Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

VIVEMOS UMA DIÁSPORA DE CONVICÇÕES E SOMOS DIRECIONADOS PELA MÍDIA, DIZ FILÓSOFO OSWALDO GIACÓIA JR

O debate cultural segue a agenda da grande imprensa

“Nós vivemos numa sociedade leiga, essencialmente marcada por um pluralismo de cosmovisões. Então não existe mais aquele tipo de mentalidade monolítica, que tinha uma certa garantia de verdade, chancelada ou religiosamente ou metafisicamente. Pelo contrário, nós vivemos hoje numa espécie de diáspora de convicções. Cada uma delas sustentando seu próprio direito, e esse direito efetivamente só pode ser assegurado no caso de uma sociedade multicultural como a nossa e essencialmente pluralista do ponto de vista ético, a partir da argumentação. 
Desde que você não queira impor alguma coisa, nem pela força nem pela astúcia, a única via possível de legitimação de pretensões é a via argumentativa. Esse é um elemento que complica bastante nossas relações hoje. Nós não temos mais o recurso mais ou menos rápido e cômodo de invocar a vontade de Deus. Não, “eu creio” é uma afirmação que tem de exibir seus títulos de crédito. Se você não for capaz de exibir esses títulos de crédito não está suficientemente qualificado para participar do debate público. 

Uma sociedade multicultural, eticamente plural como a nossa, mas uma sociedade de massa, tem necessariamente que conviver com certos riscos de manipulação em termos de formação, de formatação de opinião, que são capazes de engendrar uma espécie de aparência de liberdade, uma aparência de formação livre de convencimento, onde de fato há uma espécie de direcionamento prévio. O exemplo mais claro que posso oferecer para vocês disso é a formatação do debate cultural pela agenda da sociedade, digamos, ligada aos interesses da grande imprensa hoje. 

Todas as questões fundamentais que estão sendo levadas à discussão não são questões que nascem fora do âmbito dos interesses mais importantes da indústria cultural. De tal maneira que nós não somos tanto autônomos e independentes na escolha dos temas que nós discutimos, porque aquilo já está dado antes. Já está pautado antes pela imprensa”. (Texto integral na Revista E)

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