Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 13 maio, 2012

PAULO FREIRE: SOU PROFESSOR A FAVOR DA LUTA CONSTANTE CONTRA QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO E CONTRA A DOMINAÇÃO ECONÔMICA

Paulo Freire: “minha prática exige de mim uma definição”

“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.
Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê.
Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa.
Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar.” 
(Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 2011)

Leia mais em Educação Política:

PROJETO FUNDAMENTAL: APENAS 600 BRASILEIROS AFORTUNADOS PODEM CONTRIBUIR COM R$ 10 BILHÕES POR ANO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
BERTOLT BRECHT: OS DIAS DO TEU CATIVEIRO ESTÃO CONTADOS, TALVEZ MESMO OS MINUTOS
LÖWY: INTERESSE, CAPACIDADE E CONSCIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA DEVEM GUIAR O PESQUISADOR NA SUA BUSCA PELA VERDADE
JUNG: A RACIONALIZAÇÃO NÃO LIVROU O HOMEM MODERNO DE SEUS FANTASMAS, NA AUSÊNCIA DE UM SENTIDO DO SAGRADO, VIVE-SE UMA ÉPOCA ANESTESIADA, REPLETA DE NEUROSES

CATADORES SÃO ESSENCIAIS PARA A RECICLAGEM NA CIDADE DE SÃO PAULO, MAS MAIORIA NÃO É RECONHECIDA PELA PREFEITURA

Tão essenciais e tão invisíveis ao poder público

Em uma metrópole como São Paulo é desnecessário dizer que o volume de lixo produzido é bastante alto e que, por consequência, seu destino é sempre um problema. A reciclagem, como alternativa sustentável ao modelo dos aterros, é uma atividade que se mostra também rentável ao poder público. No entanto, a atenção à reciclagem ainda não acontece da forma como deveria.

Os milhares de catadores que se vê pelas ruas da cidade de São Paulo, por exemplo, desempenham um papel importantíssimo no processo de reciclagem ao reunir o material e depois realizar a triagem nas cooperativas da cidade. Como mostra notícia publicada pela Rede Brasil Atual, o número de cooperativas da cidade de São Paulo é desconhecido, mas há somente 20 conveniadas com a prefeitura, em todas as outras, a coleta é feita por carroceiros e pelos próprios catadores, que tambem fazem a triagem.

A maioria dos catadores contribui assim para a reciclagem, mas não é reconhecida pelo poder público e também não recebe nada por isso, passando a depender da venda dos materiais para sobreviver. Vale lembrar, como diz a notícia, que “muitos carroceiros vivem em condições de subemprego, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que estima em 2 mil o número de pessoas atuando nesta atividade”.

A falta de reconhecimento dos catadores pelo poder público mostra que a política do lixo em São Paulo deixa muito a desejar. E a situação seria ainda pior se os catadores, hoje invisíveis, não existissem.

Veja trecho da notícia sobre o assunto com mais informações:

Catadores têm papel central na reciclagem em São Paulo, dizem especialistas
Sem remuneração da prefeitura, cooperativas de catadores de materiais recicláveis são as responsáveis pela triagem dos resíduos sólidos, e, por vezes, pela coleta
Por Estevan Elli Muniz

São Paulo – Os catadores de materiais recicláveis cumprem papel fundamental na reciclagem na cidade de São Paulo. Em cooperativas, eles operam centrais de triagem da prefeitura, onde os materiais são separados para reciclagem. O número total de cooperativas na cidade é desconhecido, mas há somente 20 conveniadas com a prefeitura. O convênio prevê que as cooperativas tenham a ajuda de caminhões para coletar o lixo, um espaço para exercer a atividade e os equipamentos necessários. Mas nem sempre esses benefícios são garantidos, e os catadores que nelas trabalham não recebem remuneração alguma da prefeitura, dependendo da venda dos materiais.

Nas cooperativas não conveniadas, não há nada disso, e a coleta é feita por carroceiros e pelos próprios catadores, que fazem a triagem. Muitos carroceiros vivem condições de subemprego, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que estima em 2 mil o número de pessoas atuando nesta atividade.

“Se há alguma reciclagem em São Paulo é por conta dos catadores”, disse a coordenadora executiva do Instituto Pólis, Elisabeth Grinberg. Somente 1% do lixo produzido na cidade é reciclado formalmente. Entretanto, sem os catadores, esse percentual seria menor. Na prática, a quantidade reciclada é maior, já que a quantificação é feita pelos materiais que chegam às centrais conveniadas à prefeitura. Ficam de fora do cálculo o que chega às outras centrais e o material coletado por carroceiros.

“Sem eles, em uma cidade onde a política de administração do lixo é ineficaz, não haveria quem separasse os materiais recicláveis e toneladas de lixo seriam destinadas a aterros sanitários”, disse Elisabeth. Para ela, os catadores não têm reconhecimento pelo serviço prestado à cidade e o número de centrais conveniadas é absolutamente insuficiente para atender a toda a cidade.

Para a arquiteta e urbanista Nina Orlow, do Instituto Pólis, integrante do grupo de trabalho da implementação da Agenda 21 em São Paulo, os catadores deveriam ser remunerados pelo prefeitura já que prestam um serviço público. “Eles não deveriam viver simplesmente da possibilidade da venda de um produto, que às vezes tem mercado, às vezes não. É muito sazonal,” afirmou.(Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

DEPOIS DA ARMADILHA DA VOTAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL NA CÂMARA, AUMENTA PRESSÃO PARA QUE DILMA VETE OS TERMOS QUE BENEFICIAM A BANCADA RURALISTA
ASSENTAMENTO EM SANTARÉM, NO PARÁ, SE TRANSFORMOU NUM VERDADEIRO PALCO DA EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA NA REGIÃO
RECICLAGEM DE LIXO DOMICILIAR PODE GERAR BENEFÍCIOS DE ATÉ US$ 10 BILHÕES DE DÓLARES POR ANO AO BRASIL
EM POUCO MAIS DE CINCO MINUTOS, UMA MENINA DISCURSA NA ONU E DIZ AOS ADULTOS: “SE VOCÊS NÃO PODEM FAZER NADA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE, ENTÃO, PAREM DE DESTRUÍ-LO”
%d blogueiros gostam disto: