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PATRICINHA VAI À DELEGACIA: REPORTAGEM DA BAND CHEGA AO NÍVEL MAIS BAIXO DO JORNALISMO, O ESCÁRNIO

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Por glaucocortez

Blog Educação Política

9 respostas em “PATRICINHA VAI À DELEGACIA: REPORTAGEM DA BAND CHEGA AO NÍVEL MAIS BAIXO DO JORNALISMO, O ESCÁRNIO”

Mas qual a diferença entre zombar de ladrão (se realmente ele for) pé-de-chinelo e zombar de ladrão do colarinho branco?
Qual a diferença entre zombar, achincalhar, ou “no popular”, esculhambar um bandido “pobre” e um banqueiro que pratique ilícitos?
Do mesmo modo que a lei há de valer para ambos, o achincalhe, se cabível, também o deve!
Se é elogiado o CQC, há de serem no mínimo tolerado os “cqcs” da periferia, sob pena de continuarmos a propalar o pensamento de que: roubou porque é pobre / estuprou porque é um coitadinho etc.
Se fosse assim, não haveriam tantos ladrões em Brasília. Não são todos eles muito abastados?

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Prezado Rodrigo,
A sua questão coloca os termos ou conceitos de pobre e rico no mesmo barco, como se fossem uma oposição linguística evidente e como se não houvesse questões históricas, culturais e sociais envolvidas, ou seja, pobres são pobres e ricos são ricos porque esse é o dado da realidade. Também não há diferença na questão entre vida pública e vida privada, o que precisamos sempre levar em consideração, evidentemente. Em nenhum momento aprovamos zombarias do CQC, mas o texto referido diz apenas que há no jornalismo do CQC algo que o jornalismo tradicional parece ter perdido, que é uma cobrança do homem público, uma certa indignação com a situação.

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Glauco,
Minha preocupação deu-se por o post iniciar com um “Patricinha”, podendo dar azo a instigar odiosa luta de classes. Já bastam algumas letras do hoje bem afortunado Mano Brown e a fala infeliz de Emicida (disse: “13 de maio, abolição da escravatura e um negro é preso – Rita Lee foi presa pelo mesmo fato, então, pelo raciocínio de Emicida, a polícia sergipana seria preconceituosa em relação aos brancos, mulheres, ruivos e idosos.).
Se a moça – não sabendo eu se é jornalista formada ou jornalista com as bênçãos de Gilmar – é patricinha por ter boa aparência, pode o eventual bandido também receber uma pecha pela odiosa ação que tenha praticado.
No vídeo ele já confessou o assalto e, caso também tenha estuprado ou o tentado, não se pode olvidar da barbaridade deste crime. Então, se posso fazer troça de banqueiro que roube as economias suadas de famílias trabalhadoras, de empresários que destroem o sonho da casa própria (não entregando unidades vendidas), de políticos que roubem verbas da saúde (matando indiretamente milhões de brasileiros que dependem do SUS), com a mesma razão posso fazer troça de quem assassina, rouba, estupra etc.
As vítimas destes crimes últimos têm a mesma indignação que as dos demais e justamente aspectos históricos e culturais ligados à indignação geram satisfação pela execração pública do meliante.
Assim, se os “ricos” divertem-se com o CQC em suas antenas parabólicas e tvs a cabo (posto em muitos municípios somente assim ser acessada a Bandeirantes), as pessoas de baixa renda divertem-se com programas locais na linha do (aqui na Bahia) “Na Mira”, “Se liga, Bocão”, “Balanço geral” etc. E a audiência cresce exponencialmente, com muito apelo popular, seguindo a linha do pioneiro em divulgação no Youtube: o “Sem meias palavras”, em que apareciam “O velhinho que comeu e não pagou”, e suas peripécias com a garota de programa que dele levou calote;”Leonaldo”, que estava bêbado e atirou uma pedra em um policial, quebrando o óculos dele; e “Jeremias muito louco”, visto e revisto milhões de vezes, que fora preso embriagado, dirigindo motocicleta sem habilitação, dizendo que matava mil, porque é “caba homi” e mataria até o Delegado se ele fosse abusivo.
Pena que há opções melhores, como programas “Aprovado” (que trata de temas educacionais) e “Mosaico Baiano” (abordando temas culturais, em última edição mostrando o bairro Santo Antônio, rico em cultura em Salvador, chegando a entrevista muito interessante com um carteiro do bairro que segue o Hare Krishna), mas nem de longe têm a mesma audiência.
Bom, meu desabafo é em razão de não mais podermos ficar com os dois pés no passado, a divagar sobre um Brasil do futuro. O Brasil é construído no presente, sem sonhos e utopias, mas com ação e reflexão.
Somos todos responsáveis por nossas ações e não podemos ficar tentando criar currais eleitorais.
Não podemos ficar tentando impor o conceito de coitadinho a quem não seja (para isso há o conceito de crime famélico ou de bagatela), nem tentar definir idoneidade por razão inversa à condição econômica.
Temos, sim, de cuidar frear a atual escalada da vagabundagem, desonestidade e desprezo para com a lei e com o outro em todos os níveis sociais. O de baixa renda que roubar pra usar o tênis da moda e explorar seus até então iguais, bem como o de classe média que quer traficar para sustentar um luxo ilusório, e o de classe alta que atropela e mata por se julgar imune à lei.
Ainda, cuidar afastar a nefasta tentativa de justificar atitudes (novamente, excluídos os crimes famélicos/de bagatela) ilícitas mediante desculpas de origem, credo, sexo, condição social etc. Ninguém tem o direito de ser desonesto e a todos cabe a aplicação da devida sanção legal, sem tentar incutir a pecha de discriminador em quem cobra unicamente a honestidade, ou mínima coerência do outro.

