Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

O SAMBISTA ADONIRAN BARBOSA ANTECIPOU GERALDO ALCKMIN E EXPLICA A VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO COM SAMBA DA DÉCADA DE 60

Adoniram eternizou Pinheirinho meio século antes de acontecer

A genialidade do sambista Adoniran Barbosa é capaz de explicar com meio século de antecedência porque São Paulo vive uma guerra civil entre policiais militares e o PCC.

Ele nos mostra que a raiz está no Pinheirinho (expulsão de moradores em bairro de São José dos Campos a mando da Justiça e com a força policial do Estado de São Paulo, comandado por Geraldo Alckmin). Pinheirinho é um exemplo e não é novidade. Esse é o cerne da violência em São Paulo. A violência começa com os poderes do Estado (Justiça e Executivo) contra sua própria população.

Adoniran fez a música na década de 60 do século passado e nada mudou. O oficial de justiça e o poder do Estado, que deveriam garantir condições dignas de moradia para o seu povo, em primeiro lugar, são aparelhos da violência e da desigualdade. A política da elite brasileira não muda.”É ordem superior”, diz Adoniran.

E Adoniran perguntou a Geraldo Alckmin meio século antes de Pinheirinho: “e essa a gente aí hein,  como é que faz?”

Despejo na Favela

“Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo
entregou pra seu narciso
um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor, assim dizia a petição,
dentro de dez dias quero a favela vazia
e os barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não seu doutor
vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
em qualquer canto me arrumo, de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás,
Mas essa gente ai hein como é que faz????

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10 Respostas para “O SAMBISTA ADONIRAN BARBOSA ANTECIPOU GERALDO ALCKMIN E EXPLICA A VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO COM SAMBA DA DÉCADA DE 60

  1. Rodrigo 7 novembro, 2012 às 4:08 pm

    Inicialmente, é Adoniran é realmente genial. O coloquialismo, a simplicidade das letras, a abordagem da vida urbana, em muito se dissocia do que hoje temos de ouvir nas rádios.
    Só fiquei sem entender o porquê de se dizer a desocupação de Pinheirinho como a raiz, o cerne do assassinato de seres humanos servidores públicos integrantes das forças de segurança pública ostensiva. Qual a possível relação entre o cumprimento de ordem judicial em que houve a prática de crimes do lado de parte dos moradores e de parte dos policiais com a prática de assassinatos por integrantes do PCC?
    A desocupação de Pinheirinho teve efeito retroativo até a formação do PCC?
    O PCC está sendo colocado como um defensor dos fracos e oprimidos? O PCC é integrado pelos moradores de Pinheirinho? O que o PCC está fazendo é algo bom e louvável?
    O PCC é um representante da população?
    Realmente ficou sem sentido a fala, conectando temas tão díspares.
    Creio, sim, que essa é a hora de meus colegas Advogados, integrantes de comissões dos direitos humanos, bem como ongs diversas, promoverem passeatas em defesa da vida de tantos policiais pais de família, assim como de quem mais estiver sendo assassinado, clamando pelo fim da violência.
    Caso contrário, muitos continuarão a vê-los, conforme já ouvi diversas vezes, como defensores dos “direitos dos manos”, adoradores de bandidos. É bom lutar por condições dignas de cumprimento de penas, pelas melhorias no sistema carcerário, não se podendo esquecer que todos os seres humanos são iguais e merecem a mesma defesa da vida.

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    • glaucocortez 8 novembro, 2012 às 12:39 pm

      Rodrigo, pense bem e você verá uma enorme relação. Veja que Adoniram nos diz que “Pinheirinho” (não com esse nome) já existia há meio século.

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      • Rodrigo 8 novembro, 2012 às 3:45 pm

        Não discordo disso, Glauco. Há, sim, milhares de “Pinheirinhos” pelo Brasil, sendo ainda certo que em outra ocasião eu citei o caso da Favela Pullman, no qual os Advogados dos moradores foram diligentes e conseguiram demonstrar à Justiça que a função social da posse, dado o imenso transcurso de tempo, o efetivo abandono da área (restando saber se era caso similar o de Pinheirinho e se houve qualquer alegação nesse sentido), sobrepujava o direito de propriedade, conforme a ementa que segue do acórdão:
        “Civil e Processual. Ação Reivindicatória. Terrenos de Loteamento situados em área favelizada. Perecimento do direito de propriedade. Abandono. CC, arts. 524, 589, 77 E 78. Matéria de fato. Reexame. Impossibilidade. Súmula n. 7-STJ. I. O direito de propriedade assegurado no art. 524 do Código Civil anterior não é absoluto, ocorrendo a sua perda em face do abandono de terrenos de loteamento que não chegou a ser concretamente implantado, e que foi paulatinamente favelizado ao longo do tempo, com a desfiguração das frações e arruamento originariamente previstos, consolidada, no local, uma nova realidade social e urbanística, consubstanciando a hipótese prevista nos arts. 589 c⁄c 77 e 78, da mesma lei substantiva. II. “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial” – Súmula n. 7-STJ. III. Recurso especial não conhecido. (RECURSO ESPECIAL Nº 75.659 – SP 1995⁄0049519-8)”.
        Assim, novamente, caso tenha havido abandono de fato e de direito (no caso de Pinheirinho havia ação de reintegração de posse), resta saber se em algum momento foi alegada a função social da posse, haja vista o brocardo jurídico no sentido “Dormientibus non succurrit jus”, ou “o Direito não socorre os que dormem”.
        Minha crítica foi em relação a relacionar uma facção criminosa que tem assassinado policiais e suas famílias com a desocupação de uma área. Como disse, pois, não posso crer que os policiais e seus familiares mereçam ser assassinados, nem mesmo que o PCC esteja se arvorando à condição de defensor dos fracos e oprimidos.

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      • glaucocortez 9 novembro, 2012 às 12:20 pm

        Não, sua interpretação da relação foi equivocada. O PCC não é defensor, é resultado da política pública.

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  4. Rodrigo 12 novembro, 2012 às 9:42 am

    Como disse, a minha interpretação decorreu do uso dos termos “raiz” e “cerne”, quanto a Pinheirinho em relação ao atual momento de violência extrema, o que inegavelmente leva à tentativa de impor uma relação de antecedência e superveniência entre dois fatos díspares.

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