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EDUCAÇÃO POLÍTICA

A DIFÍCIL BATALHA DE MARCIO POCHMANN E A MEMÓRIA DE ANTÔNIO DA COSTA SANTOS, O TONINHO DO PT

Toninho, ao lado de Lula, são emblemáticos do movimento PT

Ele é professor universitário, pertence aos quadros do PT, nunca exerceu cargo legislativo, já exerceu cargo no executivo e quer ser prefeito de Campinas (SP). Poderíamos estar falando de Márcio Pochmann, que disputa o segundo turno das eleições para prefeito de Campinas, mas poderíamos estar falando também de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, na disputa eleitoral de 2000, há 12 anos. Perfis semelhantes, mas em épocas diferentes.

Apesar de toda a crítica contra o PT naquela virada do milênio, nada se compara ao posicionamento da mídia após vitória de Lula para a presidência da República em 2002. Hoje busca-se criar o ódio de um movimento social que resolveu enfrentar, via política, as mazelas do país.  Márcio Pochmann tem uma batalha tão difícil quanto a de Toninho, mas poderá ter mais força se resgatar essa memória do partido que buscava a igualdade social e a justiça. Toninho é um símbolo para o PT e para a população de Campinas. Ele representou o projeto utópico e necessário que o Partido dos Trabalhadores trouxe para a sociedade brasileira.

Neste ano,  diante do grande número de abstenção e voto nulo na eleição, é comum escutar pelas ruas de Campinas que os políticos não prestam, que bom mesmo era o Toninho do PT.  E dizem: “Toninho sim queria fazer alguma coisa pela cidade e por isso o mataram”. Provavelmente essas mesmas pessoas diriam, se Toninho estivesse vivo, que ele também era um político como os outros. No entanto, após sua morte, ele surge como o sonho que não se realizou porque o sonho nunca acontece para quem não acredita na vida.

Toninho sofreu bastante na mão da imprensa, era criticado dia sim, dia sim. Não a crítica pertinente, mas a crítica partidarizada que todos conheceram nesses anos do governo Lula. Toninho era demonizado como tentam demonizar Lula.  E provavelmente Toninho não seria a unanimidade que se tornou após sua morte se hoje estivesse na política da cidade.

E se tornou uma figura emblemática porque carregava em si o sonho de muita gente, campineira ou não, que acreditou que através da política é possível transformar a sociedade. Toninho foi um obstinado utópico, um tipo de homem que poucos têm a coragem de ser. Muitos preferem a indiferença, ser deslumbrado e não se importar com ninguém. Certamente é mais fácil e assim se pode acreditar em Toninho somente após sua morte. Quem votou em Toninho acreditou na vida, acreditou no político Toninho.

Marcio Pochmann, de perfil semelhante, tem o desafio de resgatar e se inspirar na memória de Toninho, de buscar a política de Toninho e relembrar que o Partido dos Trabalhadores, ainda que tenha seus problemas, teve homens como Toninho. O ex-prefeito de Campinas morreu por um sonho, mas o sonho não morreu. Uma sociedade melhor, mais igualitária e mais justa continua viva junto com a memória de Toninho.

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