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O CQC zomba daquele que se acham cultos e se consideram melhores que o resto. Essa aí só deu vontade de chorar de tristeza: a realidade de um povo que não tem acesso à educação e à uma vida digna.

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Qual a relação da acusação de estupro com vida digna?
Terá dignidade respeitada uma mulher que seja estuprada?

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Ele não diz da acusação de estupro, Rodrigo. Diz da falta de conhecimento sobre o que é “exame de próstata”, daí o “acesso à educação”. Respire fundo e pense com menos radicalismo que vai conseguir interpretar tudo direitinho.

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Minha indignação quando da discussão desses temas, Renan, é a aparente tentativa de colocar o melhor afortunado como vilão e o menos afortunado como coitadinho. Ética, honestidade e outros adjetivos, sinônimos ou antônimos, são atribuíveis ao ser humano em decorrência de suas atitudes, de seus conceitos, ideais, mas não do quanto há em sua carteira/conta bancária; se um rouba porque é menos afortunado, então por que há a mesma ilicitude entre os mais afortunados, que não precisariam de tanto?
Conheço pessoas de todas as “classes sociais” e vejo, sim, duas coisas: 1- é verdadeiro o adágio “educação vem de berço”, sendo a esmagadora regra eu atender pessoas de baixa renda extremamente educadas e honestas; 2- se o “cabra” é desonesto, isso é em decorrência de sua condição de ser humano, de seu caráter, mais ou menos dinheiro não vindo a mudar o quadro.
Então precisamos ver o outro enquanto ser dotado de direitos, que também deve observar seus deveres.
Mas em momento algum elogiei a atual qualidade dos serviços públicos. Concordo, claro, que hoje em dia é mais difícil, ainda que não impossível, que os filhos de famílias menos abastadas tenham oportunidade de alcançar a posição de profissionais de reconhecido sucesso econômico; grande parcela dos médicos, empresários, engenheiros e demais profissionais bem sucedidos de hoje foram filhos de famílias menos abastadas e tiveram acesso unicamente aos serviços públicos – à época, com qualidade em muito melhor era conferida a estes.
Então que se lute pela implementação de melhorias, pelo devido respeito aos direitos e garantias fundamentais, mas que não se propale a visão de a pobreza induzir ao crime.

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