Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 12 junho, 2012

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“TALVEZ TENHAMOS QUE DIMINUIR A NOSSA INCLUSÃO PARA PRESERVAR NOSSAS LIBERDADES”, DIZ RICHARD STALLMAN

“Watching you” (vendo você)

No lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, o criador do movimento software livre, Richard Stallman, alertou para as crescentes ameaças à liberdade digital e também para as armadilhas da inclusão. Como mostra notícia publicada pela Carta Maior, ele disse: “a inclusão digital pode ser boa ou ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir a nossa inclusão para preservar nossas liberdades”.

Stallman defendeu em sua fala a liberdade na rede, mas lembrou algo que muitas vezes esquecemos. Tudo o que escrevemos e fazemos na internet está sendo gravado, a ilusão do “deletar” não existe em um mundo conectado como o atual, por isso ele enfatizou a necessidade do internauta se policiar. Ele ressaltou que tudo, tudo mesmo que fazemos está sendo gravado e classificado.

Facebook, Google e Google Analytics foram citados por ele como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. Dentre eles, o mais perigoso é aquele controlado pelos governos. Os sistemas de vigilância se aperfeiçoam cada vez mais. É o mundo que Stálin gostaria de ter, brincou Satallman.

A brincadeira parece estar só mesmo na fala. O criador do movimento software livre citou também a Argentina e seu sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país e lembrou da incompatibilidade entre uma sociedade livre e esses modelos de controle facilitado de cada passo, de cada coisa que um indivíduo diga ou faça.

Esta aí justamente a armadilha, quando mais incluídos digitalmente, mas estamos fora de nossa própria individualidade, mesmo sem perceber.

Veja trecho da notícia:

Liberdade na internet está sob ataque, diz Richard Stallman
Por Marco Aurélio Weissheimer

Porto Alegre – O criador do movimento software livre, Richard Stallman, participou nesta segunda-feira (4), no Palácio Piratini, do lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre, que será realizada de 25 a 28 de julho, no Centro de Eventos da PUC-RS, em Porto Alegre. Em um ato que contou com a presença do governador Tarso Genro, Stallman falou sobre as crescentes ameaças à liberdade na sociedade digital.

Em uma rápida intervenção no início da cerimônia, o governador gaúcho disse que o movimento em defesa do software livre representa hoje “uma das lutas mais importantes para recuperar a densidade da democracia que hoje se encontra esvaziada”. Tarso agradeceu e destacou o empenho de ativistas como Marcelo Branco em defesa da liberdade digital. “Quando eu era ministro da Justiça, foi ele que me advertiu sobre a necessidade de entrarmos no debate sobre o projeto restritivo e de censura que tramitava então no Congresso Nacional. Conseguimos bloquear a votação desse projeto e ajudamos a estimular um debate nacional sobre o tema”.

A fala de Richard Stallman foi marcada por graves advertências acerca das crescentes restrições na internet. Para o criador do Projeto GNU, iniciado em 1983 nos Estados Unidos, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser uma coisa muito boa ou muito ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir um pouco a nossa inclusão para preservar as nossas liberdades”, sugeriu.

Após um período de euforia e liberdade, os usuários da internet devem começar a se policiar, pois tudo o que fazem está sendo gravado e classificado. A palavra “tudo”, aqui, não é força de expressão. É “tudo” mesmo. Stallman citou os casos do Facebook, do Google e do Google Analytics como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. O mais perigoso, defendeu, é aquele controlado pelos governos.

“Grandes empresas privadas como Amazon, Microsoft, Apple e grandes empresas de telefonia também têm seus sistemas de vigilância. Nós podemos controlar isso usando software livre, por exemplo. Mas quando se trata de governos, a situação é mais complicada. Na Inglaterra, há um sistema que diz onde está cada automóvel do país pelo controle da placa. É algo que Stálin não teve, mas que gostaria de ter”, brincou.

Durante a sua fala, Stallman anunciou, em tom de lamento, que amanhã (terça-feira) estará visitando a Argentina pela última vez em virtude de um sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país. “Será meu último voo para a Argentina. Algumas coisas não podem ser toleradas. O Estado não pode saber tudo sobre todos. A polícia secreta da União Soviética não tinha esse controle sobre a vida das pessoas”, protestou o fundador da Free Software Foundation, que acrescentou. “Numa sociedade livre, não pode ser fácil para a polícia saber tudo sobre todas as pessoas. Se for fácil, então não estaremos vivendo em uma sociedade livre”. (Texto completo)

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