhor jornalismo, colocou no texto a bomba que tinha na mão. Depois provavelmente veio a ordem de cima e a desativou. O texto anterior era totalmente comprometedor para o ministro do Supremo. Veja como ficou o texto depois da alteração:

Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal, o parlamentar comemora uma decisão do ministro do STF Gilmar Mendes em uma ação bilionária envolvendo a Companhia Energética de Goiás (Celg).

“Conseguimos puxar para o Supremo uma ação da Celg aí, viu? O Gilmar mandou buscar”, afirmou o senador, que avaliou que Mendes conseguiria abater cerca de metade do valor da dívida da Celg com uma decisão judicial. “Dependendo da decisão dele, pode ser que essa Celg se salva (sic), viu? Ele que consegue tirar uns dois… três bilhões das costas da Celg.” Cachoeira responde: “Nossa senhora! Bom pra caceta, hein?”. (texto censurado completo)

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DEPOIS DA ARMADILHA DA VOTAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL NA CÂMARA, AUMENTA PRESSÃO PARA QUE DILMA VETE OS TERMOS QUE BENEFICIAM A BANCADA RURALISTA

Desenho de Henfil, de 1970. Mais atual impossível...

Desde que as discussões do novo código florestal se iniciaram, um verdadeiro jogo político tem se desenhado em torno da questão, revelando não só a fragilidade da base governista diante dos interesses do grupo que representa a chamada bancada ruralista no Congresso, como também a força e influência desta última.

Os fatos que envolveram a última votação do código na Câmara merecem sem dúvida um adjetivo: peculiares. Isso porque, de início, a situação do governo era confortável, podendo contar com o fiel apoio de 351 deputados dos partidos da base governista. No entanto, o que se viu foi essa fidelidade simplesmente desaparecer. O governo foi derrotado por 274 votos a favor dos ruralistas contra 184 dos ambientalistas, além de duas abstenções.

Notícia publicada pela Carta Capital explica um pouco o que está por trás desse desaparecimento nem um pouco mágico ou imprevisível que terminou com a vitória dos ruralistas. Como diz a notícia, o grupo que quer continuar desmatando impunemente, impetrou um jogo frio fazendo com que o projeto do código voltasse à Câmara depois da versão aprovada em acordo no Senado.

Como diz a notícia, “há fortes evidências de que o acordo construído no Senado era apenas uma trapaça política da força parlamentar ruralista. Ao seguir para a Câmara não valia mais o que foi escrito no Senado”. Se no Senado o governo tinha cedido os anéis, porque a pressão eleitoral não era tão forte, na Câmara, os ruralistas exigiram os dedos.

Uma armadilha foi assim sendo construída para que Dilma beneficiasse os desmatadores e, em contrapartida, ganhasse o julgamento negativo da sociedade. Agora, boa parte da sociedade pede que Dilma vete os termos do código aprovados na Câmara que beneficiam a bancada ruralista e prejudicam pequenos agricultores e o meio-ambiente em geral.

O veto seria, de fato, a única forma de Dilma virar o jogo diante da armadilha armada na Câmara, no entanto, ela precisa ter coragem para tal já que terá que enfrentar a bancada ruralista e seus interesses que, como ficou evidente, são bastante expressivos junto à cena política nacional. Mas esse, sem dúvida, parece ser um dos momentos em que o poder executivo tem que se afirmar no jogo democrático, refletindo a vontade de diversos setores da sociedade e atuando por causas realmente legítimas.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Veta Dilma, veta
Por Mauricio Dias

Comemoração e ironia marcam a atitude dos vencedores após a derrota do governo na votação do Código Florestal. O resultado foi expressivo: 274 votos a favor dos ruralistas contra 184 dos ambientalistas, além de duas abstenções. Ausentes 53 deputados. Esse resultado exige uma adjetivação. Surpreendente. A se considerar o teórico “apoio sólido”, composto por 351 deputados dos partidos da base governista.

Por que essa solidez se desmanchou no ar? Por que o governo perdeu? “Perdeu como? Eu sou governo e ganhei”, declarou o líder do PMDB, Henrique Alves.

Ironia a parte e, embora ainda se viva sob o calor da hora, já é possível fazer a dissecação inicial da vitória dos ruralistas impetuosos ou, mais propriamente, do agronegócio selvagem.

Os ruralistas, nesse retorno do projeto à Câmara após a versão aprovada em acordo no Senado, fizeram um jogo frio abusando da sensibilidade de Dilma, testemunhada por interlocutores dela, com possíveis reflexos danosos aos agricultores pobres pela obrigação de re-cuperações das áreas de proteção ambiental. (Aviso aos navegantes machistas: sensibilidade social não é um fruto da alma feminina supostamente inadaptável ao mundo político.)

Jogaram com isso para fazê-la atender a interesses dos grandes desmatadores e, por consequência, forçá-la ao julgamento negativo da sociedade. De qualquer forma, ela tornou-se refém dos parlamentares pro-ruralistas fortemente enraizados no PMDB e no DEM.

Dilma abortou qualquer negociação em seu nome. Perder no plenário, mas, “não perder a cara”, segundo a expressão usada por ela. Houve falhas de articuladores governistas. Não se prepararam o suficiente para debater com os negociadores do PMDB: Michel Temer, Henrique Alves e Paulo Piau. (Texto completo)

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