Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 11 junho, 2012

DROGADOS PELO DINHEIRO: FISSURA DE SUPER-RICOS SUSTENTA A MISÉRIA DO MUNDO E ABALA AS ECONOMIAS DOS EUA E DA EUROPA

Teste seu vício: o que isso lhe provoca?

Nos últimos tempos, temos visto no Brasil muitas reportagens sobre os milionários, os mega ricos, os super-ricos. O sucesso econômico do país com o governo do ex-presidente Lula consolidou alguns impérios financeiros pessoais e de grupos econômicos. Isso fez com que um grupo de pessoas, ainda que seleto, pudesse usufruir do mais alto luxo e extravagância. O patrimônio dessas pessoas pode atingir 100 milhões de dólares.

Esse processo não foi diferente na Europa e Estados Unidos, que já garantiam há algum tempo essa cultura do dinheiro sem limite. Mas essa cultura neoliberal pelo enriquecimento sem freio, esse culto ao dinheiro, tem se transformado num grande clube da destruição. Apesar de gerar prazer extasiante para seus viciados, a falta de regras e controles do Estado têm arrasado a economia de vários países. Nesta semana,  por exemplo, os bancos espanhóis vão receber 100 bilhões de euros!

Os super-ricos, os altos executivos de bancos e seus lucros sem controle, os corruptores do sistema político, os manipuladores de má fé de produtos industriais para baratear custos e aumentar o lucro e os ruralistas que se beneficiam de trabalho escravo são alguns drogados pelo dinheiro. 

Essa cultura, que abalou a estrutura da maior economia mundial, os EUA, e do continente mais próspero, a Europa, está imbuída de sentidos falsos e cínicos. Um deles é de que “o mundo é dos espertos”, “todo mundo rouba”, “o importante é levar vantagem”, “política é assim mesmo” etc etc etc. Esse mesmo pensamento é associado à ideologia que combate o fantasma do comunismo. Contra esse fantasma, tudo pode. É a ideologia da extrema-direita, que foi eficiente para combater os comunistas durante a guerra fria e hoje se tornou uma tragédia e uma farsa, replicadas pela mídia.

Esse substrato cultural sustentou as políticas de desregulamentação econômica da Europa e EUA. Nesse bonde, as redes de rádio, TV e Jornais serviram de sustentação espalhando o medo ideológico e avalizando mega fusões de empresas controladoras de mercado. Isso tem destruído a economia de países para manter intactos os drogados pelo dinheiro, também conhecido como “o mercado”, os grandes apostadores das bolsas, os grandes compradores de ações, os grandes corruptores do sistemas, os grandes falsificadores de produtos de mega empresas etc.

A fissura pelo dinheiro se tornou uma droga tão pesada que permitiu o rompimento dos laços societários, da vida em comunidade, da vida em uma cidade, de uma nação. Nesse panorama, não há sequer pudor em se associar a criminosos, corruptores, assassinos, espiões, usurpadores e escravocratas.

A busca pela manutenção ideológica do vício do ganho financeiro permite o vale tudo, da mesma forma como age o garoto pobre que rouba casas, carros, pessoas e mata para poder se drogar e viver uma bela noite de delírio.

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OS PONTOS DE CULTURA, CRIADOS NO GOVERNO LULA, JÁ SÃO COPIADOS NO EXTERIOR, MAS NÃO VIVEM BOM MOMENTO NO BRASIL

Democracia cultural ameaçada

Criados em 2004, pela gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura (MinC), os Pontos de Cultura são voltados para a ação comunitária e recebem investimentos do governo federal ou, em alguns casos, mantêm parcerias com os estados e municípios. A ideia dos Pontos de Cultura sempre foi descentralizar a cultura, espalhar as práticas culturais e refletir determinado grupo ou comunidade em que eles se localizam, além de ampliar o acesso de diferentes pessoas à vivência cultural.

O programa tinha grande importância no governo Lula. Como mostra notícia publicada pelo jornal O Globo, “seu orçamento, que em 2004 era de R$ 4 milhões, chegou a R$ 216 milhões em 2010, o último ano de Lula na presidência”. Durante a campanha de Dilma, ele também ocupou um papel de protagonista. A então candidata reconhecia a sua importância e falava em ampliá-lo.

No entanto, a atual situação dos Pontos de Cultura no país é marcada por dívidas, corte de verbas, cancelamentos e inúmeras pendências do poder público em relação aos grupos culturais do país. A maioria está sem investimentos. A quantidade de verba disponível para financiar o projeto foi bastante reduzida e pelo menos três editais já foram cancelados.

Outro projeto interessante, o dos Pontões de Cultura, que pretende articular pontos de cultura menores e esboçar uma verdadeira rede em torno da economia da cultura, também não recebeu verba suficiente.

A ideia dos Pontos de Cultura vem servindo de exemplo para países como Argentina e Colômbia pelo seu caráter de inovação e prática democrática quando o assunto é disseminar a cultura. Infelizmente, o atual Ministério parece não enxergar a importância dessa rede cultural e enquanto outros países a copiam, ele simplesmente tem se transformado em uma pedra no caminho da democracia cultural.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

Projeto Pontos de Cultura, criado pelo governo, sofre esvaziamento e deve ir à Justiça
Menina dos olhos do governo Lula e prioridade na campanha de Dilma já é copiado no exterior
Por Redação O Globo

RIO – Dívidas, cancelamentos, corte de verbas, sumiço de um documento e uma rede de desinformações vêm tomando conta do principal programa cultural do governo. Projeto criado em 2004 pela gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura (MinC), os Pontos de Cultura tiveram seu orçamento reduzido para menos da metade do último ano do governo Lula para agora. Três dos editais destinados às entidades foram cancelados, inclusive seguindo determinação contrária à da Advocacia Geral da União (AGU), o que deixou dúzias de grupos culturais do país sem investimentos. Tudo isso no projeto que, durante a campanha de Dilma Rousseff, foi chamado de prioritário.

Os Pontos de Cultura são entidades de atuação comunitária no setor e que recebem investimentos do governo federal, em algumas situações em parceria com os estados e os municípios. Em setembro de 2010, o grupo Dilma na Rede, responsável pela campanha oficial da então candidata nas redes sociais, publicou um vídeo em que a atual presidente disse: “Eu tenho certeza de que os Pontos de Cultura, esta rede deve ser ampliada. (…) Considero que são uma das formas mais eficazes de inclusão digital, cultural e social”.

Seu primeiro edital foi lançado em julho de 2004, com cerca de 800 projetos inscritos e 210 selecionados. O programa passou a ser o carro-chefe na área cultural do governo Lula. Seu orçamento, que em 2004 era de R$ 4 milhões, chegou a R$ 216 milhões em 2010, o último ano de Lula na presidência.

Governo não respeita parecer da AGU

Mas, a partir daí, com a mudança de gestão, começaram quedas e cortes. Em 2011, primeiro ano de Dilma, o programa teve disponíveis apenas R$ 80 milhões. Além disso, três editais foram cancelados, o do Agente Cultura Viva, o do Agente Escola Viva e o do Areté. Os contemplados chegaram a ser anunciados e reclamam hoje junto ao MinC que houve gastos na confiança de que o compromisso acordado seria mantido.(Texto completo)

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