Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 25 outubro, 2012

ASSOCIAÇÃO ESPÚRIA ENTRE JORNALISMO E MERCADO DE CAPITAIS SUGA O DINHEIRO DA POPULAÇÃO E TRANSFERE PARA ACIONISTAS DA BOLSA

A suntuosidade da bolsa de valores mexicana: suga a economia da população em associação com a mídia

O mercado de capitais, principalmente a compra e venda de ações de empresas em bolsa de valores, era para ser um grande instrumento de financiamento de empresas. E realmente ainda é. Mas nas últimas décadas, a associação entre jornalismo e empresas ligadas a esse mercado têm gerado crises financeiras como as da Europa e Estados Unidos, retirando direito de populações e aumentando a desigualdade e a pobreza.

Tornou-se comum no jornalismo econômico brasileiro, seja TV, rádio ou impresso, a presença de fontes ligadas a esse mercado. Após uma decisão governamental, é comum os colunistas aparecerem para citar que “os analistas do mercado” ou “segundo analistas de mercado” etc etc etc.

Na maioria das vezes, não se sabe quem são esses analistas de mercado. Mas eles aparecem para avaliar uma medida governamental como se a medida dependesse desse aval. Se eles aprovam, o Brasil estaria no caminho certo. Quando desaprovam, o Brasil estaria no caminho errado. Interessante é que nas últimas décadas tem-se provado o contrário. Quando desaprovam, a economia vai bem, a população e o setor produtivo ganham.

E isso acontece por uma questão muito simples. Os interesses do mercado de capitais não são, na maioria das vezes, compatíveis com o interesse da população. Uma medida econômica que beneficia o mercado pode ser prejudicial à população e vice-versa.  Quando o jornalismo econômico pede aval, bença e reza o terço dos analistas econômicos, a população quase sempre sai perdendo. Os empresários perdem menos porque parte do seu investimento fica no mercado financeiro, assim, se perde de um lado, ganha de outro.

Recentemente algumas notícias deixam clara essa situação. Quando o governo Dilma Rousseff decidiu renovar as concessões das empresas do setor de energia elétrica com o objetivo de reduzir as tarifas para indústrias e residências, os “analistas do mercado” apareceram para dizer que isso é um risco, que faltará investimento etc etc. Na verdade, estavam interessados é no rendimento das ações das empresas de energia que diminuiriam o retorno do investidor. Assim, quem tem ação nessas empresas perde em rendimento e valorização. Ou seja, ele está pensando no bolso dele. E que se dane a população, empresários do setor produtivo e o Brasil. Para os “analistas de mercado”, o mais importante é a lucratividade das empresas e o aumento dos dividendos.

A mesma ladainha se escuta sobre a Petrobrás. Há uma pressão dos “analistas de mercado” para que se aumente o preço do combustível. Para eles, a empresa estaria em risco, com manutenção dos preços etc etc. No entanto, a Petrobrás tem grandes benefícios por ser estatal e deter praticamente um monopólio. Se ela sobe os preços dos combustíveis, a população, o setor produtivo e o Brasil como um todo perde. Mas os investidores de ações da empresa podem ganhar milhões com a valorização das ações. Aumenta o preço do combustível, o país paga mais caro e os “analistas de mercado” e seus clientes lucram.

Esses pequenos exemplos mostram o quão espúria é essa relação entre mercado de capitais e jornalismo econômico. Quanto mais o mercado de ações lucra, mas a população precisa ser arrochada, impedindo o desenvolvimento de diversos setores. A crise da Europa e EUA provocada pelo setor financeiro, em apostas em mercados de risco, fez com que se tirasse direitos da população para pagar esse rombo e não comprometesse os setores de finança e de capitais. Por isso tantos protestos na Europa.

Em nenhum momento a mídia brasileira é capaz de mostrar esse lado vampiro dos mercados de capitais. Pelo contrário, o jornalismo econômico se transformou em um lambe botas do mercado financeiro, respaldando políticas governamentais que prejudicam a população em benefício de investidores.

