Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

FRANÇA ELEGE UM SOCIALISTA QUE PROMETE MUDAR COM JUSTIÇA E GOVERNAR PARA TODOS OS FRANCESES

Comemoração da vitória de Hollande na Bastille

O hoje ex-presidente francês Nicolas Sarkozy entrou para a história da França como o condutor de um governo marcado por um “liberalismo xenófobo”, que no contexto da crise econômica atravessada pelo país não hesitou em orientar-se cada vez mais para as políticas de ultra-direita, evocando temas conservadores e fazendo-se de vítima da mídia, atacando além da imprensa, os sindicatos, os estrangeiros e a Europa de forma geral.

Entre outras posturas conservadoras, Sarkozy vinha sendo acusado de implementar medidas que atacavam os imigrantes, principalmente os muçulmanos, como diz notícia publicada pela Agência Brasil. Depois do balanço desastroso de sua gestão e da adversidade das pesquisas, a escolha dos franceses por uma via que mais do que a socialista, representada pelo agora presidente François Hollande, parece ser a da mudança, ou a da simples esperança de que algo mude, não parece ser uma total surpresa, apesar do cenário acirrado dos últimos dias.

Como diz outra notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior, “François Hollande buscou encarnar o anti-Sarkozy: tranquilo, pacífico, consensual, o candidato socialista repetiu à exaustão que era um “candidato” normal e que assumiria uma presidência “normal”. Diante de um presidente herói de sua própria história e de sua própria presidência, Hollande se apresentou como o anti-herói e a normalidade como argumento contra o excessivo”.

A receita da “normalidade” contra a “afetação populista” e o conservadorismo excludente, provou ter dado certo.

Veja trecho das duas notícias:

No primeiro discurso como presidente eleito da França, Hollande promete governar para todos
Por Renata Giraldi

Brasília – No primeiro discurso como presidente eleito da França, o socialista François Hollande disse hoje (6) que sabe qual é o significado da sua vitória e prometeu que será o governante de todos os franceses. A declaração é uma referência ao discurso do atual presidente Nicolas Sarkozy, que implementou medidas que atacam os imigrantes, principalmente os muçulmanos.

“Aos que não me deram seu voto, que saibam que eu respeito suas convicções e que serei o presidente de todos. Esta noite não há duas Franças que se enfrentam. Há apenas uma França, uma nação reunida no mesmo destino. Cada um e cada uma terão igualdade de direitos e de deveres”, disse.

Hollande acrescentou que o seu governo começa hoje. Ele disse que a responsabilidade do cargo é imensa e que tem consciência disso. Também prometeu tomar providências para combater os efeitos da crise econômica internacional na França, buscando o desenvolvimento do país e a ampliação do funcionalismo público.

Para o socialista, sua eleição representa a escolha dos franceses pela mudança e pelo respeito. “Os franceses escolheram a mudança, o que me levou à Presidência da República. Tenho noção da honra e da tarefa. Comprometo-me a servir ao meu país como requer essa função”, disse ele. (Texto completo)

Eleição na França pode mudar perfil ultra-liberal da União Europeia
Por Eduardo Febbro

Paris – Liberalismo xenófobo contra social democracia moderada. Cerca de 46 milhões de franceses elegerão neste domingo, pela nona vez na história da Quinta República, seu próximo chefe de Estado tendo como pano de fundo a crise econômica e um candidato-presidente que jogou todas as suas forças na batalha virando o timão à direita de sua direita, sem hesitar em evocar os temas prediletos da extrema-direita da Frente Nacional e se colocar como uma vítima dos meios de comunicação. O socialista François Hollande prometeu uma mudança com justiça, enquanto que Nicolas Sarkozy, até o último momento, seguiu advertindo que se o socialismo vencer a França terá um destino similar ao da Espanha.

O presidente francês espera alguma “surpresa” na reta final para desmentir a constância das pesquisas de opinião que, no fechamento da campanha do segundo turno das eleições presidenciais deste 6 de maio, seguiam prognosticando a vitória de seu rival, o socialista François Hollande. Nos últimos três dias, Sarkozy diminuiu a distância de dez pontos que o separavam de Hollande para se situar a uma distância que oscila entre 4 e 6 pontos. O resultado final talvez seja um pouco mais incerto do que o previsto ao cabo de uma semana onde a violência verbal levou a campanha a um estranho ponto e de incandescência e a dar uma guinada inesperada: pela primeira vez na história, o candidato centrista François Bayrou disse que votaria pessoalmente por François Hollande.

Este dirigente político prestigiado que fez pouco mais de 9% dos votos no primeiro turno de 22 de abril sempre foi um aliado da direita. No entanto, Bayrou explicou sua eleição pelo fato de que o perfil de extrema-direita que Nicolas Sarkozy imprimiu na sua campanha entre o primeiro e o segundo turno lhe parecia incompatível com os valores republicanos. Entre a decisão de Bayrou de votar a favor de Hollande e as urnas há ainda cerca de 16% de indecisos. É difícil medir a influência desses dados na decisão final. Em suas últimas declarações, o aspirante socialista se apresentou como um “continuador” e um “renovador”. Sarkozy, por sua vez, reiterou seu credo de medo, atacando a imprensa, os sindicatos, os estrangeiros, a Europa e o centrista Bayrou que mudou de campo. (Texto completo)

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