Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 8 maio, 2012

A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF PRECISA TER UM OLHO NO PEIXE, OUTRO NO GATO, OU MELHOR: UM NO GOVERNO E OUTRO NO VICE

Dilma, é bom tomar cuidado com o PMDB atrás de você

O PMDB tem grandes quadros, mas não é um partido confiável, principalmente por suas relações intrínsecas com as empreiteiras e o poder econômico. Se se quer realmente governar, muitas vezes é preciso não ceder à pressão dos poderosos. Isso parece ter sido uma grande dificuldade para o governo de Agnelo Queiroz (PT) com vice peemdebista.

Depois das revelações da Operação Monte Carlo, de que o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli (PMDB) estava conspirando para derrubar o governador Agnelo Queiroz (PT), como mostra  trechos do inquérito vazado, é bom a presidenta Dilma Rousseff ficar de olho bem aberto, ou melhor: um no governo e outro no PMDB.

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PARA MERVAL PEREIRA, JORNALISMO PRATICADO POR VEJA É INVESTIGATIVO E NÃO TEM NADA DE ILÍCITO

Além de envolver-se com o crime, ainda pratica a eugenia

Em um ótimo texto publicado na Carta Capital, Mauricio Dias fala não só da fragilidade da mídia nacional quando esta almeja servir como registro histórico dos fatos, como também do recente papel desempenhado pela revista Veja e por alguns jornalistas que ainda tentam defendê-la diante da evidência quase incontestável de suas ligações criminosas com Carlinhos Cachoeira.

O jornalista que saiu em defesa da revista Veja foi Merval Pereira. O argumento utilizado por ele foi o de que o jornalismo praticado por Veja é investigativo e nada foi revelado de ilícito nas suas relações com Cachoeira. Neste ponto, Merval se esquece de distinguir que no seu afã investigativo, como escreve Mauricio Dias, Veja envolveu-se em um jogo criminoso e, ao invés de denunciar um escândalo, tornou-se ela mesma o próprio escândalo.

Os fatos recentes são suficientes, como mostra Dias, para que no futuro Veja ganhe teses acadêmicas do tipo “O caso Veja”, no entanto, ele considera que o título mais exato seria “Veja, um caso sério”. Sem dúvida, Veja se tornou um caso sério no “jornalismo” nacional à medida que denuncia justamente o nível em que se encontra boa parte da mídia brasileira coorporativista e conservadora.

Acusam sem prova, fabricam situações, acreditam em suas próprias ilusões e ainda se possam de “investigadores”. De fato, fica difícil encontrar qualquer tipo de legitimidade na análise da mídia. A imprensa brasileira não serve como registro histórico, quando muito serve como registro da divisão de poder instalada no Brasil e das tentativas de manipulação da opinião pública decorrente desta mesma divisão.

Veja trecho do texto de Mauricio Dias:

Veja, um caso sério
Por Mauricio Dias

Desde 1996, Marcus Figueiredo investiga os processos eleitorais a partir da cobertura feita pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Nesse período, Figueiredo, agora coordenador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reuniu evidências sólidas para poder afirmar com segurança: “Há certa resistência, da parte dos jornalistas, em admitir a legitimidade da análise de mídia. Os próprios meios dedicam pouco espaço ao tema”.

Há poucos dias, no entanto, o veterano jornalista Merval Pereira, de O Globo, quebrou essa regra não escrita e se dedicou ao tema. Saiu em defesa da revista Veja, envolvida com questões do receituário da CPI.

“O relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tem de ilícito”, assegurou Merval.

Essa afirmação vigorosa se sustenta em bases frágeis. Merval enalteceu o “jornalismo investigativo” praticado na revista. Veja, no entanto, foi parceira de um jogo criminoso. Aliou-se a um contraventor e, no afã de denunciar escândalos, criou escandalosamente um deles. Cachoeira oferecia a munição e Veja atirava.

No futuro, esse episódio e outros deverão ser objeto de estudo acadêmico possivelmente sob o título de “O caso Veja”. Melhor seria abandonar o formalismo acadêmico e chegar a um título mais adequado à tese “Veja é um caso sério”.

Não é a primeira vez que a revista sapateia sobre as regras do jornalismo. Mais do que isso. Frequentemente, ela sai do jogo e -adota o vale-tudo.

Em 2006, por exemplo, Veja foi protagonista de um episódio inédito no jornalismo mundial, ao acusar o então presidente Lula de ter conta no exterior. Na mesma reportagem, no entanto, confessa não ter conseguido comprovar a veracidade do documento usado para fazer sustentar o que denunciava. Só o vale-tudo admite acusação sem provas.

A imprensa brasileira, particularmente, tem assombrosos erros históricos. Um prontuário que inclui, entre outros, a participação na pressão que levou Vargas ao suicídio, em 1954, e quando se tornou porta-voz do movimento de deposição de Jango, em 1964.

A ascensão de um operário ao poder é outro marco divisório da imprensa brasileira. A eleição de Lula acirrou os ânimos dos “barões da mídia”. O noticiário passou a se sustentar, primeiramente, nas divergências políticas e, depois, mas não menos importante, no preconceito de classe. A imprensa adotou o que Marcus Figueiredo chama de “discurso ético de autoqualificação diante dos leitores”. (Texto completo)

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