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QUEM FAZ JUSTIÇA? LULA DEMARCOU TERRA GUARANI-KAIOWÁ, MAS O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DE GILMAR MENDES, DESMARCOU

Mesmo sob ameaças de pistoleiros, indígenas Guarani Kaiowá vão permanecer em seu território

Menina terena e bebê: depois de 500 anos de massacre, ainda resistem

Natasha Pitts -Jornalista da Adital 
Adital via Limpinho & Cheiroso

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

Na última sexta-feira (10), indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS), Centro-Oeste brasileiro, cansados da morosidade da justiça, decidiram retomar parte do tekoha (território sagrado) Arroio Koral, localizado no município de Paranhos. Poucas horas depois, nem bem os cerca de 400 indígenas haviam montado acampamento, pistoleiros invadiram o local levando medo e terror para homens, mulheres e crianças.

A ação resultou em indígenas feridos, mas sem gravidade. Além disso, permanece desaparecido o Guarani Kaiowá João Oliveira, que não conseguiu fugir. Com a chegada da Força Nacional os pistoleiros se dispersaram e fugiram.

No momento do ataque, os/as indígenas correram e se espalharam pela mata, no entanto, passados os momentos de pânico, aos poucos os Guarani Kaiowá foram retornando para o acampamento e mesmo se sentindo inseguros e amedrontados pretendem não sair mais de lá.

O Guarani Kaiowá Dionísio Gonçalves assegura que os indígenas estão firmes na decisão de permanecer no tekoha Arroio Koral, mesmo cientes das adversidades que terão que enfrentar, já que o território sagrado reivindicado por eles fica no meio de uma fazenda.

“Nós estamos decididos a não sair mais, nós resolvemos permanecer e vamos permanecer. Podem vir com tratores, nós não vamos sair. A terra é nossa, até o Supremo Tribunal Federal já reconheceu. Se não permitirem que a gente fique é melhor mandarem caixão e cruz, pois nós vamos ficar aqui”, assegurou.

Dionísio informou que no momento as lideranças indígenas estão aguardando a chegada da Polícia Federal no acampamento para iniciar as investigações sobre o acontecido e para a realização das buscas por João Oliveira. “Eles disseram que vinham depois das 12h, estamos esperando por eles e por outros órgãos para resolver o problema”, afirmou.

Conflito fundiário

A batalha pela retomada de terras indígenas não é de hoje no Mato Grosso do Sul. Neste estado, onde se localizam os mais altos índices de assassinatos de indígenas, esta população luta há vários anos pela devolução de terras tradicionais e sagradas. Dentro deste contexto de luta já aconteceram diversos ataques como os de sexta-feira, muitos ordenados por fazendeiros insatisfeitos com a devolução das terras aos seus verdadeiros donos.

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

O processo continua em andamento, mas tem caminhado a passos muito lentos, já que ainda não foi votado por todos os ministros. Assim, fartos da morosidade da justiça brasileira, os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada da terra.

Os indígenas escreveram uma carta para os ministros do Supremo Tribunal Federal e para o Governo Federal em que reivindicam o despejo dos fazendeiros que ainda estão ocupando e destruindo territórios tradicionais já demarcados e reconhecidos pelo Estado brasileiro e pela Justiça Federal e exigem a devolução imediata de todos os antigos territórios indígenas.

“Sabemos que os pistoleiros das fazendas vão matar-nos, mas mesmo assim, a nossa manifestação pacífica começa hoje 10 de agosto de 2012. Por fim, solicitamos, com urgência, a presenças de todas as autoridades federais para registrar as nossas manifestações pacíficas, étnicas e públicas pela devolução total de nossos territórios antigos”, anuncia o último trecho da carta assinada por lideranças, rezadores, mulheres pertencentes ao Povo Kaiowá e Guarani dos acampamentos e das margens de rodovias, ameaçados pelos pistoleiros das fazendas, dos territórios reocupados e das Reservas/Aldeias Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

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