Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

PASTOR MALAFAIA E A ‘DIFERENÇA BOÇAL’ ENTRE UM RELIGIOSO E UM CIDADÃO QUE EMITE OPINIÃO POLÍTICA

O Pastor Silas Malafaia diz em vídeo no qual fez para atacar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que há uma “diferença boçal” (SIC!!!) entre quem emite opinião política e tem convicção de fé. Mas a diferença boçal não é a liberdade de um religioso expressar sua opinião. Essa talvez seja uma diferença abissal.

A diferença boçal está na forma e nos interesses que se escondem por trás dos religiosos que emitem suas opiniões.

Malafaia emite opinião, e tem todo o direito, mas o faz no formato de sermão. A virada para câmeras diferentes, a aproximação do vídeo, a verborragia raiosa para convencer o incauto espectador. Marshall McLuhan já há muito tempo alertava que o meio é a mensagem. A forma que Malafaia usa para discutir política é boçal porque não se diferencia da forma com que faz proselitismo religioso.

Malafaia entra na briga política não por uma preocupação com a cidade de São Paulo. Não está preocupado com o assassinato de homossexuais, de jovens da periferia, do conflito entre policiais e traficantes, não está preocupado com a educação e saúde dos paulistanos.

Malafaia é claro em seu discurso. Ele entra na política para combater o que ele chamou de “kit gay”. Então, Malafaia não entra na política como um cidadão, mas como um religioso. Mesmo que ele negue, o seu discurso não mente. E essa é a grande diferença boçal de Malafaia.

O candidato José Serra, do PSDB, continua a promover a baixaria.

Veja abaixo o trecho da diferença boçal.

Veja mais em Educação Política:

 

5 Respostas para “PASTOR MALAFAIA E A ‘DIFERENÇA BOÇAL’ ENTRE UM RELIGIOSO E UM CIDADÃO QUE EMITE OPINIÃO POLÍTICA

  1. Deborah Duarte 12 outubro, 2012 às 7:23 pm

    Pior é saber que um cara desse foi mais votado do que o TOM JOBIM e tantas outras figuras que realmente valem alguma coisa na lista do Maior brasileiro de todos os tempos…

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  2. Rodrigo 16 outubro, 2012 às 11:34 am

    Estava lendo há pouco notícia no Ig (http://colunistas.ig.com.br/vivimascaro/2012/10/15/gisele-bundchen-desaprova-atitude-da-irma-raquel/) , em que o Pastor ora referido trata da eleição e do resultado obtido pelos candidatos por ele apoiados. Tece comentários acerca de seu potencial de convencimento junto aos fiéis de sua Igreja, afirma que não elege, mas ajuda a tanto, até o momento em que se chega ao ponto que leva ao post no presente blog: seu apoio a José Serra.
    Concordo que líderes religiosos tenham de ter extremo cuidado ao imiscuirem-se na política. Dela não devem se afastar, mas buscar a devida reflexão, junto aos fiéis, que não sao meramente bois a serem tangidos. Tudo, a fim de não ocorrerem situações tais quais aquela vivenciada por Russomano, no primeiro turno do atual pleito – não é admissível que dois ramos do cristianismo fiquem a duelar, tendo por ponto fundamental a questão do apoio evangélico a um candidato.
    Não é admissível, mais, a tentativa de demonizar a distribuição de material contrário à homofobia, cabendo, sim, críticas à forma como foi feita e a reformulação do material, envolvendo ampla discussão social e mesmo psico-pedagógica, ante tema tão singular e melindroso.
    Então passamos a ter o “kit gay” Haddad e o afirmado “kit anti-homofobia” de Serra; querendo agradar a gregos e troianos, ambos buscam os milhares de votos das “famílias cristãs” e dos omossexuais, como se, seres humanos que todos são, todos, fossem eleitores díspares uns dos outros.
    Ainda, concordo não ser possível dissociar a imagem do Pastor, do Padre, do líder da religião que seja, da figura do credo em si, de modo a um pedido de voto ter um poder ainda maior.
    Mas, então, pergunto qual a diferença, mesmo em relação aos danos futuros, entre o líder religioso que pede votos e a figura do “time do Lulla e Dilma” (que também poderia ser o time do Serra, do Aécio, o póstumo de ACM etc.)? Qualquer deles tem extremo poder de convencimento, levando boa parcela do eleitorado a praticamente não se importar com a história e projetos de determinado candidato, contanto que seja ele do time do ídolo pelo qual torcem.
    Infelizmente nós ainda engatinhamos no que tange à maturidade eleitoral e isso é muito bem explorado nas propagandas eleitorais, que criam uma imagem absurdamente falsa do candidato, enquanto demoniza a figura dos demais, ao final sendo o debate esvaziado de propostas e, mais, de coerência.

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  4. Decio J V Braga 19 outubro, 2012 às 10:21 pm

    Glauco, sou professor e pastor evangélico, com formação muito mais fundamentalista que esse senhor chamado Silas Malafaia.
    Se temos uma posição contrária ao homossexualismo, no que tange à sexualidade, temos esse direito, e temos que ser respeitados.
    O que não podemos, nós os evangélicos, nem o Padre Marcelo Rossi, nem o Bispo de Guarulhos, é entrar em política e misturar religião com estado laico.
    Em momento algum, a Bíblia fala para agredir ou ficar criticando os homossexuais. Em termos de Justiça Divina, é opção de cada um como vai expressar sua sexualidade.
    Há sim, uma cobrança muito maior àqueles que, manipulando a fé alheia, buscam seus próprios interesses.
    Esse senhor, Silas Malafaia, não tem procuração dos evangélicos para falar em nome deles.
    Não tem procuração de Deus para ficar espumando excrecências em nome de Deus.
    Só é unanimidade entre seus seguidores e alguns poucos sem juízo que ainda acreditam nesse desequilíbrio.
    Não há paralelo entre o comportamento dele e o do Senhor Jesus.
    O Vampiro da Mooca, sempre age assim, fica do lado de quem quer que seja, para ganhar uma eleição. Já disseram que para tal ele vende a mãe. Mas Silas tem nas mãos a Palavra de Deus. E no fundo ele sabe que “aquele que mais se dá, mais se pede”…
    No começo do governo Lula, ficou rodeando tentando uma “boquinha”, não conseguiu, foi mudando de lado até encontrar “encosto” no Coiso. Resultado de seu apoio “simpático”: Serra perdeu voto entre os evangélicos.
    Sabe, no fundo…eles se merecem.

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